quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Reflexão: Marcos 6,30-34

Reflexão: Marcos 6,30-34

“Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo que tinham feito e ensinado. Jesus lhes disse: ‘Vinde vós sozinhos para um lugar deserto e repousai um pouco’. Pois eram tantos os que iam e vinham, que eles não tinham tempo nem para comer. Eles partiram de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, vendo-o partir, muitos compreenderam para onde iam, e de todas as cidades foram a pé e chegaram antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão de povo e sentiu compaixão dele, pois eram como ovelhas sem pastor. E se pôs a ensinar-lhes muitas coisas”.

Diz o texto de Marcos: “Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado”.

Os discípulos retornaram da missão (tinham saído de 2 em 2 para pregarem, anunciarem a boa-nova do evangelho e expulsarem demônios além de realizarem muitas curas e libertação espiritual) e agora é chegada a hora de prestarem contas a Jesus. Sendo assim, eles fazem junto ao Cristo, uma avaliação do ‘trabalho’ que realizaram.

Reflexão: Fazemos uma avaliação semanal, quinzenal ou mensal do nosso ‘trabalho’ para Jesus? Como é esta avaliação: individual ou em grupo? Ou não paramos para nos avaliar e vamos tocando o nosso trabalho sem essa preocupação?

Reparem que, é o próprio Jesus quem convida os discípulos para irem a um lugar deserto, separado do meio do povo, a fim de ficarem a sós para descansarem e fazerem a avaliação do ‘trabalho’ realizado. Ocorre entre eles uma espécie de retiro. Diz o texto:
“Vinde vós sozinhos para um lugar deserto e repousai um pouco”.

Reflexão: Quantas vezes no mês ou no ano eu me retiro para esse encontro pessoal com Cristo? Quanto tempo eu tiro para ficar sozinho (a) com Jesus e fazer uma avaliação da minha vida, do meu matrimônio, do meu papel de pai, mãe, filho (a), do meu papel de cristão? Quanto tempo eu tiro para repousar a minha cabeça sobre os ombros de Jesus?

Jesus observa a situação do povo. É uma situação insuportável. O povo renegado, desprezado, marginalizado, deixado de lado.
“Eram como ovelhas sem pastor”.

Reflexão: Como tem sido o meu papel de pastor da minha família? Tenho cuidado do meu rebanho (minha família)? Tenho guiado este rebanho para os prados e campinas ou não ligo a mínima para o rebanho?

É importante lembrar que, não basta fecundar um filho (a) e colocar no mundo sem dar ao filho (a), uma formação, educação, socialização. A sociologia diz que “a família é a primeira agência socializadora da vida da pessoa”, ou seja: a família tem o dever o papel de transmitir todos os valores, éticos, políticos, sociais, cristão para os seus membros e isso é papel dos ‘pastores da família’. Não podemos deixar nossos filhos, nosso ‘patrimônio’ sem rumo, direção, cada qual se virando sozinho. Observem o que Jesus diz:
“Jesus viu uma grande multidão e sentiu compaixão deles”.

Queridos (as) somos chamados a cuidar um dos outros, a atendermos as necessidades dos necessitados. Compaixão é: colocar-se no lugar do outro, sentir a dor e necessidade do outro é colocar-se na pele e na vida do outro. Não basta somente ter pesar, tristeza. Compaixão me leva a atitudes concretas, prática. Vejamos o que diz Tito 3,14.
“Aprendam a exercitar as boas obras para atenderem as necessidades urgentes”.

Meus irmãos, a fome não espera. Quantos necessitados e nós desperdiçando comida. Quanta coisa em nossas casas que não usamos mais e que podem servir aos necessitados (desde que esteja em boas condições é claro).
E quanto a moradia, saneamento, saúde, educação, quantos necessitados que são abandonados por aqueles que deveriam cuidar, zelar por eles.

Segue o texto de Marcos dizendo: “Havia tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer”.

Observem que: Os discípulos pelo menos têm o que comer o que lhes falta é tempo para se alimentarem. Já a multidão não tem o que comer. Diz o texto: “os necessitados são muitos”.

É a multidão com fome de pão, com fome da palavra de Deus, com fome de carinho, acolhida, amor. Multidão com fome de ser aceita, reconhecida como “filhos de Deus” que busca a sua dignidade.

Multidão que não tem nada. Onde morar, o que comer vestir. Multidão que não tem a onde buscar saúde, qualidade de vida.
Onde estão os ‘pastores’ deste povo?”Onde estão aqueles que foram colocados para ‘servir o povo’? O que estão fazendo?

Será que estão pastoreando seus salários milionários para dentro de suas vultosas contas correntes em paraísos fiscais?
Será que estão ‘guiando’ seus salários para benefícios próprios?

Cabe a cada um refletir: Quem é que você ajuda? De quem é que você tem compaixão? A quem você estende a mão?

Diz o Livro de Atos 20,12: “Os mortos serão julgados segundo as suas obras, segundo as obras que estavam escritas no livro”.

Reflexão: Como anda as suas obras, as suas realizações a favor dos necessitados? Você tem escrito a sua vida no livro das boas obras?


Diac. Luiz Gonzaga (Arquidiocese de Belém/PA).
diaconoluizgonzaga@gmail.com

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