segunda-feira, 23 de maio de 2011

História da Basílica Santuário de Nazaré - Belém.


Em 1700, no lugar onde encontrou a imagem da Virgem de Nazaré, de 28 cm, o caboclo José Plácido construiu uma palhoça, logo transformada em centro de devoção, que hoje é a Basílica Santuário de Nazaré.



História - Em 1721, quando o primeiro bispo do Pará, Dom Bartolomeu do Pilar, foi visitar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré na ermida construída por Plácido, aconselhou-o a se unir ao político e devoto Antônio Agostinho, para ajudá-lo a erguer uma nova capela. Foi dessa ermida que saiu o primeiro Círio em 1793. Após a chegada desse primeiro Círio, foi lançada a pedra fundamental da terceira ermida.



Em 11 de outubro de 1861, foi criada, canonicamente, a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, mas dependia do Vigário da Igreja da Santíssima Trindade.



Barnabitas - Em 21 de agosto de 1903, chegaram a Belém os padres Barnabitas, sendo que, em 03 de fevereiro de 1905, passaram a administrar a Igreja de Nazaré.



Em 1908, chegou ao Pará o padre Luiz Zoia, visitador dos Barnabitas, e propôs, como planta geral, uma reprodução em escala menor da Basílica de São Paulo em Roma.



Padre Luiz Zoia, auxiliado pelos arquitetos italianos Ginno Coppede e Giuseppe Pedrasso, de Gênova, tratou dos esboços e desenhos. Diretor das obras, organizador, expedidor das plantas e dos materiais da Itália, o padre Zoia foi,por duas décadas, a alma da construção.



Na parte de decoração teve o apoio do professor Grolla e, depois, dos engenheiros Tiago Bolla, Acatauassú Nunes e Júlio Topino, com os técnicos da MARMIFERA LIGURE (italiana).



Basílica - Em 24 de outubro de 1909 foi colocada a pedra fundamental da Basílica por Dom Santino Coutinho, arcebispo do Pará. Estavam presentes o governador Augusto Montenegro, o prefeito Antônio Lemos e as demais autoridades, sendo o vigário, padre Emílio Richert, quem deu grande impulso à obra.



Em setembro de 1914 foi colocada a cumeeira (parte principal para sustentação do telhado). Em 1916 estavam concluídas a cripta, as paredes e o telhado, além da torre. Em 19 de junho de 1923, o templo recebeu de Roma o título de Basílica. Nesse mesmo ano, em 15 de agosto, foi inaugurado o Altar-Mor, com o padre Afonso Di Giorgio celebrando suas bodas de Prata Sacerdotal.



O segundo impulso foi do padre Afonso Di Giorgio, adicionando os vitrais, os forros, os mosaicos, as estátuas, os altares, os estofamentos, a fachada, as portas de bronze e outros adornos, além de incluir também o revestimento e embelezamento da obra, até o ano de sua morte, em 1962. Padre Afonso Di Giorgio foi o barnabita que fez da Basílica a maravilha do Pará.



Estilo arquitetônico - Pelo estilo basilical e imponência do monumeto, metade da Basílica assenta-se sobre uma cripta, exigida para a elevação do terreno como proteção contra umidade.



As linhas arquitetônicas da Basílica Santuário de Nazaré apresentam o estilo romano, bem como a decoração interna e externa. O frontão triangular apresenta grande painel feito em mosaicos pela firma Gianese de Veneza, onde a imagem de Nossa Senhora de Nazaré aparece no meio do cenário amazônico, sendo notável, no canto direito, as figuras do fundador da cidade e personalidades de era antigas, junto às do prefeito e do governador da época da inauguração, em trajes modernos (paletó).



Na bacia do Ábside, limitada por um arco romano, há uma faixa em mosaíco de ouro de um metro de altura, onde aparecem, entre folhas e flores, sete brasões: Pio XI (no centro), Brasil, Pará, Belém, Barnabitas (PTA), Dom Santino Coutinho (1º Bispo do Pará) e Dom Irineu Jofily.



Medidas - A Basílica tem 62 metros de comprimento, 24 metros de largura e 20 metros de altura, 2 torres com 42 metros de altura, 36 colunas de puro granito maciço, 54 vitrais (da firma Champigneulle, de Paris), 38 medalhões em mosaico de 1,5 metro de diâmetro, 19 estátuas do mais puro mármores de Carrara, 2 candelabros de bronze (vindos de Milão), 24 lampadários venezianos, 9 sinos eletrônicos, um órgão (com três teclados e 1.100 tubos) e 11 altares.



Em 1992, a Basílica foi colocada entre as mais belas construções tombadas pelo Patrimônio Histórico do Pará.



Santuário de Nazaré - Na religião Católica é consid­erado um Santuário a Igreja frequentada por fiéis vindos de outras regiões atraídos por algo que existe especificamente naquele Templo. Assim, a Basílica Santuário de Nazaré foi oficializada Santuário e recebeu o título de Santuário Maria­no da Arquidiocese de Belém, em 31 de maio de 2006, pelo então Arcebi­spo Metropolitano de Belém Dom Orani João Tempesta, e teve como reitor o barnabita padre José Ramos das Mercês.



Esse título veio para a Basílica de Nazaré devido realizar diversos ser­viços espirituais e sociais, e também por receber vários romeiros, peregri­nos e diversas pessoas que vêm à Belém agradecer e/ou fazer um pe­dido à Nossa Senhora de Nazaré, principalmente durante o Círio de Nazaré, a maior procissão religiosa brasileira.



Segundo padre Ramos, desde que o caboclo paraense Plácido José de Souza encontrou em 1700 a peque­na imagem da Virgem de Nazaré, já era considerado natural­mente o local como santuário. “De­pois que Plácido encontrou a imagem, a casa dele e as capelas construídas próximas do local do achado, onde se tem hoje a Basílica Santuário de Nazaré, tornaram-se meta de visi­tação e romarias, transformando o local sagrado em uma espécie de ‘santuário natural’”, disse.

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