sexta-feira, 22 de junho de 2012

RELATIVISMO RELIGIOSO.

Relativismo Religioso


             Certamente, caro leitor, em algum momento você já ouviu falar em relativismo religioso.
Talvez não tenha tido interesse pelo assunto por pensar que isto não tem relação alguma com sua vida cotidiana.
O fato é que o relativismo e, sobretudo o relativismo religioso constitui um sério problema nos nossos tempos; muitos, inocentemente, se deixam levar e influenciar por ele.
            Por relativismo entende-se a negação da verdade absoluta e perene. O relativismo é uma corrente de pensamento que já existe desde a antiguidade, basta lembrar o filósofo Protágoras de Abdera (nascido entre 491 e 481 a.C), considerado como o fundador do relativismo ocidental, que afirmava: “o homem é a medida de todas as coisas, das que são por aquilo que são e das que não são por aquilo que não são”. Em última análise o homem é o próprio critério da verdade. O problema do relativismo atinge as várias dimensões da vida humana: moral, ética, religiosa, política, social etc.
            O então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, em sua homilia proferida na Santa Missa de abertura do Conclave (18 de abril de 2005), fez a seguinte afirmação: Quantos ventos de doutrina viemos a conhecer nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modalidades de pensar…! [...] O ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é muitas vezes rotulado como fundamentalismo. Entrementes o relativismo ou o deixar-se levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina aparece como orientação única à altura dos tempos atuais. Constitui-se assim uma ditadura do relativismo, que nada reconhece de definitivo e deixa como último critério o próprio eu e suas veleidades”. Em minha opinião, esta colocação do Papa sintetiza a problemática do relativismo religioso.
            Muitos irmãos católicos, enfraquecidos na fé tem se deixado levar pelos ventos de doutrina que constantemente sopram nos céus da história e enganados pela esperteza dos homens tem abandonado a sã doutrina e abraçado doutrinas estranhas à fé cristã. Muitos pensam que ser católico e também ter outras crenças, freqüentar outros ambientes de “fé” é algo normal e muito bom. Uns chegam a afirmar: “Ah! Vou a todo canto que fala de Deus!”. Parece que já não há critério de discernimento e nesse caso a fé católica reduz-se a mais uma verdade e mais um credo em meio a tantos outros e isso é gravíssimo!
            Há uma grande confusão, pois muitos têm anunciado Jesus, mas anunciam um Jesus distorcido, que não é o que a Igreja anuncia por XX séculos de história, criando dessa forma várias figuras de Jesus. Na verdade anunciam um Jesus que se adéqua às necessidades e anseios de cada pessoa. Nesse sentido a fé se torna algo muito subjetivo e intimista; é uma fé de conveniências. Muitos que se dizem católicos seguem a doutrina de seitas que estão alicerçadas no misticismo, no esoterismo, na nova era, na evocação dos mortos, em filosofias orientais com muita naturalidade. O Santo Padre ao falar aos bispos do Regional NE-3, por ocasião da visita ad limina, sublinhava que os batizados não estavam sendo suficientemente evangelizados e pela falta de uma fé sólida se deixam enganar por tantas “verdades” que estão por aí (10 de setembro de 2010).
            É um imperativo a todos nós aprofundar nossa fé, ter uma vivência cristã e acreditar naquilo que a Igreja ensina, só assim caminharemos no caminho da verdade plena que é Cristo Jesus. Que a breve exposição desse tema, que a meu ver é muito delicado e importante para os nossos dias, tenha ajudado você, caro leitor, a compreender que a sã doutrina não se encontra por aí em qualquer beco de esquina, mas na Igreja de Cristo. Encerro essa reflexão citando as palavras do nosso saudoso D. Estevão Bettencourt, osb: “A Igreja sabe que a Palavra de Deus revela com veracidade quem é Deus e qual o seu plano de salvação. [...] Ao proclamar a verdade absoluta, a Igreja não ignora a influência, às vezes prejudicial, das culturas na formulação dos juízos religiosos e éticos de cada indivíduo, mas os católicos crêem que esses possíveis obstáculos e desvios podem ser corrigidos pela insistência de quem procura sinceramente” (Revista Pergunte e Responderemos, nº 531, ano 2006, p. 394 – disponível em: http:// www.presbiteros.com.br/site/o-que-e-o-relativismo/).


Seminarista Felipe Costa Silva


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