sexta-feira, 16 de março de 2012

OPRESSÃO MALIGNA.


Infelizmente, há muito desconhecimento por parte dos cristãos sobre os estágios de controle demoníaco sobre as pessoas e muitos estão confusos quanto ao modo como Satanás opera, o que torna necessário fazer a distinção entre opressão e possessão neste estudo. Vejamos.

Opressão maligna:

A opressão espiritual é caracterizada pela atuação demoníaca sobre as pessoas sem que os demônios dominem completamente suas mentes ou possuam os seus corpos.

Opressão espiritual é um avassalador assédio exercido pelo diabo contra a pessoa, induzindo-a, pela tentação ou pela indução, a posturas existenciais e a atitudes e reações emocionais malignizadas.

Pela opressão, Satanás consegue criar nas pessoas a idéia de que sofrem enfermidades graves ou incuráveis, sem causa aparente ou comprovada, podendo também levar a pessoa a apresentar distúrbios emocionais ou comportamentais identificados nas reações psicossomáticas ou pela obsessão em relação à determinada questão.

Vale ressaltar que toda a opressão inicia, subjetivamente, pela mente, pois quando a mente humana não está em harmonia com a vontade de Deus, está vulnerável às sugestões satânicas. Satanás se aproxima lenta e sorrateiramente, procurando seduzir e influenciar a mente das pessoas até ao ponto em que desobedeçam à Palavra de Deus e que tenham prazer em uma vivência mundana orientada nas sugestões existenciais, sociais ou religiosas oferecidas pelos espíritos malignos. A sugestão é o primeiro passo do estratagema diabólico na tentativa de oprimir alguém, Mateus 16.23 e Efésios 2.1-2.

Vale destacar também que qualquer pessoa, seja cristã ou incrédula, pode ser oprimida por Satanás. Ninguém e nenhum ser dotado de cérebro está imune à opressão de Satanás, Marcos 5.11-14 e 1 João 5.19, que pode ser motivada por diversas causas que servem de precedente para que o diabo seduza ou influencie a mente humana. Pessoas que persistem na prática do pecado mesmo depois da decisão por Cristo, sentindo prazer em pecar, ou que encastelam no coração mágoas, ódio, inveja e ressentimentos estão vulneráveis a sedução do diabo e, por certo, sofrerão opressão maligna, Efésios 4.17-32 e Tiago 3.14-16. Da mesma forma, aqueles que desprezam o senso religioso, desvalorizando a devocionalidade espiritual e aqueles que duvidam do poder e da vitória de Jesus no embate contra Satanás, estão passivos de opressão satânica.

A opressão maligna, conforme Caio Fábio, geralmente, se manifesta com os seguintes sintomas: a) Mania de perseguição semelhante, porém mais séria e mais psicologicamente distorcida, do que a apresentada em uma esquizofrenia. Algumas pessoas têm a sensação de estarem sendo vigiadas o tempo todo.

Algumas pessoas, em circunstâncias mais objetivas de opressão, sentem mãos apertando o peito quando se deitam para dormir e outras visualizam vultos, ouvem passos no telhado ou em cômodos vazios da casa, à noite ou durante o dia. Há pessoas, principalmente do sexo feminino, que têm a nítida sensação de estarem sendo observadas com lascívia quando entram em banheiros ou outros locais isolados.

b) Sexualidade distorcida e exacerbada. São pessoas que têm taras sexuais doentias tais como sado-masoquismo, pedofilia, zoofilia, pornografia, swing, mixoscopia e outras distorções diabólicas da sexualidade humana. Tais pessoas sempre têm seus olhares lasciva e obscenamente carregados de desejos sexuais e suas palavra sempre soam como uma apologia de Afrodite, a deusa do sexo na mitologia. Colossenses 3.5 alerta sobre a necessidade de vencermos tais desejos.

c) Fobias irracionais. O diabo oprime a pessoa com um medo doentio e irracional que paralisa e acorrenta a pessoa na indecisão, na prevenção ou na timidez, não permitindo que ela consiga superar desafios existenciais, espirituais, profissionais, relacionais e intelectuais. É medo de escuro, de altura, de ser derrotado ou de vencer. É medo de feitiçaria, de macumba e de seres espirituais. O pior de tudo é quando o diabo impõe o medo de viver, induzindo a pessoa ao suicídio.

d) Ódios, mágoas e ressentimentos não superados e encastelados no coração, que são remoídos e que vão corroendo os relacionamentos até que seja gerado o desejo de vingança. Muitos casos de possessão demoníaca iniciam na opressão ocasionada pela fomentação deste sentimento homicida.

e) Doenças infundadas e sem causas somáticas comprováveis. Dor de cabeça, dor na coluna, tonturas, tremedeiras, desmaios e outras enfermidades para as quais os médicos não vêem causas e os medicamentos não têm eficácia. São doenças espirituais e a cura para estas doenças é exclusivamente em oração, a partir da libertação.

Em casos mais sérios o diabo, pela opressão, acomete a pessoa de cegueira, de atrofias, de paralisias, de surdez, de demência, de tumores ou de outras enfermidades mais graves que até são comprovadas, mas que não respondem positivamente ao processo terapêutico. Mateus 17.14-21 e Lucas 13.10-17 mostram claramente que a epilepsia do garoto e a cifose da mulher eram manifestações demoníacas.

f) Desânimo para a vida e postura maníaco-depressiva constante. São pessoas que sofrem da "síndrome de Lippy", que durante todo o tempo murmura "ó dia, ó céus, ó vida". Nada está bom. Nada agrada ou satisfaz. São pessoas que sofrem de um mórbido desânimo em relação à existência; a vida que levam; ao trabalho que realizam; ao salário que recebem; ao casamento; aos filhos; a casa em que moram; aos bens que adquiriram; a igreja. Reclamam e murmuram de tudo.

Muitas destas pessoas são suicidas em potencial. Vemos em Números 11.1-6 e em 1 Coríntios 10.10, um alerta de Deus sobre esta maldição e no Salmo 143, vemos que, após admitir a opressão, nos versos 3 e 4, o salmista nos exorta a rejeita-la e a vencê-la pela fé e submissão a Deus, como lemos nos versos 8-12.

Outros sintomas podem ser observados, mas até mesmo os grupos neopentecostais admitem que estes aqui alistados são os mais freqüentes e mais comuns, pelo que, é crucial estudarmos e conhecermos estas diversas maneiras pelas quais os demônios oprimem e escravizam as pessoas. Por natureza e devido à corrupção do pecado somos vulneráveis aos ataques de Satanás e só conseguiremos resistir a sua sedução se tivermos consciência efetiva do que ele é capaz de fazer contra as criaturas e os filhos de Deus.

Não podemos nos esquecer que por causa da prevalência do mal moral e do mal sistêmico no mundo o diabo tem poder para promover destruição, fazendo com que as pessoas se predisponham constantemente para o pecado e para a perda do interesse efetivo pelas coisas genuinamente espirituais ensinadas na Palavra de Deus.

O grande perigo que corre a pessoa oprimida é que o diabo tentará dar o segundo passo na tentativa de concretizar a possessão sobre a sua vida e seu corpo. Devemos observar a decorrência da opressão que é um estado obsessivo compulsivo e mórbido, que varia de intensidade de pessoa para pessoa.

Muitas vezes a pessoa oprimida tem condições de optar pela libertação, mas a pessoa obcecada fica tão iludida que acredita estar fazendo as coisas da maneira correta, não desejando a libertação. A pessoa oprimida que é tomada por obsessão não percebe a necessidade de libertação e pode se tornar uma vítima voluntária de Satanás, permitindo-se à perpetuação da ilusão maligna em sua vida.

A obsessão decorrente da opressão não é um estado de possessão consolidado, mas é uma reação bem mais perigosa e arriscada do que a opressão que a desencadeia. Quando a pessoa chega ao estado de obsessão, para efeitos práticos, está mentalmente perturbada. Tal perturbação psicológica pode ser mascarada por uma neurose ou por uma paranóia acentuadas, que colocam a sanidade da pessoa sob suspeita, o que é também uma estratégia sórdida de Satanás para a manutenção do oprimido sob seu domínio.

Um caso clássico de opressão maligna que desembocou em obsessão diabólica é o de Saul, narrado em 1 Samuel capítulos 18 a 28, em que o Texto Sagrado mostra claramente que tudo começou com o ciúme, passando pelo temor, gerando a inveja que detonou a ira homicida, e terminando numa forma branda de possessão, caracterizada pela procura da feitiçaria para a prática da necromancia .

O desafio é termos sensibilidade e discernimento espiritual para identificarmos a opressão maligna, bem como a obsessão decorrente, evitando erros espirituais grotescos como a oração de libertação para enxaqueca da irmã acometida de TPM ou o encaminhamento do oprimido que busca a cura para a claustrofobia ou para a síndrome do pânico para o psicólogo.

Diácono Luiz Gonzaga

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