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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
ESBOÇOS PARA REFLEXÃO
Maturidade espiritual como obtê-la.
1) Rejeitando as coisas infantis: 1 Cor. 13,13
2) Cultivando o entendimento: 1 Cor. 14,20
3) Perseguindo o ideal cristão: Ef. 4,13
4) Vencendo a tentação: 1 Jo. 2,14
Devemos crescer no conhecimento:
1) De Deus: Col. 1,10
2) De sua vontade: Col. 1,9
3) De seu amor: Ef. 3,19
4) De seu poder: Fil. 3,10
5) De sua glória: 2 Cor.4,6
6) De seu propósito: Jô. 16,13
Mudanças por que passa o cristão:
1) De parentela: Jô.1,12
2) De coração: Hb. 10. 16-22
3) De mente: Ef.4,24
4) De vida: Rom. 6,4
5) De condição: Rom. 5,1
Deveres especiais dos pais:
1) Ensinar os filhos: Dt. 6,7
2) Treinar: Prov. 22,6
3) Prover: 2 Cor. 12,14
4) Criar: Ef. 6,4
5) Controlar: 1 Tim. 3,4
“Saia da posição de vítima”. Quem se coloca na posição de vítima, atribuindo à responsabilidade do que lhe aconteceu a alguém de fora ou a eventos externos, deverá se responsabilizar pelas conseqüências de se colocar nesse lugar.
A escolha é livre, mas, a semeadora não. Para cada causa existe um efeito e não há como escapar dessa lei universal.
Quem planta manga não pode colher açaí. Porque não escolher fazer escolhas proativas (a favor), assumindo o lugar de agente da própria vida?
Ao fazer isso, você deixa de ser aquele que reage ao que vem de fora, para ser alguém que observa e escolhe a melhor atitude a ser tomada.
A diferença entre permanecer no papel de vítima, sonhando com uma solução mágica que virá de fora e assumir a força interior que tem dentro de você, aprendendo a exercitar a capacidade de fazer as melhores escolhas, é a diferença entre, permanecer no quarto escuro e fechado, chorando a escuridão e a de abrir as portas a as janelas e deixar a luz entrar.
Nesta vida temos o poder de construir e de destruir. É preciso definir se eu construo ou destruo.
Para isso é necessário tomarmos atitudes condizentes com a situação em que estamos passando. Quem quer fazer o bem, mas não o pratica, está gerando conflito em sua mente.
Quando as nossas atitudes, nossas práticas de vida, nossos pensamentos fluem do coração, podemos operar verdadeiros milagres em nossas vidas. Portanto deixe de se fazer de vítima e A T I T U D E J Á. Coragem!
Entenda isso: Deus nunca desiste de você, nunca para de olhar para você, ele nunca muda os seus planos para você. Deus nunca para de acreditar em você, de que você é capaz sim.
Lembre-se disso constantemente, Deus vê algo dentro de você que o mantém estimulado e envolvido. É algo que mais ninguém pode ver.
DESCUBRA A SUA GRANDEZA. Pare de procurar a aprovação de outros. Deus está vendo algo dentro de você que outros não podem ver, se recusam a ver, e talvez nunca o vejam.
Não ocorra atrás de pessoas que não descobriram sua grandeza o seu tesouro. Você possui um tesouro fora do comum. É invisível, mas irrefutável. Veja 2 Cor. 4,7.
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”.
Deus sabe disso, Ele o criou. Ele sempre soube do propósito invisível para o qual você foi criado.
Diácono Luiz Gonzaga (Arquidiocese de Belém/PA.)
diaconoluizgonzaga@gmail.com.br
O pecado e suas consequencias
Vamos primeiro conceituar o que é o pecado para depois falar das suas conseqüências.
O que é o pecado? É a transgressão da Lei. É rebelião, errar o alvo, é andar em desacordo com os princípios divinos.
(1 João 3,4) “Quem comete pecado, transgride também a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”.
Temos quatro áreas de atuação do pecado, da transgressão da Lei Divina. Vejamos quais são:
1)- O homem peca quando transgride as normas estabelecidas por Deus em relação ao Criador.
Ou seja: Quem crê em Jesus não é condenado, mas, quem não crê transgride a Lei Divina e está condenado.
(João 3,18) “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Único de Deus”. (1ª transgressão da lei: “Não crer em Deus”).
2)- O homem peca quando transgride as normas estabelecidas por Deus em relação a seu próprio corpo.
Ou seja: Se alguém destruir o Templo de Deus (corpo), Deus o destruirá.
(1 Cor.3,16-17) “Não sabeis que sois Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o Templo de Deus, Deus o destruirá, porque o Templo de Deus é Santo e esse Templo sois vós”.(2ª transgressão da Lei: “Destruir seu corpo que é Templo do Espírito Santo).
3)- O homem peca quando transgride as regras de Deus em relação ao seu semelhante.
Ou seja: Devemos amar ao próximo como a nós mesmo.
(Mateus, 22,39) “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. (3º transgressão da Lei: “Não amar ao próximo como a si mesmo”).
4)- O homem peca quando transgride as regras de Deus em relação a natureza.
Ou seja: Quando destrói a natureza por ganância ou maldade. Deus criou as plantas, os animais e as ervas para o mantimento do homem. Podemos matar os animais para a nossa subsistência e não por maldade ou ganância de lucros.
(Gênesis,1.29-30) Deus disse: “Eis que vos dou todas as plantas que produzem sementes e que existem sobre toda a terra e todas as árvores que produzem frutos com sementes para vos servirem de alimento. E todos os animais da terra, todas as aves do céu... para seu alimento” e assim se fez. (4ª transgressão da Lei: “Destruição da natureza”).
Já vimos o que é o pecado e as suas transgressões. Agora vamos ver: “A origem do pecado”.
O pecado originou-se no coração de Lúcifer, quando ele intentou, planejou, teve o orgulho de ser igual a Deus.
(Ezequiel 28,15) “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que, se achou pecado em ti”. O pecado do orgulho de ser igual a Deus.
Outro texto: (Ezequiel 28,2) Assim diz o Senhor Deus: “Porque teu coração tornou-se orgulhoso... tu, porém não é um deus, mas, pensastes ter a mente igual de Deus”.
O grande problema é que Lúcifer não estava satisfeito em ser o querubim ungido (anjo investido de autoridade) para proteger o Éden.
Lúcifer era formoso e sábio. Ele habitava entre pedras preciosas no Éden, o Jardim de Deus.
(Ezequiel 28,13-14) “No Éden, no Jardim de Deus te achavas. De todo tipo de pedra preciosa era o teu manto: cornalina, topázio, berilo, crisólito, ônix, jaspe, safira, granada e esmeralda. Teus engastes foram trabalhados em ouro preparados no dia em que foste criado. Como um querubim protetor eu te havia colocado”.
Ocorreu então que, por sua rebelião e egoísmo, Lúcifer foi expulso do Éden, o Jardim de Deus, do céu, dando origem ao pecado e levando consigo um grande número de anjos.
(Apoc. 12,9) “Foi expulso o grande dragão, a antiga serpente chamado de diabo ou satanás, sedutor de toda a terra habitada, foi expulso para a terra e seus anjos foram expulsos com ele”.
Temos aqui três nomes: “grande dragão”, “antiga serpente” e “sedutor da terra”. Ou seja: Temos com três nomes, aquele que, usa sua tática, sua artimanha e sua força para enganar, seduzir, mentir para os filhos de Deus. Ele faz isso porque é mentiroso e inimigo da verdade.
(João 8,44) “... ele era homicida desde o princípio, não se manteve na verdade porque nele não há verdade. Quando diz mentiras fala sua própria linguagem porque é mentiroso e pai da mentira”.
O que aprendemos aqui: Satanás, diabo, cramulhão, encardido, grande dragão, sedutor da terra, capeta..., é sempre em adversário de Deus, pois, seduz o homem com mentiras. Ele é o agente e origem do pecado. Foi ele quem, com mentiras, provocou a queda do homem. Cuidado, ele é astuto.
“A queda do homem”: Destituído de todos os privilégios celestiais, Lúcifer, achou no homem a obra prima de Deus, a maneira de se vingar de Deus – Criador.
Dessa forma, arquitetou um plano para levar Adão e Eva a desobedecerem à ordem divina ao darem ouvidos a suas palavras enganosas, mentirosas, sedutoras. Adão e Eva cederam ao engano, astúcia, dedução de satanás. Ver: Todo capítulo de Gênesis 3/ Romano 5,12-19.
O princípio fundamental do pecado é o egoísmo, o meu “EU” e a rebelião contra Deus. Na queda do homem, o diabo ou como queira chamar, apelou para tudo que poderia despertar o egoísmo e a rebelião de Adão e Eva. Ele seduziu, mentiu e eles acreditaram na mentira de satanás de que poderiam ser iguais a Deus e assim conhecer o bem e o mal. Ver: (Gênesis 3,4-5)
Conhecer o bem e mal, significa: A totalidade do conhecimento. Mas ao tentar obter a totalidade do conhecimento, o homem entra em conflito com Deus. O homem não pode pensar como Deus. O homem não entende os desígnios de Deus.
Leia o que diz Paulo na carta aos Romanos 11,34. O homem é criatura, portanto, tem que ser submisso a Deus. Ver: Tiago, 4,7.
Ouço muito as pessoas dizerem: “Fui tentado por Deus”. MENTIRA. Veja o que diz Tiago em 1, 13. Deus respeita o livre arbítrio do homem. Deus dotou o homem de capacidade de escolha. Por ter o homem escolhido o mal, entra o pecado no mundo.
Plantando aquela árvore no Éden e proibindo o casal de saborear o seu fruto, Deus estava dando ao homem a possibilidade de servi-lo espontaneamente, escolher obedecer às ordens dadas por Deus.
A vontade de Deus é que Adão e Eva escolhessem o melhor.
Mas respeitando o livre arbítrio do homem, sua liberdade de escolha, Deus sempre deixa a escolha de obedece-lo ou não a critério do homem. Ver: Deuteronômio 11,26-29.
A razão da queda do homem foi tão somente em conseqüência da sua escolha errada, preferindo a sedução de satanás a escolher Deus.
Refletir: Será que não estamos fazendo escolhas erradas? Será que não estamos nos deixando seduzir por satanás? Será que não estamos preferindo satanás a Deus?
A bíblia diz que, pelo primeiro homem, Adão, entrou o pecado no mundo (Romanos 5,12). Agora por ser a humanidade descendente de Adão, todo ser humano já nasce em pecado, o pecado original, que somente o batismo é capaz de tirar. Ver: Salmo 51,6 e Provérbios 28,13.
O pecado é responsável por toda espécie de miséria e condenação humana. Com essa natureza pecaminosa, o ser humano comete atos pecaminosos cada vez mais claros contra Deus e o seu próximo (violência sem freio, famílias destruídas...)
“Conseqüências do pecado”: 1)- O pecado cauteriza a mente. O pecado extirpa, ou seja, destrói a mente do homem. O homem torna-se insensível e sem afeto natural. O pecado tem o poder de entorpecer, debilitar a consciência da pessoa. Ver 2 Timóteo 3,1-3.
2) – O pecado impede a prosperidade: A pessoa que peca, nuca prospera em nenhuma das dimensões da prosperidade. Física, material e espiritual. Não consegue concluir nenhum projeto em sua vida. Ver Salmo 107,17.
3 ) O pecado afasta o homem de Deus: O homem afastado de Deus fica à mercê das desgraças, dos seus próprios vícios e prazeres. Ver Isaias 59,1-2. O afastamento de Deus nos leva a sermos escravos dos vícios, mentiras, orgulho e prazeres desregrados (hedonismo). Ver Judas 1,7
4)- O pecado leva a morte: A morte eterna que é a separação definitiva de Deus. Ver Romanos 3,23.
Qual então o remédio para o pecado? ARREPENDIMENTO/CONFISSÃO E DEIXAR DE PECAR.
Arrependimento: Este é o primeiro passo para a salvação. Arrependimento dos pecados cometidos, das transgressões e rebeliões que fazemos contra Deus. É mudar na mente e no coração de forma sincera. Ver Atos 3,28.
Confissão: Além do arrependimento é necessário, confessar os pecados cometidos. É necessário, admitir o erro e confessa-lo com a própria boca. Ver: 1 João, 1,9.
Deixar o pecado: É preciso, abandonar o pecado, não continuar no erro. Ver: João 8,10-11.
Jesus que insistir em nós, por isso diz a mulher adúltera, como diz a cada um de nós: “Vai e não peques mais”.
Jesus quer nos conquistar e não nos destruir. O verdadeiro amor de Jesus por nós faz com que Ele nunca desista de nós, por mais que nós no dia a dia o decepcionamos.
Jesus não tem medo de perder o que tiramos dele, sua paciência. O que Ele tem medo é de nos perder para o mundo, para sedução de satanás, pela liberdade de escolha que nos dá.
Qual a sua escolha?
diaconoluizgonzaga@gmail.com
Reflexão: Marcos 6,30-34
“Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo que tinham feito e ensinado. Jesus lhes disse: ‘Vinde vós sozinhos para um lugar deserto e repousai um pouco’. Pois eram tantos os que iam e vinham, que eles não tinham tempo nem para comer. Eles partiram de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, vendo-o partir, muitos compreenderam para onde iam, e de todas as cidades foram a pé e chegaram antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão de povo e sentiu compaixão dele, pois eram como ovelhas sem pastor. E se pôs a ensinar-lhes muitas coisas”.
Diz o texto de Marcos: “Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado”.
Os discípulos retornaram da missão (tinham saído de 2 em 2 para pregarem, anunciarem a boa-nova do evangelho e expulsarem demônios além de realizarem muitas curas e libertação espiritual) e agora é chegada a hora de prestarem contas a Jesus. Sendo assim, eles fazem junto ao Cristo, uma avaliação do ‘trabalho’ que realizaram.
Reflexão: Fazemos uma avaliação semanal, quinzenal ou mensal do nosso ‘trabalho’ para Jesus? Como é esta avaliação: individual ou em grupo? Ou não paramos para nos avaliar e vamos tocando o nosso trabalho sem essa preocupação?
Reparem que, é o próprio Jesus quem convida os discípulos para irem a um lugar deserto, separado do meio do povo, a fim de ficarem a sós para descansarem e fazerem a avaliação do ‘trabalho’ realizado. Ocorre entre eles uma espécie de retiro. Diz o texto:
“Vinde vós sozinhos para um lugar deserto e repousai um pouco”.
Reflexão: Quantas vezes no mês ou no ano eu me retiro para esse encontro pessoal com Cristo? Quanto tempo eu tiro para ficar sozinho (a) com Jesus e fazer uma avaliação da minha vida, do meu matrimônio, do meu papel de pai, mãe, filho (a), do meu papel de cristão? Quanto tempo eu tiro para repousar a minha cabeça sobre os ombros de Jesus?
Jesus observa a situação do povo. É uma situação insuportável. O povo renegado, desprezado, marginalizado, deixado de lado.
“Eram como ovelhas sem pastor”.
Reflexão: Como tem sido o meu papel de pastor da minha família? Tenho cuidado do meu rebanho (minha família)? Tenho guiado este rebanho para os prados e campinas ou não ligo a mínima para o rebanho?
É importante lembrar que, não basta fecundar um filho (a) e colocar no mundo sem dar ao filho (a), uma formação, educação, socialização. A sociologia diz que “a família é a primeira agência socializadora da vida da pessoa”, ou seja: a família tem o dever o papel de transmitir todos os valores, éticos, políticos, sociais, cristão para os seus membros e isso é papel dos ‘pastores da família’. Não podemos deixar nossos filhos, nosso ‘patrimônio’ sem rumo, direção, cada qual se virando sozinho. Observem o que Jesus diz:
“Jesus viu uma grande multidão e sentiu compaixão deles”.
Queridos (as) somos chamados a cuidar um dos outros, a atendermos as necessidades dos necessitados. Compaixão é: colocar-se no lugar do outro, sentir a dor e necessidade do outro é colocar-se na pele e na vida do outro. Não basta somente ter pesar, tristeza. Compaixão me leva a atitudes concretas, prática. Vejamos o que diz Tito 3,14.
“Aprendam a exercitar as boas obras para atenderem as necessidades urgentes”.
Meus irmãos, a fome não espera. Quantos necessitados e nós desperdiçando comida. Quanta coisa em nossas casas que não usamos mais e que podem servir aos necessitados (desde que esteja em boas condições é claro).
E quanto a moradia, saneamento, saúde, educação, quantos necessitados que são abandonados por aqueles que deveriam cuidar, zelar por eles.
Segue o texto de Marcos dizendo: “Havia tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer”.
Observem que: Os discípulos pelo menos têm o que comer o que lhes falta é tempo para se alimentarem. Já a multidão não tem o que comer. Diz o texto: “os necessitados são muitos”.
É a multidão com fome de pão, com fome da palavra de Deus, com fome de carinho, acolhida, amor. Multidão com fome de ser aceita, reconhecida como “filhos de Deus” que busca a sua dignidade.
Multidão que não tem nada. Onde morar, o que comer vestir. Multidão que não tem a onde buscar saúde, qualidade de vida.
Onde estão os ‘pastores’ deste povo?”Onde estão aqueles que foram colocados para ‘servir o povo’? O que estão fazendo?
Será que estão pastoreando seus salários milionários para dentro de suas vultosas contas correntes em paraísos fiscais?
Será que estão ‘guiando’ seus salários para benefícios próprios?
Cabe a cada um refletir: Quem é que você ajuda? De quem é que você tem compaixão? A quem você estende a mão?
Diz o Livro de Atos 20,12: “Os mortos serão julgados segundo as suas obras, segundo as obras que estavam escritas no livro”.
Reflexão: Como anda as suas obras, as suas realizações a favor dos necessitados? Você tem escrito a sua vida no livro das boas obras?
Diac. Luiz Gonzaga (Arquidiocese de Belém/PA).
diaconoluizgonzaga@gmail.com
"Viver a dois: Uma eterna construção"
Psicóloga Lúcia Abreu
Especialista em terapia de casal e família
Mesmo em tempos de grandes transformações sociais, como a que vivemos, a grande maioria das pessoas continua se casando com a expectativa da indissolubilidade, de permanência no tempo, da vontade de compartilhar a própria história.
Tornar-se casal é uma das mais complexas e difíceis transições do ciclo vital e não ocorre automaticamente com a cerimônia do casamento. A formação do casal pode levar anos e pode até mesmo não ocorrer. Há casais que se separam sem nunca terem estado casados. O casamento além de ser um grande desafio é ao mesmo tempo mais do que um rito de passagem. Termina uma etapa da vida e assenta-se sobre um mito: “ e viveram felizes para sempre.
Paradoxalmente, portanto, o casamento bem sucedido caracteriza-se como um processo de contínua mudança com a concomitante renegociação de expectativas e acordos. Logo, a necessidade de um bom relacionamento conjugal pressupõe mudar para continuar a existir. E, o equilíbrio entre o que manter para garantir a continuidade do casal e o que abandonar, transformar ou criar para fazer frente às exigências que surgem a cada etapa da vida, ameaçando a relação, caracteriza o casamento como um sistema em constante revisão e reconstrução.
Ser casal supõe a existência de complementaridade e acomodação nos planos sexual, afetivo e econômico. O que envolve um mútuo dar e receber no dia-a-dia, com espaço para diálogo, diferenças, criatividade e trabalho. Portanto, envolve um EU e um TU, assim como precisa preservar o espaço para a coexistência do que é individual de cada parceiro e do que é conjugal. No entanto, a convivência diária traz para dentro da relação uma realidade muitas vezes parcial ou totalmente desconhecida. Desse confronto com a realidade frequentemente surgem conflitos, gerando crises. Mas acontece que as crises não acusam o fim do casamento. Pelo contrário, as crises são importantes e saudáveis para o desenvolvimento da relação conjugal, pois dão a oportunidade de cada um perceber o outro e a si mesmo com mais realismo e poder ter expectativas mais reais para a relação.
Perceber que o outro não faz parte de si mesmo é fundamental para que a relação amadureça e se construa com base no amor. É importante que o casal tenha conhecimento que o amor surge com a convivência, que ninguém ama de imediato. O casamento pode ser uma relação aberta ao crescimento, na medida em que permitir reconhecer e superar crises.
Um aspecto importante no casamento é o afeto e o amor. A maioria dos casais espera manter esse sentimento ao longo da vida e a não existência tem sido considerada a maior razão para a dissolução da relação. No entanto é comum que ocorra uma perda gradual da ligação afetivo-amorosa, com um declínio do cuidado pelo outro. O afeto pode vir a ser substituído por um afeto neutro. O amor, não consegue continuar igualmente ao de quando o casal se conheceu. Esses dois sentimentos, ao longo de sua existência também sofrem modificações. No entanto, para a continuidade da relação, numa qualidade satisfatória, é como se, a cada etapa da vida, o casal tivesse que se redescobrir, se escolher e se casar novamente, tantas vezes quantas forem renovadas as bases do vínculo amoroso que os une. Se a relação do casal solidificou-se ao longo dos anos, essa é a hora de desfrute e de reinvestimento no casamento.
A autora é psicóloga com especialização em terapia de casal e familiar.
E-mail lmt@oi.com.br
Onde é que a familia falha?
Psicóloga Lúcia Abreu
Uma pergunta freqüente neste momento de muita mudança, de muita dúvida com relação aos valores, é como está se saindo a família na educação dos seus filhos; o que está marcando a relação dos pais com suas crianças e adolescentes. Preocupações com a possibilidade de que os filhos se envolvam com drogas, promiscuidade sexual e que os filhos não estejam preparados para a competição profissional no futuro fazem parte da rotina dos pais.
Como contrapeso ao medo de que os filhos fujam ao controle dos pais, vêm os planos, as expectativas de sucesso. Há pais capazes dos maiores sacrifícios, para manter os filhos em escolas “fortes” que lhes garantam a entrada em uma faculdade. Em função das expectativas dos pais a criança, às vezes, não tem nem tempo para brincar. Porque passa o dia entre a escola, a aula de reforço, a aula de computação e por aí a fora.
Preencher de maneira “útil” o tempo das crianças apazigua o temor dos pais de que elas fiquem “vagabundas”, irresponsáveis se deixadas por conta própria. De que, ao chegar à fase adulta, não cultive nenhum interesse e não venha a ser bem sucedida profissionalmente. Em tudo isso não vai nenhuma crítica aos pais, cuja tarefa de educadores hoje é dificultada pelo conflito de valores em que vivemos, e por um consumismo cada vez mais exigente. Só que eles ficariam mais tranqüilos se considerassem que o jovem entra no círculo da droga quando lhe é mais fácil apropriar-se dos valores do grupo que o induz a consumi-las do que apropriar-se dos valores que a família lhe oferece. É só quando a família não tem força de atração para lhe passar seus valores que os valores do outro grupo ficam mais atraentes.
Onde a família falha? Por exemplo, na atribuição de responsabilidades que dêem ao filho o sentido de seu próprio valor. Pouquíssimas crianças e jovens têm responsabilidades em casa; pouquíssimos são vistos, no contexto familiar, como indivíduos com alguma contribuição a dar na vida da família. Desde pequena a criança se acostuma a ser servida o tempo todo, a contar com uma mãe que se esfalfa levando os filhos de uma atividade para outra, enquanto o pai arca com o custo enorme dessas atividades. Ela, a criança, parece existir só para ser servida. Sua única obrigação é tirar boas notas na escola e sair-se bem nas demais atividades fora de casa. Muitos dos que enfrentaram dificuldades econômicas na infância e na adolescência, empenhados em dar uma vida melhor aos filhos, só lhe pedem uma coisa: que estudem. Eles não levam em conta que são as trocas – quando também fazem a sua parte no cuidado da casa, dos outros irmãos, do que é de todos – que começam a preparar os filhos para a vida.
Porque é que em nossa sociedade existe uma crise da adolescência? Um dos motivos é por que o adolescente ainda não tem idéia de qual poderia ser sua função social. Esse processo começa em casa, num contexto em que todos têm o que dar e receber, em que todos têm condições de cuidar e ser cuidados.
Por falta dessa base, porque não houve um treino adequado de dar e receber desde a infância, a adolescência muitas vezes se prolonga além da conta em nossa sociedade. O indivíduo já adulto continua achando que merece uma série de regalias, de privilégios, sem precisar dar nada em troca. O que, na realidade, revela um grande medo de assumir a própria vida.
E-mail – lmt@oi.com.br
"Ela é a filha predileta do Pai"
“Ela é a filha predileta do pai”
Vivemos mais um Círio de Nazaré. Mais uma oportunidade que nos foi oferecida pelo Pai, para através da Mãe, como intercessora e medianeira, chegarmos ao Filho, Jesus Cristo.
O Documento do Concílio Vaticano II, “Lúmen Gentium”, no número 53 diz: “Filha predileta do Pai e Sacrário do Espírito Santo, com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres”.
Aqui está o grande mérito de Maria, “Filha predileta do Pai”. Diz à tradição que, de acordo com os costumes judaicos, aos três anos de idade, Maria teria sido apresentada ao Templo de Jerusalém e também, segundo a tradição, teria permanecido ali até aos 12 anos no serviço do Senhor, quando então teria morrido seu pai, São Joaquim.
Com a morte do pai, Maria teria se transferido para Nazaré, onde São José morava. Três anos depois, realizaram os esponsais.
Pela tradição da Igreja, Maria permaneceu dos três aos doze anos de idade no Templo, servindo ao Senhor. Portanto, nove anos sendo preparada, forjada por Deus para se tornar a “Filha predileta do Pai”.
Foram nove anos no Templo de serviço ao Senhor, que proporcionaram a Maria toda uma preparação para que Ela viesse a ser tornar a bem-aventurada, aquela que “ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres”.
Ao ser prepara por Deus para se tornar a “filha predileta do Pai”, aquela que “ultrapassa todas as outras criaturas” Maria agora vai colocar-se a serviço de Deus como “Sacrário do Espírito Santo”, colaboradora no projeto da salvação ao servir Deus com o seu “SIM”.
Maria, ao responder ao anjo: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc.1,38), torna-se colaboradora na “obra da salvação”.
Maria serve assim ao Cristo na encarnação, na vida pública e na cruz.
De forma muito bem clara, diz a Lúmen Gentium nº 57: “Esta união da Mãe com o Filho, na obra da redenção, manifesta-se desde o momento
Maria é desta maneira, colaboradora no projeto da salvação ao servir Deus com o seu “SIM”.
Na vida pública de Jesus, sua Mãe, manifesta-se logo no início, quando, nas Bodas de Caná da Galiléia, movido de misericórdia, conseguiu com sua intercessão que Jesus, o Messias, desse início aos seus milagres (João 2,11).
Podemos então pensar: O que poderia ter acontecido naquela festa de casamento sem a intercessão de Maria? Imaginem uma festa de casamento, dentro da tradição judaica, sem o vinho?
É Maria que intercede e continua hoje igualmente, intercedendo para que possam chegar até ao Filho Jesus Cristo nossas súplicas.
O milagre das Bodas de Cana foi o ponto de partida dos milagres de Jesus a favor dos homens. Lembrando: com a intercessão de sua Mãe Maria!
Segue nos dizendo o Doc. Lúmen Gentium: “Sofreu profundamente como seu unigênito...” Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, unigênito é: único gerado, filho único.
Observem bem: gerado e não fecundado.
Diz o Credo niceno-constantinopolitano: “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado...”.
Atentem: Eu, você, fomos fecundados através do ato sexual que existiu entre o pai e a mãe de cada um, entre a relação de um homem e uma mulher. A fecundação é o transmitir do germe que proporciona, fomenta o desenvolvimento do feto e isto se dá através da sexualidade entre um homem e uma mulher.
Dentro do contexto teológico, o Cristo não foi fecundado porque não existiu a cópula sexual, ou seja, não houve o contato físico e sexual do anjo com Maria. Assim sendo, a ação milagrosa do Espírito Santo gera forma, dá existência no ventre de Maria, o Filho de Deus.
Segue a Lúmen Gentiun nº 53: “A bem aventurada, Virgem Maria Mãe de Deus que, na anunciação do anjo recebeu o verbo de Deus no coração e no seu corpo”. Fica, portanto, D E S C A R T A D A toda e qualquer possibilidade de outra situação a não ser a apresentada pelo Magistério da Igreja Católica Apostólica Romana. Isto é: “A bem aventura VIRGEM MARIA”.
Quando o documento diz que Maria “sofreu profundamente com o seu unigênito” projeta-nos as dores de Maria. Dores estas que jamais levaram essa mulher humilde, simples, do meio do povo, a reclamar, blasfemar ou maldizer a Deus e a si mesmo.
Vejamos quantas dores essa mulher passou:
1- Sofreu com a polêmica de sua gravidez.
2- Grávida, prestes a dar a luz, não tinha onde ficar.
3- Tem seu filho único em meio a fezes e urina de animais.
4- Ao nascer, o filho é colocado sobre fenos.
5- É perseguido pela polícia de um tirano, Herodes.
6- Foge para um país vizinho com uma criança recém-nascida.
7- Ouve que seu coração será transpassado por uma lança quando o menino é apresentado ao Templo.
8- Vive a angústia pela perda indo encontrá-lo após três dias.
9- Escuta seu filho ser chamado de Belzebu (chefe dos demônios).
10- Assiste ser preso injustamente.
11- Acompanha a troca do mesmo por um bandido (Barrabás).
12- Sente a dor da injusta condenação do filho de Deus.
13- Sofre ao ver Jesus morrer de forma humilhante no madeiro da Cruz.
Sinceramente meus irmãos, quem de nós agüentaria passar por tudo isso? Quem de nós, pai ou mãe, passaria por todas estas dores sem maldizer a Deus ou a si mesmo?
Maria não, Ela não. Maria não desanima não blasfema não maldiz a Deus.
Muito pelo contrário: “Maria medita todas essas coisas em seu coração” (Lucas 2,51). Ela é mulher corajosa, forte, determinada. Uma simples dona de casa, humilde, mas determinada em aceitar e viver o projeto divino em sua vida.
Novamente o Doc. Lúmen Gentium: “Os fiéis esforçam-se por crescer na santidade, levantem os olhos para Maria que é modelo de virtude”.
Virtude de paciência, resignação, humildade e muito amor. Maria é também animadora do povo de Deus. Nos leva ao encontro de seu Filho e de nosso irmão Jesus Cristo.
Que esta grande procissão do Círio de Nazaré possa nos fazer caminhar com a Mãe rumo a caso do Pai. Que Ela como boa medianeira, intercessora que é, possa sempre estar pedindo por todos nós, pobres e limitados mortais.
Pedindo por nós sim, pois sabemos que Maria faz o papel de medianeira e intercessora como disse. Temos todos nós a perfeita consciência de que Jesus é o único mediador entre o Pai e a humanidade (1 Tim 2,5; Atos 4,12; Jô 14,6).
Todos nós católicos sabemos disso. Agora, Jesus, a Graça em pessoa, passa por Maria. Mediante o seu consentimento, o seu sim, Jesus chega ao mundo por meio de Maria.
Foi pela encarnação de Cristo e pela maternidade que Maria se tornou a medianeira, e diria mais: “Mãe portadora de todas as graças que é Jesus Cristo”.
Eu fico a me perguntar: Será que ser a Mãe de Jesus, tendo aceitado o convite do anjo do Senhor é ser intrusa? Será que ser a Mãe medianeira, a Mãe de todas as graças que é Jesus, por obra do Espírito Santo é se atrevida? Querer negar a colaboração de Maria no projeto de salvação é negar a natureza humana de Jesus, recebida de Maria.
É querer reduzir o “SIM” de Maria a nada (Lc.1,38).
Já pensou se Deus tivesse retardado a vinda do seu Filho ao mundo? Se tivesse deixado esse tempo toda à humanidade sem a presença de Jesus? Já pensou se Ele resolvesse hoje, neste tempo, nesta época escolher uma jovem para ser a Mãe do seu Filho-Salvador?
Com toda a certeza Deus encontraria, mas, iria ter um trabalhão para encontrar. Por quê? Quando Maria disse “SIM”, ela era jovem, tinha entre 14 e 16 anos de idade. Era bonita, bem aparentada, prendada, uma verdadeira dona de casa.
O padre José Ribolla, redentorista gaúcho, em seu livro “O PLANO DE DEUS”, relata: “Estamos acostumados a venerar Maria nas suas imagens de rainha, coroada e vestida com o manto de rainha, lá no nicho, no alto, no trono. Mas, parece-me, é preciso também descê-la, conversar com Ela como a dona de casa que Ela foi. De chinelo e avental, cozinhando a redenção, varrendo a redenção, lavando, arrumando a redenção. A mulher do povo, a dona de casa. Justamente por sua vida normal de uma dona de casa, mulher simples do povo, é que Maria se tornou a maior santa desde o começo até o fim do mundo”.
"Cueca cheia , bolso vazio"
“CUEACA CHEIA, BOLSO VASIO”
Mas um escândalo na capital do país. Mas uma vez se repete a prática do “mensalão”, “mensalinho”, roubo ou como queira você chamar.
Cueca, meia, paletó, bolsa, bolso repleto de dinheiro roubado de um povo que pede socorro. E para completar, a “oração” da hipocrisia e do deboche. Rezam por um dinheiro anátema.
É preciso mudar. Precisamos parlamentares que estejam dispostos a desligar o retrovisor, o espelhinho que mostra tudo o que já passou.
O futuro político de nosso país, não pode mais depender da sobrevivência deste ou daquele partido político ou deste ou daquele parlamentar que trai o seu eleitor, trai o povo.
No Império Romano o que interessava os césares, não era o bem estar do povo, muito menos a união em si, mas o predomínio e a hegemonia política do poder central.
Estamos em Brasília sobre o mesmo princípio. A politicagem brasileira adota o mesmo figurino político-administrativo do Império Romano. Roma o centro do mundo e o centro da corrupção.
Brasília, centro do Brasil, capital do “mensalão”, “mensalinho”, roubo, dinheiro na cueca.
Atribuir a um político todo o direito de fazer tudo o que está ao seu alcance é o primeiro passo em direção a um holocausto de proporções imprevisíveis.
Tantas teorias são propostas pelos mesmos, mas, para que serve a mais bela das teorias quando seus postulados se encontram fora do alcance da prática?
Cheguei ingenuamente até acreditar que teríamos um país mais justo, que poderíamos tirar o Brasil de um ambiente de museu que vive e expô-lo à plena luz de novos momentos.
Mas, infelizmente, presidentes, ministros, senadores, deputados..., são figuras que têm dificuldades enormes em ambientar-se num mundo radicalmente diferente daquele em que fizeram suas carreiras, o ambiente da corrupção.
Por isso o nosso crescimento é lento, quase que morrendo.
O que queremos, são pessoas dinâmicas, justas, corretas, capazes de nos mostrar uma porta de saída do passado de roubo, corrupção, barganha e termos um escopo capaz de nos levar a um futuro limpo.
A desgraça do Brasil está em que quase 200 milhões de brasileiros, dependem dos humores, idiossincrasias e decisões desses “representantes do povo”.
A grande tentação desses poderosos é a AUTOLATRIA. Toma o poder que possuem (de fato e direito infelizmente) como pretexto para se considerarem superiores, melhores do que os demais.
Meus irmãos têm como reverter isso. O voto certo e exercer o nosso papel de profeta de Deus. O profeta entra em ação quando o poder passa a ser exercido sem qualquer compromisso com os que dele dependem. Quando o poder passa a gerar mais poder ainda e quando os que o possuem, passam a concedê-lo a auxiliares e sucessores de sua própria escolha.
Chegou à hora do profeta levantar a voz! A situação política do país clama por profetas. O profeta vem de fora, da margem social. Vem da parte de Deus e sua missão é das mais perigosas, já que proclama o que ninguém se anima a dizer.
A essência da missão do profeta é ser arauto das verdades que muitos não querem ver e aceitar (fome, miséria, injustiça, corrupção...).
Profetas são crianças ingênuas: dizem o que vêem e não o que os outros todos fazem de conta que não estão vendo. Sua atitude de absoluta franqueza desagrada a muitos, grandes e pequenos.
O profeta clama, brada por mudanças que muitos não querem aceitar. Proclama a necessidade de conversão e da prática da justiça.
E por falar em justiça, ela sempre foi bandeira de Igreja. Já era assunto dos profetas do Antigo Testamento. A linguagem de hoje usada pela igreja é “caldinho de peteca” comparada à voz dos profetas.
Vejamos alguns: Isaias 10,1-4 e Amós 2,6-7 entre tantos outros.
Isaias 10,1-4 “Ai de vós que decretam leis injustas e editam escritos de opressão para desapossarem os fracos do seu direito e privar da sua justiça os pobres do meu povo, para despojar as viúvas e roubar os órfãos.
Que fareis no dia do castigo, quando a ruína vier de longe? A quem correreis em busca de socorro, onde deixareis as vossas riquezas, para não terdes de vos arrastar humildemente entre os prisioneiros, para não caí entre os cadáveres?
Com tudo isso, sua ira não abrandou, e sua mão continua estendida”.
Amós 2,6-7 Assim diz o Senhor: “Pelos três crimes de Israel, pelos quatro não voltarei atrás; porque vendem o justo por dinheiro e o pobre por um par de sandálias. Esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos e tornam torto o caminho dos humildes...”.
Se quiserem mais é só ler: O evangelho de Lucas e as cartas de São Tiago.
São poucos os que se dispõe a operar em sua vida mudanças verdadeiramente radicais. Os que seguiram a Jesus foram poucos, porque a condição para ser discípulo seu era esta: “Convertei-vos”.
Assim como os indivíduos os partidos políticos necessitam de conversão. É em seu seio que os vícios particulares dos indivíduos adquirem mais facilmente proporções epidêmicas. São os partidos políticos que fornecem a alguns mais ambiciosos a fachada por detrás da qual podem esconder a verdadeira natureza do seu “zelo” pelo povo, ou seja, nenhum.
É necessário mudança. E a mudança tem que começar pela cabeça. Os que possuem o mando têm que dar o primeiro passo. Mas o que se vê em Brasília é desolador, desencantador. Nos planos hierárquicos mais elevados não se encontra uma única cabeça disposta a correr o risco de se comprometer com as mudanças que possam ameaçar direitos adquiridos.
Muitos pensam que, quem precisa de conversão é o povo e não os políticos ou seus partidos. Isto porque o povo já não obedece mais a seus “pastores políticos” com a mesma docilidade de antes.
Um político, um partido, uma instituição que não sente necessidade de conversão, dirigida por uma cúpula de “homens” que se consideram acima de qualquer suspeita moral, encara com desconfiança o profeta do tempo presente.
E quem é este profeta? Somos todos nós, em especial os leigos, chamados pelo batismo a vivermos esse papel.
Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica no nº 2442: “Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fieis leigos que, agem por própria iniciativa com os seus concidadãos... Cabe aos fiéis leigos, animar as realidades temporais com o zelo cristão e comportar-se como artesão da paz e da justiça”.
Você sabia disto? Se não sabia, agora sabe. Seja um profeta de Deus contra toda essa roubalheira que se instalou em Brasília e pelo Brasil a fora.
Como vimos nos textos bíblicos aqui citados, a justiça faz parte de religião sim, faz parte do evangelho de Cristo sim. A justiça sempre foi bandeira do evangelho.
Esses “senhores” donos da “verdade” que se enfurecem contra a Igreja quando a mesma brada por justiça, ética, moral, por favor, leiam e meditem a Palavra de Deus, ouçam a voz da Igreja de Cristo.
Será que pessoas assim podem, sinceramente, coloca a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente diante de tudo o que fizeram contra os seus conterrâneos?
Tomemos por exemplo Dom Elder Câmara que, ensina-nos a sermos firmes na defesa da justiça para a construção de uma nova e melhor sociedade
Seja, portanto, um arauto do Senhor contra a corrupção no Brasil. Viva o seu papel de profeta do tempo presente e ajude a diminuir tanta desigualdade e injustiça em nosso país.
Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém – Amazônia – Pará – Brasil.
diaconoluizgonzaga@gmail.com