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terça-feira, 24 de maio de 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Para onde vai a política brasileira?
Há meses acompanhamos o desenrolar de uma profunda crise política no nosso país, que acaba de ter como consequência o afastamento, ainda temporário, da presidente da República e a formação de um novo governo. Que dizer, diante dessa situação?
É difícil fazer uma avaliação serena e objetiva, uma vez que o conhecimento dos fatos e dos motivos de decisões tomadas nem sempre está ao alcance de todos. Além disso, a paixão política e ideológica pode turbar a objetividade das discussões. Mesmo assim, e apesar das perplexidades suscitadas, cada brasileiro foi formando a sua opinião. A meu ver, o Brasil passa, a duras penas, por um amadurecimento político, que terá consequências benéficas.
Muitos perguntam sobre a posição da Igreja Católica diante da crise. A esse propósito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante a sua recente assembleia-geral, em abril passado, emitiu uma declaração com a posição do episcopado. O texto não entra propriamente no mérito das acusações feitas à presidente, reconhecendo que esse papel cabe às instâncias competentes da vida pública nacional.
Em matéria política, os cidadãos têm direito às suas próprias opiniões e por isso mesmo a Igreja Católica não obriga a aderir a uma posição única. No seio da própria Igreja, tratando-se de questões políticas, existe uma legítima diversidade de posições, contanto que não estejam em desacordo com as convicções da própria fé cristã. Vale lembrar um antigo dito, atribuído a Santo Agostinho: “No essencial, unidade; no secundário, liberdade; e em tudo, caridade”.
Os bispos, no entanto, manifestaram preocupações em relação ao cenário político, econômico, social e ético e apontaram critérios e referências importantes a serem levados em conta na busca da superação da crise brasileira.
Para que serve a política? Ela deve respeitar critérios éticos?
A atual polarização política atingiu níveis nunca antes vistos no Brasil e chega a passar a impressão de uma torcida apaixonada, na qual se quer, a todo custo, a vitória de um ou de outro lado. A política pode despertar paixões inflamadas, sobretudo quando é motivada por ideologias fortemente arraigadas; pode até tornar-se paixão cega e fanática, capaz de turbar a paz social. Não vai por aí o ideal da ação política, à qual se reconhece um papel essencial na edificação do convívio social e da paz.
Depois da tempestade, a bonança permite olhar com mais serenidade o cenário e retomar a reflexão sobre o que, de fato, importa para que a vida continue. Permito-me fazer alusão a alguns princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que deveriam iluminar a inteira vida política de um povo.
Primeiro de todos, o princípio da dignidade da pessoa humana é a razão de ser e sustento de toda instituição e toda ação política – que seriam ilegítimas e espúrias se fossem contrárias à dignidade da pessoa humana, ou não fizessem caso dela. Como qualificar a ação política que não fosse orientada fortemente pela promoção desse bem fundamental?
Vem, depois, o princípio do bem comum, que leva em conta a igual dignidade e os mesmos direitos fundamentais de todas as pessoas. A vida social e política deve estar orientada para a consecução do bem de todos, e não apenas de alguns. A promoção do bem comum é dever de todos os cidadãos e de todas as instituições e autoridades públicas, É objetivo primário do Estado e de tudo aquilo que o representa.
Cabe ao Estado assegurar a coesão e a organização da sociedade civil, da qual ele é expressão máxima. Já ensinava o papa Leão XIII na primeira encíclica social (Rerum novarum, 1891) que o objetivo da vida social é o bem comum historicamente realizável. A promoção do bem comum é a própria razão de ser da autoridade política; se deixasse de estar orientada por essa motivação, ela deixaria de cumprir a sua missão primordial.
Outro princípio importante que deve orientar a vida social e política é a “destinação universal dos bens”. Os bens existentes neste mundo destinam-se ao sustento de todos, “com o critério da equidade, tendo por guia a justiça e por companheira a caridade” (Gaudium et spes, 69). Ninguém deve ser excluído, a priori, do uso dos bens e nenhuma pessoa deveria ser privada do necessário para viver dignamente. Assegurar o acesso aos bens indispensáveis à vida digna para todos é uma das atribuições mais relevantes da política e de quem governa.
Necessário para ordenar e dinamizar a vida social e política também é o princípio de subsidiariedade, apontado já pelo papa Leão XIII, na encíclica antes citada. O poder do Estado e o exercício da autoridade não podem ser concentrados e sufocantes, mas precisam respeitar as múltiplas competências das instâncias intermediárias entre o cidadão e o Estado. Das organizações da sociedade civil surge um tecido social vivo e dinâmico, onde se expressam as pessoas e se traduzem os valores por elas cultivados. Toda pessoa tem o direito de participar da vida social e política. O poder concentrado no Estado empobrece e sufoca a sociedade, sua iniciativa, liberdade e responsabilidade.
E não pode ser ignorado o princípio da solidariedade. Há uma interdependência inequívoca de todas as pessoas e de todos os povos, que vai ficando sempre mais evidente à medida que cresce o fenômeno da globalização. O papa Francisco evidenciou esse fato, de maneira prática e inquestionável, na sua encíclica Laudato sì, sobre as questões ambientais. O futuro da natureza e do planeta Terra, nossa “casa comum”, depende do cuidado de todos: para o bem e para o mal.
Difícil seria edificar o futuro do nosso país sem levar em conta esses princípios basilares da vida social e política. Nem mesmo a pluralidade dos partidos ou as divergências ideológicas poderiam prescindir deles.
*Dom Odilo P. Scherer é cardeal-arcebispo de São Paulo
É difícil fazer uma avaliação serena e objetiva, uma vez que o conhecimento dos fatos e dos motivos de decisões tomadas nem sempre está ao alcance de todos. Além disso, a paixão política e ideológica pode turbar a objetividade das discussões. Mesmo assim, e apesar das perplexidades suscitadas, cada brasileiro foi formando a sua opinião. A meu ver, o Brasil passa, a duras penas, por um amadurecimento político, que terá consequências benéficas.
Muitos perguntam sobre a posição da Igreja Católica diante da crise. A esse propósito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante a sua recente assembleia-geral, em abril passado, emitiu uma declaração com a posição do episcopado. O texto não entra propriamente no mérito das acusações feitas à presidente, reconhecendo que esse papel cabe às instâncias competentes da vida pública nacional.
Em matéria política, os cidadãos têm direito às suas próprias opiniões e por isso mesmo a Igreja Católica não obriga a aderir a uma posição única. No seio da própria Igreja, tratando-se de questões políticas, existe uma legítima diversidade de posições, contanto que não estejam em desacordo com as convicções da própria fé cristã. Vale lembrar um antigo dito, atribuído a Santo Agostinho: “No essencial, unidade; no secundário, liberdade; e em tudo, caridade”.
Os bispos, no entanto, manifestaram preocupações em relação ao cenário político, econômico, social e ético e apontaram critérios e referências importantes a serem levados em conta na busca da superação da crise brasileira.
Para que serve a política? Ela deve respeitar critérios éticos?
A atual polarização política atingiu níveis nunca antes vistos no Brasil e chega a passar a impressão de uma torcida apaixonada, na qual se quer, a todo custo, a vitória de um ou de outro lado. A política pode despertar paixões inflamadas, sobretudo quando é motivada por ideologias fortemente arraigadas; pode até tornar-se paixão cega e fanática, capaz de turbar a paz social. Não vai por aí o ideal da ação política, à qual se reconhece um papel essencial na edificação do convívio social e da paz.
Depois da tempestade, a bonança permite olhar com mais serenidade o cenário e retomar a reflexão sobre o que, de fato, importa para que a vida continue. Permito-me fazer alusão a alguns princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que deveriam iluminar a inteira vida política de um povo.
Primeiro de todos, o princípio da dignidade da pessoa humana é a razão de ser e sustento de toda instituição e toda ação política – que seriam ilegítimas e espúrias se fossem contrárias à dignidade da pessoa humana, ou não fizessem caso dela. Como qualificar a ação política que não fosse orientada fortemente pela promoção desse bem fundamental?
Vem, depois, o princípio do bem comum, que leva em conta a igual dignidade e os mesmos direitos fundamentais de todas as pessoas. A vida social e política deve estar orientada para a consecução do bem de todos, e não apenas de alguns. A promoção do bem comum é dever de todos os cidadãos e de todas as instituições e autoridades públicas, É objetivo primário do Estado e de tudo aquilo que o representa.
Cabe ao Estado assegurar a coesão e a organização da sociedade civil, da qual ele é expressão máxima. Já ensinava o papa Leão XIII na primeira encíclica social (Rerum novarum, 1891) que o objetivo da vida social é o bem comum historicamente realizável. A promoção do bem comum é a própria razão de ser da autoridade política; se deixasse de estar orientada por essa motivação, ela deixaria de cumprir a sua missão primordial.
Outro princípio importante que deve orientar a vida social e política é a “destinação universal dos bens”. Os bens existentes neste mundo destinam-se ao sustento de todos, “com o critério da equidade, tendo por guia a justiça e por companheira a caridade” (Gaudium et spes, 69). Ninguém deve ser excluído, a priori, do uso dos bens e nenhuma pessoa deveria ser privada do necessário para viver dignamente. Assegurar o acesso aos bens indispensáveis à vida digna para todos é uma das atribuições mais relevantes da política e de quem governa.
Necessário para ordenar e dinamizar a vida social e política também é o princípio de subsidiariedade, apontado já pelo papa Leão XIII, na encíclica antes citada. O poder do Estado e o exercício da autoridade não podem ser concentrados e sufocantes, mas precisam respeitar as múltiplas competências das instâncias intermediárias entre o cidadão e o Estado. Das organizações da sociedade civil surge um tecido social vivo e dinâmico, onde se expressam as pessoas e se traduzem os valores por elas cultivados. Toda pessoa tem o direito de participar da vida social e política. O poder concentrado no Estado empobrece e sufoca a sociedade, sua iniciativa, liberdade e responsabilidade.
E não pode ser ignorado o princípio da solidariedade. Há uma interdependência inequívoca de todas as pessoas e de todos os povos, que vai ficando sempre mais evidente à medida que cresce o fenômeno da globalização. O papa Francisco evidenciou esse fato, de maneira prática e inquestionável, na sua encíclica Laudato sì, sobre as questões ambientais. O futuro da natureza e do planeta Terra, nossa “casa comum”, depende do cuidado de todos: para o bem e para o mal.
Difícil seria edificar o futuro do nosso país sem levar em conta esses princípios basilares da vida social e política. Nem mesmo a pluralidade dos partidos ou as divergências ideológicas poderiam prescindir deles.
*Dom Odilo P. Scherer é cardeal-arcebispo de São Paulo
Fonte Clipping
Papa Francisco pede que bispos abram mão de bens e propriedades
O papa Francisco reforçou seu apelo nesta segunda-feira (16) para que os padres e bispos abram mão de luxos e bens desnecessários, criando uma Igreja "pobre para os pobres". Retomando o pedido feito três dias depois de sua eleição a Pontífice, em março de 2013, Francisco abriu a 69ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), no Vaticano, que irá discutir a renovação do clero. "Mantenham apenas o que pode servir para a experiência de fé e caridade do povo de Deus", disse o Papa.
De acordo com Francisco, os bispos devem refletir sobre a "renovação do clero", mas focando em quem "vive com um estilo de vida simples e essencial, sempre disponível", que "caminha com o coração e no passo dos pobres".
"Como um padre que seja homem de paz e reconciliação, sinal e instrumento de ternura de Deus. Atento a difundir o bem com a mesma paixão com a qual outras pessoas perseguem seus interesses", ressaltou.
O líder católico também chamou a atenção para o fato de que os costumes e hábitos mudaram com o passar do tempo. "O contexto cultural atual é muito diferente daquele no qual os padres viveram em seus anos iniciais de ministério", disse.
"Até na Itália, tantas tradições, hábitos e visões de vida foram afetados por uma profunda mudança de época. Nós, que nos costumamos a criticar os dias de hoje com tom amargo e acusatório, devemos admitir também a dureza dos nossos tempos: tantas pessoas que encontramos que estão em apuros por falta de referência", comentou.
A declaração do Papa vem em um momento em que a CEI passa por reformas de transparência e gerenciamento fiscal. Esta também foi a terceira vez que Francisco abriu a assembleia da CEI.
De acordo com Francisco, os bispos devem refletir sobre a "renovação do clero", mas focando em quem "vive com um estilo de vida simples e essencial, sempre disponível", que "caminha com o coração e no passo dos pobres".
"Como um padre que seja homem de paz e reconciliação, sinal e instrumento de ternura de Deus. Atento a difundir o bem com a mesma paixão com a qual outras pessoas perseguem seus interesses", ressaltou.
O líder católico também chamou a atenção para o fato de que os costumes e hábitos mudaram com o passar do tempo. "O contexto cultural atual é muito diferente daquele no qual os padres viveram em seus anos iniciais de ministério", disse.
"Até na Itália, tantas tradições, hábitos e visões de vida foram afetados por uma profunda mudança de época. Nós, que nos costumamos a criticar os dias de hoje com tom amargo e acusatório, devemos admitir também a dureza dos nossos tempos: tantas pessoas que encontramos que estão em apuros por falta de referência", comentou.
A declaração do Papa vem em um momento em que a CEI passa por reformas de transparência e gerenciamento fiscal. Esta também foi a terceira vez que Francisco abriu a assembleia da CEI.
Fonte Clipping
Ações
Bergoglio voltou a fazer duras críticas às intrigas no Vaticano
O papa Francisco disse nesta terça-feira (17) que a inveja, o ciúmes e a briga pelo poder sujam a Igreja Católica, ao discursar durante a missa diária na Casa de Santa Marta, no Vaticano. Citando trechos do Evangelho, o Pontífice admitiu que o problema social de "falar mal uns dos outros" atinge também a Igreja Católica e que este fato não é novidade, sendo constatado desde a época dos apóstolos.
"Quem é o maior? Quem comanda? As ambições. Em cada comunidade, em cada paróquia ou instituição, sempre existe essa vontade de crescer, de subir, de ter poder", afirmou Francisco. De acordo com o Papa, a "vaidade" e a "vontade de ter poder" fazem as pessoas não economizarem métodos para conquistar o que desejam. "Quando vem essa vontade mundana de poder, e não de servir, mas de ser servido, não se economizam métodos: fofocas, sujeira com as outras pessoas".
"A inveja e o ciúmes constroem esta estrada e destroem tudo. Todos nós sabemos disso. Essas coisas acontecem todos os dias em todas as instituições da Igreja: nas paróquias, nos colégios, nos arcebispados.. em tudo", confessou Francisco. "Aconteceu com os apóstolos, com a mão de João. É uma história que acontece todos os dias na Igreja e em todas as comunidades".
"Quando os grandes santos diziam se sentir pecadores, era porque tinham entendido este espírito mundano, de riqueza, de vaidade e orgulho. Nenhum de nós pode dizer que é santo e puro'". Desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em março de 2013, o Papa faz críticas às divergências internas no Vaticano.
Em maio daquele ano, Francisco disse que as fofocas destroem a Igreja. "Quantas fofocas na Igreja! Quanto falamos, nós, os cristãos! A fofoca nos faz mal, fere um ao outro... É como querer diminuir o outro: ao invés de crescer, faço com que o outro fique menor e eu me sinto maior", rebateu.
Em novembro de 2014, o tema voltou à cena novamente. "Quantas vezes, nas nossas instituições, na Igreja, nas paróquias, por exemplo, nos colégios, encontramos isso, não? A rivalidade, o fazer-se ver, a vanglória. Vê-se que são dois carunchos que comem a consistência da Igreja, tornam-na frágil", afirmou na ocasião.
Fonte Clipping
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
BLOG: 10 PERGUNTAS ESSENCIAIS SOBRE O ANO SANTO DA MISER...
BLOG: 10 PERGUNTAS ESSENCIAIS SOBRE O ANO SANTO DA MISER...: 1. O que é um Ano Santo ou Jubileu Extraordinário? Na tradição católica, o Jubileu é o ano que a Igreja proclama para que as pesso...
sexta-feira, 20 de março de 2015
Um Simples Servo de Cristo: "Eu não Vim para ser servido, mas para servir"
Um Simples Servo de Cristo: "Eu não Vim para ser servido, mas para servir": A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no misterio da Paixão de Cristo, já que quem deseja seguí-lo...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Presidente da comissão Vida e Família comenta declaração dp Papa Francisco sobre paternidade responsável.
Presidente da Comissão Vida e Família comenta declaração do papa sobre paternidade responsável
22/01/2015 | CNBB
Durante voo de retorno ao Vaticano, na segunda-feira, 19, após
visita pastoral à Ásia, o papa Francisco atendeu aos jornalistas em
coletiva. Entre os assuntos abordados, o pontífice foi questionado sobre
o que diria às famílias que tinham mais filhos do que podiam criar e
sobre as proibições da Igreja Católica referente ao controle artificial
de natalidade.
"Algumas pessoas pensam - e desculpem minha expressão aqui - que, para ser um bom católico, eles precisam ser como coelhos. Não. Paternidade tem a ver com responsabilidade. Isto é claro", respondeu o papa. Durante a conversa, Francisco se manteve firme contra o controle de natalidade artificial e disse que uma nova vida é "parte do sacramento do matrimônio".
O bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), comenta a declaração do papa que "católicos não devem se reproduzir feito coelhos".
"O papa Francisco não deixa de surpreender aos observadores com seu estilo, que quebra protocolos, e fala dirigindo-se principalmente às pessoas simples, e não aos teólogos e intelectuais em geral. Na entrevista dada durante a viagem de retorno das Filipinas, o tom era evidentemente coloquial. E nesse tom, fala de realidades importantíssimas. Em primeiro lugar, alude a uma mentalidade que, especialmente a partir dos anos 60 fala em tons alarmistas da ‘explosão demográfica', alegando que a pobreza de muitos povos se deve a uma espécie de ânsia reprodutiva dos mais pobres. Por esse caminho, muitos países alcançaram taxas negativas de natalidade, com graves problemas sociais, tais como o envelhecimento da população, isto é, presença de um contingente de idosos muito mais numeroso que de jovens. Isto gera graves desequilíbrios na sociedade, podendo levar à falência as caixas de governos que não têm como pagar os benefícios previdenciários dos idosos e seus cuidados médicos", explica dom Petrini.
Dignidade humana:
Sobre o conceito de "paternidade responsável" expressado pelo papa durante a coletiva, dom Petrini diz que o pontífice referiu-se ao conceito usado pela Igreja há muito tempo e incorporado pelo Beato papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae, de 1968. O conceito foi se popularizando e está presente no Catecismo da Igreja Católica, de 1992. O número 2368 deste documento afirma: 'Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação dos nascimentos. Por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos'. Paternidade responsável é, então, a atitude dos esposos que, avaliando suas condições (econômicas, de saúde, etc.) decidem quando ter um filho e quando esperar. O mesmo número acima recordado acrescenta: 'Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável'. O papa recorda o que a Igreja sempre disse: que não corresponde à dignidade humana agir por puro instinto, pois atitudes dominadas pelo instinto são próprias dos animais", comenta o bispo.
Métodos contraceptivos:
A questão dos métodos contraceptivos foi outro questionamento apresentado pelos jornalistas ao papa. Dom Petrini recorda que Francisco disse conhecer muitos métodos que são eficazes para regular a fecundidade e que não são artificiais. "De fato, nos últimos anos, a ciência médica tem avançado muito no aprimoramento de métodos naturais que dão o casal a possibilidade de regular o número de filhos. Trata-se de métodos que exigem e promovem um entrosamento entre os esposos, um permanente diálogo, uma sintonia fina, isto é, atitudes que constituem uma extraordinária riqueza em suas relações íntimas. Os interesses dominantes são mais favoráveis a outros métodos que necessitam de artefatos produzidos por indústrias e que, portanto, rendem lucros ingentes. Essa é a razão principal pela qual estes métodos veiculam intensa propaganda e recebem o consenso de todas as formas de poder".
Ainda, sobre os métodos contraceptivos, o presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom João Carlos Petrini destaca que a Igreja sempre esteve preocupada em zelar para que nada de externo ou artificial se interponha na expressão da intimidade, na vivência do amor humano.
"Este cuidado visa não tirar a responsabilidade de uma das partes, quase sempre o homem, nos cuidados com os efeitos das relações sexuais, porque isto poderia transformar a sexualidade num lazer e a mulher num brinquedo. Nesses casos, poderiam faltar a consideração e o respeito necessários para que o relacionamento entre homem e mulher se desenvolva na plenitude da dignidade e seja fonte de satisfação e verdadeira realização humana".
Fonte: www.cnbb.org.br com informações da Comissão Vida e Família
"Algumas pessoas pensam - e desculpem minha expressão aqui - que, para ser um bom católico, eles precisam ser como coelhos. Não. Paternidade tem a ver com responsabilidade. Isto é claro", respondeu o papa. Durante a conversa, Francisco se manteve firme contra o controle de natalidade artificial e disse que uma nova vida é "parte do sacramento do matrimônio".
O bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), comenta a declaração do papa que "católicos não devem se reproduzir feito coelhos".
"O papa Francisco não deixa de surpreender aos observadores com seu estilo, que quebra protocolos, e fala dirigindo-se principalmente às pessoas simples, e não aos teólogos e intelectuais em geral. Na entrevista dada durante a viagem de retorno das Filipinas, o tom era evidentemente coloquial. E nesse tom, fala de realidades importantíssimas. Em primeiro lugar, alude a uma mentalidade que, especialmente a partir dos anos 60 fala em tons alarmistas da ‘explosão demográfica', alegando que a pobreza de muitos povos se deve a uma espécie de ânsia reprodutiva dos mais pobres. Por esse caminho, muitos países alcançaram taxas negativas de natalidade, com graves problemas sociais, tais como o envelhecimento da população, isto é, presença de um contingente de idosos muito mais numeroso que de jovens. Isto gera graves desequilíbrios na sociedade, podendo levar à falência as caixas de governos que não têm como pagar os benefícios previdenciários dos idosos e seus cuidados médicos", explica dom Petrini.
Dignidade humana:
Sobre o conceito de "paternidade responsável" expressado pelo papa durante a coletiva, dom Petrini diz que o pontífice referiu-se ao conceito usado pela Igreja há muito tempo e incorporado pelo Beato papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae, de 1968. O conceito foi se popularizando e está presente no Catecismo da Igreja Católica, de 1992. O número 2368 deste documento afirma: 'Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação dos nascimentos. Por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos'. Paternidade responsável é, então, a atitude dos esposos que, avaliando suas condições (econômicas, de saúde, etc.) decidem quando ter um filho e quando esperar. O mesmo número acima recordado acrescenta: 'Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável'. O papa recorda o que a Igreja sempre disse: que não corresponde à dignidade humana agir por puro instinto, pois atitudes dominadas pelo instinto são próprias dos animais", comenta o bispo.
Métodos contraceptivos:
A questão dos métodos contraceptivos foi outro questionamento apresentado pelos jornalistas ao papa. Dom Petrini recorda que Francisco disse conhecer muitos métodos que são eficazes para regular a fecundidade e que não são artificiais. "De fato, nos últimos anos, a ciência médica tem avançado muito no aprimoramento de métodos naturais que dão o casal a possibilidade de regular o número de filhos. Trata-se de métodos que exigem e promovem um entrosamento entre os esposos, um permanente diálogo, uma sintonia fina, isto é, atitudes que constituem uma extraordinária riqueza em suas relações íntimas. Os interesses dominantes são mais favoráveis a outros métodos que necessitam de artefatos produzidos por indústrias e que, portanto, rendem lucros ingentes. Essa é a razão principal pela qual estes métodos veiculam intensa propaganda e recebem o consenso de todas as formas de poder".
Ainda, sobre os métodos contraceptivos, o presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom João Carlos Petrini destaca que a Igreja sempre esteve preocupada em zelar para que nada de externo ou artificial se interponha na expressão da intimidade, na vivência do amor humano.
"Este cuidado visa não tirar a responsabilidade de uma das partes, quase sempre o homem, nos cuidados com os efeitos das relações sexuais, porque isto poderia transformar a sexualidade num lazer e a mulher num brinquedo. Nesses casos, poderiam faltar a consideração e o respeito necessários para que o relacionamento entre homem e mulher se desenvolva na plenitude da dignidade e seja fonte de satisfação e verdadeira realização humana".
Fonte: www.cnbb.org.br com informações da Comissão Vida e Família
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