sábado, 6 de setembro de 2014

COMUNIDADE CRISTÃ.

Comunidade Cristã

04/09/2014 | Dom Jaime Spengler *
  A palavra ‘comunidade' diz que nós, os comunitários, os que se consideram participantes da comunidade, temos algo em comum. A pergunta que logo nos fazemos é: o que temos em comum, nós que vivemos e nos sentimos engajados numa determinada comunidade? Temos em comum uma tradição, com direitos e deveres, compromissos e orientações; temos em comum o Batismo que nos introduz no caminho da salvação (cf. Cl 1,21-23).

A comunidade dos batizados é chamada a viver o compromisso assumido, isto é, a renúncia ao mal e o cultivo da fé no Deus Uno e Trino; e como peregrinos de uma mesma tarefa, onde "não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos (...) são um só, em Cristo Jesus (Gl 3, 28), cada um se empenha por cultivar os próprios carismas, tendo em vista o bem de todos (cf. Ef 4,7-16). Assim, a participação na vida da comunidade dos batizados se torna exercício da vida de Jesus Cristo, pois pelo batismo fomos revestidos de Cristo (Gl 3,27).

O que constitui a comunidade é o Batismo. O que une a comunidade é o empenho, a busca, a determinação, o querer fazer nossos os sentimentos de Cristo Jesus, de quem fomos revestidos. Assim, ter simpatia por esse ou aquele movimento, participar desse ou daquele grupo, sentir-se mais ou menos identificado com essa ou aquela teologia ou espiritualidade, ter ou não ter estudos, estar investido deste ou daquele ministério, o engajar-se mais ou menos na vida cotidiana da comunidade não é necessariamente expressão de uma compreensão vigorosa do ‘batismo que nos lavou, do espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu'. O que verdadeiramente importa é o testemunho do compromisso que provém da fé assumida no Batismo, que cada pessoa dá naquele lugar, situação ou realidade onde se encontra. Esse empenho não é atual ou antigo, nem ultrapassado ou moderno, conservador ou progressista: Ele é sempre novo, pois sempre é desejo e determinação de renascer em "Espírito e Verdade".

A dimensão comunitária da fé cristã, ao longo da história, se expressou de diferentes modos. Hoje, lugar privilegiado de expressão da fé cristã são as Paróquias. Elas continuam sendo lugar significativo onde o cristianismo se torna visível. Ali os batizados se encontram na celebração dos mistérios da salvação, exercitam-se na caridade e anunciam o que creem.

A Paróquia, com seus limites geográficos, faz parte de um todo maior; ela está unida às outras Paróquias, formando, assim, uma rede, uma comunhão de Paróquias, que, unidas, constituem a Diocese.

Portanto, a comunidade cristã se caracteriza pela comunhão de batizados que formam uma Paróquia. "Nela todas as diversidades humanas estão representadas e inseridas na universalidade da Igreja". Desse modo se expressa o valor da Paróquia que, por sua vez, em comunhão com as outras Paróquias de uma determinada região ou rito, constituem uma Igreja Particular ou Diocese.

Nenhuma comunidade cristã, nenhuma Paróquia é uma ilha! Também não é um ‘gueto' ou espaço de ‘privilegiados'. Ela é lugar de vida, espaço onde pessoas marcadas por virtudes e fragilidades buscam viver a fé, testemunhar o batismo, praticar o bem e a justiça, em comunhão com as demais comunidades e/ou Paróquias.

* Dom Jaime Spengler é arcebispo de Porto Alegre.

Fonte: Pascom Porto Alegre

INTENÇÃO MISSIONÁRIA/SETEMBRO 2014.

Intenção Missionária Setembro 2014

05/09/2014 | Joseph Onyango Oiye *
  Para que os cristãos, inspirados pela Palavra de Deus,
se comprometam com o serviço aos pobres e aos que sofrem.

Jesus Cristo sempre considerou os pobres e os que sofrem em primeiro lugar em sua missão, e os textos do Evangelho nos apontam a sua preocupação e aproximação para com eles. É por isso que as expressões "pobre" e "os que sofrem" não são vocábulos apropriados para os seguidores de Cristo no sentido pejorativo ou depreciativo. O ensino mais distintivo do cristianismo é que Deus deixou a esfera do divino e entrou completamente na experiência humana. Nesse processo, Jesus mostrou ao mundo que os seres humanos podem ser santos mediante a compaixão prática em favor dos pobres, dos oprimidos, dos excluídos e dos estrangeiros.
Domingos Forte Ir. Inês Arciniegas Tasco, missionária da Consolata, entre crianças Yanomami em Roraima, Brasil. O Evangelho revela a verdade irresistível de que Jesus foi tocado pelas necessidades humanas, e atendeu-as por atos de misericórdia. Muitas vezes, Ele chamava a atenção para as preocupações dos pobres e desprezados. Cristo tinha um interesse particular em alcançá-los e partilhar com eles a Boa Nova da Salvação. Mas, Jesus também atendia às suas carências físicas e muitas vezes antes mesmo de suprir-lhes as insuficiências espirituais, desafiava aqueles que tinham recursos, a cuidar dos pobres como sendo seu dever. Segundo a fala de Cristo, os pobres e os sofridos nos proporcionam a oportunidade de fazer o bem, pois eles são um teste de aptidão para o Reino (Mt 25, 31-46).
"Tenho compaixão da multidão... não têm o que comer", disse Jesus no Evangelho de Marcos (Mc 8, 2). O desafio persistente que a pobreza apresenta aos seguidores de Cristo é de ir além de simplesmente falar a verdade sobre o amor e o cuidado, para viver a verdade em atos de compaixão e bondade. O modo concreto de aliviar os fardos dos pobres e necessitados é vê-los como pessoas com as quais estamos unidas em Deus. Não podemos realmente "louvar a Deus de quem todas as bênçãos fluem" e ignorar a realidade de um mundo de sofrimento e miséria. As bênçãos de Deus precisam fluir através de nós, de modo que produzamos a diferença na vida dos necessitados.
Fé e obras
O apóstolo Tiago disse: "se o irmão ou irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e um de vocês lhes disser: vão em paz, aqueçam-se e alimentem-se, e não lhes der as coisas necessárias para o corpo, de que adianta isso? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma" (Tiago 2, 15-17). Esse é um chamado para a missão. Um discípulo de Cristo verdadeiro não pode tratar com indiferença as desigualdades materiais e a manifestação de poder e privilégio que atingem a tantos e leva ao empobrecimento espiritual de outros. O Evangelho convida o discípulo de Cristo e a Igreja à solidariedade com os que sofrem a fim de juntos podermos receber, incorporar e partilhar a Boa Nova de Jesus para melhorar a vida de todos.
Refletindo sobre a intenção missionária desse mês, cada cristão deveria se perguntar: eu sou cuidador do meu irmão? O sofrimento do meu semelhante me causa dor? Como posso me chamar de seguidor de Cristo quando não me preocupo com meus semelhantes? Como posso representar o Reino de Deus e não me preocupar profunda e praticamente com as pessoas que estão incluídas nele?
* Joseph Onyango Oiye, imc, é seminarista queniano em Feira de Santana, BA.
Fonte: Revista Missões

O.M.S. ALERTA PARA IMPORTÂNCIA DE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO.

OMS alerta para importância de prevenção ao suicídio

04/09/2014 | Yara Aquino
  Relatório divulgado hoje (4) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) registra que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo. A OMS alerta que a prevenção do problema deve ser priorizada nas políticas públicas e encarada como uma questão de saúde pública. Em números absolutos, o Brasil aparece como o 8° país em casos de suicídios.

De acordo com o relatório, cerca de 800 mil pessoas cometeram suicídio em 2012. Essa é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. A ingestão de agrotóxicos, enforcamento e uso de armas de fogo estão entre os meios mais utilizados em escala mundial para o suicídio. Conforme o documento, os transtornos mentais e o consumo nocivo de álcool também contribuem mundialmente para a prática. De acordo com o relatório, em todo o mundo os suicídios representam 50% das mortes violentas entre homens e 71% entre mulheres.

Os dados da OMS apontam que no Brasil, em 2012, foram registrados 11.821 suicídios. Desses, 9.198 envolvendo homens e 2.623 mulheres. Em números absolutos, os países à frente do Brasil são a Índia (258 mil), China (120 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31mil), Japão (29 mil), Coréia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil). Em relação à proporação da população do país, a liderança do ranking é da Guiana.

A OMS considera possível prevenir o suicídio. Para isso, sugere a incorporação nos serviços de saúde da prevenção como componente central. A agência da Organização das Nações Unidas para saúde informa ter conhecimento de apenas 28 países com estratégias nacionais de prevenção do problema.

Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br

ARQUIDIOCESE DE BELÉM LANÇA CONCURSO PARA O HINO DO CONGRESSO EUCARÍSTICO.

Arquidiocese de Belém lança concurso para o Hino do Congresso Eucarístico

04/09/2014 | CNBB Com o tema "Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária" e lema "Eles o reconheceram no partir do pão" será realizado, de 15 a 21 de agosto de 2016, o 17º Congresso Eucarístico Nacional, em Belém (PA). Dentre os preparativos para o evento, a comissão organizadora lançou, no dia 1º de setembro, o Concurso para escolha do Hino do Congresso Eucarístico.
Cada compositor poderá inscrever no máximo duas composições (letra e música). O prazo para inscrição e envio prosseguirá até 12 de janeiro de 2015. As obras inscritas serão analisadas por uma comissão julgadora a ser definida pela arquidiocese de Belém, que estabelecerá critérios próprios da seleção.
Conteúdo da música
As composições devem obedecer a temática do Congresso Eucarístico, buscando privilegiar o caráter solene e festivo, com duração mínima de 5 minutos. A partir da proposta da reflexão sobre a Amazônia Missionária, orienta-se que as letras ressaltem a vida eclesial e o sentido da ação evangelizadora, além da dimensão missionária presente no Igreja no Brasil. Outro aspecto a ser citado nas letras são os 400 anos de fundação da cidade de Santa Maria de Belém do Grão do Pará.
Contato com a coordenação do 17º Congresso Eucarístico: (91) 3215.7001 ou congressoeucaristico2016@gmail.com
Confira o Edital de Seleção
Fonte: www.cnbb,org.br

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MISSIONÁRIO PARTILHA EXPERIÊNCIA EM BLOG.

Missionário em São Gabriel da Cachoeira partilha experiência em Blog

28/08/2014 | CNBB Sul 1
  O padre Antonio Luis Fernandes do Projeto Missionário Norte 1 - Sul 1 criou o "Blog dacabecadocachorro", projeto que "pretende partilhar sua experiência em São Gabriel da Cachoeira (AM). O conteúdo já está disponível no link http://dacabecadocachorro.blogspot.com.br/

Padre Antonio Luis comenta que tenta, dentro dos limites e possibilidades da sua realidade atual, se manter em regime de produção do pensamento, de ideias e de vínculos para a missão. "Muitos que têm email do gmail conseguem visualizar o meu perfil e postagens no G+. Mas muitos têm outros emails e não conseguem visualizar. Pensando nisso, me dispus mais uma vez a iniciar um blog, que, aliás, gosto demais", conta.
Ele afirma que todos estão convidados a participar, porém avisa, "não queira que esse blog esteja à disposição do seu desejo ou capricho de ler sempre, pois haverá dias que nem o sinal da net e nem meu tempo possibilitará esse encontro."

Para o padre, o leitor é chamado a colaborar e ajudar a construir esse espaço com alegria e fraternidade.
Segundo ele, "o espaço quer ser uma colaboração à nossa vida de fé e seguimento a Jesus e, no meu caso, é um esforço para também ir aprendendo a ler a Palavra e a vida a partir dessas terras do alto Rio Negro que me acolheu e me permite estar aqui para partilhar a vida e a fé."

Os textos e o material para divulgação no "Blog" devem ser enviados para o e-mail luis.pe.alf@gmail.com
Projeto Missionário - Em abril de 1994 nasceu o Projeto Missionário da CNBB - Sul 1 - Norte 1. Na Assembleia Geral da CNBB em Itaici, os Bispos do Estado de São Paulo, por meio de seu presidente na época, Dom Eduardo Koaik, decidiram elaborar um projeto de comunhão e de colaboração com a Igreja na Amazônia. A conferência dos Religiosos/as do Estado de São Paulo aderiu ao Projeto. A partir daí se constituiu a primeira comunidade inter-congregacional que partiu para Manaquiri, interior da Arquidiocese de Manaus. Junto com as Irmãs foi enviada uma leiga para a Prelazia de Borba, em março de 1996. Desde então foram enviados missionários/as de São Paulo abrindo novas frentes de missão.

Em vinte anos de existência, além de formar e enviar mais de 70 missionários para Amazônia, entre padres, religiosas e leigos, o Projeto mantém o compromisso com os Bispos do Norte I na abertura de áreas específicas para experiências pastorais de padres, religiosas e leigos do Regional Sul 1: áreas indígenas, inculturação, excluídos, povos ribeirinhos etc.

Fonte: www.cnbbsul1.org.br.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O DEUS DE MARINA SILVA. VALE A PENA LER.

O Deus de Marina Silva

ATUALIZADO: 28/08/2014 | Roberto Malvezzi (Gogó) *
  Em razão da fé que move Marina Silva, ela deve estar se perguntando, de forma absolutamente perplexa, o que afinal Deus quer com ela. Para muitos esse já é um problema de Marina na política.
Outros dirão que é apenas fruto do acaso e, outros ainda, que ela não passa de uma oportunista.

O fato é que Marina, talvez num dos maiores tapetassos da história política brasileira, foi impedida de criar seu partido - a REDE - e assim poder concorrer às eleições presidenciais de 2014.

Então, num gesto surpreendente, ofereceu-se a Campos para uma coligação em cima de um programa ainda a ser totalmente revelado, mas que contem propostas interessantes, como a questão da saída para uma nova matriz energética, baseada em fontes mais limpas e perenes. Para alguns foi um golpe de mestre, para outros um suicídio político. Essa foi a fala de um de seus assessores diretos, Pedro Ivo, no Fórum Mundial de Energia acontecido em Brasília recentemente. Eduardo Campo ainda estava vivo.

O que ninguém poderia prever é que ela, em razão de um acidente trágico, fosse elevada novamente à candidata presidencial, seja pela mão do Deus que ela crê, seja pela mão da fatalidade.

Claro que o cenário político muda totalmente. Marina tem inúmeras contradições como política. Ao mesmo tempo que favoreceu a Transposição do São Francisco como ministra, opôs-se ferrenhamente às mudanças no Código Florestal. A crise da água que atinge todo o território nacional já deu razão àqueles que se opunham a tamanha aberração ambiental.

O povo brasileiro não quer mais o PSDB. Pode ser qual for o candidato. O partido está ligado às privatizações vis, a entregue do patrimônio público ao setor privado, ao arrocho salarial, ao estrangulamento das aposentadorias, assim por diante. O PSDB, representa por excelência o interesse do grande capital, apoiado pela grande mídia. O povo sabe, quer mudanças, mas não voltar atrás.

Quanto ao PT, não há como negar as conquistas dos últimos anos em favor da população mais empobrecida. Nosso povo não pode abrir mão da melhoria do salário mínimo, da expansão da educação, do Mais Médico, da expansão do acesso à água para populações pobres do Nordeste, da expansão do emprego, enfim, da elevação do IDH que aconteceu nos últimos anos. Mesmo o Bolsa Família ainda continua necessário para milhões de pessoas. Porém, as ruas já disseram que o país quer mudar, mas para frente. Entretanto, nenhum candidato da oposição poderá dizer-se contra essas conquistas, até porque, se o disser, perde.

Mas, o PT estacionou na história e permanece com a mesma concepção crescimentista do século XIX e XX. Os sucessivos governos petistas fazem vistas grossas à degradação ambiental que compromete nossas riquezas naturais básicas como água, solos e biodiversidade. Além do mais, não consegue impor limites ao agronegócio que invade territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais. Favorece grandes empreendimentos extremamente duvidosos para o bem do país para agradar com certeza as empreiteiras e financiadores de campanha.

Além de tudo, uma parte de seus dirigentes desprezou a dimensão ética da política, que se é uma hipocrisia por parte da elite, para grande parte do povo ainda é importante.
Os pequenos partidos políticos, principalmente os de esquerda, tem nobreza em seus ideais, disposição de luta e defesa de uma justiça mais estrutural no país. Entretanto, quando pesa o fator eleitoral, eles não decidem.

Nesse cenário, com todas as contradições - próximos dela dizem que a aliança com Campo foi praticamente uma decisão unilateral - Marina ainda aparece como diferente. Pode ser que a intuição popular esteja enganada, mas é o que sugere a atual conjuntura política. Para muitos Marina é frágil e inconsistente. O debate eleitoral talvez possa dirimir a dúvida de muita gente.

A história surpreende novamente. A tendência é que haja segundo turno, provavelmente entre Marina e Dilma. Nesse caso, a fatalidade da história será também o funeral político do PSDB.

* Roberto Malvezzi (Gogó) é Agente da Comissão Pastoral da Terra, Juazeiro, Bahia.

Fonte: Revista Missões

CONECTAR-SE É PRECISO.

Conectar-se é preciso

28/08/2014 | Alfredo J. Gonçalves *
  Conectar-se, viver conectado, navegar na Internet, enviar e receber mensagens eletrônicas, "baixar" músicas e jogos, livros ou imagens, realizar videoconferências, possuir um celular particular - entre tantos outras possibilidades - são expressões derivadas de um comportamento que hoje em dia faz parte do cotidiano. No contexto da economia globalizada e da sociedade moderna ou pós-moderna, a "categoria dos internautas" se estende a uma imensa multidão de habitantes do planeta. Tanto que os "desconectados", ao lado dos expatriados, refugiados, exilados, prófugos, apátridas desplazados... talvez estejam hoje entre os grupos mais excluídos. Parafraseando o poeta português Fernando Pessoa, conectar-se é preciso.

Existem distintas maneiras de conectar-se. Alguns o fazem de forma obsessiva, até mesmo doentia. Com demasiada frequência, migram (ou fogem) para o mundo virtual, e praticamente passam a ignorar a realidade e as pessoas que os cercam. Conectam-se com os quarto cantos do mundo, estabelecem contatos à distância e em todas as direções, mas, ao mesmo tempo, rompem pouco a pouco com os laços mais caros e próximos: ligação com os familiares e amigos, parentes e vizinhos. Com a mesma facilidade com que fazem, desfazem e refazem "amigos internautas", parecem distanciar-se dos "amigos de carne e osso", dos encontros cara a cara, olho no olho.

Compulsivamente, enviam e recebem mensagens a quem e de quem mal conhecem, em detrimento das relações interpessoais ou intercomunitárias, construídas às vezes debaixo do mesmo teto ou entre um grupo de conhecidos. Em seu cotidiano, um email ou um SMS adquirem mais importância que um "bom dia", um "boa tarde", um "como vai?", um "eu te amo". Ou então um simples olhar, um sorriso, um toque, um gesto, um abraço, um aperto de mão, um braço estendido, uma visita - coisas que custam tão pouco e fazem tanto bem, tanto a quem as oferece quanto a quem as recebe.

Nos tempos que correm, não será difícil tropeçar com a imagem de duas, três, quarto ou mais pessoas à mesa, num restaurante, por exemplo (ou mesmo em casa), cada qual entretendo-se isoladamente com o seu smart phone. Neste e em outros casos similares, consciente ou inconscientemente, o diálogo pode ser substituído pelo monólogo fechado, ensimesmado. Cada um curte o seu mundo à sua maneira! Entre as crianças e adolescentes, são os videogames que por vezes os isolam uns dos outros. No fim da linha, não raro acabam sendo absorvidos morbidamente pela magia frenética e sedutora do universo virtual. Impõe-se a necessidade de encontrar (ou criar) novidades.

Outros encontram-se no extremo oposto: tudo que vem da Internet cheira a coisa suspeita. Para estes, os laços virtuais costumam ser costurados de forma superficial e volátil, sendo, além disso, facilmente descartáveis. Por isso, mantêm-se deliberadamente à margem como se no labirinto virtual, complexo e desconhecido, pressentissem a mão invisível do demônio. Não deixam de acessar a Internet, é bem verdade, utilizando suas novidades de ponta. Mas sempre com um certo receio de contaminar-se ou de cair nas armadilhas de um Mercado cujas novidades parecem mais velozes que o próprio pensamento. De tudo isso resulta uma espécie de alergia aos botões, uma mal disfarçada tecnofobia. Diante dos meios mais avançados do campo virtual, desenvolvem um uso rígido, sóbrio, severo, inflexível, puritano - numa palavra, uma atitude igualmente mórbida.

Como diria o velho Aristóteles, "no meio está a virtude!" Ou seja, impossível nos tempos atuais viver sem qualquer conexão através da Internet e de outros meios de comunicação social. Todos os instrumentos tecnológicos produzidos especialmente a partir da Revolução Industrial em suas diversas fases, em maior ou menor grau, passaram pelo mesmo processo ambíguo de imediata aceitação por parte de uns e reticente rejeição por parte de outros (máquina a vapor, automóvel, trem, telefone, energia elétrica, rádio, televisão, computador, só para citar alguns).

Utilizar a tecnologia, porém, não significa ser escravo dela, como alerta o filósofo e psicoanalista italiano Umberto Galimberti na obra Psiche e techne. Instrumentos seguem sendo meios de uso, não fins em si mesmos. Os problemas começam quando, por um lado, fazemos deles verdadeiros ídolos e nos ajoelhamos diante de seu poder aparentemente mágico, fascínio que tende a ser ainda mais forte diante dos produtos de última geração do progresso tecnológico; ou quando, por outro lado, os descartamos a priori como se fossem "invenções do diabo". Nem um nem outro extremo! Aqui não é indiferente notar que fobia rima com idolatria.

Utilizados em sua justa medida, qualquer instrumento - desde a enxada e a foice, o arado ou o moinho, o fogão ou a geladeira - são produtos da inteligência humana. Representam extensões de nossos membros para ajudar a defendermo-nos ou a superar nossa notória fragilidade diante dos demais animais, os quais, diferentemente dos seres humanos, nascem praticamente de pé e adaptados ao meio ambiente. Em síntese, o acesso à Internet ou a qualquer tipo de tecnologia, jamais será incompatível com os contatos pessoais, a amizade, a sensibilidade e a solidariedade.

O ato mais ou menos isolado de navegar pelo universo virtual não pode substituir a difícil e complexa tarefa de construir e cultivar relações humanas. Todos nascemos, crescemos e amadurecemos como seres relacionais. Por outro lado, os dois caminhos não são necessariamente excludentes, alternativos. Permanece o desafio de torná-los integrados e complementares. Quer dizer, a própria Internet pode tornar-se um meio, entre outros, para aprofundar os contatos interpessoais e estes, por sua vez, pode tornar mais vívido e caloroso a acesso àquela. "Navegar" pode converter-se em uma forma de "curtir os amigos", sendo igualmente verdadeira a recíproca.

Los Angeles - CA (USA), 14 de agosto de 2014

* Alfredo J. Gonçalves, CS, é Vigário e Conselheiro Geral dos Missionários de São Carlos.

Fonte: Revista Missões