sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MISSIONÁRIO PARTILHA EXPERIÊNCIA EM BLOG.

Missionário em São Gabriel da Cachoeira partilha experiência em Blog

28/08/2014 | CNBB Sul 1
  O padre Antonio Luis Fernandes do Projeto Missionário Norte 1 - Sul 1 criou o "Blog dacabecadocachorro", projeto que "pretende partilhar sua experiência em São Gabriel da Cachoeira (AM). O conteúdo já está disponível no link http://dacabecadocachorro.blogspot.com.br/

Padre Antonio Luis comenta que tenta, dentro dos limites e possibilidades da sua realidade atual, se manter em regime de produção do pensamento, de ideias e de vínculos para a missão. "Muitos que têm email do gmail conseguem visualizar o meu perfil e postagens no G+. Mas muitos têm outros emails e não conseguem visualizar. Pensando nisso, me dispus mais uma vez a iniciar um blog, que, aliás, gosto demais", conta.
Ele afirma que todos estão convidados a participar, porém avisa, "não queira que esse blog esteja à disposição do seu desejo ou capricho de ler sempre, pois haverá dias que nem o sinal da net e nem meu tempo possibilitará esse encontro."

Para o padre, o leitor é chamado a colaborar e ajudar a construir esse espaço com alegria e fraternidade.
Segundo ele, "o espaço quer ser uma colaboração à nossa vida de fé e seguimento a Jesus e, no meu caso, é um esforço para também ir aprendendo a ler a Palavra e a vida a partir dessas terras do alto Rio Negro que me acolheu e me permite estar aqui para partilhar a vida e a fé."

Os textos e o material para divulgação no "Blog" devem ser enviados para o e-mail luis.pe.alf@gmail.com
Projeto Missionário - Em abril de 1994 nasceu o Projeto Missionário da CNBB - Sul 1 - Norte 1. Na Assembleia Geral da CNBB em Itaici, os Bispos do Estado de São Paulo, por meio de seu presidente na época, Dom Eduardo Koaik, decidiram elaborar um projeto de comunhão e de colaboração com a Igreja na Amazônia. A conferência dos Religiosos/as do Estado de São Paulo aderiu ao Projeto. A partir daí se constituiu a primeira comunidade inter-congregacional que partiu para Manaquiri, interior da Arquidiocese de Manaus. Junto com as Irmãs foi enviada uma leiga para a Prelazia de Borba, em março de 1996. Desde então foram enviados missionários/as de São Paulo abrindo novas frentes de missão.

Em vinte anos de existência, além de formar e enviar mais de 70 missionários para Amazônia, entre padres, religiosas e leigos, o Projeto mantém o compromisso com os Bispos do Norte I na abertura de áreas específicas para experiências pastorais de padres, religiosas e leigos do Regional Sul 1: áreas indígenas, inculturação, excluídos, povos ribeirinhos etc.

Fonte: www.cnbbsul1.org.br.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O DEUS DE MARINA SILVA. VALE A PENA LER.

O Deus de Marina Silva

ATUALIZADO: 28/08/2014 | Roberto Malvezzi (Gogó) *
  Em razão da fé que move Marina Silva, ela deve estar se perguntando, de forma absolutamente perplexa, o que afinal Deus quer com ela. Para muitos esse já é um problema de Marina na política.
Outros dirão que é apenas fruto do acaso e, outros ainda, que ela não passa de uma oportunista.

O fato é que Marina, talvez num dos maiores tapetassos da história política brasileira, foi impedida de criar seu partido - a REDE - e assim poder concorrer às eleições presidenciais de 2014.

Então, num gesto surpreendente, ofereceu-se a Campos para uma coligação em cima de um programa ainda a ser totalmente revelado, mas que contem propostas interessantes, como a questão da saída para uma nova matriz energética, baseada em fontes mais limpas e perenes. Para alguns foi um golpe de mestre, para outros um suicídio político. Essa foi a fala de um de seus assessores diretos, Pedro Ivo, no Fórum Mundial de Energia acontecido em Brasília recentemente. Eduardo Campo ainda estava vivo.

O que ninguém poderia prever é que ela, em razão de um acidente trágico, fosse elevada novamente à candidata presidencial, seja pela mão do Deus que ela crê, seja pela mão da fatalidade.

Claro que o cenário político muda totalmente. Marina tem inúmeras contradições como política. Ao mesmo tempo que favoreceu a Transposição do São Francisco como ministra, opôs-se ferrenhamente às mudanças no Código Florestal. A crise da água que atinge todo o território nacional já deu razão àqueles que se opunham a tamanha aberração ambiental.

O povo brasileiro não quer mais o PSDB. Pode ser qual for o candidato. O partido está ligado às privatizações vis, a entregue do patrimônio público ao setor privado, ao arrocho salarial, ao estrangulamento das aposentadorias, assim por diante. O PSDB, representa por excelência o interesse do grande capital, apoiado pela grande mídia. O povo sabe, quer mudanças, mas não voltar atrás.

Quanto ao PT, não há como negar as conquistas dos últimos anos em favor da população mais empobrecida. Nosso povo não pode abrir mão da melhoria do salário mínimo, da expansão da educação, do Mais Médico, da expansão do acesso à água para populações pobres do Nordeste, da expansão do emprego, enfim, da elevação do IDH que aconteceu nos últimos anos. Mesmo o Bolsa Família ainda continua necessário para milhões de pessoas. Porém, as ruas já disseram que o país quer mudar, mas para frente. Entretanto, nenhum candidato da oposição poderá dizer-se contra essas conquistas, até porque, se o disser, perde.

Mas, o PT estacionou na história e permanece com a mesma concepção crescimentista do século XIX e XX. Os sucessivos governos petistas fazem vistas grossas à degradação ambiental que compromete nossas riquezas naturais básicas como água, solos e biodiversidade. Além do mais, não consegue impor limites ao agronegócio que invade territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais. Favorece grandes empreendimentos extremamente duvidosos para o bem do país para agradar com certeza as empreiteiras e financiadores de campanha.

Além de tudo, uma parte de seus dirigentes desprezou a dimensão ética da política, que se é uma hipocrisia por parte da elite, para grande parte do povo ainda é importante.
Os pequenos partidos políticos, principalmente os de esquerda, tem nobreza em seus ideais, disposição de luta e defesa de uma justiça mais estrutural no país. Entretanto, quando pesa o fator eleitoral, eles não decidem.

Nesse cenário, com todas as contradições - próximos dela dizem que a aliança com Campo foi praticamente uma decisão unilateral - Marina ainda aparece como diferente. Pode ser que a intuição popular esteja enganada, mas é o que sugere a atual conjuntura política. Para muitos Marina é frágil e inconsistente. O debate eleitoral talvez possa dirimir a dúvida de muita gente.

A história surpreende novamente. A tendência é que haja segundo turno, provavelmente entre Marina e Dilma. Nesse caso, a fatalidade da história será também o funeral político do PSDB.

* Roberto Malvezzi (Gogó) é Agente da Comissão Pastoral da Terra, Juazeiro, Bahia.

Fonte: Revista Missões

CONECTAR-SE É PRECISO.

Conectar-se é preciso

28/08/2014 | Alfredo J. Gonçalves *
  Conectar-se, viver conectado, navegar na Internet, enviar e receber mensagens eletrônicas, "baixar" músicas e jogos, livros ou imagens, realizar videoconferências, possuir um celular particular - entre tantos outras possibilidades - são expressões derivadas de um comportamento que hoje em dia faz parte do cotidiano. No contexto da economia globalizada e da sociedade moderna ou pós-moderna, a "categoria dos internautas" se estende a uma imensa multidão de habitantes do planeta. Tanto que os "desconectados", ao lado dos expatriados, refugiados, exilados, prófugos, apátridas desplazados... talvez estejam hoje entre os grupos mais excluídos. Parafraseando o poeta português Fernando Pessoa, conectar-se é preciso.

Existem distintas maneiras de conectar-se. Alguns o fazem de forma obsessiva, até mesmo doentia. Com demasiada frequência, migram (ou fogem) para o mundo virtual, e praticamente passam a ignorar a realidade e as pessoas que os cercam. Conectam-se com os quarto cantos do mundo, estabelecem contatos à distância e em todas as direções, mas, ao mesmo tempo, rompem pouco a pouco com os laços mais caros e próximos: ligação com os familiares e amigos, parentes e vizinhos. Com a mesma facilidade com que fazem, desfazem e refazem "amigos internautas", parecem distanciar-se dos "amigos de carne e osso", dos encontros cara a cara, olho no olho.

Compulsivamente, enviam e recebem mensagens a quem e de quem mal conhecem, em detrimento das relações interpessoais ou intercomunitárias, construídas às vezes debaixo do mesmo teto ou entre um grupo de conhecidos. Em seu cotidiano, um email ou um SMS adquirem mais importância que um "bom dia", um "boa tarde", um "como vai?", um "eu te amo". Ou então um simples olhar, um sorriso, um toque, um gesto, um abraço, um aperto de mão, um braço estendido, uma visita - coisas que custam tão pouco e fazem tanto bem, tanto a quem as oferece quanto a quem as recebe.

Nos tempos que correm, não será difícil tropeçar com a imagem de duas, três, quarto ou mais pessoas à mesa, num restaurante, por exemplo (ou mesmo em casa), cada qual entretendo-se isoladamente com o seu smart phone. Neste e em outros casos similares, consciente ou inconscientemente, o diálogo pode ser substituído pelo monólogo fechado, ensimesmado. Cada um curte o seu mundo à sua maneira! Entre as crianças e adolescentes, são os videogames que por vezes os isolam uns dos outros. No fim da linha, não raro acabam sendo absorvidos morbidamente pela magia frenética e sedutora do universo virtual. Impõe-se a necessidade de encontrar (ou criar) novidades.

Outros encontram-se no extremo oposto: tudo que vem da Internet cheira a coisa suspeita. Para estes, os laços virtuais costumam ser costurados de forma superficial e volátil, sendo, além disso, facilmente descartáveis. Por isso, mantêm-se deliberadamente à margem como se no labirinto virtual, complexo e desconhecido, pressentissem a mão invisível do demônio. Não deixam de acessar a Internet, é bem verdade, utilizando suas novidades de ponta. Mas sempre com um certo receio de contaminar-se ou de cair nas armadilhas de um Mercado cujas novidades parecem mais velozes que o próprio pensamento. De tudo isso resulta uma espécie de alergia aos botões, uma mal disfarçada tecnofobia. Diante dos meios mais avançados do campo virtual, desenvolvem um uso rígido, sóbrio, severo, inflexível, puritano - numa palavra, uma atitude igualmente mórbida.

Como diria o velho Aristóteles, "no meio está a virtude!" Ou seja, impossível nos tempos atuais viver sem qualquer conexão através da Internet e de outros meios de comunicação social. Todos os instrumentos tecnológicos produzidos especialmente a partir da Revolução Industrial em suas diversas fases, em maior ou menor grau, passaram pelo mesmo processo ambíguo de imediata aceitação por parte de uns e reticente rejeição por parte de outros (máquina a vapor, automóvel, trem, telefone, energia elétrica, rádio, televisão, computador, só para citar alguns).

Utilizar a tecnologia, porém, não significa ser escravo dela, como alerta o filósofo e psicoanalista italiano Umberto Galimberti na obra Psiche e techne. Instrumentos seguem sendo meios de uso, não fins em si mesmos. Os problemas começam quando, por um lado, fazemos deles verdadeiros ídolos e nos ajoelhamos diante de seu poder aparentemente mágico, fascínio que tende a ser ainda mais forte diante dos produtos de última geração do progresso tecnológico; ou quando, por outro lado, os descartamos a priori como se fossem "invenções do diabo". Nem um nem outro extremo! Aqui não é indiferente notar que fobia rima com idolatria.

Utilizados em sua justa medida, qualquer instrumento - desde a enxada e a foice, o arado ou o moinho, o fogão ou a geladeira - são produtos da inteligência humana. Representam extensões de nossos membros para ajudar a defendermo-nos ou a superar nossa notória fragilidade diante dos demais animais, os quais, diferentemente dos seres humanos, nascem praticamente de pé e adaptados ao meio ambiente. Em síntese, o acesso à Internet ou a qualquer tipo de tecnologia, jamais será incompatível com os contatos pessoais, a amizade, a sensibilidade e a solidariedade.

O ato mais ou menos isolado de navegar pelo universo virtual não pode substituir a difícil e complexa tarefa de construir e cultivar relações humanas. Todos nascemos, crescemos e amadurecemos como seres relacionais. Por outro lado, os dois caminhos não são necessariamente excludentes, alternativos. Permanece o desafio de torná-los integrados e complementares. Quer dizer, a própria Internet pode tornar-se um meio, entre outros, para aprofundar os contatos interpessoais e estes, por sua vez, pode tornar mais vívido e caloroso a acesso àquela. "Navegar" pode converter-se em uma forma de "curtir os amigos", sendo igualmente verdadeira a recíproca.

Los Angeles - CA (USA), 14 de agosto de 2014

* Alfredo J. Gonçalves, CS, é Vigário e Conselheiro Geral dos Missionários de São Carlos.

Fonte: Revista Missões

MAU EXEMPLO PARA A EDUCAÇÃO.

Mau exemplo para a educação

28/08/2014 | Nei Alberto Pies *
  "Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas.
Pessoas transformam o mundo". (Paulo Freire)

Uma grande rede de televisão não pode usar concessão pública para influenciar negativamente a educação de um país. Os comunicadores William Bonner e Patrícia Poeta, em rede nacional, deram um mau exemplo para a educação no Brasil pelas posturas que adotaram diante dos candidatos à presidência da República, neste mês de agosto de 2014.

Como educadores, devemos reagir para corrigí-los. Os renomados e conhecidos jornalistas estavam diante de pessoas que vem se preparando ao longo de anos de atividades públicas e políticas. São, portanto, detentores de um saber acumulado ao longo de suas trajetórias de vida. Os candidatos, mais do que os jornalistas, conhecem a fundo os problemas do país. Esforçam-se, a seu modo e a partir de suas agremiações políticas, a apresentar ideias e visões de mundo e de sociedade. Por certo, divergem nas soluções. Mas não mereciam e nem precisavam passar por esse "massacre jornalístico".

O que os jornalistas fizeram foi uma espécie de "inquisição intencionada". De dedo em riste, sem respeitar o tempo para as respostas, indagaram e afirmaram verdades já previamente concebidas. Em nome de que? Da informação? Do constrangimento? Do desrespeito às pessoas que se dispõem a discutir e enfrentar as soluções para este país? Em nome do prazer pela humilhação?

Imaginem comigo se algum professor ou professora deste país ainda adotasse estratégia semelhante, humilhando seus interlocutores (os alunos) para que estes lhes comprovassem algum saber. Em tempos que se massacra os professores por qualquer motivo ou razão, este professor ou professora seria repreendido e denunciado pela comunidade escolar ou sociedade. Seria duramente questionado e teria de se explicar.

Atitudes desrespeitosas, que promovem agressão e desrespeito para com os interlocutores, sempre serão maus exemplos. Podemos até ser ideologicamente contrários às opiniões e propostas dos outros, mas é injustificável que sejamos mal educados. A mídia tradicional, infelizmente, mostra todos os dias posturas como estas. Muitas pessoas, por ainda acreditarem cegamente na imprensa, acham estas atitudes corretas e as imitam.

Por fim, desejo afirmar que a educação, saúde e corrupção serão prioridades neste país quando a população, a partir de uma cidadania ativa, juntamente com as suas organizações e lideranças, prefeitos, vereadores, governadores dos estados, deputados e senadores tomarem a decisão de enfrentá-las. Simples assim. Cada um, com sua responsabilidade. Não acreditamos mais em salvadores da Pátria.

Depois da superação da fome e da miséria, da elevação de patamares de inclusão social, é tempo sim de fazer outras e novas mudanças. Mas não será com arrogância e prepotência que chegaremos lá. O Brasil fará estas mudanças, mas se fosse caminho fácil, já estaria feito! Nem tudo se resolve hoje, pois precisamos superar primeiro as nossas carências mais imediatas.

A educação, o respeito aos cidadãos e às autoridades e a democracia são os caminhos para o fortalecimento de relações verdadeiramente democráticas. O povo brasileiro sabe disso!

* Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos. pies.neialberto@gmail.com

Fonte: Revista Missões

QUINZE ANOS SEM DOM HÉLDER CÂMARA.

Quinze anos sem Dom Hélder

28/08/2014 | Geovane Saraiva *
  Dom Helder, como profeta, sempre pregou e anunciou uma Igreja simples, longe de uma estrutura pesada, conforme o espírito do Evangelho: "As raposas têm tocas, as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde inclinar sua cabeça" (Mt 8, 22), voltada para os empobrecidos, sem jamais se esquecer de seu ardente desejo, o de construir a paz, associado ao grande sonho do Criador e Pai, pela força da ternura e da não violência. Aos 27 de agosto de 1999, após completar noventa anos, vividos e bem vividos, Dom Helder Câmara partiu para a casa do Pai.

Obstinado, na sua luta, fortificado pela graça de Deus, nos projetos e sonhos de um mundo solidário, por onde passou, mesmo tendo que ir para o ostracismo, ficando no isolamento e sendo excluído dos meios de comunicação social, durante o regime militar, que o via como um risco e um perigo à democracia, permanecendo sempre determinado e corajoso, sem jamais desanimar. Daí nossa ação graças ao bom Deus pelas marcas indeléveis, deixadas pelo artífice e protagonista da paz.

Como é importante recordar sua formação sacerdotal, com o ingresso no Seminário da Prainha em 1923 - Fortaleza - CE, então, confiado aos padres lazaristas. Nesta instituição cursou e concluiu os estudos eclesiásticos, tendo sido ordenado sacerdote aos 15 de agosto de 1931, com 22 anos de idade, recebendo autorização especial da Santa Sé, por não possuir a idade canônica. Sem perder tempo, no mesmo ano fundou a Legião Cearense do Trabalho; em 1933 fundou a Sindicalização Operária Feminina Católica, que congregava as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas; atuou na área da educação, participando de políticas governamentais do estado do Ceará, na área da educação pública; militou ativamente da Liga Eleitoral Católica (LEC) e foi nomeado diretor do Departamento Estadual de Educação do Estado do Ceará. Transferido em 1936 para a cidade do Rio de Janeiro, então capital da república; na cidade maravilhosa não parou, além de dedicar-se intensamente às atividades apostólicas, foi nomeado Diretor Técnico do Ensino da Religião no Ministério da Educação.

No Rio de Janeiro bebeu água de uma fonte rica e preciosa, me refiro aos préstimos do jesuíta Pe. Leonel Franca, como seu diretor espiritual, criador da primeira Universidade Católica do Brasil - a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Tudo concorreu, por vontade do bom Deus, que se antecipasse, em ideias e atitudes concretas, na luta por justiça e paz, querendo a "restauração de todas as coisas e Cristo" (cf. At 3, 21), a partir do aggiornamento promovido pelo Papa João XXIII e com o qual iria revolucionar, não apenas a Igreja, mas o nosso mundo hodierno - É o sonho de esperança do Concílio Vaticano II! Pense numa vida espetacular, nos seus gestos de falar com entusiasmo, frases e pensamentos, do mais íntimo do íntimo, profundamente marcados pelo otimismo, ao afirmar: "Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro, confiando em Deus".

Jamais deixou de ter diante dos olhos e sonhava ardentemente com uma Igreja despojada, pobre e servidora. Daí ser signatário do "Pacto das Catacumbas", de 16 de novembro de 1965, que foi uma excelente oportunidade para os bispos pensarem e refletirem sobre eles mesmos, no sentido de fazer uma experiência do amor de Deus, enriquecida de uma vida com marcas da simplicidade e desapego dos bens deste mundo, numa Igreja encarnada na realidade, comprometida com o povo, renunciando as aparências de riqueza, dizendo não as vaidades, consciente da justiça e da caridade, através desse documento desafiador. Repito o que alhures já disse inúmeras vezes: "Eu sou daqueles que tem a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos. Ele lançou sementes destinadas a produzir uma messe abundante nesta época do cristianismo que está começando agora. Suas sucessivas conversões, sinalizando de certa maneira, a futura trajetória da Igreja neste momento da história da humanidade" (Teólogo José Comblin).

Concluo com as palavras daquele que disse: "Gostaria de ser uma poça d'água para refletir o céu"; já o papa Paulo VI, seu amigo de fé, o tinha como "um místico e apóstolo". Sua vocação precoce ao sacerdócio, mas segura e convicta, se manifestou aos oito anos de idade, nas suas próprias palavras: "Não posso nem imaginar ser alguma coisa na vida além de padre. Ser um padre, para mim, não é uma escolha. É um modo de vida. Ser padre nunca me provocou arrependimento. Celibato, castidade, a ausência de uma família do modo como os leigos a entendem - tudo isso nunca foi um peso. Há os que nasceram para cantar, jogar futebol, escrever (...). E há os que nasceram para ser padres".

* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso -
geovanesaraiva@gmail.com

Fonte: Revista Missões

POLÍCIA FEDERAL E IBAMA FAZEM OPERAÇÃO CONTRA CRIMES AMBIENTAIS NA AMAZÕNIA.

PF e Ibama fazem operação contra crimes ambientais na Amazônia

27/08/2014 | Alex Rodrigues
  Policiais federais estão cumprindo em quatro estados, 14 mandados de prisão - entre preventivas e temporárias - para desarticular uma organização que, segundo os investigadores, especializou-se em invadir terras públicas na Amazônia brasileira para desmatá-las e transformá-las em pasto. Entre as áreas invadidas está a Floresta Nacional do Jamanxim, na cidade de Novo Progresso (PA). Ao menos uma pessoa já foi detida em São Paulo.

Apelidada de Operação Castanheira, em alusão à árvore protegida por lei e símbolo da Amazônia, a ação é fruto de uma investigação conjunta da Polícia Federal (PF), Receita Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a quem cabe administrar e proteger a Floresta Nacional do Jamanxim.

Segundo a Procuradoria da República no Pará, as terras degradadas e transformadas em pasto eram loteadas e vendidas a produtores rurais. O dano ambiental, já comprovado por perícias, ultrapassa R$ 500 milhões. Em nota, a PF afirma que os investigados por envolvimento com o esquema são considerados os maiores desmatadores da Floresta Amazônica brasileira. Seus nomes, no entanto, não foram divulgados.

Os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de invasão de terras públicas, furto, crimes ambientais, falsificação de documentos, formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar os 50 anos de reclusão a quem for condenado.

Noventa e seis policiais federais e 19 servidores do Ibama participam da operação para cumprir 22 mandados de busca e apreensão, 11 de prisões preventivas, três de prisões temporárias e quatro de conduções coercitivas (quando a pessoa é conduzida à delegacia para prestar depoimento e liberada em seguida). Diligências estão sendo feitas também em cidades de São Paulo, do Paraná e de Mato Grosso.

Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA SOBRE O PERÍODO ELEITORAL.

Nota Pública sobre o período eleitoral

27/08/2014 | CPT
  A CPT vem a público manifestar sua análise sobre o período eleitoral, o perfil e os planos de governo dos principais candidatos, trazendo como maior questionamento, "Onde está a Reforma Agrária" no futuro desses possíveis governantes?

Onde está a Reforma Agrária?

A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, após denunciar no início da semana passada a onda de violência que se abateu sobre os trabalhadores e trabalhadoras do campo, querem agora unir sua voz à de milhares e milhares de indígenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos, camponeses e camponesas e trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil, que expressam sua perplexidade e descrença diante do atual quadro político-eleitoral do momento. Na realidade é frequente ouvir deles que nenhum candidato e nenhuma proposta se identifica com as suas necessidades e reivindicações.

Podemos testemunhar que vem crescendo a não aceitação e uma justa revolta diante do conchavo permanente entre poderosos grupos econômicos privados, nacionais e estrangeiros, ruralistas, agroindustriais, mineradores, para ocupar e controlar cargos nas instituições públicas tanto do executivo, quanto do legislativo. Com isso objetivam influenciar leis e políticas públicas que facilitem a perpetuação do latifúndio e da grilagem, que retirem os direitos duramente conquistados pelos povos indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, e que flexibilizem os direitos trabalhistas, para garantir o lucro a qualquer custo para os investimentos e empreendimentos capitalistas.

Isso, que homens e mulheres do campo, das águas e das florestas percebem, fica claro na análise dos programas de governo dos candidatos que, em âmbito federal e estadual, disputam com possibilidades de sucesso as eleições. Todos eles exaltam a eficiência e importância do agronegócio, enquanto nem sequer reservam uma linha para a necessidade da reforma agrária, ou aqueles que a ela se referem, a colocam num plano insignificante. O máximo que os programas pontuam é algum tipo de apoio à agricultura familiar e uma insinuação à necessidade de uma agricultura agroecológica e saudável.

O resultado previsto, quaisquer sejam os vencedores, será a confirmação de um modelo de desenvolvimento que ameaça os territórios indígenas, quilombolas e camponeses, a continuidade da vida nos nossos biomas e os direitos trabalhistas. Um modelo de desenvolvimento que, no dizer de Maninha, do Movimento dos Pescadores e Pescadoras, "traz sofrimento para nossas comunidades".

O próprio financiamento das campanhas eleitorais pelas grandes empresas é a expressão cabal do conluio capital/política. Qual será o interesse, por exemplo, das três empresas responsáveis, até o momento, por 65% do arrecadado pelos três principais candidatos à presidência da república, JBS (Friboi), Ambev (Cervejaria) e OAS Construtora, se elas estão envolvidas em denúncias e punições por violações aos direitos trabalhistas de seus funcionários, inclusive em situações análogas ao trabalho escravo?

Na contramão dos programas das agremiações partidárias, infelizmente hegemônicas, insistimos sobre a centralidade da Reforma Agrária. Trata-se de uma Reforma Agrária ressignificada, que vai além da mera distribuição de terras: é sonho e projeto que brota e floresce com as novas experiências e articulações dos indígenas e dos quilombolas, que defendem e retomam seus territórios, com a proposta de economias que defendam o futuro do Planeta, ameaçado pelo efeito estufa e mudanças climáticas, agroecologias como visão do mundo, aproveitamento das energias limpas, soberania e segurança alimentar respeitosas da Vida, moratórias que preservem o que sobra da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampas, com suas bacias hidrográficas e aquíferos destruídos e constantemente agredidos.

Se não houver uma mudança radical no curso destas eleições, a CPT sente que elas não marcarão nenhum salto qualitativo em relação às grandes expectativas que o Brasil fez eclodir, com muita esperança, nas manifestações de junho de 2013 e nas mobilizações indígenas e camponesas deste último ano. Por isso conclama a todos quantos sentem a urgência de um Brasil novo, à participação no plebiscito popular a acontecer na semana da pátria, em vista da convocação de uma Constituinte soberana e independente para a construção de uma reforma política que abra espaço para organizações populares, de classe e de territórios. Estas representadas e presentes nas decisões mais importantes da vida do País, lutarão para que sejam reconhecidos e aceitos a autonomia e o protagonismo de grupos que resistem à massificação dos métodos do capital e propõem alternativas a um modelo de desenvolvimento elitista e falido.

Se a dimensão política é a "maneira de melhor exercer o maior mandamento do amor" (Papa Francisco, discurso do dia 10 de junho de 2013), cabe-nos, como Comissão Pastoral da Terra, denunciar as viciadas formas de exercer o poder que alimentam e fortalecem os grupos já poderosos, que agridem e ameaçam não só os direitos dos mais fracos, mas a própria Constituição brasileira.

Goiânia, 27 de agosto de 2014.

Comissão Pastoral da Terra

Fonte: www.cptnacional.org.br