Vocação: Uma resposta de Amor
Dom Vicente Costa - Bispo Diocesano de Jundiaí/SP
Bispo referencial da CRD Sul 1
“Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia… eu te consagrei” (Jr 1,5).
Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:
O amor de Deus por nós é infinito, e de certa forma, Ele “sai” de si e
vem ao encontro da pessoa humana; Ele se revela a fim de nos fazer
participantes de sua vida divina, conferindo-nos, assim, a nossa
primordial vocação (cf. Documento de Aparecida, n. 129).
Consequentemente, o dom gratuito à vida envolve uma missão a cumprir,
pois Deus não quer agir sozinho: “Deus não quis reter só para si o
exercício de todos os poderes. Confia a cada criatura as funções que
esta é capaz de exercer, segundo as capacidades da própria natureza”
(Catecismo da Igreja Católica, n. 1884). Assim, sempre há algo de
específico em cada vocação, pois toda pessoa humana é chamada a
aperfeiçoar a bondade que existe, em germe, em seu interior.
Queridos irmãos e irmãs da Diocese de Jundiaí: neste mês de agosto,
tradicionalmente dedicado às vocações, convido-os a refletir sobre esse
tema, pois a vocação não pode ser entendida como privilégio apenas de um
grupo, de uns poucos escolhidos. Na verdade, Deus convida a todos a uma
resposta livre ao seu projeto de amor.
Nas Sagradas Escrituras são inúmeras as narrações que falam da
experiência da vocação. Basicamente quatro elementos são essenciais
nesses relatos, conforme afirma Papa Francisco na sua Mensagem para o
51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações deste ano (11/05/2014):
1) Vocação sempre exige “deixar” uma situação: “Na pluralidade das
estradas, toda vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a
própria existência em Cristo e no seu Evangelho” (n. 2).
2) Vocação é assumir uma “missão”: “Dirijo-me agora àqueles que estão
dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na
Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a
ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas
palavras que ‘são espírito e são vida’ (Jo 6,63)” (n. 3).
3) Vocação é viver uma “aliança” com Deus: “Não devemos ter medo:
Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em
cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização
do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa
adesão e a nossa colaboração” (n. 2).
4) A vocação sempre é um “dom” proveniente e para a comunidade: “A
vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns
aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial
autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si” ( n. 3).
Um grande exemplo de tudo isso é a figura do nosso pai da fé, Abraão.
A Bíblia Sagrada conta-nos que Deus disse e ele ouviu: “Sai de tua
terra, do meio de teus parentes, da casa de teu pai, e vai para a terra
que eu vou te mostrar. Farei de ti uma grande nação, e te abençoarei:
engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção” (Gn
12,1-2).
Como não há discipulado sem comunhão, os quatro pontos acima
mencionados nos ensinam que, para se viver realmente a própria vocação, é
preciso entrar numa dinâmica de relação interpessoal, primeiro com Deus
e depois com o próximo. A Igreja, que é comunidade de vida e de
vocacionados, apresenta uma variedade de serviços e ministérios. É
comum, contudo, dividirmos em três grandes grupos os chamados para a
vinha do Senhor:
1) Os Ordenados: o Sacramento da Ordem atualiza a presença de Jesus, o
Bom Pastor, no meio do povo de Deus. Este sacramento possui três graus
que compreendem: diáconos, presbíteros (padres) e Bispos. Eles são
chamados a ensinar, santificar e pastorear os fiéis segundo a missão
própria de cada um.
2) Os(as) Religiosos(as), que se consagram livremente a viverem seus
votos em sinal de Cristo obediente, pobre e casto. A característica
desta vocação é, sobretudo, o testemunho da consagração radical ao
seguimento de Cristo, sendo sinais autênticos do Reino que já se faz
presente e cuja plenitude esperamos no fim dos tempos. Aliás, no ano de
2015, a Igreja celebrará o Ano da Vida Consagrada.
3) Os(as) Leigos(as): que têm como missão assumir e transformar as
estruturas deste mundo a partir do Espírito de Cristo. De modo especial,
nesta tarefa, é de fundamental importância a luta pela defesa dos
valores da família.
Queridos irmãos e irmãs da Diocese de Jundiaí: Deus não se cansa de
nos chamar para a missão, tanto que poderíamos dizer que a palavra-chave
de toda a Bíblia e de toda a História de Salvação é: “Segue-me” (Mt
9,9).
Assim como um dia a Virgem Maria respondeu com seu “sim” ao chamado
de Deus na sua vida (cf. Lc 1,38), rezemos para que, por intercessão de
Nossa Senhora do Desterro, Padroeira da nossa Diocese, todos nós
possamos também corresponder com amor e generosidade à nossa vocação. E
que o Bom Deus envie mais operários para a sua Messe (cf. Mt 9,37-38).
Assim seja!
E a todos abençoo!
Fonte: www.dj.org.br