sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"BEM-AVENTURADOS OS MANSOS PORQUE HERDARÃO A TERRA"

"Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra."

BEM AVENTURADOS - O Homem não natural. À semelhança das Bem-aventuranças anteriores, esta é inteiramente oposta ao pensamento do que a Bíblia chama de Homem natural. O mundo julga em termos de poder, auto-confiança, agressividade e conquista. Mas Jesus exaltou traços impopulares de caráter, tais como humildade de espírito, pesar e agora mansidão.

Jesus é realmente o revolucionário dos revolucionários. Ele realmente inverte o sistema e valores da cultura dominante.
A radicalidade dos ensinos de Cristo implica um estilo de vida totalmente diferente para seus seguidores. Não é por acaso que Jesus se refere ao fato de alguém tornar-se cristão como sendo um novo nascimento João 3: 3 e 5. Como Paulo coloca: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. II Coríntios 5: 17.
        
O cristão renascido pertence a um reino inteiramente diferente da cultura em geral, e até mesmo, infelizmente, da cultura de muitas igrejas. Como resultado, ele tem um novo conjunto de valores.
        
O ensino de Cristo na terceira Bem aventurança mais uma vez se coloca contra a sabedoria aceitável de nosso mundo. De acordo com Ele, não são os desordeiros, violentos, agressivos, ou egoístas que herdarão a Terra. E sim os mansos. São os que percebem a sua debilidade e por isso possuem humildade de espírito, os que choraram por suas deficiências, e se comprometeram com o estilo de vida dos mansos, que posteriormente acabarão herdando a Terra. Esse ensinamento não pode ser obtido de lições de história ou da leitura do jornal diário.
        
As palavras da terceira bem-aventurança não devem ser lidas superficialmente. São palavras profundas, repletas de sabedoria. São palavras impossíveis de serem vividas por nós através de nossas próprias forças. À medida que avançarmos nas Bem-aventuranças teremos uma maior compreensão de nossa necessidade do poder transformador do espírito Santo em nossa vida.
        
Hoje precisamos orar para que Deus não apenas nos conceda discernimento para percebermos o caminho de Jesus, mas que Ele nos dê poder para caminharmos nele[1].

MANSOS - Ou os humildes, termo tomado do Saltério na forma grega. O verso 4 poderia ser simplesmente uma glosa do verso 3; a sua omissão reduziria o número das bem-aventuranças a sete[2].


As dificuldades que temos que enfrentar podem ser muito minoradas pôr aquela mansidão que se esconde em Cristo. Se possuirmos a humildade de nosso Mestre, sobrepor-nos-emos aos menosprezos, às repulsas, aos aborrecimentos a que estamos diariamente expostos, e estes deixarão de nos lançar sombra sobre o espírito.

A mais elevada prova de nobreza num cristão é o domínio de si mesmo. Aquele que, em face de maus tratos ou crueldade, deixa de manter o calmo e confiante, rouba a Deus de seu direito de nele revelar Sua própria perfeição de caráter. Humildade de coração é a força que dá vitória aos seguidores de Cristo; é o penhor de sua ligação com as cortes do alto[3].

Grego: praús manso, suave, gentil. Cristo disse que ele era manso: praús e humilde de coração 11: 29, e por isso todos os que estão cansados e oprimidos verso 28 podem ir a ele e achar descanso para sua alma. O equivalente hebraico do grego: praús é anaw ou ani, pobre, afligido, humilde, manso. Emprega-se esta palavra hebraica para descrever a Moisés que era muito manso Números 12: 3. Também aparece na passagem messiânica de Isaias 61: 1 a 3; Salmo 37: 11, onde também se traduz como manso

A mansidão é uma atitude do coração, da mente e da vida, que prepara o caminho para a santificação. À vista de Deus, o espírito afável: praús é de grande de estima. I Pedro 3: 4. A mansidão aparece repetidas vezes no NT como uma virtude importantíssima do cristão Gálatas 5: 23; I Timóteo 6: 11. A mansidão em relação com Deus significa que teremos de aceitar sua vontade e a forma em que nos trata, que nos submeteremos a ele em todas as coisas sem vacilação. Uma pessoa mansa domina perfeitamente sua eu. Devido ao enaltecimento do eu, nossos primeiros pais perderam o reino que lhes tinha sido confiado. Por meio da mansidão este pode ser recuperado[4].

A palavra manso pode trazer a idéia de servidão, fraqueza de caráter, consentimento, incapacidade ou falta de coragem para enfrentar uma situação delicada. Pode apresentar um retrato de uma criatura submissa e ineficaz. Porém a palavra manso, no grego: Praus era uma das grandes palavras da ética.

Aristóteles tinha muito a dizer da qualidade da mansidão, grego praotês. Aristóteles seguia um método para definir qualquer virtude que consistia em encontrar um termo entre o médio e os extremos. Por uma parte o extremo estava no excesso, e por outra no escasso, entre ambos estava à virtude, o termo médio feliz. Por exemplo: Em um extremo se encontrava o pródigo, no meio o avarento, e entre ambos o generoso.

Aristóteles define a mansidão praotês, como o termo de equilíbrio, ele via na virtude mansidão o equilíbrio entre o excesso e a falta de ira. Assim poderia ser traduzida a Bem-aventurança: Bendito o que se indigna a seu devido tempo por uma boa causa e não o contrário.

Se nos perguntarmos qual é o devido tempo e qual o contrário diríamos que, por regra geral que na vida não se deve irritar por um insulto ou uma injúria que se é dirigida pessoalmente; isto é algo que o cristão não deve nunca ter em conta, mas deve-se indignar pelas injúrias que fazem outras pessoas. A ira egoísta sempre é um pecado, a ira limpa do egoísmo pode ser uma grande dinâmica do mundo.

         A palavra grega praús tem um segundo sentido. Ela é usada  para referir-se a um animal que tenha sido domesticado, e que era acostumado a obedecer à palavra de mando, que aprendeu a obedecer. É a palavra usada para referir-se ao animal que aprendeu aceitar o controle. Assim que a possível tradução desta bem-aventurança poderia ser: Bendita a pessoa que tem sob seu controle todos seus instintos e paixões! Bendito o que se mantém total e constantemente debaixo de seu controle.

Não se trata da bênção da pessoa que se controla a si mesmo, porque isto está fora da capacidade humana, mas da pessoa que está em íntima sintonia e totalmente sob controle de Deus, porque só em seu serviço encontramos perfeita liberdade, e em fazer Sua vontade encontramos paz.

Há um terceiro enfoque nesta bem-aventurança. Os gregos contrastavam sempre a qualidade que chamavam praotês, e que a versão RV traduz por mansidão com qualidade que chamavam hysêlokardia que quer dizer altivez de coração. Em praotês se encontra a verdadeira humildade que lança fora todo o orgulho.
Sem humildade não se pode aprender, porque o primeiro passo do aprendizado é ser consciente de nossa própria ignorância.

Quintiliano, o grande Mestre de oratória hispanoromano, dizia a seus alunos: “Não me cabe dúvida de que seriam excelentes alunos se não estivessem convencidos que sabem tudo”. Não se pode ensinar nada a uma pessoa que crê que sabe tudo. Sem humildade não pode haver tal coisa como o amor, porque o verdadeiro princípio do amor é o sentimento de indignidade. Sem humildade não pode haver verdadeira religião, porque toda verdadeira religião inicia-se por dar-se conta de nossa debilidade própria e de nossa necessidade de Deus. Uma pessoa só alcança sua verdadeira humanidade quando está consciente de que é uma criatura e Deus é o Criador, e sem Deus não se pode fazer nada.
Praotês descreve a humildade, a aceitação da necessidade de aprender e a necessidade de ser perdoado. Descreve a única atitude adequada do homem para com Deus. Assim a possível tradução desta bem-aventurança seria: “Bendito o que tem a humildade de reconhecer sua própria ignorância, debilidade e necessidade”[5].

Os mansos são aqueles que se humilham diante de Deus por reconhecerem sua total dependência Dele. Como conseqüência são gentis no trato para com o próximo. Moisés revelava este traço de caráter em notável medida; e a posse do mesmo por Jesus foi uma das bases para Ele convidar homens e mulheres cansados e oprimidos e achar alívio e descanso Nele, que era exatamente manso e humilde, Mateus 11: 28 e 29. Quando Deus tiver destruído todos os que em sua arrogância resistem à sua vontade, os mansos serão os únicos a herdar a Terra[6].

Os mansos. Serenidade, às vezes negativa e às vezes positivamente boa. Essa Bem-aventurança se alicerça em Salmo 37: 11. Os homens que padecem sob o mal, sem se deixarem contaminar pelo espírito de amargura mas com paciência, possuem qualidades aprovadas por Deus. Tais como Natanael são israelitas em que não há dolo. João 1: 47. Na história da Inglaterra houve pessoas que, ao serem perseguidas pelo governo e pela sociedade e até pela igreja oficial, herdaram o continente americano[7].

Mansidão não é fraqueza. O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sabe, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. I Coríntios 13: 4 a 7.

Apalavra grega traduzida como manso significa gentil, pon­derado e cortês, e implica o exercício do domínio próprio que torna essas qualidades possíveis. Por isso, a New English Bible está perfeita­mente em harmonia com os pensamentos de Jesus, quando traduz Ma­teus 5: 5 como: Bem-aventurados os de espírito gentil. O significado de mansidão engloba muitos dos traços característicos da magistral de­finição do amor, que Paulo dá na leitura do texto bíblico.

A mansidão bíblica não deve ser confundida com indolência. Alguns que aparentam ser mansos podem ser simplesmente negligentes. Nem deve ser confundida com fraqueza de personalidade ou caráter. Os personagens que a Bíblia cha­ma de mansos tiveram grande firmeza de caráter. A pessoa mansa pode permanecer tão firme ao lado da verdade, que estaria disposta a morrer por ela se fosse necessário. Os mártires foram mansos, mas não fracos. A mansidão bíblica e compatível com grande força e autoridade.

A mansidão interior nos leva a uma visão do próprio eu. Quando finalmente reconhecer que sou um pecador sem esperança e sentir tristeza por isso, estarei pronto para a mansidão. Estarei preparado pa­ra colocar todo o orgulho de lado. Porque tem urna visão realística de si mesmos, os mansos não são escravizados por atitudes defensivas ou de retaliação. Uma das maiores necessidades de nosso mundo, igreja e famílias de mansidão[8].

O Tratamento de Choque Continua. Não por força nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos. Zacarias 4: 6.

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra. Mateus 5: 5. Essa declaração causou um grande choque para os judeus nos dias de Jesus. Eles estavam aguardando um Mes­sias que os libertaria do poder de Roma através da força armada.

O Messias, criam, seria como Davi, o rei guerreiro. Nos Salmos de Salomão livro pseudoepígrafo escrito durante o pe­ríodo entre o AT e o NT não anunciavam que o ungido Filho de Davi seria um rei que se levantaria dentre o povo pa­ra libertar Israel de seus inimigos? Ele aniquilaria todos os seus bens com vara de ferro, para destruir as nações ímpias com a palavra de Sua boca. Salmos de Salomão 17: 26 e 27.

A última coisa que os judeus do primeiro século desejavam era um Messias manso. Eles queriam um líder que pudesse e desse a Roma o que ela merecia. Jesus era o oposto do modelo que eles desejavam e aguardavam.

Bem, é fácil para nós cristãos percebermos que os judeus estavam errados. Mas não somos culpados de apresentar o mesmo tipo de pen­samento às vezes? Também não temos a tendência de prestar honras aos bem-sucedidos e glorificar as realizações dos grandes pregadores e lideres da igreja, como se a batalha fosse ganha pelas palavras e es­forços humanos? E não somos também tentados, como Davi, a confiar em organização e números em busca de força? Boas como essas coisas possam parecer, elas não são a fonte do sucesso do cristão.

Deus tem inúmeras maneiras de levar a cabo a comissão do evan­gelho e introduzir a plenitude do reino, das quais nada sabemos. De vez em quando precisamos reler a história de Gideão. No caso dele, Deus continuou reduzindo os números em vez de acrescentar, antes de con­ceder a vitória.

No reino de Cristo, é a mansidão que está na base do sucesso, e não o poder humano. Precisamos nos lembrar de que a vitória, tanto em nossa vida pessoal como na igreja em geral, não vem por força, nem por poder, mas pelo Espírito de Deus[9].



Mansos Apesar de Tudo

VATICANO II: UM ANIVERSÁRIO DIFÍCIL

Vaticano II: um aniversário difícil

Para a Igreja, este aniversário do Concílio Vaticano II representa um momento nada fácil de se gerir. O Concílio, às vezes, parece pertencer a uma época muito diferente, tão diferente que o seu significado teológico e espiritual geralmente se revela difícil de ser transmitido e traduzido hoje às gerações jovens.

A opinião é de Massimo Faggioli, doutor em história da religião e professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minneapolis-St. Paul, nos EUA. O artigo foi publicado no jornal Europa, 06-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

O Vaticano II completa 50 anos, e na história dos concílios ecumênicos é um concílio ainda jovem. Mas alguns elementos-chave do Vaticano II já fazem parte da vida vivida de todos os católicos do mundo. O Concílio redefiniu o modo de ser Igreja, e o risco hoje é de dar por óbvias algumas importantes aquisições: um recurso mais direto e abundante à Bíblia no modo de fazer teologia; uma liturgia que se remete às fontes da revelação de Deus, mais do que à mística da impenetrabilidade da língua latina; uma abordagem ao mundo moderno que é mais dialógica e, finalmente, consciente da dimensão histórica da própria Igreja; uma maior compreensão da diversidade das Igrejas não católicas, das religiões não cristãs e das culturas do mundo globalizado.

Do ponto de vista teológico, o Vaticano II abraçou o princípio do 'ressourcement', ou seja, do recurso à grande tradição da Igreja (bem mais rica do que o magistério do último papa ou do último século) como referência para a catolicidade da teologia.

Do ponto de vista espiritual, a Igreja do Vaticano II acolheu o princípio da renovação como estímulo da comunidade eclesial para se formar na fidelidade ao Evangelho e não no apego a um determinado tipo de relações Estado-Igreja ou de modelos socioculturais.

Do ponto de vista institucional, a Igreja do Vaticano II começou a se reformar segundo uma nova eclesiologia que vê na Igreja uma comunhão antes do que uma instituição, um povo de Deus antes do que uma jurisdição. Nesse respeito, o Vaticano II despertou esperanças que foram parcialmente desiludidas: o caminho ecumênico entre a Igreja Católica e as outras Igrejas deu importantes frutos, mas agora parece ter chegado a um ponto firme; e o envolvimento dos leigos na vida da Igreja hoje parece não ser tão agradável ao clero como era há 20 ou 30 anos atrás; falar de reformas na Igreja hoje parece ser um tabu.

Do ponto de vista da vida da Igreja, a reviravolta teológica marcada pelo Vaticano II mudou alguns dados de fato dos quais será impossível voltar atrás. O papel dos leigos (especialmente nas Igrejas não italianas e não europeias) assumiu uma importância tal a ponto de ser crucial e insubstituível na vida dessas comunidades; o desenvolvimento dos "novos movimentos católicos" (como Santo Egídio, Focolares) foi muito além da "letra" do Concílio, trazendo legitimação do "espírito do Concílio" que existe e dos quais os pontífices do pós-Concílio foram intérpretes, cada um à sua maneira.

Do ponto de vista social e político, a constituição Gaudium et Spes e a declaração Dignitatis Humanae cortaram aqueles vínculos de identificação entre catolicismo e cultura europeia típicos da Idade Média e do início da Idade Moderna, e abriram uma nova era nas relações entre Igreja e culturas no mundo globalizado, e deu ao catolicismo uma nova credibilidade na sua obra de advogado dos direitos dos últimos da terra. O Vaticano II forneceu à Igreja a capacidade de recomeçar a anunciar o Evangelho em culturas e línguas diferentes das europeias.

Para a Igreja, este aniversário do Vaticano II representa um momento nada fácil de gerir. O Concílio, às vezes, parece pertencer a uma época muito diferente, tão diferente que o seu significado teológico e espiritual geralmente se revela difícil de ser transmitido e traduzido hoje às gerações jovens.

Com relação ao Concílio, Bento XVI tem uma relação muito mais difícil e complicada do que Paulo VI ou João Paulo II – senão por outras coisas, pelo fato de ter sido o primeiro papa da Igreja do Vaticano II que não foi padre conciliar.

Também por esse motivo, ainda não temos certeza de qual é o melhor modo de chamar a Igreja modelada pelo Concílio Vaticano II: "catolicismo conciliar" (como agrada ao vocabulário progressista), "Igreja-mundo" (como Karl Rahner a chamava), " Igreja pós-constantiniana"(nas palavras de Marie-Dominique Chenu). Não é somente uma questão de nomes. A recepção ainda está em andamento e está nas mãos dos católicos dos cinco continentes, muito mais do que em uma "sala de controle" da Igreja, que só existe nos desejos daqueles que substituíram a kremlinologia pela vaticanologia.

A Igreja Católica encontra-se hoje no mesmo ponto em que um preocupado cardeal Belarmino, em 1600-1601, escreveu ao Papa Clemente VIII que o Concílio de Trento (que havia concluído menos de 40 anos antes) havia sido um fracasso. Mas era só o fim de uma época e o início de uma nova.

A TEOLOGIA E A IGREJA DEPOIS DO VATICANO II.

A Teologia e a Igreja depois do Vaticano II

Convidado a refletir sobre “Teologia e novos paradigmas”, o Prof. Dr. Andrés Torres Queiruga, da Universidad de Santiago de Compostela, abriu sua palestra na manhã de ontem, dia 09 de outubro, no Congresso Continental de Teologia, avisando ao público que abordaria a Teologia e a Igreja depois do Concílio Vaticano II.

O conferencista dividiu sua fala em três pontos: “a orientação objetiva do Concílio; os grandes temas da teologia pós-conciliar; e o futuro, as tarefas e esperanças”.

Para Queiruga, o Vaticano II tem uma importância epocal que só se percebe a partir do enquadramento de longo alcance na história. 

Para muitas pessoas, o foco do Vaticano II está na Constituição Gaudium et Spes, destacou o palestrante. 

Em seguida, lamentou que a Igreja tenha “perdido o passo” no acompanhamento cultural. “Percebemos que a Igreja se colocou contra a cultura, demonstrando uma inércia da instituição, uma tendência de poder sobre a cultura, uma oposição à modernidade, à democracia e à liberdade”. No entanto, destacou que não era toda a Igreja que se posicionava desta forma. “Havia pessoas que pensavam diferente. Apesar do arrefecimento do Vaticano II, havia pessoas que tentavam renovar o debate”. 

Por sorte, continua ele, “a Teologia não se resignou, mas tinha que se esconder um pouco. Daí, nasceu a teologia positiva, como uma forma alternativa à teologia oficial, abstrata e escolástica”.

Então, nos anos 1950, o Papa Pio XII teria interrompido com essa corrente. “Tudo o que estamos dizendo hoje, neste evento, seria impossível na época de Pio XII”.

Na análise de Queiruga, o Espírito continua soprando na Igreja e essa é uma esperança.

E continua, reconhecendo que alguns dos protagonistas do Concilio não conseguiram acompanhar o processo posterior, não puderem ir além de seus esforços renovadores. “Foi o único concílio universal que não quis definir dogmaticamente nada”. O conferencista continua, lançando ao público a seguinte questão: “terá sido o Concilio a causa de todos os males da Igreja atual?”.

Para Andres Torres, a modernidade colocou a Teologia diante de uma realidade radical. “Eis a herança que a reflexão teológica não pode ignorar”, disse.

Ao abordar as grandes questões do Concílio Vaticano II, Queiruga lembrou do problema do mal na humanidade, bem como do desafio da distribuição de alimentos no mundo. “O Concílio nos deu autonomia diante das realidades terrenas, que são finitas, e nos mostram que o mal é inevitável. Deus poderia não ter criado o mundo, mas o criou e nele aparece o mal. Deus nos convoca a lutar contra o mal. Ele precisa das nossas mãos para acabar com o mal. Deus não está na fome, nem na doença; Ele está nos famintos e nos doentes. Devemos pensar sobre isso”, frisou.

Foi então que o teólogo afirmou que a Teologia da Libertação ousou dizer “bem aventurados os pobres”. E explicou sua afirmação: “Apesar de tudo, Deus está dentro da Igreja. Não devemos ficar desesperados, mas ter a confiança de que unidos temos força. O mundo continuará em frente, porque Deus está conosco”. Assim, de forma esperançosa, encerrou sua fala.

Debate

Ao responder as questões feitas por escrito pelo público, Queiruga destaca que, “se Deus nos cria por amor e está dentro de nós, nos impulsionando na nossa realização, Ele se revela a cada um e a cada uma desde a criação do mundo. Os limites são colocados por nós e, às vezes, não queremos ouvir quando Ele fala”.

Em seguida, destacou que a religião significa perceber que Deus está presente na realidade. “É preciso ter respeito e entender que toda religião é manifestação - mais ou menos perfeita - de Deus. Sempre haverá elementos de outras religiões que podem ser oferecidos a mim. O fundamental é entender que, em Jesus, se alcançou o máximo que humanamente pode ser alcançado. Até podemos aperfeiçoar, mas não ir além de Jesus”.

O palestrante responde enfaticamente a uma pergunta dizendo que, se o Concilio Vaticano II não tivesse acontecido, a realidade hoje seria bem pior. “O Concilio foi uma grande bênção”, finalizou.
Texto de Graziela Wolfart e foto de Wagner Altes

VATICANO II,PATROMÔNIO COMUM.

O Concílio é patrimônio de todos. O Vaticano II se assemelha muito à visão obediente e audaz daquele papa eleito velho, para que fosse de transição: e que realmente foi "de transição".

A análise é Alberto Melloni, historiador da Igreja italiano, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação João XXIII de Ciências Religiosas de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 10-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Todos notaram. A 50 anos do seu início (11 de outubro de 1962), o Vaticano II ainda é capaz de apaixonar a Igreja viva. Uma paixão às vezes confusa, porque tudo – graça, catástrofe, sopro, crise, dom, promessa, traição, porta, complô, reforma, bússola, engano – foi dito sobre o Concílio, como se não existisse uma consistência histórica, como se não fosse justamente essa realidade "permista" o ponto de unidade de todos.

Assim, no fim, desse lago de categorias com pernas curtas, algumas palavras do Papa Roncalli (o Angelo Vecchione nos versos de Pasolini) reflorescem para contar o Concílio com uma visão serena: o salto para a frente, o novo Pentecostes, a pastoralidade, a paz, a unidade. Palavras que devem ser cuidadosamente limpas das minimizações e dos esquematismos que às vezes lhes capturaram.

O que, senão um redutivismo, espremeu um sínodo da "communio" e da colegialidade, ao qual o papa concede que pode ser discutido "livremente" por nada menos do que uma hora por dia? O que transformou a eclesiologia eucarística em um ritualismo pontiagudo ou as celebrações comuns em um lugar em que um grupo ou um líder colocam-se no centro? Não é uma minimização o fato de ter reduzido a Bíblia, recém-voltada do exílio, a ginástica de discursos fervorosos? Ou não seria uma moda aquela que, explorando em má-fé a eclesiologia de Bento XVI, tentou raspar a "extensão" (palavras de Scola) do evento conciliar?

Mas essas reduções e as dicotomias aventadas – espírito contra letra, traição contra abuso, continuidade contra descontinuidade, corpus contra relato – avalizam somente a primeira figura roncalliana sobre o Concílio, a do "novo Pentecostes", na qual, como na primeira, muitos que veem uma Igreja capaz de falar as línguas dos homens, se perguntam: "Mas estes estão bêbados?".

Ao invés, para João XXIII, que o concebeu, o Concílio era algo "necessário", para tornar o magistério coerente com a sua "índole" precipuamente pastoral: isto é, capaz de "encarregar-se do destinatário", dizem os teólogos; mas só as mães – incluindo a Igreja – sabem o que significa encarregar-se e quanta escuta insone merece esse destinatário que caminhará na vida buscando outra escuta e não uma religiosidade pré-pronta.

"Um grande dia de paz": esse era o Vaticano II para Roncalli, no reconhecimento a um tempo duro, mas que havia restituído ao papado o dom de se comover ao se ouvir dizer: "Tu és o nosso bispo, o bispo de Roma". E desse lema ele havia encontrado um retrato inigualável do ministério petrino: "A minha pessoa não conta nada: é um irmão que fala com vocês, um irmão que se tornou pai por vontade do nosso Senhor, mas tudo junto, paternidade e fraternidade, é graça de Deus, tudo, tudo!".

Um "época em que somos sensíveis às vozes do alto" e da qual a prova é dada pela terna exceção ao ordinário do amor, que acrescenta uma carícia a mais para as crianças: lá se colocava o Concílio e se coloca a sua fecundidade atual.

Neste outubro 50 depois, o Concílio retorna. Fez-se lembrar, conhecer. Julga todas as palavras astutas que deveriam ganhar, em corridas mesquinhas, um mesquinho avanço rumo a metas mais fátuas. Consola os caminhos penosos de quem geme o gemido da condição humana, sem nem mesmo quem tece com esses gemidos inefáveis o louvor de quem não está distante de ninguém. Acende uma sede ardente de perguntas sem fim em quem acolhe, mesmo que por um segundo, com ou sem mediação cultural, o Evangelho como Evangelho.

Pensamos naqueles que têm como tarefa não a de mediar entre facções ou de explorar as suas intemperanças, mas sim de conservar na Igreja a unidade da qual o Vaticano II foi a epifania. E ainda o é agora. A Igreja de hoje, de fato, não está dividida em duas metades, como às vezes se tende a fazer acreditar: metade contente com o Concílio, metade descontente; e nem mesmo é feita de duas minorias de papistas e de rebeldes que, para competir o consenso entre si, podem fazer de tudo e dizer de tudo.

A Igreja é, na sua inteireza, a do Concílio: com nuances, graduações, retrocessos que têm razões e histórias bem legíveis, mas que não apagam o fato de que somos testemunhas nesse cinquentenário. Isto é, que o Concílio é patrimônio de todos: a tal ponto que até mesmo os mais teimosos tradicionalistas querem o rito de São Pio V, porque até mesmo para eles o ato de celebrar é norma que gera comunidade, e não mais um sussurro distante a se misturar com o terço; e o imenso rebanho das paróquias, muitas vezes ignoradas em favor de efervescências mais visíveis e mais efêmeras, vive o seu testemunho de pobreza e de alegria.

Visto assim, o Vaticano II se assemelha muito à visão obediente e audaz daquele papa eleito velho para que fosse de transição: e que realmente foi "de transição".

PADRE PIO JAMAIS REJEITOU A "NOVA MISSA".


Padre Pio jamais rejeitou a “Nova Missa”


Padre Pio Pietralcina

Circula entre alguns grupos de católicos a ideia que todo abuso litúrgico cometido durante a celebração da Santa Missa é, necessariamente, uma consequência das “heresias e modernismos” introduzidos pelo Concílio Vaticano II. Essas afirmações, lamentavelmente, partem de católicos praticantes, em sua parte devotos e bem-intencionados. Contudo, essas pessoas, apesar de zelosas e engajadas no combate à profanação da Santa Missa, não raramente desconhecem o conteúdo dos documentos produzidos pelo CV II, uma vez  jamais os leram e deixam-se influenciar pelas opiniões equivocadas de outros.  Há ainda aqueles que apesar de conhecerem alguns dos documentos conciliares, costumam interpretá-los de modo pessoal e particular,  apartados  totalmente da saberia e autoridade do Magistério da Igreja no ensinamento da fé.
Primeiro, é importante lembrar que o Concílio Vaticano II não foi um Concílio dogmático, uma vez que não declarou nenhum dogma novo, mas sim um concílio Pastoral. Ou seja, seu objectivo era a instrução pastoral de assuntos relevantes à prática da fé e não formulação de novas doutrinas e dogmas pertinentes à ela.  A defesa do Concílio Vaticano II não é, portanto, uma tarefa apenas para os “modernistas” católicos, como costumam dizer os “tradicionalistas”, mas para todo católico obediente e fiel ao Magistério da Igreja.  Contudo, a obediência ao CVII não quer dizer desprezo  pela e solenidade da Santa Missa no Rito Tridentino, a chamada missa tridentina, nomeada assim após o Concílio de Trento.  Porém, isso não equivale dizer que a Santa Missa torna-se menos Santa quando é celebrada num ou noutro Rito, pois é um Sacrifício oferecido em nome de um Outro, maior que a nossa preferência pessoal. Não contestamos tampouco que alguns Ritos sejam mais solenes ou esteticamente mais belos que outros, contudo, a Missa não é uma celebração para o homem, mas para Deus.
É  bastante preocupante o rumor espalhado por alguns adeptos do Rito Tridentino de que um santo notoriamente fiel aos ensinamentos da Igreja,  como Padre Pio, tivesse, ao fim de sua vida, rejeitado a Missa Novo Ordus. Na verdade, isso confirma a natureza controversa deste tema e serve também com um alerta, afinal, algumas pessoas estão dispostas a se usarem até mesmo de um argumento falso, como a oposição de Padre Pio à Nova Missa, para sustentarem seu ponto de vista.
Na verdade, devido à época em que viveu, a missa que o Padre Pio oferecia era de acordo com o Missal, tal como existia antes do Concílio Vaticano II, a Missa Tridentina. Quando os novos ritos começaram a aparecer em meados dos anos 1960 (finalizado em 1969 depois de sua morte) Padre Pio continuou a celebrar a Missa no Rito “antigo”. Por esse motivo, tem sido alegado por alguns que isso ocorreu  devido à sua insatisfação com as mudanças litúrgicas. No entanto, isso não era o caso. Já com mais de 80 anos de idade e ficando cego a única maneira prática de Padre Pio oferecer a missa era reza-la como ele tinha feito ha 50 anos. Este mesmo privilégio foi concedido por lei a todos os sacerdotes idosos. Mais tarde, ao Padre Pio também seria dada a permissão para sentar-se durante a totalidade da missa, sendo incapaz de resistir por longos períodos. O verdadeiro caráter da apresentação impecável do Padre Pio para a Igreja e sua aceitação de todos os ensinamentos do Vaticano II e do Papa e da disciplina pode ser visto na carta que escreveu ao Papa Paulo VI, em setembro de 1968.
Sua Santidade,
Uno-me com meus irmãos para apresentar a seus pés o meu respeito afetuoso, toda a devoção à sua pessoa minha agosto em um ato de fé, amor e obediência à dignidade daquele a quem representa nesta terra. A Ordem dos Capuchinhos foi sempre na primeira linha no amor, fidelidade, obediência e devoção à Santa Sé, peço a Deus que ela possa permanecer assim, e continue na sua tradição de seriedade e austeridade religiosa, pobreza evangélica e fiel observância do Regra e Constituição, certamente renovando-se na vitalidade e no espírito interior, de acordo com as guias do Concílio Vaticano II, a fim de estar sempre pronto para atender às necessidades da Igreja Matriz sob o governo de Vossa Santidade.
Eu sei que seu coração está sofrendo muito estes dias, no interesse da Igreja, pela paz do mundo, para as necessidades dos inúmeros povos do mundo, mas acima de tudo, pela falta de obediência de alguns, até mesmo católicos, para o ensino de alta que você, assistido pelo Espírito Santo e em nome de Deus, estão nos dando. Eu lhe ofereço minhas orações e sofrimentos diários como uma contribuição pequena, mas sincera, da parte do menor dos seus filhos, a fim de que Deus possa dar-lhe conforto com a sua graça para seguir o caminho reto e doloroso na defesa da verdade eterna, que nunca altearão com o passar dos anos. Além disso, em nome dos meus filhos espirituais e os grupos de oração, eu o agradeço por suas palavras claras e decisivas que você, especialmente pronunciou na última encíclica “Humanae Vitae”, e eu reafirmo a minha fé, minha obediência incondicional às suas direções iluminadas.
Que Deus conceda a vitória da verdade, paz à sua Igreja, tranqüilidade para o mundo, saúde e prosperidade a Vossa Santidade de modo que, uma vez que estas dúvidas são dissipadas fugazes, o Reino de Deus triunfe em todos os corações, guiado pelo seu trabalho apostólico como Supremo Pastor de todo o Cristianismo.
Prostrado aos seus pés, peço-lhe para me abençoar, na companhia de meus irmãos na religião, meus filhos espirituais, os grupos de oração, meus queridos doentes e também para abençoar todos os nossos bons propósitos que estamos tentando cumprir sob sua proteção em nome de Jesus.
Humildemente,
P. Pio, capuchinho
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FONTE: http://igrejamilitante.wordpress.com/2012/08/12/padre-pio-jamais-rejeitou-a-nova-missa/

O CIDADÃO DO REINO DOS CÉUS.

O CIDADÃO DO REINO DOS CÉUS – Efésios 2.19


A Bíblia diz que somos concidadãos dos santos. O que é um concidadão? É um cidadão junto com outros. Ou seja, existe um grupo de pessoas que faz parte do reino dos céus e nós nos unimos a ele, recebendo a mesma cidadania quando nascemos de novo.
Está claro para você que uma pessoa precisa nascer duas vezes para morrer uma. Mas aqueles que nascem uma única vez morrem duas?
No dia que você entrou nesse mundo, o lugar onde você nasceu determinou a sua cidadania natural. Mas houve um dia em que você nasceu de novo. E quando você nasceu gerado pelo Espírito Santo, você passou a fazer parte de outra nação. A nação santa que habita o reino de Deus. Portanto, mesmo que você ainda continue morando na terra, você hoje é um cidadão de outro reino.
Em que consiste essa cidadania celestial?


F.T.: Em primeiro lugar…
I – A CIDADANIA É AGORA:
1.1. A maioria dos cristãos está esperando morrer, para se tornar um cidadão do reino de Deus. Eles pensam que hoje eles fazem parte deste mundo, mas abraçaram uma fé e se forem bons cristãos, um dia depois que morrerem finalmente se tornarão cidadãos do reino dos céus.
1.2. Mas isso é um equívoco, no momento que você nasceu no reino do espírito você se tornou cidadão desse reino. Você não precisa morrer para receber sua certidão de nascimento no reino de Deus. A certidão é dada na hora que você nasce.
1.3. Por isso, muitos cristãos ainda possuem uma vida muito natural. Porque eles estão achando que são desse mundo. Mas vamos ver na Palavra de Deus, que nós não somos mais deste mundo. Veja o que Jesus disse em João 18.36.
· Jesus tinha plena consciência de que ele estava no mundo, mas fazia parte de outro reino. Da mesma forma ele falou que nós também não somos deste mundo. João 17.14-18.
· Quem não deste mundo o mundo o odeia. E não apenas isso, mas o fato de estarmos em Cristo e de sermos enviados por Ele é uma prova inegável de que nós não somos deste mundo. Portanto a cidadania é agora.


F.T.: Em segundo lugar…
II – A CIDADANIA É INVISÍVEL: Lc.17.20-21
2.1. A segunda questão sobre a cidadania é que ela é invisível. Assim como você não precisa andar com a sua identidade na mão todo dia para mostrar às pessoas que você é um cidadão brasileiro, você também não precisa usar uma placa dizendo que é cidadão do reino dos céu.
2.2. Veja o que o Senhor Jesus falou quando os fariseus o interrogaram acerca da vinda do reino: Lucas 17.20-21.
2.3. Se alguém é americano ou brasileiro você vai descobrir por alguns motivos práticos:
a) Língua: Isso é fato que quando alguém abre a boca, você identificará a sua cidadania. Seja pelo idioma ou pelo sotaque diferente.
· Se somos cidadãos do reino ou não, a nossa maneira de falar nos delata. Existem coisas que você só vai ouvir da boca de um cidadão do reino. E existem coisas que você nunca vai ouvir da boca de um cidadão do reino. Sua língua é diferente da do mundo.
b) Estilo de Vida: Estilo de vida é a forma pela qual uma pessoa vivencia o mundo e, em consequência, se comportam e faz escolhas. A sua rotina, o seu comportamento diário são a expressão do seu estilo de vida.
· Seu estilo de vida, diz qual é a sua cidadania! Você aprecia as coisas que o mundo aprecia. Você faz o que o mundo faz? Você age da forma que o mundo age?
c) Comida: A sua cidadania também determina o seu paladar. O chinês gosta de arroz. O americano gosta de um bom café da manhã. O argentino come carne e salada no almoço. Mas o brasileiro tem que ter no prato feijão e arroz.
· O cidadão do reino dos céus, precisa se alimentar com o alimento celestial. O cidadão da terra se empanzina com as coisas da terra. Ama ficar parado de frente a uma televisão. O cidadão do reino dos céus, ama comer a Palavra do Senhor.
· Você pode não falar nada sobre a sua cidadania, mas quando alguém vir o que você come saberá a sua nacionalidade.


F.T.: Em terceiro lugar…
III – A CIDADANIA É ALGO NATURAL
3.1. A biologia ensina que existe o reino animal, o reino vegetal e o reino mineral. São 3 reinos, reinos distintos, o que distingue cada um destes reinos? A natureza. A natureza animal é uma, a natureza vegetal é outra, a natureza mineral é outra.
· Nós também somos de um reino. O reino deste mundo é o reino natural. Mas nós pertencemos a outro reino, que o reino espiritual. Nós estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais. Você agora ganhou a natureza de Cristo.
3.2. Portanto, esse é o terceiro aspecto sobre a cidadania do reino dos céus. A cidadania é algo natural ou seja. Isso que significa ser um cidadão do reino dos céus. Significa que você não precisa se esforçar muito para ser o que é. Se você tem que se esforçar muito para ser o que você é, você não entendeu ainda o que é o evangelho.
· O que a gente vê muito hoje são pessoas dentro da igreja se segurando para não pecar. Elas conseguem ficar assim por três meses, seis meses um ano. De repente caem. Essas pessoas precisam mudar de natureza. Precisam nascer de novo. Nascer no reino. Se tornar um cidadão dos céus. Receber uma nova natureza. Senão for assim, todo esforço próprio para agradar a Deus é religião!

A EXISTÊNCIA DE DEUS

A existência de Deus

Artigos

31/10/2012
Palavra em ação
Das criaturas materiais até Deus
A inteligência humana pode conhecer a existência de Deus aproximando-se d’Ele por um caminho que tem como ponto de partida o mundo criado e que possui dois itinerários, as criaturas materiais e a pessoa humana. Embora este caminho tenha sido desenvolvido especialmente por autores cristãos, os itinerários que, partindo da natureza e das atividades do espírito humano levam até Deus, têm sido expostos e percorridos por muitos filósofos e pensadores de diversas épocas e culturas.
As vias em direção à existência de Deus também se chamam “provas”, não no sentido que as ciências matemáticas e naturais dão a esse termo, mas como argumentos filosóficos convergentes e convincentes, que o indivíduo compreende com maior ou menor profundidade dependendo de sua formação específica (cf. Catecismo, 31). Que as provas da existência de Deus não podem ser entendidas no mesmo sentido das provas utilizadas pelas ciências experimentais se deduz com clareza do fato de que Deus não é objeto de nosso conhecimento empírico.
Cada via em direção à existência de Deus alcança somente um aspecto concreto ou dimensão da realidade absoluta de Deus, o do específico contexto filosófico no qual a via se desenvolve: “partindo do movimento e da evolução, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se a conhecer a Deus como origem e fim do universo” (Catecismo, 32). A riqueza e a imensidão de Deus são tais que nenhuma dessas vias, por si mesma, pode chegar a uma imagem completa e pessoal de Deus, mas apenas a alguma faceta dela: existência, inteligência, providência etc.
Entre as chamadas vias cosmológicas, umas das mais conhecidas são as célebres “cinco vias” elaboradas por São Tomás de Aquino, que contêm em boa medida as reflexões de filósofos anteriores a ele; para sua compreensão, é necessário ter algumas noções de metafísica. As primeiras duas vias propõem a ideia de que as cadeias causais (passagem da potência ao ato, passagem da causa eficiente ao efeito) que observamos na natureza não podem retroceder ao infinito, mas devem apoiar-se em um primeiro motor e sobre uma primeira causa; a terceira via, partindo da observação da contingência e limitação dos entes naturais, deduz que sua causa deve ser um Ente incondicionado e necessário; a quarta, considerando os graus de perfeição participada que se encontram nas coisas, deduz a existência de uma fonte para todas estas perfeições; a quinta via, observando a ordem e o finalismo presentes no mundo, consequência da especificidade e estabilidade de suas leis, deduz a existência de uma inteligência ordenadora que seja também causa final de tudo.

Estes e outros itinerários análogos foram propostos por diversos autores com diversas linguagens e formas distintas, até os nossos dias. Portanto, mantêm sua atualidade, ainda que para compreendê-los seja necessário um conhecimento das coisas baseado no realismo (em contraposição a formas de pensamento ideológico), e que não reduzam o conhecimento da realidade somente ao plano empírico experimental (evitando o reducionismo ontológico), de modo que o pensamento humano possa, em suma, subir, dos efeitos visíveis às causas invisíveis (afirmação do pensamento metafísico).
O conhecimento de Deus é também acessível ao sentido comum, isto é, ao pensamento filosófico espontâneo, comum a todo ser humano, como resultado da experiência existencial de cada um: a admiração ante a beleza e a ordem da natureza, a gratidão pelo dom gratuito da vida, o fundamento e a razão do bem e do amor. Este tipo de conhecimento também é importante para captar a que sujeito se referem as provas filosóficas da existência de Deus: São Tomás, por exemplo, termina suas cinco vias unindo-as com a afirmação: “e isto é o que todos chamam Deus”.
O testemunho da Sagrada Escritura (cf. Sb 13, 1-9; Rm 1, 18-20; At 17, 22-27) e os ensinamentos do Magistério da Igreja confirmam que o intelecto humano pode chegar ao conhecimento da existência de Deus criador, partindo das criaturas (cf. Catecismo, 36-38). Ao mesmo tempo, quer seja a Escritura, quer seja o Magistério, advertem que o pecado e as más disposições morais podem tornar mais difícil este reconhecimento.
Por:Giuseppe Tanzella-Nitti
http://www.opusdei.org.br