quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PARÁ TEM SEGUNDO MAIOR SALDO COMERCIAL DO BRASIL.


Pará tem segundo maior saldo comercial do Brasil
Quarta-Feira, 11/01/2012.

Pairando acima da crise que mantém cambaleantes algumas das principais economias do planeta, o Estado do Pará empreendeu um forte ritmo de atividade em 2011 e fechou o ano com o segundo maior saldo comercial do Brasil, registrando variação positiva acima da média nacional. Com mais de US$ 18 bilhões referentes à exportação e o valor recorde de US$ 1,334 bilhão das importações, o Estado voltou a registrar um excepcional superávit, dando mais uma vez decisiva contribuição para o orçamento cambial do país.

Os dados consolidados do comércio exterior paraense, produzidos pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) e ontem distribuídos à imprensa, mostram que o Pará fechou o exercício de 2011 com saldo de US$ 16,992 bilhões, valor 45% maior que o do ano anterior. O Estado gerador do maior saldo comercial do país continua sendo Minas Gerais, que registrou no ano passado um superávit de US$ 28,366 bilhões. Os dois Estados têm, em comum, o fato de serem os maiores produtores e exportadores brasileiros de minérios.

De acordo com os números levantados pelo CIN, centro de negócios vinculado à Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), a variação do valor exportado pelo Pará em 2011, comparativamente ao ano anterior, foi de 42,86%. Esse número projeta o Pará à quinta posição no ranking dos maiores exportadores entre os Estados brasileiros. Acima dele, estão apenas, pela ordem, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Um dado curioso, quando se analisa o comportamento dos Estados da Região Norte, no tocante ao comércio exterior, resulta da comparação do Pará e Amazonas. Na lista dos exportadores, o Pará aparece em quinto lugar e o Amazonas numa modesta 17ª colocação. Quando se toma como referência as importações, a situação se inverte. O Pará, que vende muito e compra pouco, cai para a 16ª colocação. Já o Amazonas, que tem suas compras externas turbinadas pela Zona Franca de Manaus, sobe para o 7º lugar. Em 2011, seu déficit comercial atingiu a casa de US$ 11,8 bilhões.

Os dados da balança comercial do ano passado confirmam também o setor mineral como o carro-chefe da economia do Pará, com um grau até excessivo de concentração. Em 2011, a cadeia mineral respondeu por 90,02% do valor relativo às vendas externas do Estado, somando US$ 16,505 bilhões num total de US$ 18,336 bilhões. O minério de ferro bruto foi o produto que mais contribuiu para o crescimento das exportações. A variação nas vendas do minério para o mercado internacional superou os 70%, registrando um valor de US$ 11,770 bilhões

A China foi o país que mais consumiu o produto mineral paraense. Do total exportado em 2011,
US$ 5,802 bilhões foram absorvidos pelo mercado chinês. Além dos produtos minerais, a pimenta-do-reino, o dendê e a carne bovina tiveram bons resultados. A madeira, apesar de uma modesta (2,17%) variação positiva, fechou o ano com vendas externas de US$ 400 milhões.

Segundo o gerente do CIN, Raul Tavares, o Pará deve buscar a diversificação de sua pauta e o fortalecimento do comércio com outros parceiros, através de missões e encontros internacionais. “O objetivo dessa política é reduzir a taxa de vulnerabilidade da economia paraense”, explicou.

EM NÚMEROS
18 bilhão de dólares foram os ganhos registrados pelo Pará com as exportações em 2011.
16,9 bilhão de dólares foi o saldo com que o Estado fechou o ano, valor 45% maior do que o obtido em 2010. (Diário do Pará)

domingo, 8 de janeiro de 2012

INFLAÇÃO DE BELÉM É A MAIS BARATA DO PAÍS DIZ IPCA.


Inflação de Belém é a menor

Peços

IPCA divulgado ontem diz que a capital paraense é a mais barata do País

Belém teve a menor taxa de inflação registrada em 2011 entre as capitais brasileiras, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação da capital paraense fechou em 4,74%, enquanto a média nacional ficou em 6,5%.

Em 2010, o indicador em Belém foi de 6,94%, acima da média nacional naquele ano, que foi de 6,47%. Na média nacional, a variação do IPCA, de 6,5%, foi a maior desde 2004 (7,6%).

Para este resultado, a pesquisa revelou que todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação menor em Belém em relação à média nacional.

Fonte: o liberal

UNIÃO NÃO REPASSA VERBAS PARA O PARÁ.


Pará é lanterna no repasse de verba.

ORÇAMENTO

Valor de emendas de bancada sofre redução recorde: só R$ 22,2 milhões
Levantamento feito por O LIBERAL junto ao sistema Siga Brasil e Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), ambos do governo federal, revela mais um dado negativo sobre o Pará. Em relação à execução do Orçamento da União em 2011, o Estado teve um corte nas chamadas emendas de bancada - aquelas apresentadas pelos deputados e senadores da mesma unidade da Federação e que são voltadas principalmente para grandes obras de infraestrutura. Somadas, as emendas apresentadas chegavam a R$ 371 milhões. Porém, na fase do empenho, quando ela podem ou não ser garantidas para pagamento, após análise do governo e dos ministérios, o valor caiu de forma brusca: tornou-se 15 vezes menor que o apresentado pela bancada, somente R$ 22,2 milhões para utilização em 2012.

Com este total empenhado, o Pará ficou com a 25ª colocação entre as 27 unidades da Federação. É o antepenúltimo pior resultado do País. O primeiro colocado, o Distrito Federal, teve R$694,5 milhões aprovados em emendas de bancada. Um valor trinta vezes superior ao número paraense. É importante ressaltar que o Pará tem o triplo da população da capital federal e entorno.

O desempenho paraense é o pior dos últimos dez anos. O levantamento mostra ainda que o valor empenhado para 2011 é menos da metade de 2010, quando foram aprovados R$ 58,4 milhões.

DESIGUALDADES

O Pará ficou apenas à frente de Acre e Maranhão no ranking incluindo todas as Unidades Federativas. Na região Norte, o Estado foi o penúltimo. Outro dado que chama a atenção quanto ao desequilíbrio na distribuição das verbas de emendas de bancada é relacionado à região. Entre os dez piores repasses por Estado, apenas um é da região sul. Outros cinco são da região Norte. Quatro estão na Nordeste.

Fonte:O liberal

CENTRO HISTÓRICO SERÁ A PASSARELA DO SAMBA EM 2012 EM BELÉM.


Centro histórico é a passarela da folia no carnaval 2012

Blocos retornam à Cidade Velha e à Campina para fazer a festa de Momo.

centro histórico de Belém, na Cidade Velha e na Campina, será o grande palco da folia hoje em Belém, com os desfiles dos blocos que revivem o carnaval de rua da cidade. Entre 30 mil e 40 mil pessoas são esperadas a cada domingo qua antecede a semana do carnaval, de 18 a 22 de fevereiro. As praças do Carmo, Dom Pedro II, do Relógio e a da Igreja de São João Batista (São Joãozinho) serão os espaços de concentração dos foliões, que sairão pelas ruas buscando a adesão de quem estiver disposto a fazer parte da festa.

Os cortejos estão sob a responsabilidade da Associação das Fanfarras da Cidade Velha (Asfavelha), entidade que se comprometeu formalmente, pela assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com o Ministério Público do Estado, a fazer "um carnaval responsável e seguro". Presidente da Asfavelha e membro da diretoria do Bloco Jambu do Kaveira, André Kaveira informa que a ideia é que os foliões possam brincar o carnaval tradicional, sem submeter aos blocos uniformizados e que não seguem a cultura das festas carnavalescas do estado.

Para garantir uma folia com segurança, o governo do Estado e a Prefeitura de Belém fornecerão apoio com efetivos da Polícia Militar, Guarda Municipal e com várias secretarias que se farão presentes para esclarecer o público sobre como brincar de forma saudável. A Secretaria de Saúde, por exemplo, encarrega-se da distribuição de preservativos; a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) ajudará a zelar pela preservação do patrimônio público e da arborização das praças.

Fonte:O liberal

NA FEIRA DO AÇAÍ BATE O CORAÇÃO DA BELÉM NOTURNA.


Na Feira do Açaí bate o coração da Belém noturna
Domingo, 08/01/2012, 07:49:49

Em cada ponto da cidade, a madrugada deixa uma marca diferente, mas há um local que consegue reunir todas as sensações, personalidades e curiosidades noturnas. É o famoso Ver-o-Peso, mais especificamente a Feira do Açaí, onde são descarregadas e vendidas as mercadorias que chegam pelo rio e abastecerão a região continental de Belém. Música, comida, bebida, trocas comerciais, ofertas de produtos ilegais. Tudo existe ali, onde todos vivem o mesmo corre-corre em busca da melhor venda e, claro, também um pouco de diversão.

Raimundo Lopes chega às 18h no local e só retorna para casa às 10h da manhã. Além das noites acordado, ele conta que lá não existe feriado, férias ou final de semana. “Aqui é sete dias na semana, todos os meses do ano”. Mas mesmo depois de 11 horas de trabalho ele ainda mantém o bom humor e a simpatia com os colegas.

“Escolhemos essa vida então não podemos ficar reclamando. A madrugada é sacrificante porque deixa a gente longe da família, com uma rotina diferente dos outros empregados, mas no final vale a pena. A gente sabe que é privilegiado por todos os dias poder contemplar a visão desse rio, que pra mim é a parte mais bonita de Belém”, diz. E quando o sol chega com os primeiros raios de luz, parte de fluxo alucinante do lado mais antigo da feira desacelera. Enquanto a maioria dos cidadãos se prepara para circular o local, a Feira do Açaí solta os primeiros bocejos e é tomada por centenas de corpos deitados no chão. Aos poucos os mesmos personagens levantam e deixam o espaço para serem substituídos pelos amantes do dia. Depois do almoço, sono e abraço na família, recomeça a preparação do trabalho. Roupa vestida, bolsa equipada, um breve sinal da cruz, Raimundo olha pro céu, vê o sol se pôr e adentra novamente ao mundo da noite em Belém.

(Diário do Pará)

ESSA OUTRA BELÉM QUE POVOA AS MADRUGADAS.


Essa outra Belém que povoa as madrugadas
Domingo, 08/01/2012, 07:38:13

Uma atmosfera diferenciada encobre a Belém noturna. Sai o ritmo alucinante, o embate de multidões, para dar lugar a uma cidade de detalhes. As luzes amareladas substituem o sol quente da manhã iluminando apenas os pontos essenciais. Sombras, penumbras e a total escuridão se dividem no clima revelador da madrugada. Os sons mudam de frequência. Em vez do trânsito alucinado, milhares de vozes misturadas e passos rápidos, vêm os murmurinhos. Os olhares mais direcionados, o sentimento de identificação com um espaço que parece ser apenas seu. Para quem optou por viver a rotina das primeiras horas do dia, Belém é um cenário de mistério e prazer.

“Trabalhar à noite não é pra qualquer um. Tem que ter coragem, atenção e gostar um pouco da solidão”.

Rodando apenas quando já não há sol, o taxista Antonio Almeida criou estratégias para resistir às artimanhas do horário. Se de dia o trânsito sufoca, de noite a sensação de independência de alguns condutores faz das vias um reduto fatal. “Não paro em sinais vermelhos. Sei os pontos onde acontecem mais acidentes e tento circular em locais mais seguros”, comenta. Mas foi justamente no momento em que as pessoas se sentem mais vulneráveis que Almeida conquistou sua admiração. “Tenho clientes que ligam para a cooperativa me requisitando, pois já criamos uma relação de confiança. Tem pessoas que a gente acompanhou crescer, sabe as histórias, vê as mudanças. É o lado bom de fazer um serviço quando menos se arriscam”, explica.

Conhecendo como poucos Belém, ele ainda encontra tempo para se encantar diariamente com a avenida Visconde de Souza Franco, a Doca, seus símbolos e passageiros. “Acho uma das partes mais bonitas da cidade, especialmente assim, deserta. É um prazer impagável trabalhar aqui”, diz.

Deixando a larga avenida e tomando uma de suas transversais, as ofertas mudam de forma. Ali a vez é dos corpos captarem olhares de desejo e se exibirem de um jeito que só a discrição noturna possibilita. À 1h da manhã, B. caminha esguia pela avenida 28 de Setembro. Após alguns segundos de análise, ela escolhe o ponto onde a visibilidade e acesso parecem estar ideais. “Esse é o nosso melhor horário porque é quando a procura é maior. Os clientes saem dos bares. Alguns já são conhecidos, marcam horário. Mas todo dia tem alguém se aventurando pela primeira vez”, conta. O travesti de apenas 18 anos mantém há dois a rotina da prostituição no centro de Belém, onde estabeleceu um trato de sobrevivência. “Nos carros a gente acaba rodando todos os bairros, até os mais afastados. O risco acontece sempre, porque nunca temos a certeza de que iremos retornar. Mas eu tento aproveitar todas as descobertas, as histórias de cada um”, ameniza.

Do centro à periferia, algumas histórias tristes se repetem. Brigas, maus-tratos, preconceito. Mas Bruna controla a sobriedade com o apoio de outros que também vivem o mesmo ambiente. “Se você não fizer amizade está perdido. Ninguém sobrevive sozinho à noite. Crio laços de amizades com os clientes, troco confidências com eles, e sou sempre educada com todos, inclusive policiais”, explicava até ser interrompida por um homem num carro preto. A noite começava.

(Diário do Pará)

GARÇOM TAMBÉM VIRA PSICÓLOGO NA MADRUGADA DE BELÉM.


Garçom também vira psicólogo na madrugada de Belém
Domingo, 08/01/2012, 07:45:47

Enquanto alguns partiam para o primeiro trabalho, outros olhavam, a cada momento de descanso, o relógio. Era o caso do garçom Raimundo dos Anjos, o Rai, personagem tão tradicional quanto o próprio estabelecimento no qual trabalha, o Bar do Parque. Referência no meio da boemia belenense o espaço ainda guarda a estrutura de séculos passados, mas já sente a modernidade alterar também o funcionamento de outrora. “Antes não havia tantos bares que funcionassem de madrugada, aí todo mundo vinha pra cá. Agora, além disso, as pessoas também se incomodam com os pedintes e ficam com um pouco de medo de assalto nas redondezas”, diz. Menos turistas, menos consumidores, mais tempo para ouvir as narrativas fantásticas de cada um.

“Garçom é meio psicólogo. Tem camarada que vem sozinho e em cada cerveja que pede conta um caso da sua vida. É tanto desabafo que se a gente deixar não atende mais ninguém e fica só aconselhando”, diz. Mas mesmo os seus 20 anos de experiência no local ainda não o impediram de perceber o lado contraditório de tudo isso. “A praça foi revitalizada, está bonita, cheia de enfeites, mas as pessoas que moram nela continuam passando as mesmas necessidades. É impossível não se emocionar com mães que carregam filhos pequenos no colo e passam a noite em busca do que comer”, diz. De fato, olhares vagos, em corpos abandonados, circulavam pelo espaço numa busca perdida, seguindo as luzes dos túneis de mangueiras, um dos cartões postais de Belém. E nessa caminhada, as vidas perdidas passavam ao lado de existências já encerradas.

No cemitério da Soledade, no bairro de Batista Campos, a impressão é de vazio. Os barulhos de algumas aves e dos poucos carros que às 4h passavam por ali escondiam, na verdade, a atuação dos zeladores Iran Silva e Cristóvão Lima. Os dois gastam as madrugadas cuidando de um espaço temido por muitas pessoas mesmo sob a luz do dia, mas garantem: o maior medo é dos vivos que desrespeitam o local. Desconfiados, eles vão aos poucos perdendo o receio, baixam o facão (único instrumento de repressão que utilizam) e começam a contar as invasões que já ocorreram no cemitério - e ainda são frequentes, principalmente na madrugada dos finais de semana. “Existe um grupo, os góticos, que gostam de vir destruir o patrimônio público. Eles pulam o muro, usam drogas, roubam objetos, fazem sexo e às vezes ainda montam rituais satânicos”, diz Iran. Quando percebem o movimento ainda no início, ele e Cristóvão partem com o cachorro para espantar os invasores, mas em alguns casos eles são tantos que os zeladores ficam impotentes.

“Também já vieram ladrões armados e aí a gente não pode fazer nada. Só rezar para que a noite acabe logo e eles vão embora”, comenta Cristóvão. Entre as cenas horripilantes e os sustos iminentes, o que ele sente mais falta é da tranquilidade que a noite já representou. “Acho que a insegurança tira parte do charme de Belém na madrugada. Andar pelas ruas, bater papo com os amigos, curtir o clima mais ameno são coisas simples que ficaram perigosas de fazer”, diz.

(Diário do Pará)