quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DIGA NÃO A DIVISÃO A DIVISÃO.


DIGA NÃO A DIVISÃO DO PARÁ!

Você já se perguntou a quem realmente interessa a divisão do pará ou de qualquer outro estado?
Você já se perguntou o que realmente irá melhorar pra você com a divisão?
Analise com cuidado e veja quem, em seu municipio, está lutando a todo custo para dividir o Pará .
Por que os grandes empresários e os políticos(que nada fazem para melhorar a sua vida e a cidade) estão a favor da divisão?
Você acha que com a divisão eles irão aplicar o dinheiro publico na cidade, melhorar a educação, a saúde, as estradas, dar incentivos aos agricultores? Se achas isso, responda por que eles não fizeram agora?
Você sabia que todo ano o orçamento municipal cresce? Que milhões de reais deixam de ser arrecadados em impostos todos os anos dos grandes empresários de seu municipio, por que eles provavelmente financiam a campanha dos politicos que hoje governam sua cidade?Que a maioria dos recursos federais e estaduais somem quando chegam nos municipios? Então quais as mudanças ocorrerão com a divisão do Pará, além da criação de mais cargos politicos?
O NOSSO PROBLEMA NÃO É GOVERNO DISTANTE. O NOSSO PROBLEMA SÃO OS GOVERNOS AUSENTES E CORRUPTOS, POR ISSO DIGA NÃO NO PLEBISCITO.



frente1Deputado Edmilson Rodrigues declarou:

“Quero reiterar minha absoluta convicção de que dividir o Pará será a consumação de gravíssimo atentado aos interesses imediatos e históricos do povo paraense. Se prevalecer a opinião dos separatistas, serão criadas três unidades federativas fracas, três Estados pobres e desprovidos de força econômica e política”.





HINO DO ESTADO DO PARÁ

LETRA: ARTHUR PORTO
MÚSICA: NICOLINO MILANO
ADAPTAÇÃO E ARRANJO: GAMA MALCHER

Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador !
Teu destino é viver entre festas,
Do progresso, da paz e do amor!
Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador!
Estribilho

Ó Pará, quanto orgulha ser filho,
De um colosso, tão belo, e tão forte;
Juncaremos de flores teu trilho,
Do Brasil, sentinela do Norte.
E a deixar de manter esse brilho,
Preferimos, mil vezes, a morte!

Salve, ó terra de rios gigantes,
D'Amazônia, princesa louçã!
Tudo em ti são encantos vibrantes,
Desde a indústria à rudeza pagã,
Salve, ó terra de rios gigantes,
D'Amazônia, princesa louçã !

Segundo alguns pesquisadores, o Hino ao Pará surgiu em época anterior ao ano de 1915 e não tinha caráter ou sentido oficial, desconhecendo-se qualquer ato que tenha oficializado naquela oportunidade.

Cantado pelos alunos do "Colégio Progresso Paraense", foi publicado em 1895, na página 5 dos "Annaes do Colégio Progresso Paraense", edição comemorativa do tricentenário da fundação de Belém.

O referido Hino se tornou oficial com o nome de "Hino do Pará" através da Emenda Constitucional nº 1, de 29 de outubro de 1969.

AUTORES

O professor dr. Arthur Teódulo Santos Porto foi autor da letra do "Hino ao Pará". Ele era conhecido intelectual e educador, fundador do "Colégio Progresso Paraense", nascido em Pernambuco em 1886 e falecido em Belém-PA em 1938. Embora atribuída a Gama Malcher, professor de canto coral daquele colégio, a autoria da música é na realidade de Nicolino Milano, violonista, compositor e regente brasileiro, nascido em Lorena-SP, no ano de 1876 e falecido no Rio de Janeiro em 1931. O Maestro Gama Malcher foi o autor da adaptação e do arranjo musical para canto coral.

SIMBOLISMO

A letra deste Hino é um verdadeiro poema de exaltação ao Pará. Ela fala da beleza natural do Estado, da exuberância de suas matas e flores, dos seus rios, do heroísmo do seu povo e traz uma mensagem de otimismo e esperança para o futuro.

(Fonte: www.pa.gov.br)

RBATV REALIZA DEBATE SOBRE DIVISÃO DO PARÁ


Terça-feira, 29/11/2011, 07h59.

RBA TV realiza o primeiro debate na sexta.

A RBATV realizará o primeiro debate sobre o plebiscito, que ocorrerá dia 11 de dezembro, para o eleitor paraense decidir sobre a divisão do Estado para criação dos Estados do Carajás e Tapajós. O debate ocorrerá nesta quinta-feira (dia 1°) e todos os quatro parlamentares presidentes das frentes pró e contra Carajás e Tapajós já confirmaram presença. Todos concordam que será a oportunidade para os eleitores ainda indecisos terem acesso a informações sobre os argumentos para a divisão ou para manutenção do território do Pará.

O gerente geral de Jornalismo, Adil Bahia, afirma que a RBATV mantém a tradição de realizar o primeiro debate nas eleições paraenses, mesmo o plebiscito sendo um pleito atípico porque coloca em discussão as diferentes regiões do Estado. Bahia explica que as regras do debate foram aprovadas pelos representantes das frentes e que a emissora está preparada para mais esse desafio com a intenção de dar a oportunidade de esclarecimento aos eleitores.

Documento com a cópia das regras do debate foi enviado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PA) juntamente com convite para que o TRE envie representante para acompanhar o debate.

O debate plebiscito 2011 será realizado na sede da RBATV, dia 1º de dezembro, às 22 horas. O sorteio será realizado às 21 horas e a ordem de sorteio de perguntas e respostas respeitará alternância das frentes opositoras. No entanto, não será permitida a exibição de quaisquer documentos durante o programa.

A duração prevista para o programa é de 1h30, contendo cinco blocos. Cada pergunta será feita em 30 segundos e as respostas em dois minutos e mais um minuto para réplica e tréplica, cada. No último bloco, serão destinados dois minutos para cada participante fazer as considerações finais, respeitando a ordem do sorteio realizada antes de iniciar o debate.

FRENTES

Os representantes das frentes aguardam com muita expectativa a participação no debate da RBATV. O presidente da frente pró Tapajós, deputado Joaquim de Lira Maia, afirma que a boa audiência em todo o Estado da RBATV contribuirá para levar ao eleitor a informação “sem maquiagem” sobre o plebiscito. Para Maia, o debate é, acima de tudo, uma grande oportunidade para o eleitor, principalmente para aqueles ainda indecisos.

O formato de reunir os representantes das quatros frentes, para Lira Maia, é o mais justo, porque torna o debate mais equilibrado, mesmo em uma eleição como um plebiscito, em que o que está em discussão não são candidaturas, mas ideias. “Para o eleitor menos emotivo é uma oportunidade de uma análise racional”, ressalta Maia.

Já para o presidente da frente contra o Tapajós, deputado Celso Sabino, o debate vai ser fundamental para ajudar a tirar as dúvidas, principalmente dos eleitores do sul e do oeste paraense, as duas regiões com pretensões de se dividir para se tornarem novos Estados. “Vamos tentar desfazer ideias distorcidas que estão sendo veiculadas na campanha, sem ofensas e com esclarecimento ao eleitor”, enfatiza Sabino. O representante do “não” ao Tapajós acredita que a iniciativa da RBATV propicia uma grande chance de esclarecimento à população paraense.

Para o presidente da frente pró Carajás, deputado João Salame, infelizmente, a campanha do plebiscito na mídia está sendo levada para o lado muito emocional. Por isso, o debate na RBATV será fundamental para que a discussão prevaleça para o lado racional, expondo os dados reais com precisão para que o eleitor faça sua escolha com consciência.

João Salame acredita que o formato do debate cara a cara é a melhor opção para a discussão sobre a divisão do Pará porque coloca os quatro representantes em situação de igualdade. O presidente da frente contra o Carajás, deputado Zenaldo Coutinho, não foi encontrado pela reportagem.

SERVIÇO

O debate plebiscito 2011 será realizado na sede da RBATV, dia 1º de dezembro, a partir das 22 horas, com transmissão ao vivo.

A duração prevista para o programa é de 1h30, em cinco blocos.

(Diário do Pará)

JOVENS BRASILEIROS SEM TRABALHO E POUCO ESTUDO


terça-feira, 29 de novembro de 2011.

Relatório mostra jovens brasileiros sem trabalho e com poucos anos de estudo.

*Por Raquel Júnia /EPSJV-Fiocruz.

Se você está na faixa etária de 16 a 29 anos, cursa ou já terminou o ensino superior, tem um trabalho com carteira assinada e ganha mais de dois salários mínimos, saiba que você faz parte de uma porcentagem muito pequena da juventude brasileira. O Anuário do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda, lançado recentemente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que a maior parte dos jovens do Brasil não estuda, apenas trabalha ou procura emprego, tem em média 9,2 anos de estudo, ou seja, sequer termina o ensino fundamental, e ganha menos de dois salários mínimos. Apesar de ter havido melhorias tanto na garantia do emprego formal, com carteira assinada, para a juventude, quanto nos níveis de escolaridade, os indicadores mostram que o desafio ainda é grande.
A publicação dedica um caderno ao tema da juventude e fornece um retrato das condições de trabalho dos jovens entre os anos de 2005 e 2010. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a taxa de desemprego na faixa etária de 16 a 29 anos foi de 18,6% em 2010. Entre as regiões metropolitanas analisadas – São Paulo, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Distrito Federal –, a maior porcentagem de jovens desempregados está em Recife, que apresentou em 2010, taxa de desemprego de 27,5%. Em 2004, entre os jovens que tinham emprego no Brasil, 44% não tinham carteira assinada; já em 2009, este percentual caiu para 37,4%. As regiões Norte e Nordeste são as que apresentam mais trabalhadores jovens sem carteira assinada. São estas regiões que têm também os maiores índices de trabalho não remunerado entre os jovens ocupados – 9,5% na região Nordeste e 8,5% na região Norte. A região Sul vem em seguida, com 6,5%.
Para a pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Educação Profissional em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Neise Deluiz, os dados mostram a urgência de uma reflexão sobre as políticas públicas para a juventude no país. "Em um país que quer se desenvolver no sentido de dar a sua população maior qualidade de vida, em uma sociedade democrática em que as pessoas realmente possam ter condições de saúde, educação, trabalho e renda, a juventude é um desafio. É preciso ter políticas de trabalho e renda para elas e as políticas que nós temos são muito incipientes. A escolaridade, que é fundamental, fica em segundo plano”, sustenta. A professora afirma que o desemprego da juventude é um fenômeno mundial, mas cada país adota caminhos diferentes para lidar com o problema. Ela comenta que em alguns países da Europa, por exemplo, a estratégia é atrasar a ida do jovem para o mercado de trabalho, mantendo-o na escola, o que não acontece no Brasil, sobretudo com os jovens mais pobres. Aqui, segundo a professora, predominam também formas precarizadas de trabalho, o que não garante qualidade de vida e autonomia ao jovem.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também alertou recentemente sobre o surgimento de uma "geração traumatizada” devido ao desemprego juvenil. Segundo a OIT, em 2010 havia no mundo 75,1 milhões de jovens desempregados, o que representa uma taxa de 12,7% de desemprego. A organização sugere ações para reverter o quadro, como desenvolver uma estratégia integral de crescimento e criação de empregos focada nos jovens; melhorar a qualidade dos empregos com fortalecimento das normas do trabalho e investir em educação e formação de qualidade, entre outras.
Formação
De acordo com os dados do Anuário, o Brasil engrossa as estatísticas apresentadas pela OIT. E, especificamente em uma das ações sugeridas pela organização para enfrentar o problema – o investimento em educação e formação de qualidade –, o país tem um gargalo. É esta a opinião da professora Neise Deluiz, que pesquisa o Pro Jovem, um dos principais programas do governo federal voltados à formação da juventude para o mercado de trabalho. Ela comenta que o emprego é uma necessidade e também um desejo de muitos jovens que, ao se depararem com as condições burocráticas e pouco atrativas do ensino médio tradicional, acabam abandonando a escola para trabalharem ou buscarem emprego. "Muitos vão estudar à noite, e a escola não é interessante, com conteúdos que não os ajudam a se desenvolver nos planos científico, cultural, social, o que leva ao abandono”, descreve. Além disso, a professora lembra que não há no Brasil cobertura suficiente para atender toda a demanda pelo ensino médio. E reforça: "Nem esse direito à educação ainda foi conquistado”.
De acordo com Neise, a lista de ocupações que mais empregaram os jovens em 2010, presente no Anuário, revela a posição que esses jovens com baixa escolaridade e formação precária têm ocupado no mercado de trabalho. No ranking apresentado no documento, levando-se em conta as jovens mulheres, em primeiro lugar está o trabalho como agentes, assistentes e auxiliares administrativos; em segundo, como operadoras de comércio em lojas e mercado. Em seguida, com porcentagens muito parecidas, aparecem funções como operadoras de telemarketing, caixas e bilheteiras (com exceção de caixas de bancos) e alimentadoras de linhas de produção. Para os jovens do sexo masculino, o primeiro lugar muda, mas o restante do ranking é parecido: eles trabalharam mais como ajudantes de obras civis, em segundo lugar, como alimentadores de linhas de produção e, com percentuais parecidos, aparecem em seguida aqueles que trabalharam como operadores do comércio em lojas e mercados e agentes, assistentes e auxiliares administrativos.
Para a pesquisadora, as condições atuais de educação perpetuam essa situação de empregos que garantem pouca autonomia à juventude. "Uma das categorias mais importantes da discussão sobre educação profissional é a dualidade estrutural da educação brasileira, que não é recente, é histórica. E isso se aprofunda quando vemos uma parte da população sendo encaminhada para o ensino médio e até superior de baixa qualidade, e uma elite que tem direitos e acesso a uma educação de qualidade. Isso faz com que existam duas redes paralelas, uma que encaminha para os trabalhos de qualidade, de direção da sociedade, e outra que encaminha para o trabalho precário, perpetua a divisão social do trabalho e a hierarquização da sociedade de classes. A dualidade estrutural confirma e legitima essa separação da sociedade de classes”, analisa. A pesquisadora complementa que os jovens pobres conseguem trabalhos "facilmente descartáveis”, que não exigem grande qualificação, embora o empregador demande que ele tenha o ensino médio. "É interessante que o mecanismo de seleção no mercado de trabalho hierarquiza de novo essa juventude, mas sem aumentar a qualidade do trabalho e sem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Elas ganharão de um a dois salários mínimos, vão achar que está tudo bem porque têm uma carreira assinada, mas não terão possibilidade de ascensão social. Uma ou outra pessoa talvez poderá ascender socialmente, se ela conseguir estudar e conseguir transpor essa barreira da inclusão precarizada, se ela encontrar uma brecha muito pontual, pode ascender. Mas a massa ficará onde está”, questiona.
Segundo os dados do MTE e Dieese, em 2010, os jovens com ensino médio completo, se comparados àqueles que não concluíram esta fase de ensino, apresentavam níveis salariais um pouco mais altos. Trinta e um porcento deles ganhavam mais de dois salários mínimos, mas a maioria, 61,9%, recebia de um a dois salários mínimos, e 7% até um salário mínimo. Já entre aqueles que não completaram o ensino médio, apenas 19,2% recebiam mais de dois salários mínimos, 65% de um a dois salários, e 15% menos de um salário mínimo. Neise lembra que essa associação entre escolaridade e aumento salarial é bastante frequente, mas que é preciso esclarecer até que ponto esse balanço é positivo. "Os economistas adoram fazer essa associação entre escolaridade e renda e realmente isso acontece. As pessoas que vão conseguindo galgar patamares mais altos de escolaridade têm uma ascensão de renda maior, só que isso também tem um limite: não é possível passar muito de um determinado patamar e não há uma ascensão social em termos de autonomia cultural, intelectual, o que existe é uma correspondência da escolaridade com o tipo de função. Mas sempre com os seus limites. Com a escolaridade há mais condições de disputa, mas não necessariamente um emprego de fato, com qualidade, carteira, direitos”, reforça.
No âmbito da pesquisa que Neise realiza com jovens matriculados no ProJovem do Rio de Janeiro, ela percebe que apesar de terem diversas qualificações, eles não conseguem trabalho, o que demonstra que nem sempre o currículo recheado de formações garante uma posição no mercado. "Sessenta e cinco porcento dos jovens entrevistados na pesquisa fizeram cursos de qualificação em várias áreas, e mais de um curso. Isso revela também a falta de opção desses jovens após o ensino médio: eles não têm emprego e vão fazendo cursos com a expectativa de que vão conseguir emprego por causa daquele curso. Eles acabam assimilando a ideologia de que o problema é deles e quanto mais curso fizerem, mais estarão aptos a concorrerem a uma vaga, sem que tenham a consciência de que isso é um problema estrutural do país. Então, eles se culpabilizam e a sociedade os culpabiliza. Essa culpabilização do trabalhador pela sua situação de desemprego e de precariedade é parte do discurso ideológico para deixar todo mundo nas mesmas situações”, observa.
De acordo com o anuário, de 2008 a 2010, 484 mil jovens estavam inscritos no programa ProJovem trabalhador, a maior parte deles do sexo feminino e na faixa etária de 18 a 24 anos. De acordo com o MTE, o programa atende jovens em situação de desemprego e que sejam membros de famílias com renda per capita de até um salário mínimo. Podem participar jovens que estejam cursando ou tenham concluído o ensino fundamental ou o ensino médio. Para Neise, o programa não consegue garantir uma formação de qualidade com apenas 350 horas de duração, e, especificamente, no caso do Rio de Janeiro, ela identifica outro problema: os contratos com as Organizações Não-governamentais, que não executam bem o programa e não são acompanhadas de perto pelo poder público. A professora entrevistou os estudantes do ProJovem que recebem formação na área de saúde. "Os alunos tinham muitas críticas sobre a infraestrutura institucional do programa. Ele foi executado por uma ONG em todo o Rio de Janeiro, que atrasou o repasse dos recursos de passagem e das bolsas. Muitos desistiram por isso. Além disso, acharam muito precário o curso em termos da formação em saúde, o conteúdo fraco, as apostilas ultrapassadas, não se sentiram capacitados para enfrentarem o mercado de trabalho. O que eles acharam interessante foi a parte de cidadania, chamada de qualificação social”, relata. Neise, explica que, no caso deste curso analisado por ela, diz-se que a formação seria na área de saúde, e, de acordo com a professora, de fato a intenção seria formar os jovens para que trabalhem no setor saúde, mas em posições como atendente de farmácia, de laboratório de análises clínicas, recepcionista de consultório médico e odontológico. "São profissões que estão na CBO [Cadastro Brasileiro de Ocupações] como recepcionista e garantem baixos salários”.
Desigualdade entre a juventude
Os dados do Anuário mostram ainda que há desigualdade no acesso ao trabalho e à educação entre jovens negros e brancos e também entre homens e mulheres. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, em 2010, a taxa de desemprego era maior entre as mulheres, 22,2%, enquanto entre os homens os índices atingiram 15,3%. Na mesma região, os negros apresentavam taxa de desemprego de 21,2%, enquanto os não-negros de 17,2%. A divisão sexual do trabalho também fica bastante evidente com o estudo: em Fortaleza, por exemplo, 14,5% das jovens apenas cuidam dos afazeres domésticos, não estudam e não trabalham fora.
Para Neise, é importante compreender que não há um conceito único de juventude, mas sim a existência de "juventudes”. "Há diversas origens e condições dos jovens que diferenciam os salários e as posições na sociedade. Isso acontece com os adultos também, mas com os jovens isso é pior, porque esse é um seguimento desprivilegiado no mercado de trabalho. Se tiver um movimento de demissão, ele será o primeiro a ser demitido”, diz. A professora acredita que políticas públicas universalistas é que garantirão mais direitos às diversas juventudes. "Em um modelo mais justo, mais igualitário, as políticas universalistas garantiriam o direito de todos à educação, ao emprego, ao trabalho e à renda”, sintetiza.
(*) Texto publicado originalmente na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV).

in Adital Jovem: http://www.adital.com.br/jovem/
Postado por Onivaldo Dyna às 09:03

EXEMPLO DE VIDA E O ENSINAMENTO DE JOÃO PAULO II


Enfrentar a dor e a doença no espírito do evangelho.

Bento XVI lembra o exemplo de vida e o ensinamento do papa João Paulo II

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 28 de novembro, 2011 (ZENIT.org) - O XXVI Congresso Internacional do Pontifício Conselho da Pastoral da Saúde culminou sábado de manhã, 26 de Novembro, com a audiência que os participantes tiveram com o Papa Bento XVI. O tema do Congresso é “A pastoral sanitária à serviço da vida à luz do magistério do Beato João Paulo II. Na audiência também estavam presentes os prelados encarregados pela Pastoral da Saúde nas respectivas Conferências episcopais. O discurso do Santo Padre foi precedido pela homenagem de monsenhor Zygmut Zimowski.

Bento XVI recordou a contribuição indelével que o seu predecessor, o beato João Paulo II deu à pastoral sanitária, especialmente através da fundação, em 1985, do Pontifício Conselho dos Profissionais Sanitários, a instituição, há vinte anos atrás, do dia Mundial do Doente e, mais recentemente, com a Fundação "O bom Samaritano".

O Papa João Paulo II", proclamou que o serviço à pessoa doente no corpo e no espírito constitui um constante esforço de atenção e de evangelização de toda a comunidade eclesial, segundo o mandato de Jesus aos Doze, de curar os enfermos (cf. Lc 9,2)" , disse seu sucessor.

Em uma passagem, citada ontem pelo Papa Raztinger, da Carta Apostólica Salvifici Doloris, João Paulo II escreveu: "O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem: esse é um daqueles pontos nos quais o homem está, em certo sentido, ‘destinado’ a superar a si mesmo, e é chamado a isso de uma maneira misteriosa "(No. 2).

Com a sua encarnação, Deus, explicou Bento XVI, "não eliminou a dor", mas em Cristo crucificado, revelou que "o seu amor desce também no abismo mais profundo do homem para dar-lhe esperança."

Portanto, o serviço de acompanhamento que se realiza aos "irmãos doentes, solitários, provados muitas vezes por feridas não só físicas, mas também espirituais e morais" põem em “uma posição privilegiada para testemunhar a ação salvífica de Deus, o seu amor pelo homem e pelo mundo, que abraça as situações mais dolorosas e terríveis ", disse o Papa.

"A Face do Salvador morrendo na cruz", acrescentou, nos ensina a "preservar e a promover a vida, em qualquer fase e qualquer que seja sua condição, reconhecendo a dignidade e o valor de cada ser humano."

A dor e o sofrimento "iluminados pela morte e ressurreição de Cristo" tiveram um reflexo vivente nos últimos anos da vida terrena de João Paulo II, cuja "fé inabalável e segura invadiu sua fraqueza física, tornando a sua doença, vivida pelo amor à Deus, à Igreja e ao mundo, uma participação concreta no caminho de Cristo ao Calvário ", disse Bento XVI.

Em conclusão, o Santo Padre desejou que os participantes da Audiência sejam capazes de "descobrir na árvore gloriosa da Cruz de Cristo", conclusão e Revelação plena de todo o Evangelho da vida "(Evangelium Vitae, 50)", seguindo os passos do "testamento vivido pelo beato João Paulo II em sua própria carne".

POR QUE OS JOVENS ABANDONAM A IGREJA?


Por que os jovens abandonam a Igreja?

Um livro tenta entender as razões

Pe. John Flynn, LC

ROMA, segunda-feira, 28 de novembro de 2011 (ZENIT.org) - É sabido que muitos jovens deixam de ser frequentadores ativos da Igreja.

O livro You Lost Me: Why Young Christians are Leaving the Church... and Rethinking Faith [“Fui! - Por que jovens cristãos estão abandonando a Igreja... e repensando a fé”], da Baker Books, analisa uma vasta pesquisa estatística do Grupo Barna para descobrir quais são as razões que levam os jovens para longe da Igreja.

Os autores David Kinnaman e Aly Hawkins analisaram uma enorme gama de estatísticas e apontaram três realidades particularmente importantes sobre a situação dos jovens.

1. As igrejas têm um envolvimento ativo com os adolescentes, mas depois da crisma, muitos deles param de ir à igreja. Poucos se tornam adulto seguidores de Cristo.

2. As razões pelas quais as pessoas abandonam a Igreja são diversificadas: é importante não generalizar sobre as novas gerações.

3. As igrejas têm dificuldade para formar a próxima geração a seguir a Cristo por causa de uma cultura em constante mudança.

Kinnaman explicou que não se trata de uma diferença de gerações. Não é verdade que os adolescentes de hoje sejam menos ativos na Igreja do que os de épocas anteriores. Aliás, quatro em cada cinco adolescentes na América do Norte, por exemplo, ainda passam parte da infância ou da adolescência numa congregação cristã ou numa paróquia. O que acontece é que a formação que eles recebem não é profunda o suficiente, e desaparece quando os jovens chegam à casa dos 20 anos de idade.

Para católicos e protestantes, a faixa etária dos vinte é a de menos compromisso cristão, independentemente da experiência religiosa vivida.

O principal problema é o da relação com a Igreja. Não necessariamente os jovens perdem a fé em Cristo; o que eles abandonam é a participação institucional.

Um fator importante que influencia a juventude é o contexto cultural em que ela vive. Nenhuma outra geração de cristãos, disse Kinnaman, sofreu transformações culturais tão profundas e rápidas.

Nas últimas décadas houve grandes mudanças na mídia, na tecnologia, na sexualidade e na economia. Isto levou a um grau muito maior de transitoriedade, complexidade e incerteza na sociedade.

Kinnaman usa ​​três conceitos para descrever a evolução dessas mudanças: acesso, alienação e autoridade.

Em relação ao acesso, ele salienta que o surgimento do mundo digital revolucionou a forma como os jovens se comunicam entre si e obtêm informações, o que gerou mudanças significativas na forma de se relacionarem, trabalharem e pensarem.

Há nisso um lado positivo, porque a internet e as ferramentas digitais abriram imensas oportunidades para difundir a mensagem cristã. No entanto, também há mais acesso a outros pontos de vista e outros valores culturais, mas com redução da capacidade de avaliação crítica.

Sobre a alienação, Kinnaman observa que muitos adolescentes e jovens adultos sofrem de isolamento em suas próprias famílias, comunidades e instituições. O elevado índice de separações, divórcios e nascimentos fora do casamento significa que um número crescente de pessoas crescem em contextos não-tradicionais, ou seja, onde a estrutura familiar é carente.

De acordo com Kinnaman, muitas igrejas não têm soluções pastorais para ajudar efetivamente aqueles que não seguem a rota tradicional rumo à vida adulta.

Além disso, muitos jovens adultos são céticos quanto às instituições que moldaram a sociedade no passado. Este ceticismo se transforma em desconfiança na autoridade.

A tendência ao pluralismo e à polêmica entre idéias conflitantes tem precedência sobre a aceitação das Escrituras e das normas morais.

Kinnaman observa que a tensão entre fé e cultura e um intenso debate também podem ter um resultado positivo, mas requerem novas abordagens pelas igrejas.

Ao analisar as causas do afastamento dos jovens das igrejas, Kinnaman admite que esperava encontrar uma ou duas razões principais, mas descobriu uma grande variedade de frustrações que levam as pessoas a esse abandono.

Alguns vêem a igreja como um obstáculo à criatividade e à auto-expressão. Outros se cansam de ensinamentos superficiais e da repetição de lugares-comuns.

Os mais intelectuais percebem uma incompatibilidade entre fé e ciência.

Por último, mas não menos importante, tem-se a percepção de que a Igreja impõe regras repressivas quanto à moralidade sexual. Além disso, as tendências atuais a enfatizar a tolerância e a aceitação de outras opiniões e valores colidem com a afirmação do cristianismo de possuir verdades universais.

Outros jovens cristãos dizem que sua igreja não permite que eles expressem dúvidas, e que as eventuais respostas a essas dúvidas não são convincentes.

Kinnaman também descobriu que, em muitos casos, as igrejas não conseguem educar os jovens em profundidade suficiente. Uma fé superficial deixa adolescentes e jovens adultos com uma lista de crenças vagas e uma desconexão entre a fé e a vida diária. Como resultado, muitos jovens consideram o cristianismo chato e irrelevante.

No final do livro, Kinnaman fornece recomendações para conter a perda de tantos jovens. É necessária, segundo ele, uma mudança na maneira como as gerações mais velhas encaram as gerações mais jovens.

Kinnaman pede ainda a redescoberta do conceito teológico de vocação, para se promover nos jovens uma consideração mais profunda sobre o que Deus quer deles.

Finalmente, o autor destaca a necessidade de enfatizar mais a sabedoria do que a informação. "A sabedoria significa a capacidade de se relacionar bem com Deus, com os outros e com a cultura".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

REJEIÇÃO A DIVISÃO DO PARÁ CONTINUA FORTE.


Campanha na TV não muda a rejeição à divisão do PA.

Data 29/11/2011 as 21:51 h Autor Editoria Vezes 32 Idioma Global

Aumentou o nível de conhecimento dos eleitores do Pará sobre o plebiscito de dezembro, mas a rejeição à divisão do Estado continua predominante.

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem, 62% dos eleitores são contra a criação do Estado do Carajás e 61% são contra a criação do Estado do Tapajós.

A reportagem é de Aguirre Talento e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 27-11-2011.

Nessa pesquisa, a segunda do Datafolha sobre o plebiscito, houve um pequeno aumento no nível de rejeição ao desmembramento do Pará, mas dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram entrevistados 1.015 eleitores paraenses entre os dias 21 e 24 deste mês. A pesquisa foi encomendada em parceria entre a Folha e as TVs Liberal e Tapajós (afiliadas da Rede Globo).

Em 11 de dezembro, os eleitores do Pará irão às urnas opinar se querem que o Estado se separe e dê origem a mais outros dois: Carajás (sudeste) e Tapajós (oeste).

A principal diferença no cenário da nova pesquisa para a anterior, divulgada há duas semanas, é que foi realizada dez dias após o início da propaganda plebiscitária na TV e no rádio.

Comandado por Duda Mendonça, o marketing separatista tem feito apelos aos eleitores de Belém, região que concentra o maior eleitorado, para que votem a favor da divisão e deixem a "esperança vencer o medo".

A campanha nos meios de comunicação, no entanto, ainda não foi capaz de mudar o opinião do eleitor para além da margem de erro.

A principal alteração constatada na nova pesquisa é que os eleitores se consideram mais bem informados sobre a divisão do Pará: 96% dizem ter tomado conhecimento do plebiscito e, dentro desse universo, 33% dizem que estão bem informados.

Na pesquisa anterior, 92% sabiam do plebiscito e, desses, 19% se consideravam bem informados.

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, ressalta que a pesquisa é um retrato deste momento e que a campanha entra agora em uma fase decisiva.

Prova disso é que agora se intensificam as carreatas e os debates. Nas duas semanas finais, estão previstos três debates na televisão com os representantes das frentes de campanha sobre a divisão.

"É comum que os eleitores tomem a decisão sobre seus votos só nos últimos dias", afirmou Paulino.

A aprovação à ideia da divisão caiu até mesmo entre os eleitores das regiões que querem se separar.

No Carajás, por exemplo, 78% se dizem a favor do Estado do Carajás, uma queda de seis pontos percentuais em relação ao último levantamento do Datafolha.

No Tapajós, 74% são a favor do novo Estado - uma oscilação negativa de três pontos percentuais.

A maior resistência, porém, continua na região chamada de "Pará remanescente", que permaneceria inalterada com a divisão.

A rejeição é acima de 80% e tem se refletido em uma hostilização das campanhas separatistas. No último domingo, a primeira carreata dos defensores da divisão em Belém foi recebida com vaias.

http://www.ihu.unisinos.br/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

NÃO: CONTRA A CRIAÇÃO QUE CRIARÁ ESTADOS MISERÁVEIS.


NÃO:Contra a divisão que criará estados miseráveis.

O governo do Estado toca um programa de descentralização da administração. O objetivo é manter a presença integrada de órgãos do Estado nas principais regiões do Pará, a exemplo de projetos como a Estação Cidadania, implantado no bairro do Jurunas, em Belém. Nesta entrevista exclusiva cedida ao DIÁRIO, através dos jornalistas Frank Siqueira e Raimundo Sena, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB), principal representante da frente contra a criação do estado de Carajás, admite essa preocupação do atual governo com o desejo das várias regiões do Pará de maior proximidade de representações do poder público - fato que em si serve de combustível para clamores separatistas. Porém, também é enfático: a divisão proposta para o Pará poderá resultar em nada mais que o gravamento da fragilização da economia paraense. Para Coutinho, além da redivisão de um bolo econômico marcado pelo ainda baixo nível de produção, o cenário pós-plebiscito pode trazer ainda maiores agravantes, como os resultados negativos da disputa tributária entre os entes federados: “Quando se divide, você traz para dentro desta área territorial a guerra fiscal que hoje é externa a esse território”, argumenta.

Zenaldo Coutinho, 50, é natural de Belém. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Pará, foi eleito vereador de Belém por duas vezes e duas vezes deputado estadual. Presidente da Assembleia Legislativa em 1995, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1999 e hoje já está em sua quarta legislatura.

Este ano se licenciou da rotina parlamentar para assumir a chefia da Casa Civil da Governadoria e depois também a Secretaria Especial de Proteção e Desenvolvimento Social. No entanto, deixou o governo no último dia 31 de agosto e reassumiu o cargo de deputado federal, justamente para se dedicar à campanha contra a divisão territorial do Pará. Confira a entrevista cedida com exclusividade ao DIÁRIO DO PARÁ:



P: O senhor saiu do governo para assumir a campanha contra a divisão do Estado. Atuar na Secretaria Especial de Proteção Social o impediria de atuar na frente?

R: Impediria. Nas primeiras minutas de resolução do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] publicadas não havia impedimento, mas quando nós tivemos a audiência pública em Brasília, os próceres da divisão do Carajás solicitaram ao TSE que restringisse a participação de parlamentares licenciados que estivessem no executivo - com endereço certo. O TSE acabou acolhendo e eu imediatamente me afastei.

P: A frente de defesa da integridade territorial do Pará tem uma estratégia definida de campanha para mobilizar a população...

R: Nós tivemos convenções da frente contra Carajás e contra o Tapajós, reunindo diferentes partidos e três segmentos da sociedade, representações das mais diversas, desde líderes sindicais, líderes de comunidades, líderes partidários, um mix da representação social. A estratégia de marketing, com as nossa quatro agências tupiniquins, papachibés, acho que até simbolicamente é um bom enfrentamento entre as nossas agências, do talento e da inteligência do Pará, contra o estrangeirismo do Duda Mendonça.

P: Do ponto de vista econômico, qual será a consequência desse desmembramento para o Estado remanescente e para as áreas que pretendem se tornar independentes?

R: O Pará, com toda a sua potencialidade econômica, ainda é muito pequeno em termos de produção. O nosso PIB [Produto Interno Bruto] representa algo em torno de 1,3%, 1,4% do PIB nacional. Então nós já temos, a nível de quantitativo nacional, uma produção muito baixa. Se nós nos dividirmos por três, nós seremos três míseros estados. Segundo, quando se divide, você traz pra dentro desta área territorial a guerra fiscal que hoje é externa a esse território. Hoje a gente briga com o Maranhão, com Goiás, com o Tocantins, com o Amazonas. No momento em que nós nos dividirmos, nós vamos trazer a guerra fiscal para o Pará, Carajás e o Tapajós. Ou seja, você já vai acertar as receitas existentes. Hoje nós já temos empresas consolidadas dentro do Estado que pagam determinados níveis de impostos. Amanhã, na luta pra transferir para Marabá, para Santarém ou para manter aqui, nós vamos ter a redução dessa carga tributária. Ou seja, há ainda a possibilidade real de a guerra fiscal vir agredir mais ainda os cofres públicos. Terceiro, você aumenta o custo da máquina administrativa. De repente tu tens, hoje, uma estrutura de executivo, de assembleia [legislativa], de judiciário e tribunais de contas. Com a divisão você terá três estruturas de assembleias, de tribunais de contas, de executivo, e eu estou falando só da área burocrática, não estou falando da área fim. Não estou falando de polícia na rua, professor na escola, médico no hospital. Me refiro exclusivamente à área meio, a área cara da burocracia. Então, são bilhões de reais a serem investidos na instalação e na manutenção dessa burocracia. E aí eu pergunto como isso pode dar capilaridade econômica aos três estados? Então, os três estados acabam sendo caros. Para você ter uma ideia, um estudo apresentado pelo IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], do pesquisador Rogério Boeri [Rogério Boeri Miranda], no ano passado, identificava que o estado do Tapajós, por exemplo, ia ter um custo de manutenção da sua máquina de algo em torno de 51% do PIB, quando a média nacional está na ordem de 12%, 13% e o suportável é no limite de 16%. Ou seja, economicamente, caos absoluto. O estado vai viver para manter a sua máquina, não para prestar os serviços públicos para a população. Não é para construir estradas, não é para dar segurança, não é para construir hospital e manter hospital, nem para dar escola. É para manter a sua máquina dos seus apaniguados. Portanto, eu diria que economicamente pode ser bom para meia dúzia de empresas e será certamente para meia dúzia de políticos.

P: O legislativo já tem uma representação no Pará inteiro, o judiciário tem uma capilaridade em função da distribuição espacial de juízes e promotores. O executivo tem um modelo muito centralizador. Não haveria uma maneira de o executivo se fazer presente fisicamente em todas as regiões do Estado, evitando esse tipo de sentimento separatista?

R: É óbvio que nós temos que aperfeiçoar nossas políticas públicas. Esse é um dos grandes desafios da governança. O governador Jatene implantou já, neste início de governo, uma atuação descentralizada, inclusive com a transferência da sede de governo. Já fez isso no Baixo Amazonas e em Marabá, regiões sul e sudeste. Não só levando o governo a visitar as regiões, mas já anunciando obras e serviços como também tendo um diálogo com a região, ouvindo as suas demandas. Então, já há um modelo sendo praticado hoje. Porém, mais do que isso – e você tem razão –, nós temos que estabelecer fisicamente o governo, a construção de estruturas na região. Hoje já existem as regionais de saúde, as regionais de educação, as regionais de transporte, mas você não tem a presença física do governo com autonomia de gestão pro dia a dia, pro cotidiano. Esse é o grande desafio. Mas o governo elabora um programa de descentralização física do Estado, a começar pelas duas macrorregiões sul e do oeste. Inclusive nós temos já alguns exemplos bem sucedidos no país com alguns programas, como, por exemplo, o Poupa Tempo, do governo de São Paulo, já até expandido para outros estados. E já começamos, inclusive em Belém, com uma experiência piloto para conseguir levar isso adiante, que é a Estação Cidadania, que foi implantada no Jurunas, num modelo piloto, experimental para você poder levar isso de uma maneira a integrar. E, se você visita lá o modelo, verifica que não é só o Executivo. Então, você acaba podendo integrar outros poderes e fazer com que seja uma presença do Estado, não do governo, mas do Estado. (Diário do Pará)