quarta-feira, 16 de novembro de 2011

FRASE DE DOM ORANI.


Frase de Dom Orani João Tempesta.

"Vou para o Rio, mas levo comigo Belém, o Pará, o calor desse Estado e a simpatia desse povo".

A IGREJA SERVIDORA: DOM ORANI JOÃO.


Dom Orani João Tempesta – Arcebispo Metropolitano do Rio Janeiro.

A ação pastoral da Igreja no Brasil se orienta pelas exigências do serviço, diálogo, anúncio e testemunho. A solidariedade se concretiza na dimensão do serviço. Amar é servir. A palavra “serviço” é a tradução da palavra grega diakonia. O “serviço” supõe o diálogo, faz acontecer o anúncio e é o testemunho concreto da vida cristã. Serviço é presença de amor, amizade e solidariedade junto aos pobres, aos que sofrem, aos doentes, aos famintos, aos encarcerados (cf. Mt 25), aos que não têm trabalho, aos que não têm teto, aos que são privados do cultivo correto e manual da terra. Presença por meio de pequenos gestos cotidianos, mas também através de projetos de promoção humana, de defesa dos direitos humanos, de promoção da cidadania. Enfim, trata-se de defender a vida, promover a paz, alicerçar a sociedade na justiça.

A Igreja fundamenta a dimensão do “serviço” na ação de Jesus Cristo, a quem “em todos os lugares onde entrava nas aldeias, nas cidades ou nos campos, traziam-lhe os doentes, nas praças, para que os curasse” (cf. Mc 6,56). O serviço se inspira nas palavras de Jesus: “quem quiser ser grande, seja o servidor, e quem quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (cf. Mc 10,44-45). E ainda: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve!” (cf. Lc 22,27). É o serviço constante, eficaz, desinteressado e sacrificado que faz a diferença em nossa pregação. O Evangelho ensina que a medida, ou o critério do amor humano, da caridade e da solidariedade é o amor com que Cristo amou a humanidade: “dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (cf. Jo 13,34-35).

A Igreja Católica nos dias de hoje, como desde a sua fundação sempre pautou a sua ação social e evangelizadora, deve apostar – redobradamente – na caridade, recorda-nos o Papa João Paulo II: “há na pessoa dos pobres uma presença especial de Cristo que impõe à Igreja uma opção preferencial por eles”. Diz ainda: “nosso mundo começa o novo milênio carregado com as contradições de um crescimento econômico, cultural e tecnológico, que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milhões e milhões de pessoas não só à margem do progresso, mas a braços com condições de vida muito inferiores ao mínimo devido à dignidade humana. Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se?”. Que postura deve tomar a Igreja? “Devemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como ‘em sua casa’. A caridade das obras garante uma força inequívoca à caridade das palavras.”

Os documentos do Magistério da Igreja que formam o corpo da doutrina social inspiram e legitimam a ação solidária da Igreja toda e de cada cristão em favor dos trabalhadores, dos pobres, dos refugiados, das vítimas da fome, das guerras, de todo tipo de violência, impelindo a Igreja a ser instrumento da paz no mundo. A Doutrina Social da Igreja procura exprimir concreta e atualizadamente a prática de caridade dos cristãos. Por isso, ela ajuda a nortear a nós, católicos, em nosso modo de ser e de atuar na cidade. A Igreja conta com os fiéis leigos, tanto em seus grupos e comunidades, como também com a ação individual de cada um, para construir ou reconstruir a cidade à luz dessa caridade.

Presente na sociedade, a Igreja quer indicar caminhos de solidariedade aos pobres, construção da cidadania e da justiça, a primazia da ética nas relações econômicas, sociais e políticas, a defesa da vida desde o momento da concepção.

“As pastorais sociais na missão evangelizadora da Igreja representam significativa participação na construção de uma sociedade justa e solidária. Elas são presença privilegiada e despertam maior sensibilidade e atenção às contradições e aos conflitos da sociedade. Pelos seus compromissos concretos em defesa da vida e da dignidade dos pequenos, denunciam as estruturas sociais perversas que geram desigualdade e miséria e anunciam a justiça do Reino” (cf. Doc. CNBB 80, p. 94).

No âmbito de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, somente no ano de 2009, através do balanço das atividades da Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, teve mais de 2 milhões e 501 mil atendimentos pelas paróquias da cidade. A isso deve se acrescentar muitas outras ações que não podem ser contabilizadas devido à falta de comprovantes. Juntem-se também os atendimentos de outras entidades ligadas à Arquidiocese, como a Cáritas, o Banco da Providência, a Pastoral da Criança e outras, além dos trabalhos das escolas católicas, comunidades religiosas e grupos de leigos organizados.

Esses atendimentos não são esporádicos, mas fazem parte da tradição da Igreja desde o seu nascimento, recordando a criação do diaconato nos Atos dos Apóstolos ou ainda o martírio de São Lourenço, nos tempos da Igreja Primitiva. Mas do que oferecer condições de dignidade, queremos fazer a inclusão. Que todos nós possamos fazer acontecer o Reino de Deus, ajudando os que mais necessitam: os refugiados, os idosos e os excluídos, para que conheçam a face misericordiosa do Cristo Redentor, na grande rede de solidariedade, que, como consequência da missão evangelizadora, constitui as comunidades e paróquias de nossa Arquidiocese

ATIVIDADE MISSIONÁRIA: DOM ORANI JOÃO.


Quando se fala em atividade missionária, aflora à nossa mente o apelo dos Bispos da América Latina recordando-nos a importância de ser Discípulos-Missionários de Jesus Cristo, para que n'Nele nossos povos tenham vida: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ser discípulo, para fazer discípulos. Há um profundo e estreito envolvimento da Missão com o discipulado. O foco da Missão é também ser e fazer discípulos.

Quando a Igreja do Brasil, através de seus pastores, os bispos, convoca toda a comunidade cristã para a missão, sinaliza-se que algo novo e determinante está acontecendo. Há aqui uma chave de leitura das mais consistentes: a eclesialidade da Missão aponta para as exigências de uma ação evangelizadora que seja toda ela iluminada pela ação missionária. A dimensão missionária é parte integrante do caminho evangelizador da Igreja.

A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. É preciso reconhecer que o itinerário missionário da Igreja no Brasil tem se fortalecido. Por outro lado, ainda é frágil nossa consciência de vivermos em estado permanente de missão. Necessitamos também melhorar nossa ação e presença no âmbito da Missão além-fronteiras, universal.

Devemos recordar que os discípulos, por essência, são também missionários, em virtude do Batismo e da Confirmação, formamo-nos com coração universal. A Missão do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo tem destinação universal. O Papa Bento XVI nos exorta dizendo que a Missão "ad gentes" se abra a novas dimensões: o campo da Missão ‘ad gentes' tem se ampliado notavelmente, e não é mais possível defini-lo baseando-se apenas em considerações geográficas ou jurídicas. Na verdade, os verdadeiros destinatários da atividade missionária do Povo de Deus não são somente os povos não-cristãos e das terras distantes, mas também os campos socioculturais e, sobretudo, os corações.

A Igreja discípula-missionária realiza-se, portanto, na Missão universal, na fidelidade a Deus e ao Evangelho. Toda reflexão teológica e missiológica aponta hoje para uma missão que leva a estar muito em Deus e com Deus, e muito com os seres humanos; uma missão que seja lugar de diálogo e encontro, diálogo com os valores das culturas e em sintonia com a humanidade. Missão "ad gentes" é equivalente à Missão para a humanidade. Assim, as primeiras comunidades cristãs não concebiam viver o Evangelho de Jesus, sem a Missão; não existiam só para si, mas para o mundo, para a sociedade na qual estavam inseridas (Mc 16,19-20).

Quanto à atividade missionária no âmbito da Igreja particular, vê-se que esta deve representar de modo mais perfeito possível a Igreja universal e, neste sentido, exige-se ademais o ministério da Palavra, para que o Evangelho atinja a todos. Somos chamados a ser arautos da fé para levar novos discípulos a Cristo e ser sinais de presença cristã no mundo.

A Arquidiocese, como Igreja Particular, deve dar um passo importante na realização da atividade missionária. Mesmo que já estejamos presentes em Dioceses e Prelazias irmãs com nossa ação missionária e com todo o trabalho interno da “missão continental temos ainda um longo caminho a percorrer. Toda atividade missionária deve nascer de um projeto inspirado pelo Espírito Santo, dando, assim, a oportunidade para as comunidades particulares, as suas lideranças, mostrarem seu crescimento espiritual e apostólico. Assim, através das mais diversas iniciativas, promovem-se o espírito missionário entre os fiéis e o anúncio da Boa Nova aqui e no mundo inteiro.

Cabe, portanto, a cada paróquia assumir esta causa no corajoso trabalho de evangelização, impregnando em suas vidas os dizeres do apóstolo das nações: “Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que nos foi pedida: “ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). Desta forma, iremos formando verdadeiras redes de comunidades, aonde o trabalho missionário chegue em regiões distantes e abandonadas dentro da própria paróquia.

Rogamos à Trindade Santa para que a luz do Espírito missionário de Jesus fortaleça nosso entusiasmo missionário! E que Maria, a mãe das missões, nos enriqueça com a graça do ardor missionário!

Dom Orani João Tempesta

DOM ORANI INALGURA CENTRO DE EVANGELIZAÇÃO.


Dom, 13 de Novembro de 2011 - Por:Nice Affonso

Na manhã deste domingo, 13 de novembro, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, presidiu a missa de abertura da Semana de Cristo Rei, no Santuário Nacional de Adoração Perpétua, na Igreja de Sant´Ana, no Centro.

A celebração eucarística também marcou o início das atividades do Centro de Evangelização Sant´Ana – Missão Coração Adorador na Arquidiocese. Concelebraram membros do clero local e autoridades políticas estiveram presentes.

O vigário episcopal do Vicariato Urbano, padre José Laudares de Ávila, ao dar as boas vindas ao arcebispo, aos demais membros do clero presentes e à assembléia, certo de que as atividades que serão desenvolvidas conscientizarão as pessoas sobre a importância e valor da adoração, expressou sua alegria pela inauguração do Centro — que visa à evangelização, formação doutrinária, promoção e formação Humana e, pretende, de modo particular, ser um centro de comunicação católica referência na criação, produção, execução, divulgação e difusão de conteúdo de comunicação cristã em todos os modernos meios disponíveis:

— Queremos revitalizar a obra de adoração. Que ela volte a ter o mesmo entusiasmo dos primeiros anos, desejou.

Durante a homilia, Dom Orani explicou a que a Semana de Cristo Rei, que exalta o final do calendário litúrgico na expectativa do advento do natal, ensina que tudo deve convergir para que Jesus reine sobre a humanidade e destacou que espera que o novo centro de evangelização, ao levar à frente sua missão, com a sua preocupação com a formação, ajude a despertar as consciências para o amor de Deus. Para o Arcebispo, ajudar a revitalizar o Santuário é uma ocasião privilegiada para motivar as pessoas a um autêntico testemunho de fé para a sociedade.

— O Senhor confiou a nós que o Reino fosse anunciado. Essa é a nossa responsabilidade. Que, neste século de crise de fé, nós vivamos essa fé. Por isso, revitalizar esse Santuário é também multiplicar os talentos a nós confiados, lembrou.

O arcebispo também anunciou que, a partir desta Semana de Cristo Rei, em atenção à Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontecerá na cidade em 2013, neste local de adoração, os jovens se reunirão uma vez por mês em intercessão pelo evento que os reunirá com o Papa:

— Estamos inaugurando também a adoração da juventude. A partir deste mês, em intenção à JMJ, em toda segunda sexta-feira do mês os jovens se reunirão para adorar o Senhor. Se o Senhor confiou a nós essa JMJ é, por um lado, porque ele tem visto que há pessoas aqui que têm multiplicado talentos. E, por outro lado, esta também é uma ocasião para que muitas outras acordem para fazer o mesmo, explicou Dom Orani.

Ao término da missa, Dom Orani deu uma benção de envio aos missionários da Coração Adorador e, em seguida, fez a inauguração solene do Centro de Evangelização Sant´Ana, na presença de seus fundadores, Márcio e Vanessa Pacheco e Fabiano e Michele Machado, e de autoridades políticas.

— Eu considero este Centro de Evangelização um grande presente de Deus para a Paróquia de Sant´Ana e sobretudo para o Santuário Nacional de Adoração Perpétua, porque, depois de 85 anos, é bom a gente fazer algo para renovar e chamar a atenção para esta grande obra da adoração perpétua, que é manter Jesus sacramentado solenemente exposto 24h por dia, na presença de adoradores; então, o Centro de Evangelização vai enriquecer muito a nossa sociedade porque, além de oferecer esse espaço para a oração, para a evangelização, deseja ser também um grande centro de formação eucarística — o que era o grande propósito de São Pedro Julião Eymard: viver e revelar o mistério da eucaristia para o mundo. Então, quanto mais as pessoas conhecerem a eucaristia, mais se apaixonarão, destacou padre José Laudares.

A Semana de Cristo Rei apresentará diversas atividades até o próximo domingo, dia 20 de novembro. Confira a programação e tenha acesso a mais informações pelo site www.SCR2011.com.br.

Fonte: portalum.com

LEIGOS TÊM PAPEL FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DE UM BRASIL MAIS JUSTO.


Terça-feira, 15 de novembro de 2011, 09h30.

Leigos têm papel fundamental na construção de um Brasil mais justo
Leonardo Meira - Da Redação

A construção de um país é tarefa que diz respeito a todos os seus habitantes. Quando o assunto é colaborar para um país mais justo e solidário, os cristãos possuem uma missão específica. Ainda mais no Brasil, que carrega o título de ser a nação que possui o maior número de católicos em todo o mundo.

"Os cristãos não podem ser um sinal se eles estiverem escondidos. O sinal tem que ser visto. Jesus diz que não se acende uma lâmpada para colocá-la embaixo da mesa, mas sim bem no alto. A Igreja orienta os cristãos a mostrarem o seu rosto, a marcarem a sua presença no mundo e dentro do Estado", explica o presidente da Comissão Episcopal para a Caridade, Justiça e Paz da CNBB e Bispo de Ipameri (GO), Dom Guilherme Werlang.

Nesse sentido, os cristãos leigos possuem uma tarefa particular, própria e oportuna para fazer acontecer a justiça e a paz. A Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, resume a peculiaridade do cristão leigo com a expressão "índole secular", apontando que eles são chamados a evidenciar a missão da Igreja no mundo, sendo fermento no meio da sociedade. Também o Documento 62 da CNBB - Missão e ministério dos cristãos leigos e leigas - afirma que "os cristãos são no mundo portadores da esperança".

"Por meio das pastorais, movimentos sociais, organismos, ONG's, também nos partidos políticos, na luta pela organização do povo, exercendo com fidelidade as diversas profissões, sempre em favor do bem comum. São formas concretas de se viver esse apostolado", complementa Dom Guilherme.

Já o presidente do Setor Leigos da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB e Bispo de Caçador (SC), Dom Severino Clasen, recorda que os leigos são cidadãos plenamente. "E cabe ao cristão, ao cidadão, construir uma pátria livre, onde prevaleça a dignidade, os valores humanos, éticos, a liberdade religiosa e de expressão, para que possamos ser um povo maduro, equilibrado. Nesse aspecto, a Igreja encontra uma grande força de contribuição junto ao laicato".

Outro fator importante é saber que o papel do Estado e o da Igreja são distintos, embora complementares. Assim, os cristãos devem saber quais são as maneiras mais eficazes, eficientes e éticas de agir no contexto político.

"A cidadania é própria do ser humano, é um compromisso de todos nós. E, a partir da fé cristã, nós temos um compromisso, que brota do Evangelho, de sermos os protagonistas, os construtores da paz, da justiça, do bem social de todas as pessoas. Como cidadãos e como cristãos, temos que saber unir as duas realidades. Nesse sentido, temos que assumir, como cristãos inseridos no mundo, compromissos políticos, especialmente os leigos e leigas que são cristãos", reforça o presidente da Comissão Caridade, Justiça e Paz.


Testemunhar a fé na sociedade

O Papa Bento XVI, em diversos pronunciamentos desde o início de seu pontificado, tem destacado a necessidade de um testemunho corajoso da fé no âmbito das várias realidades sociais. No entanto, hoje propaga-se muito a ideia de que a fé é um fato privado, que não deve ter implicações na vida social. Esse é apenas um dos tantos desafios que surgem para os cristãos conseguirem concretizar seu testemunho no mundo.

Nessa perspectiva, há uma confusão no que diz respeito ao conceito de Estado Laico, como se, nesse, não se pudesse falar de Deus. No entanto, o Estado Laico apenas não possui uma religião oficial, mas não impede, pelo contrário, incentiva que cada um viva a sua fé.

"O Estado deve dar a garantia de que cada um possa viver plenamente a sua fé, por meio da sua igreja ou organização religiosa. Nós, cristãos, temos que mostrar o nosso rosto de católicos, de acordo com os ensinamentos e diretrizes que a Igreja nos dá. Devemos ser fiéis à nossa fé no trabalho, no esporte, no lazer, nas férias, na participação ativa na vida da Igreja, assumindo esses compromissos de uma forma pública", afirma Dom Werlang.

"O leigo tem que ser protagonista da história, puxar a 'carroça da história', no sentido positivo, maduro, livre, onde os princípios cidadãos sejam preservados. Para isso, há um arsenal de pastorais e condições para que os leigos se aprimorarem no conhecimento e, assim, participem de maneira justa e ética na sociedade", sublinha Dom Clasen.

Quando um leigo também atua na administração do poder público, deve ter a consciência da maturidade do que é justo, verdadeiro, nobre, para que o ser humano não seja substituído por outras tendências ou forças.

"Por isso, a Igreja tem um compromisso muito sério com a vida humana e com as instituições, para que o ser humano volte a ter o seu valor, para que se diminua a violência, a corrupção, os roubos, os assassinatos", continua o presidente do Setor Leigos.

FONTE: CANÇÃO NOVA.

TEOLOGIA QUE INTERESSA AO MUNDO.


Teologia que interessa ao mundo.

Publicação: 16 de Novembro de 2011.

Marcelo Barros - monge beneditino e escritor

Por onde passo, escuto a pergunta: "Dizem que a Teologia da Libertação está morta!. É verdade?". Quase todos se refugiam em um impessoal "dizem". Poucos assumem que eles/as mesmos/as pensam isso. Há alguns anos, personagens da cúpula católica declararam que a Teologia da Libertação tinha morrido. Disseram isso para expressar que estavam livres de um problema incômodo. Afirmaram a morte desse caminho espiritual mais para desejar que isso aconteça do que por estarem convictos de que fosse real. Entretanto, como, nas últimas décadas, as Igrejas parecem mais conservadoras e mais centradas em si mesmas, alguns concluem que, por isso, não existe mais essa relação entre fé e compromisso social. Por tudo isso, vale a pena recapitular: Chama-se "Teologia da Libertação" toda reflexão que liga a fé e a espiritualidade com o compromisso de transformar esse mundo e servir às causas da justiça, da libertação dos oprimidos e da paz.

Neste ano, estamos justamente celebrando os 40 anos do surgimento desse tipo de reflexão teológica na América Latina. Em 1971 aparecia no Peru o livro "Teologia da Libertação" de Gustavo Gutiérrez, seguido de outros escritos. No Brasil, Rubem Alves e Richard Schaull, professores do Seminário Presbiteriano de Campinas, foram pioneiros nesse tipo de reflexão. Foram perseguidos pela ditadura militar e incompreendidos pela hierarquia de sua Igreja. Na Igreja Católica, Leonardo Boff, Hugo Assmann e outros jovens trilharam o mesmo caminho.

Desde o começo, a Teologia da Libertação se diversificou em vários ramos e setores. Alguns autores aprofundaram mais a relação entre o compromisso cristão e a economia. Outros pesquisaram como aplicar à Teologia alguns conceitos vindos da análise da realidade, feita pelos socialistas. Homens e mulheres aprofundaram uma leitura da Bíblia a partir da realidade do povo. O que fez de pensadores tão diversos companheiros de uma mesma causa foi o compromisso de sempre tomarem como base a realidade de sofrimento injusto dos empobrecidos para servirem à sua libertação. Eles e elas elaboraram uma teologia que expressa a fé com palavras atuais e de modo a ser melhor compreendida pelo homem e pela mulher de hoje. Pela primeira vez, a teologia passou a interessar a muita gente do mundo inteiro, independentemente das pessoas terem ou não fé religiosa. Muitos jovens e intelectuais passaram a sentir-se ligados à caminhada cristã.

Na América Latina, durante séculos, o Cristianismo tinha legitimado a política injusta dos poderosos desse mundo. Com algumas exceções honrosas, desde a colonização, a maioria dos padres e pastores foi cúmplice da escravidão dos índios e negros. A Teologia da Libertação transformou isso. Não com discursos sobre a libertação, mas com um novo modo de fazer teologia a partir da realidade e em permanente contato com os movimentos populares. Esse método da teologia da libertação continua hoje vigente nas teologias indígenas, negras e feministas. Também, com toda razão, a categoria pobre e oprimido pode ser usada em relação à Terra e à natureza. Por isso, a Eco-teologia é uma expressão atual da Teologia da Libertação.

Não tem sentido discutir se, por acaso, a Teologia da Libertação morreu, quando as correntes nela engajadas já realizaram três fóruns mundiais sobre Teologia e Libertação e preparam um próximo. Quem entrar em qualquer livraria mais sortida descobrirá vários livros escritos recentemente a partir dessa corrente. De qualquer modo, é claro, o importante não é a Teologia da Libertação. É a própria caminhada da libertação, hoje, sempre mais atual e necessária não apenas na América Latina, mas para todo o mundo. Quem procura viver a espiritualidade ligada à realidade da vida tem na Teologia da Libertação uma boa ajuda para aplicar à nossa realidade a palavra de Jesus: "Quando vocês virem essas coisas começarem a acontecer, levantem as cabeças. É a libertação que se aproxima" (Lc 21, 28).

[ postado originariamente no site www.adital.org.br ]

sábado, 12 de novembro de 2011

UM BISPO E MUITAS POLÊMICAS.


Um bispo e muitas polêmicas.

Dom Dadeus Grings coleciona declarações controversas e confusões na Justiça. A última causará um prejuízo de R$ 1,2 milhão à Igreja Católica.


Aos 75 anos, o líder da arquidiocese de Porto Alegre desafia a Justiça a prendê-lo.

Aos 75 anos, o bispo dom Dadeus Grings tem apetite pela polêmica. De sua boca já saíram declarações controversas a respeito de temas espinhosos, como holocausto, homossexualismo e pedofilia. Mas a ausência de temperança do atual arcebispo de Porto Alegre custou caro à Igreja Católica, que terá de desembolsar perto de R$ 1,2 milhão para indenizar por danos morais um trio de advogados acusados por ele de “falta de lisura” nos anos 1990. Mesmo diante da derrota judicial, dom Dadeus se nega a calar. Divulgou recentemente uma carta na qual afirma que o Judiciário brasileiro é corrupto e o desafia a prendê-lo. “Não posso, por coerência e dever de consciência, acatar esta sentença inválida e desrespeitosa”, escreveu.

O processo judicial que resultou na condenação do religioso e da diocese paulista de São João da Boa Vista deu início em 1997, após uma família da cidade de Mogi-Guaçu obter um alto valor indenizatório da prefeitura local, decorrente da desapropriação de um terreno para a construção de um trecho da Rodovia dos Trabalhadores (atual Ayrton Senna). Bispo da região, entre 1991 e 2000, dom Dadeus se indignou com o valor e atacou os advogados da família beneficiada, afirmando em carta que eles não deixavam impressão de lisura. “Equivalia a mil carros populares, na época, o dinheiro que a prefeitura precisava pagar, estava muito acima do que valia o terreno”, afirmou dom Dadeus à ISTOÉ. Os advogados o interpelaram judicialmente e o religioso se recusou a rever a acusação. Pelo contrário, ele intensificou as críticas em artigos publicados em jornais da região e durante as missas nas paróquias da diocese.

Nos autos do processo por injúria e difamação, os advogados Gildo Vendramini Júnior, Débora de Almeida Santiago e Gastão Dellafina de Oliveira, autores da ação, afirmam ter sofrido constrangimento público e prejuízos profissionais, pois chegaram a ficar um ano sem clientes por conta dos vitupérios de dom Dadeus. “Entreguei-os (os advogados) a Satanás”, afirmou o religioso. A condenação em primeira instância saiu em 2007 e obrigava o bispo e a diocese a pagar R$ 15 mil cada, acrescidos de juros, e mais 10% do valor como honorários. Os autores da ação recorreram ao Tribunal de Justiça de São Paulo e a corte paulista aumentou a indenização para R$ 300 mil. A decisão já transitou em julgado, o que impossibilita qualquer tipo de recurso. O cálculo atualizado chegou este mês a R$ 1,2 milhão. “Agi como cidadão e também não poderia me furtar ao meu dever de pastor”, diz dom Dadeus. “Esta decisão da Justiça é intromissão nos assuntos da Igreja e fere meu direto à liberdade de expressão.”

A Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) reagiu publicamente às acusações do arcebispo contra o Poder Judiciário. dom Dadeus já havia sido processado quase uma década atrás por uma magistrada gaúcha por chamá-la de ignorante. “Não podemos permitir que autoridades manifestem ofensas genéricas contra a Justiça brasileira pelo simples fato de não terem sido atendidas em suas demandas judiciais”, afirma o juiz João Ricardo Costa, presidente da Ajuris. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não quis se pronunciar sobre o caso, por considerar o assunto circunscrito à Diocese de São João da Boa Vista. A entidade já havia apagado outro incêndio provocado por dom Dadeus no ano passado, quando, durante assembleia geral, ele disparou contra homossexuais e acusou a sociedade de ser pedófila. Outras vítimas da incontinência verbal do religioso foram os judeus. Em maio de 2009, a comunidade israelita sentiu-se ofendida quando ele declarou que morreram mais católicos do que judeus na Segunda Guerra Mundial.

Em outro escândalo, o arcebispo teve uma postura meritória. Há poucos meses, a arquidiocese de Porto Alegre foi o epicentro de uma confusão em torno do sumiço de R$ 2,5 milhões, entregues a uma ONG portuguesa para custear reformas em igrejas gaúchas. Investigações da polícia do Rio Grande do Sul acabaram por indiciar pelo desvio o ex-vice-cônsul português na capital Adelino Vera Cruz Pinto. Ele tentou subornar dom Dadeus com dinheiro e promessas de promoção a cardeal para convencê-lo a não investigar a fraude na igreja. O religioso recusou a oferta e o diplomata é considerado, desde então, foragido da Justiça brasileira.

Procurado por ISTOÉ, o trio de advogados que ganhou a ação contra o arcebispo preferiu não falar publicamente, para “não fomentar mais polêmicas”. Para evitar a penhora de bens, a diocese de São João da Boa Vista ofereceu a eles um pagamento inicial de R$ 150 mil, três terrenos que valeriam outros R$ 250 mil e o parcelamento do restante da dívida. A negociação ainda está em andamento. “Quem sofre são os pobres beneficiados pelas ações sociais da diocese, que não é pródiga em recursos”, diz Vanderley Fleming, advogado da Igreja Católica local. Como está com 75 anos, dom Dadeus é obrigado a colocar seu cargo à disposição do Vaticano, que deverá transformá-lo em arcebispo emérito. Resta saber se a aposentadoria aquietará sua controversa eloqüência.

Fonte: Isto é