quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fafá de Belém diz: "Não a divisão do Para´".


A cantora Fafá de Belém tornou pública a sua posição com relação à divisão do Estado do Pará esta semana em entrevista a agência de notícias Último Segundo, do Portal IG. Em uma de suas declarações ela aponta para os riscos da criação de dois novos estados no território paraense. “Juntos somos fortes e separados seremos reféns”, declarou ao IG.

Fafá engrossa o caldo de milhares de paraenses que querem buscar novos rumos para o desenvolvimento do Pará integrado, onde as riquezas chegam à toda a população. Ela afirma que não recebeu nenhum convite oficial para participar de alguma campanha específica, mas que não vai esconder o seu posicionamento.

“Não somos um produto na prateleira, somos a somatória de todos estes rios, de seus cheiros, seus sabores. Somos o movimento destas marés, a mistura de tudo que por aqui passou e passará. Não somos exclusivos, somos agregadores!”, a cantora acrescenta em entrevista feita por e-mail à agência de notícias.

Ao contrário de muitos artistas paraenses que ainda estão em cima do muro, Fafá de Belém está de parabéns!

Fonte: Portal IG

Marcha diz não à divisão do Pará.


Marcha diz não à divisão do Pará

As cores vermelha e branca da bandeira do Pará eram predominantes na marcha que ocorreu na manhã de ontem contra a divisão do Estado do Pará. Estudantes, políticos, profissionais liberais e empresários pintaram os rostos, levantaram faixas e vestiram literalmente a camisa do Pará durante a caminhada.

A concentração iniciou às 9h, no começo da avenida Presidente Vargas e seguiu até a Praça da República. Ao longo da caminhada que teve como tema “Eles não querem nosso bem, mas os nossos bens”, os manifestantes cantavam animados músicas como “Belém, Pará, Brasil” do Mosaico de Ravena.

O movimento, que reuniu centenas de pessoas, foi uma iniciativa do estudante do 3º ano da rede pública, Lucas Nogueira com a parceria do professor de história e vereador Augusto Pantoja. O estudante conta que utilizou as mídias sociais como ferramenta de divulgação para mobilizar e esclarecer sobre a divisão. “Eu já era blogueiro, mas decidi criar um blog, um facebook e um twitter somente para esclarecer as pessoas sobre essa questão complexa que é a divisão do Estado. Percebi que as pessoas estão alheias e precisam se informar mais sobre essa questão. Na verdade, não é dividindo que vai melhorar e sim modificar a gestão econômica”.

A caminhada reuniu pessoas de todas as idades, como é o caso da estudante Margarete Oliveira, de 15 anos. “Vim participar da luta contra a divisão. Sabemos que será melhor para todos se não for dividido”, comenta.

A contadora Maria Caldas foi com a filha e as amigas. “Não acho justo essa divisão principalmente porque as principais pessoas que querem isso nem são do Pará e acredito que não será assim que vai trazer benefícios para qualquer município. Nós temos que nós unir mesmo, nos mobilizar”.

Lucas conta que a marcha é suprapartidária e não está ligada a qualquer partido político ou frente partidária. Ele informou que até o dia 11 de dezembro, data do plebiscito, haverá outras manifestações contra. “Tivemos um apoio de várias pessoas e um apoio inclusive da imprensa. Fico satisfeito de ver que as pessoas que estão aqui participando hoje (ontem) desse movimento estão se conscientizando sobre o assunto. Vamos realizar mais ações assim e reunir cada vez mais pessoas”.

Fonte: diário do pará.

AOS "POLÍTICOS PROFISSIONAIS" DE PLANTÃO.


Agora é oficial, toda a população do estado do Pará vai votar sobre a divisão do Estado. Depende de nós dizermos NÃO a esta tentativa de acabar de vez com nosso estado por interesses que nada tem a ver com o nosso povo. Está em nossas mãos.

Sobre a divisão do Estado por: Amarílis Tupiassu

Caro (a) amigo (a):

Do jeito que a coisa vai indo o Pará e Belém será uma vila de pescadores, ou uma cidade dormitório.
Indigna já só a idéia de reduzir o Pará a Belém e Zona do Salgado. Coisa de político-forasteiro mal-agradecido. O cara chega à casa alheia, que o acolhe com hospitalidade, e se revela um aproveitador. Entra, fuça a geladeira, abanca-se no melhor sofá, escancara as portas dos quartos, e a gente sabe: é um folgado. Chora, estremece por seu estado de nascença, enquanto explora e desdiz do Pará, de que só pensa em chupar tudo, até o Estado inteiro, se deixarmos.

O retalhador do estado (dos outros) chega e se espalha feito água. Abanca-se, invade a cozinha, destampa, tem o desplante de meter o dedo na panela, antes do dono da casa, lambuza as mãos, lambe os dedos. Como nós, os paraenses somos cordiais, ele confunde cordialidade com liberalidade. Vem, vai ficando, mergulha de unhas e garras afiadas em terras e política. Espalhado, o aproveitador, pronto, enriqueceu, encheu a pança. Fez-se fazendeiro, político de muito papo (balofo), o cara de pau.

Alguns não dispensam trabalho escravo e agora dão de posar de redentores da miséria do Pará, como se só no Pará houvesse miséria. E cadê? Ih, já nas altas cúpulas, armando discórdia, querendo porque querendo dividir o estado do Pará, disque porque é estado imenso e pobre, como se os miniestados brasileiros fossem paradisíacos reinos de felicidade, nenhum faminto sem teto, nenhum drogado, saúde e escola nos trinques, nada de tráfico e exploração de menores. Balela de retalhador!

O retalhador (do estado alheio) tem no cérebro sinal de divisão. Só quer dividir, não seu estado, onde o espertalhão não conseguiu levantar a crista. No Pará, não se contenta em ser fazendeirão, explorador de miseráveis. Quero um estado pra mim, Assembléia Legislativa ruma de assessores, Tribunal de Contas com obsceno auxílio-moradia, mesmo que eu tenha casa própria.

E o retalhador já quer governar o estado (dos outros), quer reino e magnífica corte própria, algo comum nestas terras brasílicas dominadas por quadrilhas de políticos cara de pau, porque os dignos, vergonha na cara, os que lutam a valer por um Brasil de união, ordem e progresso, estes raros políticos dão uma de éticos e não põem a boca no trombone.

Não, o Pará não é casa de engorda e enriquecimento de esquartejador da terra dos outros.

Mas o pior é que eles se juntam até a certos políticos paraenses, que, em vez de dizer não decisivo e absoluto à divisão, ficam em cima do muro. É que os muristas, paraenses também não são flor que se cheire.

Incrível que políticos paraenses admitam o roubo oficial das ricas terras do Pará. Pendurados no muro, os muristas paraenses só pensam na engorda de seus vastos currais e não em defesa e união. Sim, quem quer esfacelar o Pará?

Deputados de longe que lambem os beiços por se apoderar do Marajó, do Tapajós, de Carajás. Risíveis os argumentos separatistas: A imensidão do Pará impede seu progresso. Nada! Papo de político! É vasta a miséria dos estados pequenos e do Brasil mal governado. Dividir vem da omissão de políticos do Pará, eles em ânsias por suas lasquinhas.

Separatista daqui É de fora e quer feudo, castelo, mais poder.

O mapa do Pará lembra um buldogue. Ele precisa de brio, amor-próprio, rosnar, se quiserem reduzi-lo em retalho.

O Pará quer paz e união.

Vamos calar os esquartejadores que bóiam, do fracasso em seus estados, ao sonho de esfacelar o Pará.

Vamos dizer não a mais essa mutreta de político espertalhão.

E FAZER UMA CAMPANHA PARA QUE, NA PROXIMA ELEIÇÃO, O POVO PARAENSE NÃO VOTE EM POLITICO RETALHADOR .

NÃO A DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Mulheres que frequentam a Igreja são mais felizes".


Mulheres que frequentam Igreja são mais felizes.

Um estudo recente mostra que as mulheres que frequentam regularmente a Igreja são mais imunes aos altos e baixos da vida, e geralmente são mais felizes. Alexander Ross, do Instituto de Ciências Psicológicas, é o autor da pesquisa, que teve como objetivo investigar o grau de felicidade das mulheres americanas nos últimos 36 anos.

Ross descobriu que ir regularmente à igreja é um fator significativo na felicidade das mulheres. Verificou-se, de fato, que uma inflexão desta frequência no período 1972-2008 teve um impacto direto sobre a felicidade das mulheres que participaram do estudo.

"A queda da frequência ao longo do tempo, um comportamento associado a uma menor felicidade geral, explica, em parte, o declínio da felicidade das mulheres", sublinhou Ross.

Mudanças sociais:

Da mesma forma, as mulheres que afirmam frequentar regularmente a igreja parecem mais imunes aos elementos que causaram o declínio geral da felicidade.

"Dado que as mudanças que a nossa sociedade tem sofrido nas últimas décadas têm tido um impacto negativo sobre a felicidade das mulheres - disse Ross -, a análise permite concluir que as mulheres que frequentam a Igreja são menos sensíveis a este impacto."

O estudo, publicado no último volume da Interdisciplinary Journal of Research on Religion, também mostra uma diminuição na prática religiosa dos homens, no mesmo período, mas que não corresponde a um declínio significativo na felicidade masculina.

Ross explicou que isso poderia ser devido ao fato de que as mulheres mudaram seus hábitos sobre a prática religiosa ao longo dos anos, muito mais drasticamente do que os homens. Essa diminuição na frequência da participação nas igrejas nas mulheres também é mais consistente do que a os homens.

O especialista também destacou que, "embora as expectativas sobre os papéis entre homens e mulheres tenham mudado nas últimas décadas, pode-se dizer que mudaram mais radicalmente para as mulheres".

"No contexto de uma maior sensação de desintegração social, talvez as mulheres tenham se beneficiado mais do que os homens da influência estabilizadora de uma visita regular à igreja."

"Santo Agostinho não ficaria surpreso com o que descobrimos, porque ele ensinou que o maior bem para a humanidade é Deus", concluiu Ross.



Postado por Priscila יסילפרה às 23:22

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Belém com mais empregos formais.


A capital paraense teve um saldo positivo de empregos formais em julho deste ano. É o que revela nova pesquisa divulgada pela Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Renda (Seter) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-Pará) sobre a flutuação dos postos de trabalho no setor formal da economia, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os novos números também mostram a trajetória dos empregos nas outras capitais dos Estados da Região Norte. Em julho de 2011 foram 8.518 admissões contra 6.799 demissões em Belém - um saldo positivo de 1.719 postos de trabalho e crescimento de 0,69% na geração de empregos formais.

O destaque entre os setores econômicos que apresentaram crescimento de emprego na capital foi a construção civil - saldo positivo de 663 postos de trabalho e crescimento de 2,69%. Em seguida aparecem comércio (com 586 postos e crescimento de 0,85%) e serviços (515 postos e crescimento de 0,40%). Os destaques negativos ficaram com o setor de serviços de indústria de utilidade pública, com perda de 18 postos de trabalho e queda de 0,33%, seguido pela indústria de transformação (saldo negativo de 14 postos e queda de 0,08%) e agropecuária (saldo negativo de 13 postos e queda de 0,52%.

O novo mapa do emprego mostra que em julho deste ano todas as sete capitais do Norte do País apresentaram saldos positivos. Os destaques ficaram com Manaus (saldo positivo de 3.476 postos de trabalho), Belém (saldo positivo de 1.719 postos), Porto Velho (saldo positivo de 578 postos), Macapá (saldo positivo de 445 postos), Palmas (saldo positivo de 290 postos) Boa Vista (saldo positivo de 154 postos) e Rio Branco (saldo positivo de 112 postos).

Rusele Mendes - Ascom/Seter

"PACTO DO BEM".


Governador firma "Pacto do bem" com bispos católicos.

30/08/2011 10:28h

Da Redação: Agência Pará de Notícias.


O encontro do governador com os 16 bispos da CNBB Regional Norte 2 ocorreu na sede da entidade, em Belém.

O governador foi acompanhado de outras autoridades do Estado, como o secretário de Segurança Pública Luiz Fernandes.

O encontro teve a presença do Arcebispo Metropolitano, Dom Alberto Taveira.

Igreja e governo do Estado firmaram o "Pacto do Bem" para atuar em assuntos como segurança e educação

“Um pacto pelo bem” foi estabelecido pelo governador Simão Jatene e a Igreja Católica no Estado, durante reunião nesta segunda-feira, 29, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Norte 2. No encontro, além do governador, a coordenadora do Pro Paz, Izabela Jatene, os secretários de Estado de Segurança Pública (Segup), Luiz Fernandes, e de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), José Acreano, discutiram sobre assuntos como segurança e educação com os 16 bispos católicos no Pará, que expuseram as principais dificuldades observadas pelos religiosos.

“Se a Igreja se dispuser a integrar esse pacto, posso garantir que o Estado estará junto com vocês por uma Cultura de Paz. O que pudermos fazer para resolver os problemas sociais, os senhores podem ter no governo do Estado um parceiro. Sem duvida teremos muitos desafios e não vai ser fácil, mas sei que nós vamos inaugurar uma experiência única, em um pacto pelo bem”, garantiu Simão Jatene.

Para o presidente da CNBB Norte 2, Dom Jesus Cizaurre, a parceria tem tudo para render frutos. “Nosso objetivo é fazer com que a sociedade tenha confiança de que é possível mudar essa cultura de violência e que o Estado pode sim ajudar a promover a transformação social. E acreditamos nisso”, declarou, ressaltando que um dos grandes empecilhos encontrados pela Igreja, até mesmo para apoiar ações do governo, era em não ter um canal de comunicação com o mesmo.

Izabela Jatene, por meio do Pro Paz, foi escolhida para ser esse canal. “Na questão de violência e da educação, por exemplo, reconhecemos que são problemas de difícil solução, mas entendemos que eles se agravam quando a sociedade não tem canais de comunicação com o governo, porque assim as necessidades não chegam até o governador. A escolha da Izabela (Jatene) como nossa intermediária, tanto nos problemas ligados a questão da violência, sobretudo juvenil, quanto na questão da educação acredito que, objetivamente, é o saldo mais positivo dessa reunião”, avalia Dom Jesus.

Segundo Izabela, a interlocução do governo do Estado, através do Pro Paz, com a CNBB, vem em um momento fundamental. “Nós sabemos o quanto ela é uma instituição forte e o quanto dispõe de capilaridade, que muitas vezes consegue chegar onde nós não conseguimos, com organizações institucionais tradicionais e burocráticas, que é a nossa lógica governamental. O que sempre digo é que as igrejas tem um papel fundamental na transformação social, desde que elas estejam apoiadas por outra rede executiva institucional. E com essa reunião, essa rede está estabelecida”, afirmou.

O próximo passo deverá ser dado pelos bispos, que deverão elencar e repassar os temas prioritários e suas propostas de atuação. “O que mais queremos é colaborar”, garantiu Dom Jesus. De acordo com Izabela Jatene, ainda nesse primeiro momento, um plano será elaborado para que nas ações “se trabalhe de forma organizada e conjunta”.

Amanda Engelke - Secom

ORGULHO DE SER PARAENSE ! ! !


Orgulho de Ser Paraense!!!
11/06/08
Belém



Texto do Pasquale Cipro Neto



Estive em Belém, capital do Pará para proferir duas conferências. Tudo ótimo, do pessoal que organizou o evento às inúmeras pessoas que compareceram e assistiram às palestras. É claro que nessas ocasiões presto muita atenção no que ouço.

Nada de procurar erros, pelo amor de Deus! O que me fascina é descobrir as particularidades da linguagem de cada comunidade, de cada grupo social. E a linguagem dos paraenses - mais especificamente a dos belenenses - é particularmente interessante.

"Queres água?", perguntava educadamente uma das pessoas que participaram da equipe de apoio. O pronome "tu", da segunda pessoa do singular, é comum na fala dos habitantes de Belém. Com um detalhe: o verbo conjugado de acordo com o que prega a gramática normativa, ou, se você preferir, exatamente como se verifica na linguagem oral em Portugal.

Em Lisboa e em Belém, é muito comum ouvir "Foste lá?", Fizeste o que pedi?", "Trouxeste o livro?", "Queres água?", "Sabes onde fica a rua?". Inevitável lembrar uma canção de uma dupla da terra, Paulo André e Rui Barata ("Beira de mar, como um resto de sol no mar, como a brisa na preamar, tu te foste de mim"). "Tu te foste", diz a letra, certamente escrita assim pelo letrista Rui Barata, exatamente como dizem as pessoas em Belém. A cantora Fafá de Belém, equivocadamente, gravou "fostes". Uma pena! "Fostes" serve para vós: "vós fostes".

O que se ouve em Belém - "foste", "fizeste", "queres" - não é comum em qualquer região do país. Em boa parte do Brasil, é freqüente o emprego do pronome "tu" com o verbo conjugado na terceira pessoa: "Tu fez?", "Tu sempre faz isso?", "Por que tu não estuda?", "Tu comprou o remédio?". Para a gramática normativa, isso está errado. Se o pronome é "tu", o verbo deve ser conjugado na segunda pessoa do singular: "fizeste, fazes, estudas, compraste", nas frases anteriores.Na linguagem oral, a mistura de pessoas gramaticais ("Você fez o que te pedi?" ou "Tu falou", por exemplo) é tão comum no Brasil que é impossível não ficar surpreso quando se vai a Belém e se ouve a segunda pessoa do singular como se emprega em Portugal. Aliás, Belém tem forte e visível influência portuguesa, a começar pela bela arquitetura. Ainda segundo a gramática - e segundo o uso lusitano, vivíssimo -, quando se usa "tu", não se usa "lhe". E aí a roda pega, até em Belém, onde, apesar dos verbos e do sujeito na segunda pessoa, às vezes se ouve o pronome "lhe": "Foste lá? Eu lhe disse que devias ir". Qual é o problema? O pronome "lhe" se usa para "você", "senhor", "senhora", "Excelência", ou qualquer outro pronome de terceira pessoa. Na língua formal, "tu" e "lhe" não combinam. Na frase anterior, o "lhe" deveria ser substituído por "te": "Foste lá? Eu te disse que devias ir". E mais: como já expliquei em colunas anteriores, para a gramática normativa, o pronome "lhe" não deve ser empregado com verbos que não pedem a preposição "a".

Com o verbo "dizer", que pede a preposição "a" (dizer a alguém), tudo bem: "Você foi lá? O que ele lhe disse?". Mas com "admirar", "procurar", "abraçar",

que não pedem a preposição "a" (admirar alguém, procurar alguém, abraçar alguém), nem pensar em "lhe" na língua culta: "Todos admiram você/Todos o admiram"; "Todos procuram você/Todos o procuram"; "Ela abraçou você/Ela o abraçou".

Não custa repetir que todas essas observações têm como base a gramática normativa, que, na linguagem oral, ou seja, na fala, como se vê, não é aplicada integralmente em nenhum canto do Brasil. O que fazer? Nada de histeria. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Nada de imaginar que se deva exigir de todo brasileiro, na fala, o cumprimento irrestrito das normas lusitanas de uniformidade de tratamento. E nada de achar que não se deve ensinar isso nas escolas, que não se deve tocar no assunto. Afinal, a uniformidade de tratamento está nos clássicos brasileiros e portugueses, está na língua viva, oral de Portugal e de outros países de língua portuguesa.

Está até na poesia brasileira deste século. E também na música popular da Bossa Nova ("Apelo", de Baden e Vinicius, por exemplo: "Meu amor, não vás embora, vê a vida como chora, vê que triste esta canção; eu te peço: não te ausentes, pois a dor que agora sentes...") a Chico Buarque ("Acho que estás te fazendo de tonta, te dei meus olhos pra tomares conta, me conta agora como hei de partir" versos de "Eu Te Amo", música de Tom Jobim e letra de Chico Buarque).

Não custa repetir: na língua culta, formal, é desejável a uniformidade de tratamento. Quando se usa tu, usam-se os pronomes te, ti, contigo, teu.

Quando se usa você, senhor, Excelência, usam-se os pronomes o, a, lhe, seu.

E também não custa pesquisar um pouco, ler os clássicos e os modernos.

Ou fazer uma bela viagem a Belém e lá tomar o tacacá. E ouvir algo como "Fizeste o trabalho?".



Um beijo, Belém.



Um forte abraço .



(Texto publicado na Revista VEJA, Dez/07)