segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pará, uma senhora mãezona!


Muito se tem falado da divisão territorial do Pará. Nas suas manifestações, os grupos a favor e contra, no qual me incluo, têm abordado os aspectos econômicos, políticos, cultural e social, tentando com isso conquistar simpatizantes para a causa. Mas, não vi ainda falar do aspecto comportamental, que é o que caracteriza e diferencia o povo paraense dos demais brasileiros.

O povo paraense, e aqui me refiro não só aos que nasceram neste Estado, está pagando um preço muito alto por ser simpático, receptivo e acolhedor. Não há literatura que registre povo semelhante. Todos que aqui aportam, a maioria sofrida e desesperançada, são recebidos com carinho e a eles é oferecido o que é de melhor da hospitalidade paraoara.

Noutro dia fiquei boquiaberto ao ver até onde vai essa hospitalidade. Ao abrir o jornal Diário do Pará, deparei com uma foto do jogador Tiago Potiguar vestindo uma camisa do Pará. Nada contra o jogador. Lembrei que nos GPs Internacionais de Atletismo realizados em Belém, já se tornou tradição os atletas vencedores carregarem a bandeira do Pará, fato não repetido em outro Estado. Ai pense: Meu Deus! O paraense é capaz de entregar sua bandeira e vestir alguém com seu maior símbolo como demonstração do seu afeto.

É muito fácil conquistar a simpatia desse povo. Nas ruas, ao ser abordado para uma informação, o paraense para e com a maior atenção atende a quem lhe indaga, e às vezes chega a levá-lo até ao local procurado. Na esteira dessa simpatia, elegem-se vereadores e deputados, outros tornam-se empresários e fazendeiros muito poderosos.

O deputado "separatista" Giovanni Queiroz têm afirmado, frequentemente, que com o desmembramento territorial, "O Pará, como Estado-Mãe, não terá sua arrecadação atingida". Realmente o deputado tem razão.

Somente uma mãe, em sua infinita bondade, é capaz de renunciar o que tem em favor dos seus filhos, sejam legítimos ou adotados, gratos ou ingratos. A afirmaçãoé verdadeira, o Pará é uma grande mãezona!

Por fim, antes que perguntem a minha origem, digo que sou um paraense que nasceu em Rondônia.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Diácono assume paróquia em Manaus.


Notícias do diaconado permanente
9/7/2011 - 00:10:07
DIÁCONO VICE-PRESIDENTE DA CND ASSUME PARÓQUIA EM MANAUS

Com grande participação popular, assumiu no último domingo (03), a Paróquia de
Nossa Senhora do Carmo, no bairro da Raiz, o diácono Francisco Salvador Pontes
Filho (Chiquinho), Vice-Presidente da CND.
Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus, presidiu a solenidade de posse, que
foi acompanhada por vários diáconos e esposas, candidatos e esposas e muitos
amigo de outras comunidades que prestigiaram o evento.
Em sua fala o novo admnistrador paroquial conclamou o povo para um trabalho
conjunto, onde a participaçào de todos será de grande importância para o bom
andamento dos trabalhos a serem executados nos próximos anos.

Fonte: CND

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Casamento gay no Brasil está se tornando realidade.


Decisões isoladas da justiça garantem esse direito



Primeiro São Paulo. Agora Brasília. Decisões de juízes estão convertendo a união estável em casamento civil no Brasil em atos inéditos no país.

Em Jacareí, interior de São Paulo, o juíz Fernando Henrique Pinto, da 2a Vara da Família, beneficiou o casal formado pelo cabeleireiro Sérgio Kauffman Sousa e o comerciante Luiz André Moresi.

Em Brasília, a juíza Junia de Souza Antunes, da 4a Vara da Família reconheceu a união estável entre o casal Silvia Gomide e Cláudia Gurgel e converteu em casamento. Há onze anos, as duas vivem juntas.

Com essas decisões, esses casais têm todos os direitos dos casais héteros como herança, pensão, direito ao sobrenome do companheiro, entre outros.

Em ambos os casos, o Ministério Público deu parecer favorável à união e não vai recorrer da decisão. Tomando por base o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal a juíza concluiu que "o reconhecimento (da união do casal) deve ser feito segundo as mesmas regras e as mesmas consequências da união estável heteroafetiva".

Fonte:terra

RESPEITEM O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DA IGREJA


Respeitem o Espírito Santo na vida da Igreja

Maureen A. Tilley , professora de Teologia da Fordham University, nos EUA, abriu o 66º Encontro Anual da Sociedade Teológica Católica dos Estados Unidos – CTSA nesta sexta-feira, em San Jose, Califórnia, fazendo diretamente uma pergunta: “O que significa ser Santo?”

A reportagem é de Thomas C. Fox, publicada no sítio National Catholic Reporter, 10-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto e revisada pela IHU On-Line.

Sua conferência desdobrou-se por meio da história patrística, dos modelos de reação da Igreja ao pecado e à desunião, examinando o recente tratamento dado pelo Vaticano aos irmãos “desobedientes”, e terminou com um apelo a implorar coletivamente a inspiração e a direção do Espírito Santo.

O tema do encontro deste ano da CTSA aborda a santidade. Oficialmente, o tema da conferência é “Católico inteiramente uno: Santos e santidade na Igreja pós-apostólica”, que parece deixar muito espaço para a discussão teológica.

Seu discurso ao público foi seguido de um caloroso discurso de boas-vindas do bispo de San Jose, Dom Patrick Joseph McGrath (foto).

“O uso predominante do termo ‘santo’ se refere ao Espírito Santo, ativo na comunidade cristã unida”, disse Tilley, referindo-se às comunidades da Igreja primitiva. “O Espírito é a fonte da unidade. Por isso, a santidade não é um projeto individual, mas sim comunitário. É a Igreja – e não os indivíduos – que é chamada de santa no Novo Testamento”.

Esse modelo funcionou no início, mas acabou tendo problemas com o crescimento da Igreja. Tornou-se cada vez mais difícil, disse Tilley – recentemente nomeada professora titular na Fordham –, particularmente quando se tratou de lidar com membros da Igreja que agiam contra a unidade, incluindo os pecadores dentro da Igreja.

Ela, então, esboçou várias respostas da Igreja primitiva ao dilema de acomodar a pecaminosidade em uma Igreja pura, cheia do Espírito Santo. De alguma forma, devia haver um lugar para a fragilidade humana.

Ao longo do tempo, disse ela, a Igreja testemunhou “uma conexão que ia finalmente diminuindo entre a Igreja, o Espírito Santo e a santidade, ou a falta dela”.

Um bispo ou um padre pecador pode transmitir a graça de Deus nos sacramentos? Os batismos que eles ministram são válidos e repletos da graça?

“Gradualmente”, continuou Tilley, “os pecados individuais dos membros da Igreja deixaram de ter importância para a questão da unidade ou da santidade. O ensinamento sobre a possessão e a ação do Espírito Santo era o que os mantinha unidos, e isso também foi muito reduzido”, disse ela.

“Assim, podemos ver, na evolução do pensamento patrístico ocidental, um movimento de uma Igreja estritamente delimitada, sem nenhum lugar para o mal, a uma Igreja em que o mal deve ser tolerado até certo ponto, até o fim dos tempos, para o bem daqueles que Deus sabe que vão se arrepender antes da Colheita no fim do mundo”.

Então, voltando-se à história da Igreja do século XX, Tilley disse ter visto líderes da Igreja apelando a diversos “modelos” de Igreja, enquanto eram forçados a acomodar ou a confrontar os irmãos desobedientes.

Ela comparou o modo como o Vaticano, de um lado, lidou com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e a Associação Patriótica Católica Chinesa; e, de outro lado, com os bispos e teólogos.

“O desejo de unidade para os dois primeiros casos – a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e a Associação Patriótica Católica Chinesa – revela um modelo de Igreja que acha que pode cuidar de si mesma e se foca na preocupação com o bem-estar das almas”.

As disputas do Vaticano com os bispos e teólogos partiram de um modelo diferente, disse ela.

Repetidamente, João Paulo II e Bento XVI, afirmou, estenderam a mão à Fraternidade São Pio X e à Associação Patriótica Católica Chinesa. Esse não foi o caso, porém, da forma como trataram os membros do seu rebanho.

“Para as pessoas que não estão do lado de fora ou mesmo às margens, para os católicos ativos, a resposta vaticana é diferente”. Aqui, disse ela, a unidade exigiu “santificação pessoal, que, por sua vez, é reconhecida não na partilha do Espírito como já se fez, mas na adesão à ortopraxia, elevada ao status de ortodoxia”.

Tilley usou como exemplos do tratamento do Vaticano:

O arcebispo Raymond Hunthausen, de Seattle, para quem foi nomeado um coadjutor que lhe removeu da liderança diocesana.
O bispo Jacques Gaillot que foi retirado como bispo de Évreux, na França, para bispo titular de Partênia, um lugar sem nenhum cristão na Argélia.
Inúmeros bispos depostos de suas sedes nos últimos anos na África subsaariana.
E o bispo William Morris, de Toowoomba, na Austrália, que foi forçado a renunciar no mês passado.
Enquanto isso, vários teólogos, disse ela, tiveram seu trabalho considerado como inaceitável para a Congregação para a Doutrina da Fé. “A resposta a esses homens e mulheres foi diferente. Bispos errantes, agora, encontram-se fora dos círculos do poder, ou fora do seu ofício, e teólogos veem suas obras serem condenadas sem serem ouvidos”.

Tilley perguntou: “A Igreja é menos capaz de lidar com bispos e teólogos do que com cismáticos? Os atos de bispos e teólogos representam uma ameaça para a unidade, a santidade e a catolicidade da Igreja mais do que a Fraternidade Sacerdotal S. Pio X ou a Associação Patriótica Católica Chinesa?

Citando Bento XVI, a resposta é “sim”, disse Tilley. Ele diz que “hoje vemos isso de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja”.

Ela concluiu afirmando que esse fenômeno revela duas ideias diferentes da Igreja como una, santa e católica. “Uma parece estar confiante de que a Igreja tem o que é preciso para cuidar dos pecadores errantes e trazê-los de volta ao rebanho. A outra é o medo de que o mundo mau, fora da Igreja e especialmente dentro dela, é capaz de seduzir e desviar as ovelhas”.

“Pode-se dizer: ‘Bem, problemas diferentes exigem soluções diferentes’. Isso também pode ser verdade. Mas as soluções diferentes tendem a refletir as concepções de Igreja e a engendrar, formar e reforçar diferentes conceitos e tipos de Igrejas, uma confiante, e outra temerosa”.

“Quem deve escolher? Os próprios santos. Eles já estão escolhendo quando admitem à comunhão os católicos divorciados e de segunda união. Eles já estão escolhendo naquilo que compram e leem. Estão fazendo boas escolhas? São direcionados pelo Espírito Santo? Como eles – vocês – estão preparados para fazer boas escolhas?”.

Tilley terminou dizendo que é preciso haver uma recuperação do respeito, não apenas da boca para fora, ao papel do Espírito Santo de engendrar a unidade e a santidade na Igreja.
28 de junho de 2011 | Categoria: Artigos

Sexo e o vaticano


Sexo e o Vaticano

Uma viagem secreta no reino dos castos.

Carmelo Abbate. Em em novo livro, o jornalista revela a existência de milhares de padres hétero e homossexuais em plena atividade

A Paolo Manzo

“O Sexo e o Vaticano”, o ensaio publicano no fim do mês de abril na Itália e na França pelo jornalista Carmelo Abbate, tem seu iní­cio no relato de uma festa muito especial e de uma investigação que teve a duração de mais de um ano. O livro, uma viagem secreta no “reino dos castos”, realizada por um undercover repórter, ele mesmo, Abbate, provocou a pronta reação do Vaticano. Uma nota oficial do Vicariato de Roma convidou os padres envolvidos a “sair ao descoberto”. Além da vergonha da pedofilia, a Igreja de Roma padece de um enorme problema
quanto a todos os temas relacionados com a sexualidade, a começar pelo celibato de padres e freiras. O livro revela a existência de sacerdotes
de todas as nacionalidades que se dividem entre cerimônias religiosas e as atrações da noite romana. Padres com vida dupla.

Experiências de escort e chat. Seminaristas e freiras que vivem escondendo a própria sexualidade, seja ela hétero ou homossexual. O problema dos filhos do sacerdotes e de suas mães que enviaram ao Papa Bento XVI um documento secreto para relatar a sua difí­cil situação. Prelados envolvidos nas batidas de polí­cia contra a prostituição.

Relatos de abortos clandestinos, estes em grande número, e pedidos de adoções para libertar-se dos “frutos do pecado”. Sem contar um rio de dinheiro para comprar o silêncio dos amantes ou para acompanhar o crescimento dos meninos.
Sex and the Vatican está para ser editado nos EUA e, ao que tudo indica, no Brasil.

ENTREVISTA:

CartaCapital: Como nasceu a idéia de escrever este livro?

Carmelo Abbate: Tudo nasceu por um acaso. Um amigo homossexual me chamou, isso em junho de 2010, e falando disso e daquilo diz de improviso: “Você nem imagina o que me aconteceu ontem”. Ele estava em uma sauna gay em Roma, e lá teve uma relação sexual com outro frequentador, e até aqui nada de extraordinário. O outro oferece uma carona no seu carro, ele aceita e ali descobre um colarinho e outros objetos clericais.

Encara o companheiro e este admite: “Sim, sou padre”. Conta então que isso é uma coisa normal, que é francês e que muitos padres vivem tranquilamente a própria sexualidade. Em seguida fala de “certa festa” que aconteceria na semana seguinte em Roma, com a preseça de outros padres e também escorts masculinos. O padre gay não me surpreendeu, mas queria verificar a história, também porque aquele sacerdote não era um padre qualquer; ele celebrava a missa todas as manhãs, às 7 horas na Basí­lica de São Pedro.

CC: Por isso decidiu infiltrar-se na tal festa?

CA: Sinceramente, tinha mais de uma dúvida e queria verificar. Mas era tudo verdade. Consegui entrar na festa me apresentando como namorado de meu amigo. Estavam presentes muito prelados.

CC: Medo?

CA: Houve um momento em que pensei que minha situação era insegura quando ouvi um imigrante clandestino, no Sul da Itália, relatando fatos relacionados com os “gatos”, que recolhiam tomates no meio das serras.

CC: Nunca pensou em desistir?

CA: Não, porque entra em ação a adrenalina e, como consequência, você quer levar a termo a sua investigação, quer verificar o que realmente acontece, somente por isso resisti.

CC: Que fim levou o padre francês?

CA: Procurei diretamente a Santa Sé, que não respondeu. Quem foi às missas das 7 em São Pedro, depois da publicação do livro, não o viu mais. Algumas semanas atrás, o jornal La Repubblica verificou que os padres citados em minha investigação inicial, cujos resultados foram divulgados pela revista Panorama, acabaram em algum lugar secreto, para refletir e decidir se pretendem abandonar os votos. Espero que não sejam eles a pagar por todos, porque a reação oficial do Vaticano fala de “casos isolados”. A minha motivação ao escrever o livro foi descobrir que não se trata de três, quatro, cinco frutos podres. Estamos diante de um fenômeno amplo, do qual não conhecemos a exata entidade.

CC: Qual é a conclusão?

CA: Descobri que a Igreja é um gigantesco fruto podre, e que, então, não se pode enfrentar o problema da sexualidade explorando a situação de um punhado de sacerdotes que erram. O fenômeno é extenso e importante. Além das orgias homossexuais, penso em tantos casos que me permitem descrever em detalhes as peripécias dos inúmeros padres envolvidos com mulheres. Quando estas engravidam, são aconselhadas ao aborto pelos colegas de quem as engravidou, às vezes pelo bispo da diocese. Penso na alternativa, ou seja, no número das mulheres dos padres que dão luz às escondidas e, em troca, recebem um salário mensal de, aproximadamente, 1,5 mil euros até quando os “filhos do pecado” alcancem a maioridade.

Dinheiro da Igreja pago em troca do silêncio. É terrí­vel, principalmente por causa dessa duplicidade moral, que representa o sentido real do meu livro. De um lado, quem está no interior da instituiçao tudo pode, desde que possa salvaguardar o bem maior, ou seja, as aparências. Entre o pecado e o escândalo a Igreja escolhe o pecado escondido e a mensagem: “você, padre ou freira, pode continuar a pecar, contanto que não crie caso.” Do outro lado fica a Igreja, que não somente condena o aborto, mas também a contracepção, e condena separados e divorciados. Alguns dias atrás, em Treviso, uma mulher disse ao confessor que iria casar com um homem separado e o padre a expulsou do confessionário, recusando absolvê-la por um pecado ainda não cometido.

Uma tragédia para uma fiel convicta, que escreveu aos jornais denunciando o acontecido. E nem falemos da menina brasileira de 9 anos que, estuprada pelo padrasto, sofreu o aborto dois anos atrás, porque, além da pouca idade, era desnutrida e teria morrido em caso de parto. Os médicos responsáveis e a mãe da pequena foram excomungados pelo arcebispo de Olinda e Recife. Quando o pai natural é um padre que se relacionou sexualmente com mulheres de idade, conscientes, e na maioria das vezes, apaixonadas, os bispos aconselham o aborto. Esta é a dupla moral inaceitável.

CC: Quais foram as repercussões do livro?

CA: Por minha sorte saiu contemporaneamente também na França e, considerando que somente os Alpes nos separam, em Paris sinto-me como em casa, graças à imprensa e às televisões. O que me impressionou foi que no exterior falou-se abertamente dos assuntos levantados no livro, como é normal, considerando a gravidade dos fatos apresentados. Ao contrário, na Itália, nada. A tal ponto que a respeito dessa “lei do silêncio”, escreveu uma longa reportagem o diário britânico The Guardian, chamando a Itália de “Vaticália”. Bem além dos meus merecimentos ou deméritos, quando, em 21 de abril o livro saiu, a France Press tentou recolher também a opinião da Santa Sé e da Conferência Italiana dos Bispos. Responderam: “Não temos nada a dizer. Não façam publicidade desse livro.” Certo é que, na Itália, o livro não foi resenhado.

CC: Conforme sua apuração, quantos padres no mundo não respeitariam o celibato?

CA: Segundo a minha fonte nos EUA, Richard Sipe, com 11 livros sobre o assunto, universalmente reconhecido como o maior expert em sexualidade na Igreja Católica, 25% dos padres dos EUA tiveram relações com mulheres depois da ordenação, enquanto outros 25% estão envolvidos em relações homossexuais. Estamos, pois, falando da metade dos sacerdotes norte-americanos que não respeitam as normas da castidade. Para Dom Franco Barbero, padre italiano excomungado que se ocupa desse tema, na Alemanha, de 18 mil sacerdotes católicos, pelo menos 6 mil vivem com uma mulher, mesmo de forma escondida. Na Itália, não existe nenhuma tentativa de pesquisa, nada de nada, o único dado chega novamente de Barbero que, depois de ter sido excomungado, foi procurado por mais de 3 mil sacerdotes homossexuais que manifestaram o próprio sofrimento. No Brasil, enfim, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) realizou uma pesquisa anônima com 758 padres brasileiros: 41% admitiram ter tido relações sexuais e a metade deles se pronunciou contra o celibato. Com toda certeza, esses dados nos dizem que nos encontramos diante de um monumental problema para a Igreja Católica, ou seja, a dupla vida de boa parte do clero.

CC: E qual seria a causa?

CA: O vínculo do celibato não funciona. É um dado de fato. Falamos disso ou queremos fingir que o fenômeno não existe? Ou melhor, quem é realmente o verdadeiro católico, aquele que se preocupa com a sorte da Igreja, aquele que enfrenta o problema ou aquele que finge não ver? Eu,
que sou católico, casado na Igreja e com dois filhos, escrevi sobre isso. Pena que o Vaticano hoje me encare como um anticristo.

Fonte: http://blogln.ning.com/
20 de junho de 2011 | Categoria: Artigos

E A IGREJA SE FEZ SHOW


E a Igreja se fez show

Fonte: http://lucimarbueno.blogspot.com/

Cesar Kuzma *

Neste último domingo, dia 19 de junho, assisti a apresentação do Pe. Reginaldo Manzotti no “Domingão do Faustão”. Com certeza, o Pe. Manzotti alcançou a fama que procurava há muito tempo e hoje se tornou tão conhecido como o Marcelo Rossi (a quem imitou e seguiu) e outros “midiáticos” da Igreja Católica no Brasil e, também, do mundo da música e do entretenimento. No entanto, tal apresentação me faz parar e refletir alguns pontos:

1) O que representa para a Igreja Católica atual uma personalidade assim?

2) O que ele traz de novo, ou se realmente ele traz algo novo?

3) Que imagem de Igreja estamos passando para a sociedade com uma pessoa assim e, obviamente, para a própria Igreja, hoje tão carente de formação?

Cada um destes pontos merece uma análise profunda, que não faremos, a ideia é apenas uma breve reflexão sobre o assunto, crítica, mas respeitosa.

O Documento Lumen gentium do Concílio Vaticano II (1962-1965), que apresenta uma reflexão dogmática sobre a Igreja, destacando sua natureza e missão, começa assim: “Lumen gentium cum sit Christus”, ou seja, Igreja é luz para os povos assim como Cristo ** .

Ser luz, no entanto, é transmitir a mensagem do Evangelho, na qual Cristo é a luz. A Igreja, que somos nós, não tem uma luz própria e não prega a si mesma e, consequentemente, não conduz as pessoas a si, pois ela não é o fim, o destino de todos.

A Igreja é iluminada pela luz de Cristo, cujo Espírito a conduz. A Igreja, como “luz do mundo” anuncia Cristo e o seu Reino e conduz as pessoas a este fim, a este éschaton (destino último); assim ela é sinal e sacramento. Este mesmo documento apresenta-nos o papel dos batizados, que compõem a Igreja de Cristo, discernindo a sua vocação e missão. Isso fica claro quando ela nos remete à questão do serviço, um serviço ao Reino, a exemplo de Jesus, que na sua humildade e pequenez conduziu as pessoas à esperança num reino de amor, justiça e paz; um Jesus que declarou bem-aventurados os pobres e, a partir deles, iniciou o seu testemunho, fazendo-se pobre para de tudo nos libertar, sendo ponto de justiça, caminho e verdade.

Preocupa-me saber o que representa o Pe. Manzotti para a Igreja e para a sociedade brasileira atual. Será que ele representa o seguimento de um Jesus pobre da Galiléia, tão profundamente descrito nos Evangelhos, ou será que ele representa a si mesmo, diante do orgulho e da vaidade, pecado tão sutil aos membros da mídia, ou daqueles que são feitos ou produzidos por ela?

Quem fez o Pe. Manzotti e a sua fama e o que ele representa? Será que ele representa a Igreja Católica ou representa as gravadoras e emissoras de rádio e TV em que atua?

O Pe. Manzotti anuncia a ” boa nova” do Evangelho ou anuncia a “sua boa nova”, tão frágil e carente de conteúdo. Com certeza, o Pe. Manzotti não representa a Igreja que eu sigo e acredito, pois sua pregação, atuação e postura estão muito longe (mas longe mesmo!) do que entendo como proposta de seguimento, discipulado e missionariedade. Não falo apenas das letras de suas músicas (muitas delas, por sinal, com graves erros teológicos que educam o povo erroneamente); não falo das suas fotos sensuais nos álbuns dos CDs; não falo dessas situações, pois é pequeno demais e nem vale a pena; mas falo da postura, atuação e pregação que deve ter um cristão, quer ele seja um leigo, um religioso ou um padre, mas uma atuação de seguimento e de exemplo… Lumen gentium!

É uma pena, pois um projeto de inculturação da fé deveria ser um serviço de integração com a sociedade e não uma maneira de ser refém desta, juntando seu capital, glamour e aparência. Uma Igreja que propõe discipulado e missionariedade com o Documento de Aparecida (2007) fica à mercê diante desta forma de “evangelizar”. O que representa o Pe. Manzotti? Bem, certamente, representa a si mesmo e a sua imagem…

É evidente que sua pregação não traz nada de novo, pois dentro de músicas modernas se esconde uma postura de Igreja fechada e clerical, que coloca o padre (o sacerdote, maneira como ele sempre se apresenta) em destaque diante dos fiéis.

Antes tínhamos o padre que apenas rezava a sua missa, deixando o povo na expectativa, como alguém que sempre recebe. Agora temos o mesmo padre com suas vestes carregadas e pomposas (como de antigamente) tornando-se um cantor e animador de auditório em programas de televisão e em praças públicas pelo Brasil.

Não negamos que a Igreja deva adotar uma nova postura diante da sociedade moderna e pós-moderna, de maneira a integrar mais as pessoas e seus novos problemas e questionamentos, acontece que posturas assim envolvem o povo em luzes e sons, transformando o altar num palco e a Eucaristia num show, totalmente oposto aos ensinamentos da Igreja e totalmente contraditório com a proposta de Jesus, que se tornou igual e semelhante ao seu povo e só assim pôde conduzi-los no caminho do Reino (Fl 2,6-9).

O Pe. diz que não faz show, fico em dúvida, então, para saber o que ele faz… Um dos seus programas de televisão chama-se “evangeliza show”, algo próximo ao “show da fé” de R. R. Soares. Há que se entender que Igreja não é show business.

Quando a Igreja passa a ser show ela deixa de ser comunidade, ela deixa de ser o local onde as pessoas se reúnem para partilhar do mesmo pão, ao redor de uma mesma mesa, tornando-se um só, em Cristo.

Quando a Igreja se torna show ela deixa de ter eclesialidade, pois tira dos seus membros a participação ativa diante de sua missão, pois ninguém se conhece, todos são “turistas religiosos” atrás de um cantor, que neste caso, também é padre.

Quando a Igreja se torna show ela se distancia drasticamente da proposta do Evangelho de Jesus, que nasceu pobre numa estrebaria, que viveu pobre na Galiléia e que morreu pobre e sozinho numa cruz em Jerusalém.

Mas alguém poderá dizer: mas ela fala tão bem, ele atrai tanta gente… Não nego que tenha méritos, e deve haver, mas questiono a forma e o modelo com que faz tais coisas.

Até que ponto as pessoas seguem a Cristo e não o Padre?

Até que ponto as pessoas vão à missa pelo Padre e não pela comunidade?

Até que ponto as pessoas estão usando isso para um alimento pastoral e engajamento, e sim, para um aumento do individualismo e do culto ao “Eu-com-Deus”, distanciando-se de uma proposta de Igreja de comunhão?

Até que ponto a mensagem do Evangelho é atrair mais pessoas para a Igreja Católica (ou para outra Igreja)? Esta nunca foi a proposta de Jesus Cristo.

Quando questionado pelo rico faturamento que seu projeto traz, ele rapidamente diz que o dinheiro é para o projeto “Evangelizar é preciso” e não para ele.

Mas o que é este projeto, que não fazer a divulgação dos trabalhos, CDs, livros, shows e produtos do padre?

Evangelizar é preciso, é claro, mas o que é mesmo evangelizar? Se evangelizar for montar um projeto milionário, se for ser amigo do governador do Estado, aliado de pessoas da elite social e fazer shows, gravar CDs e ter programas de televisão e rádio, acho que não sei mesmo o que é evangelizar.

Se fosse assim, Jesus deveria ter começado a sua missão no palácio de Herodes, na casa de Caifás e Anás e ter um grande acordo com Pôncio Pilatos, ao invés de começar em uma aldeia de pescadores da Galiléia.

Acho que tudo isso é importante e deve e pode ser feito, desde que o horizonte último seja Cristo e o seu Reino, desde que isso possa ser multiplicado nas pequenas coisas e exemplos do cotidiano.

Num momento em que Igreja reflete a sua eclesiologia (sobre a Igreja) em tentativa de resgate a pequenas comunidades, menores e mais concentradas, mas com mais vigor e postura evangélica, tal postura do Pe. Manzotti vai contra este pleito.

Preocupa-me saber que imagem nós estamos passando de Igreja, preocupa-me saber que Igreja nós estamos formando para nossos filhos e membros e que mensagem de Reino nós estamos passando à sociedade.

Foi-se o tempo em que cantávamos na missa ou nos grupos sem nos preocupar de quem era a música ou o CD (disco ou cassete na época), foi-se o tempo de que as músicas religiosas tinham mais teor evangélico e mais coerências sociais (ainda encontramos isso no Pe. Zezinho e Zé Vicente e em alguns outros), foi-se o tempo em que pertencer a determinada comunidade trouxesse ao cristão uma identidade viva e coerente, capaz de ligar à comunidade a sua vida, e assim por diante.

Há um crescimento do turismo religioso motivado por fenômenos como o Manzotti, mas um declínio de conteúdo e discernimento da fé. Parece que damos razão a nossos interlocutores críticos da religião como Marx que disse: “A religião é o ópio do povo”.

Quando a Igreja se faz show, vemos que Marx tinha razão, pois ao invés de libertar ela aliena, pois o aprisionamento religioso faz parte de sua postura ideológica. Lamentável!

É lamentável entender que a Igreja Católica no Brasil hoje passa a ser representada por padres midiáticos como este, onde sua proposta de missão obedece mais aos interesses das gravadoras como “Som Livre” e outras do que a proposta do Evangelho.

Esta representação deixa um Jesus de Nazaré pequeno, quase esquecido, diante das luzes que compõem o grande espetáculo. É triste entender e lembrar que no passado estávamos representados (e muito bem!) por pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Ivo e Aluisio Lorscheider, Dom Pedro Casaldáliga e tantos outros que deram a sua vida de fé em favor da paz, do amor e da justiça, testemunhas autênticas do Evangelho, e hoje, quem diria, somos representados por pessoas assim…

É uma pena que pessoas tão importantes e atuantes pelas causas da Igreja só sejam reconhecidas depois de mortas em martírio, como Irmã Doroty e tantos outros, esquecidos por nós (Igreja) e pela sociedade.

É uma pena imensa que pessoas atuantes em pastorais sociais e em diversos movimentos sejam muitas vezes esquecidos pela Igreja ou punidos por ela (TdL) por defenderem a causa da justiça contra os ricos e poderosos; ricos e poderosos que sustentam esta estrutura piramidal e patrocinam “novas lideranças” como o Pe. Manzotti, que pela postura, servem a seus interesses.

É triste dizer que a Igreja se fez show…

* Teólogo leigo, católico, professor de Teologia da PUCPR. Assessor em grupos e movimentos eclesiais.

** O autor se equivocou na tradução que é: SENDO CRISTO A LUZ DOS POVOS.

Seria um grave erro teológico afirmar que a Igreja, como Cristo, é Luz dos Povos

Feita essa correção, o artigo é muito bom – João Tavares
28 de junho de 2011 | Categoria: Artigos

"Negar a adoção a homossexualismo não é discriminatório.


“Negar a adoção a homossexuais não é discriminatório”

Bispos colombianos afirmam que adotar não é um direito

BOGOTÁ, terça-feira, 1º de março de 2011 (ZENIT.org) - Os bispos da Colômbia expressaram-se contra a adoção de crianças por pares homossexuais, advertindo que adotar “não é um direito” e que portanto “não há discriminação”.

Em nota datada de 25 de fevereiro, os bispos afirmam que não consideram discriminatório “o fato de que o atual ordenamento jurídico nacional não contemple a possibilidade de que pares do mesmo sexo possam adotar crianças”.

Não é discriminatório porque “os requisitos para a adoção valem tanto para casais heterossexuais ou pares do mesmo sexo, tendo em conta o bem daquele que é adotado e suas necessidades, que antecedem às dos que adotam”.

A adoção – acrescenta a nota – “consiste em criar entre duas pessoas uma relação de filiação, quer dizer, uma relação jurídica e socialmente semelhante à que existe entre um homem e uma mulher e seus filhos biológicos”.

“Tal semelhança coloca em evidência não só o alcance jurídico e social da adoção, mas também seus próprios limites: o que a natureza permite, mas também o que a natureza impede, constitui o marco jurídico da adoção. Não é a Igreja nem o Estado nem a sociedade quem nega aos homossexuais a possibilidade de adotar, mas a própria natureza das coisas”.

O interesse do menor “é a motivação e o fundamento da adoção como figura jurídica”. A adoção “só pode ser definida no âmbito das necessidades e do respeito por quem é adotado”.

Em resumo – afirmam os bispos –, “a adoção não é um direito dos que querem adotar, sejam eles homossexuais ou heterossexuais, e por isso não se pode falar de violação de um direito fundamental”.