segunda-feira, 27 de junho de 2011

É sempre tempo de missão.


Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

Somos um povo missionário! Impossível ser discípulo de Jesus sem viver a vida anunciando e proclamando a Boa Notícia da Salvação. A consciência da Missão Permanente ou Missão Continental cada vez mais nos questiona e alimenta nossa vida pastoral e evangelizadora. Tudo o que fazemos ou organizamos está dentro dessa perspectiva que Cristo deixou claro para nós, seus discípulos: Ide a anunciai!

Neste domingo, leremos no Evangelho a conclusão do chamado "discurso missionário" (Mt 10). Entre outras atitudes que temos nessa perícope, aqui Jesus dispõe o coração de seus discípulos para que assumam pelo menos duas atitudes importantes e necessárias para quem é convidado a anunciar o Reino: a vocação, com as suas exigências, e a missão como acolhida.

Esta é uma Palavra que é para todos os cristãos, pois todos somos missionários. Primeiro, a vocação deve ser vivida no amor. Jesus fala claramente do amor (v. 37) e da vida (v. 39). Está em jogo a escolha "por um amor maior." Amor aos familiares – legítimo e abençoado – vem observado e comparado com o amor por Jesus. Somente à luz desses dois valores (amor e vida) pode-se entender a prioridade ao Amor de Deus que, consequentemente, nos leva a amar de maneira correta os nossos familiares e a viver coerentemente a nossa vida. Somente na perspectiva do amor e da vida têm sentido as exigência da vocação para a missão com Jesus; somente por amor é possível fazer escolhas difíceis, que são incompreensíveis para aqueles que estão fora dessa lógica. Diante do bem supremo – que é sempre e somente Deus – é dado o devido peso também para os valores humanos importantes, tais como os laços familiares ou os interesses profissionais, reservando, no entanto, a Deus o primeiro lugar, a primeira escolha. Como pano de fundo deste texto, temos o primeiro mandamento da Lei de Deus: Amar a Deus sobre todas as coisas.

A linguagem de Jesus ("Tomar a sua cruz”, “perder a vida”) é escandalosa, parece absolutamente cruel, mas é a única palavra que livra das ilusões e que nos faz verdadeiramente encontrar a vida (v. 39); o caminho da cruz é o único que acaba na vida real: a ressurreição. Esta mensagem aplica-se tanto ao missionário que prega o Evangelho como àqueles aos quais ele anuncia. A essa radicalidade também convoca Paulo (Rm 6,3-4.8-11): pelo batismo somos chamados a "andar em uma vida nova" (v. 4), porque "já morremos com Cristo" e "viveremos com Ele" (v. 8.11).

A adesão a Jesus excede qualquer outro vínculo. A primazia de Jesus não é apenas estabelecida e reconhecida em palavras, mas, concretamente, no seguinte: "Quem não toma a sua cruz e me segue, não é digno de mim." O caminho da Cruz é uma nova maneira de ver as coisas e de agir, avaliar e escolher: o caminho da cruz é o caminho da auto-doação, solidariedade e renúncia a fazer de si mesmo o centro em torno do qual tudo deve girar. Mas sem medo: esta lógica, tão diferente da habitual, não gera a morte, mas dá a vida: "Quem perde sua vida por minha causa vai encontrá-la." Nenhuma dualidade, nenhuma maneira antropológica ou escatológica de entender essa afirmação. Não se trata de perder a vida "material para o benefício daquela "espiritual", nem se trata apenas de perder a vida neste mundo para encontrá-la no outro. É, antes, uma vida que atinge o homem, aqui e ali: uma maneira de viver melhor no mundo, uma vida boa, que é forte o suficiente para superar até mesmo a morte.

O segundo grande tema missionário deste domingo é a acolhida. É exemplar a hospitalidade que a mulher de Sunam e seu marido oferecem ao profeta Eliseu, mas é também a gratidão deste "homem de Deus" para com o casal estéril. Após ter consultado seu servo Giezi, Eliseu profetiza que em breve terão um filho (2Rs 4,8-11.14-16a). Trata-se de gestos de hospitalidade mútua, oferecidos em gratuidade. No Evangelho deste final de semana, Jesus elogia o gesto simples, de forma gratuita, "quem dá mesmo um copo de água fria" (Mateus 10, 42). Note o detalhe da água fria, particularmente agradável em países quentes. A missão como acolhida, vivida seja pelo missionário seja pelo povo com quem ele trabalha, tem seu fundamento na identidade que Jesus estabelece entre Ele e os seus: "Quem vos recebe, recebe a mim" (v. 40), palavras que ecoam no juízo final: "Eu estava com sede e me destes de beber" (Mateus 25, 35).

Evangelizar é entregar a vida, acolher é evangelizar, é também ir ao encontro do outro. É experimentar a verdadeira vida e proclamá-la aos irmãos e irmãs.

Abre-se aqui todo um capítulo da cooperação missionária para as obras de evangelização no mundo inteiro, que é um direito-dever de todo batizado, ainda de acordo com as formas válidas da oração, sacrifício, oferta em dinheiro ou gêneros, como também em novas formas, tais como: a informação e formação missionária do Povo de Deus, visitas às jovens comunidades cristãs, acolhida, diálogo e anúncio do Evangelho aos imigrantes (legais ou ilegais), refugiados e outros; compromisso dos líderes da política, economia, cultura, comunicação social pela construção de um mundo mais justo, fraterno, solidário na distribuição, intercâmbio e gestão dos recursos humanos e materiais, realmente para o benefício de todos no mundo, com especial atenção para os fracos e necessitados.

Desde a V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho fomos chamados a recomeçar de Cristo e, com a nossa vida em comunidade, sermos sempre mais discípulos-missionários, levando adiante essa missão permanente em todo o nosso continente. Este domingo será uma boa ocasião de nos examinarmos para descobrir como andamos nessa direção missionária.

Que o nosso coração abrasado pela experiência cristã nos conduza com entusiasmo a uma vida intensa, testemunhando Jesus Cristo Ressuscitado a tantas pessoas que, sedentas, buscam o encontro com Cristo – Caminho, Verdade e Vida.

Eucaristia é antídoto contra individualismo.


Eucaristia é antídoto contra individualismo

Afirma Bento XVI no Ângelus de hoje

CIDADE DO VATICANO, domingo, 26 de junho de 2011 (ZENIT.org) - Sem a Eucaristia, a Igreja não existiria, sublinhou hoje o Papa Bento XVI, ao introduzir a oração do Ângelus com os peregrinos presentes na Praça de São Pedro.

O Santo Padre recordou que, ainda que o Vaticano tenha celebrado o Corpus Christi na última quinta-feira, mantendo a tradição secular, esta festa é celebrada hoje em muitos países – entre eles a própria Itália –, por motivos pastorais.

Por isso, ele quis voltar a falar sobre o significado desta “festa da Eucaristia”, a qual “constitui o tesouro mais precioso da Igreja”.

“A Eucaristia é como o coração pulsante que dá vida a todo o corpo místico da Igreja: um organismo social baseado inteiramente no vínculo espiritual, mas concreto, com Cristo”, afirmou, insistindo em que, “sem a Eucaristia, a Igreja simplesmente não existiria”.

“A Eucaristia é, de fato, o que torna uma comunidade humana um mistério de comunhão, capaz de levar Deus ao mundo e o mundo a Deus.”

“O Espírito Santo transforma o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo; também transforma todos os que o recebem com fé em membros do Corpo de Cristo, para que a Igreja seja verdadeiramente um sacramento de unidade dos homens com Deus e entre eles”, acrescentou.

O Papa afirmou aos presentes que, “em uma cultura cada vez mais individualista, como aquela em que estamos imersos nas sociedades ocidentais, e que tende a se espalhar por todo o mundo, a Eucaristia é uma espécie de ‘antídoto’".

O vazio produzido pela falsa liberdade pode ser muito perigoso, disse, e, diante disso, “a comunhão com o Corpo de Cristo é o remédio da inteligência e da vontade, para redescobrir o gosto da verdade e do bem comum”.

A Eucaristia “age nas mentes e nos corações dos crentes e que semeia de forma contínua neles a lógica da comunhão, do serviço, da partilha, em suma, a lógica do Evangelho”.

O novo estilo de vida que as primeiras comunidades já mostravam, vivendo em fraternidade e partilhando seus bens, para que ninguém fosse indigente, brotava “da Eucaristia, isto é, de Cristo ressuscitado, realmente presente entre os seus discípulos e operante com a força do Espírito Santo”.

“Também as gerações seguintes, através dos séculos, a Igreja, apesar dos seus limites e erros humanos, continuou sendo no mundo uma força de comunhão”, acrescentou.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Belém dos meus encantos".


Belém dos meus encantos.

Lá vem Belém,
moreninha brasileira,
com perfume de mangueira,
vestidinha de folhagem.
E vem que vem,
ligeirinha, bem faceira,
como chuva passageira
refrescando a paisagem.

Lá vem Belém,
com suas lendas, seus encantos,
seus feitiços, seus quebrantos,
seus casos de assombração.
E vem que vem,
com seu cheirinho de mato,
com botos, cobra Norato,
com rezas, defumação.

Lá vem Belém,
recendente, feiticeira,
no seu traje de roceira,
na noite de São João.
E vem que vem,
com seus banhos de panela,
alecrim, jasmim, canela,
hortelã, manjericão.

Lá vem Belém,
a Belém dos meus encantos,
dos terreiros, Mães de Santo,
das crendices, do pajé.
E vem que vem,
com sobrados de azulejo,
vigilengas, Ver-o-Peso,
na enchente da maré.

Lá vem Belém.
No dia da Trasladação
vela acesa, pé no chão,
sempre firme em sua fé.
E vem que vem,
o povo implorando graça,
sempre que a Berlinda passa
com a Virgem de Nazaré.

Lá vem Belém,
junto de Nossa Senhora,
dia do Círio ela implora
saúde, paz e dinheiro.
E vem que vem
o povão, o povo inteiro
porque Deus é brasileiro
e Jesus nasceu em Belém.

Sylvia Helena Tocantins
Escritora e membro da Academia Paraense de Letras.

A poesia “Belém dos meus Encantos” foi musicada pelo compositor paraense Edyr Proença. Recebeu a Medalha “E. D’Almeida Vitor” no VI Concurso Nacional de Poesia realizado em Brasília em 1985.

De presídio a polo joalheiro (São José Liberto), riqueza de Belém.


São José Liberto

O velho presídio agora é São José Liberto. Abriga o Museu de Gemas do Pará, o Pólo Joalheiro e a Casa do Artesão. O local, inaugurado em outubro de 2002, pelo então governador Almir Gabriel, está se tornando referência para o mercado joalheiro paraense por conta das jóias em ouro e gemas produzidas pelo talento dos ourives e designers paraenses. No local, o artesanato e as cerâmicas marajoara e tapajônica também ganharam espaço.

O prédio do antigo presídio levou quase dois anos para ser totalmente reformado, representando um investimento de R$ 8 milhões. A inauguração do Pólo Joalheiro também representa um novo estágio no processo de verticalização mineral do Estado que detém mais de 50% das reservas minerárias brasileiras, sendo o ouro um dos principais produtos explorados e comercializados em todo o país.

O Complexo foi inaugurado em plena semana do Círio de Nazaré. O objetivo foi homenagear os turistas, em especial os paraenses, que estão em Belém motivados pela energia positiva da maior festa religiosa do país. O antigo presídio foi palco de muitas rebeliões e sofrimentos.

A solenidade de inauguração reuniu autoridades, políticos, operários e artistas como a cantora Fafá de Belém. Além do padre Ronaldo Menezes que abençoou a obra e o artesão paraense Levy Cardoso que falou em nome da classe. O Complexo São José Liberto despertou nos artistas o sonho e a perspectiva de um futuro promissor para a carreira e para a comercialização de suas peças.

Museu de Gemas do Pará reúne peças com até 500 milhões de anos

O Museu de Gemas do Pará, instalado juntamente com a Oficina de Jóias e Casa do Artesão, no São José Liberto, reúne mostras com até 500 milhões de anos, como uma gigantesca pedra composta por pegmatito e quartzo com Turmalina, procedente do Vale do rio Tocantins, no sudeste do Pará.

O acervo do Museu conduz o visitante a um passeio pela beleza e brilho das ametistas, quartzos, turmalinas, diamantes, procedentes de várias regiões do estado do Pará e Rondônia. Todas as pedras estão em estado bruto. O Museu também conta a história desses minérios, regiões de origem e como o homem costuma utilizá-lo nas mais variadas formas e funções.

As peças da coleção do Museu de Gemas do Pará podem ser encontradas nas mais variadas pedras e tamanhos que chamam a atenção do público pelo simbolismo de um passado recheado de história dos antigos povos indígenas. No museu também é possível encontrar pontas de flechas confeccionadas em quartzo; calendários utilizados pela civilização Tapajó Konduri, originária na região dos rios Trombetas e Curuá, na região Norte do Pará.

A coleção do Museu de Gemas dedicou um capítulo especial ao muiraquitã. Encontrado em forma batraquial e cilíndrica, o muiraquitã é considerado um amuleto de proteção da atividade de caça e pesca pela Cultura Marajoara.

Os diamantes do estado de Rondônia também estão no acervo do Museu, que reúne ainda mostras das centenárias cerâmicas marajoara e tapajônica. Por causa da importância histórica e do valor de mercado das peças, o Museu só permitirá visitas monitoradas em horários pré-estabelecidos pela direção.

O antigo presídio São José tem 250 anos de história. A primeira função do prédio foi de convento construído pelos missionários Franciscanos da Província de Nossa Senhora da Piedade, sob a invocação de São José, em 1749. O edifício fora construído num terreno herdado pelo 13º capitão-mor do Pará, Hilário de Souza Azevedo.

Mas logo os frades seriam expulsos, por ordem do Marquês de Pombal, em 1758. O convento foi ocupado pelo governo, que transformou o local em depósito de pólvora, depois em quartel, em seguida abrigou uma olaria, um hospital e, em 1843, virou cadeia pública.

Dessa fase em diante, o local entrou para a história como prisão e fim de vida para dezenas de pessoas condenadas à morte. No São José também existia o "oratório", onde os presos passavam seus últimos momentos de vida antes do cumprimento da sentença de morte. Além dos homens e mulheres infratores condenados, o velho presídio também recebia os escravos, mandados por seus senhores para serem açoitados.

Na história recente do presídio também não faltaram episódios como as constantes rebeliões. Mesmo com a desativação do presídio em 2000, pelo governador Almir Gabriel, o carma do sofrimento continuou habitando o local. Durante as obras de reformas, o secretário de Cultura Paulo Chaves Fernandes disse ter sentido o "peso do negativismo" e do sofrimento retratado nas ínfimas celas que abrigavam dezenas de presos. "Mas atrás das agruras existia a liberdade, pois em muitas celas encontramos pinturas com motivos de pássaros e montanhas que representavam a liberdade daquelas almas condenadas", lembrou, emocionado.

A primeira reforma do prédio tinha ocorrido em 1894, por ordem do então governador Lauro Sodré. Houve ainda outras duas reformas, ocorridas em 1926 e em 1943. Esta última foi no governo de Magalhães Barata, com o início de obras para adaptação de estrutura e um conceito de sistema penitenciário. Entre os anos 50 e 60, recebeu a denominação de presídio São José, com novas mudanças nas instalações físicas.

Em 2000, o governador Almir Gabriel autorizou a desativação total do presídio, transferindo os presos para um novo presídio, construído no município de Marituba. Parcialmente restaurado e reciclado ganhou a carinhosa e poética denominação de "São José Liberto", abandonando definitivamente a imagem negativa, e dando espaço à luz, cores, brilho, trabalho, pesquisa, além de estimular a cultura e a fabricação de jóias, artesanato e a cerâmica do estado do Pará.

Museu Paraense Emílio Goeldi (Parque Zoobotânico).


O Museu Paraense Emílio Goeldi é a mais antiga instituição pesquisa na região amazônica, localizado em Belém, capital do estado do Pará (Brasil), cujas atividades se concentram no estudo científico dos sistemas naturais e culturais da Amazônia, assim como na difusão de conhecimentos e coleções relacionadas à região. É reconhecido mundialmente como uma das mais importantes instituições de investigação científica sobre a Amazônia brasileira.

O Século XIX foi o auge das expedições naturalistas à Amazônia. Desde os primeiros anos, acorreram à região viajantes ingleses, alemães, franceses, italianos, estadunidenses e russos. A abertura dos portos em 1808, tornou o Brasil mais acessível aos viajantes naturalistas e artistas que vieram com grande entusiasmo para estudar e retratar a natureza amazônica.

Em 25 de março de 1871, o governo do Estado do Pará instalou, oficialmente, o Museu Paraense [1], sendo Domingos Soares Ferreira Penna designado seu primeiro diretor. Mas sua instalação foi precária. Faltava pessoal e apoio para as pesquisas. As coleções existentes acabaram se perdendo pelas más condições de conservação. A produção científica praticamente se resumiu aos próprios trabalhos de Ferreira Penna, sobre Geografia, Arqueologia e outros assuntos. Com a morte do naturalista, nos primeiros dias de 1889, o Museus ficou acéfalo e acabou sendo fechado.

Na segunda metade daquele século, o enriquecimento da região, trazido pela exportação da borracha, propiciou a formação de uma "classe ilustrada", em Belém, responsável por um movimento cultural que deixou marcas, até hoje visíveis, na cidade. A criação de associações culturais, jornais e partidos políticos; a frequente visita de naturalistas, artistas e aventureiros; o embelezamento e urbanização da cidade, fizeram de Belém a "Metrópole da Amazônia".

Três ilustres republicanos foram responsáveis pela reabertura e reforma do Museu Paraense: Justo Chermont (o primeiro governador republicano), José Veríssimo (diretor da Instrução Pública e mentor da recuperação do museu, iniciada em 1891) e Lauro Sodré (governador a partir de 1893).

Influenciados pelo Positivismo (corrente filosófica que valorizava o saber como fato útil, prático e verdadeiro), esses homens perceberam a importância que o Museu Paraense - obra bastarda da Monarquia - poderia ter.

Em 1893, o governador Lauro Sodré mandou vir do Rio de Janeiro o naturalista suiço, Emílio Goeldi (Émil August Goeldi), demitido do Museu Nacional por questões políticas, após a Proclamação da República.

O zoólogo assumiu a direção do Museu com a missão de transformá-lo em um grande centro de pesquisa sobre a região amazônica. Sua estrutura foi modificada para enquadrá-lo às normas tradicionais de museus de história natural, e foi contratada uma produtiva equipe de cientistas e técnicos. Em 1895, criava-se o Parque Zoobotânico, mostra da fauna e flora regionais para educação e lazer da população. Em 1896, começou a publicação do Boletim Científico, com boa repercussão.

Grande parte da Amazônia foi visitada, realizando-se intensivas coletas para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas. Goeldi contratou o excelente pintor e profundo conhecedor do ambiente amazônico, Ernesto Lohse, que ilustrou o livro “Álbum de Aves Amazônicas”, com sublimes pranchas. (Lohse viria a ser morto, durante a Revolução de 1930, à porta do Museu).

Na virada do século, o Brasil consolidava suas fronteiras. Nessa ocasião, os limites entre Brasil e França, no norte do Pará, estavam sendo questionados por ambos os países. As pesquisas que o Museu Paraense iniciava na região, levantando dados sobre a geologia, a geografia, a fauna, a flora, a arqueologia e a população, foram decisivas para municiar a defesa dos interesses brasileiros, representados pelo Barão do Rio Branco. Em 1º de dezembro de 1900, pelo laudo de Berna, na Suíça, sede do julgamento internacional, o Amapá seria definitivamente incorporado ao território do Brasil. Em homenagem a Emílio Goeldi, o governador Paes de Carvalho alterou a denominação do Museu Paraense, que passou a se chamar Museu Goeldi

Desde 1850, a Febre Amarela causava muitas mortes em Belém. Dentre suas vítimas, incluiram-se dois pesquisadores recém-chegados da Europa para trabalhar na Seção de Geologia do Museu Paraense. Emílio Goeldi decidiu, então, incorporar-se à luta contra a doença, procurando identificar as principais espécies de mosquitos da Amazônia, bem como o ciclo reprodutivo desses insetos. As pesquisas intensificaram-se a partir de 1902, quando Goeldi publicou, no Diário Oficial, um trabalho sobre profilaxia e combate à Febre Amarela, Malária e Filariose, antecedendo as recomendações que o médico Oswaldo Cruz faria quando esteve em Belém, em 1910.

Durante a gestão Goeldi, o Museu ganhou respeito internacional. Foram desenvolvidas pesquisas geográficas, geológicas, climatológicas, agrícolas, faunísticas, florísticas, arqueológicas, etnológicas e museológicas. O papel educacional do Museu foi reforçado com o parque zoobotânico, publicações, conferências e exposições.

Em 1907, após 13 anos de atividades incessantes em Belém, Emílio Goeldi retirou-se, doente, para a Suíça, onde veio a falecer em 1917, aos 58 anos. Seu conterrâneo, o botânico Jacques Huber, assumiu a direção do Museu Goeldi.

A Revolução de 1930 e o período posterior, marcado pela ditadura de Getúlio Vargas, foi o início da transformação pela qual o Estado brasileiro passaria. As velhas oligarquias agrárias estavam sendo substituídas por uma nova classe, representante do poder industrial. No Pará, o interventor Joaquim de Magalhães Barata nomeou o pernambucano Carlos Estevão de Oliveira para a direção do Museu Goeldi. De acordo com a ideologia do novo regime, caracterizada pelo populismo e pelo nacionalismo, foram recuperadas as dependências do Parque Zoobotânico (principal área de lazer da população), e alterou-se novamente o nome da instituição, para Museu Paraense Emílio Goeldi.

A partir de 1931, investimentos regulares na ampliação e equipagem do Parque Zoobotânico o tornaram reconhecido nacionalmente. Chegou a abrigar 2.000 exemplares de animais vertebrados, de centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas. Esse crescimento foi possível graças à subvenção que o Governo Estadual impôs às prefeituras do interior, obrigando-as a remeter mensalmente animais e parte de sua arrecadação ao Museu Goeldi. Muitas espécies foram reproduzidas em cativeiro com sucesso, em especial répteis e peixes. Somente nos três primeiros anos de coletas sistemáticas, foram descritas cinco novas espécies de peixes, inclusive um gênero novo.

No início dos anos 50, durante o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, o Museu foi vinculado ao recém-criado Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), instalado em Manaus, capital do estado do Amazonas. No dia 7 de dezembro de 1954, José Olympio da Fonseca, diretor do INPA, firmou com o governador do Pará, General Zacarias de Assunção, um Termo de Acordo pelo qual o Museu Goeldi seria administrado e recuperado pelo INPA, durante 20 anos. Com essa medida, o Museu Goeldi pôde, mesmo com dificuldades, intensificar suas pesquisas científicas.

Na década de 1970, a limitação do espaço do Parque Zoobotânico, impedia o crescimento do Museu Goeldi. Esse foi o principal motivo para a instalação de um campus de pesquisa, na periferia da cidade, para onde viriam a ser transferidos, os departamentos de pesquisa, biblioteca e administração. A transferência ainda não está completa, mas o Campus de Pesquisa já é o local principal da realização dos experimentos científicos e da guarda das coleções do Museu. O Parque Zoobotânico permanece como uma mostra viva da natureza amazônica e ponto de referência para o programa de educação científica do Museu Goeldi.

Atualmente, o Museu possui três bases físicas. A mais antiga foi instalada em 1895 numa área de 5,2 ha, atualmente conhecida como Parque Zoobotânico. Localizado no centro urbano de Belém, nele se encontram a Diretoria, as Coordenações de Administração e Museologia, a Assessoria de Comunicação Social e a Editora do Museu. O Parque é, atualmente, uma das principais áreas de lazer da população de Belém, além de ser utilizado como instrumento de educação ambiental e científica. Possui cerca de 2.000 árvores nativas da região, como samaúma, acapu e cedro, e 600 animais, muitos deles ameaçados de extinção, como o peixe-boi, a arara-azul, o pirarucu e a onça pintada. Possui, ainda, um aquário com uma mostra de peixes e ambientes aquáticos amazônicos. Além disso, mantém uma exposição permanente sobre a obra de Emílio Goeldi e as primeiras coleções formadas pelo naturalista. O Parque recebe mais de 400 mil visitantes anualmente, entre moradores de Belém e turistas.

Em 1980, inaugurou-se, nas imediações da cidade, um Campus de Pesquisa com 12 ha, para onde foram transferidas as coordenações científicas (Botânica, Zoologia, Ciências Humanas, Ciências da Terra e Ecologia), a Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, o Arquivo Guilherme de La Penha, o Horto Botânico Jacques Huber e vários laboratórios institucionais.

A mais recente base física, a Estação Científica Ferreira Penna (ECFP), foi inaugurada em 1993, em 33.000 ha da Floresta Nacional de Caxiuanã, Município de Melgaço, a aproximadamente 400 km de Belém . A área foi cedida pelo IBAMA e a base foi construída com recursos da Overseas Development Administration (ODA), atual DFID/Reino Unido). A ECFP destina-se à execução de programas de pesquisa e ações de desenvolvimento comunitário nas diversas áreas do conhecimento (há aproximadamente 200 famílias vivendo no interior da floresta e arredores), possuindo excelente infra-estrutura para o desenvolvimento de pesquisas em ambientes de floresta primária, sendo muito visitada por cientistas de instituições nacionais e estrangeiras.

Desde o ano 2000, o Museu Paraense Emílio Goeldi saiu do âmbito do CNPq, ficando subordinado, diretamente, ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil.

Forte do Castelo, riqueza de Belém.


O Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém localiza-se na baía do Guajará, na ponta de Maúri, à margem direita da foz do rio Guamá, dominando a entrada do porto e o canal de navegação que costeia a ilha das Onças, atual cidade de Belém, no estado do Pará, no Brasil.

Após a conquista de São Luís do Maranhão, em Novembro de 1615, por determinação do Capitão-mor da Conquista do Maranhão, Alexandre de Moura, o Capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, Francisco Caldeira de Castelo Branco, partiu daquela cidade para a conquista da boca do rio Amazonas, a 25 de dezembro de 1615, com o título de "Descobridor e Primeiro Conquistador do Rio das Amazonas" (BARRETTO, 1958:33-34).

Com três embarcações - o patacho Santa Maria da Candelária, o caravelão Santa Maria das Graças, e a lancha grande Assunção -, e menos de duzentos homens, a expedição atingiu a baía de Guajará em 12 de janeiro de 1616 levantado, num pequeno promontório de terra à margem esquerda do igarapé Piri, um forte de faxina e terra, com alojamentos cobertos de palha, artilhado com doze peças. Batizado de Forte do Presépio de Belém, núcleo do povoado de Nossa Senhora de Belém, destinava-se a conter eventuais agressões dos indígenas e quaisquer ataques dos corsários ingleses e neerlandeses que freqüentavam a região.

No contexto do levante dos Tupinambás (1617-1621), a povoação e o forte foram atacados pelas forças do chefe Guaimiaba (em língua tupi, "cabelo de velha"), que pereceu em combate (1619). Danificada, essa primitiva fortificação foi substituída por outra mais sólida, de taipa de pilão e esta, por sua vez, em 1621, por uma terceira.

A nova fortificação foi erguida com um baluarte artilhado com quatro peças, um torreão e alojamento para sessenta praças, sendo batizada como Forte Castelo do Senhor Santo Cristo, ou simplesmente Forte do Santo Cristo (BARRETTO, 1958:35-39). De acordo com Jorge Hurley, o seu construtor foi Bento Maciel Parente. (OLIVEIRA, 1968:742)

Arruinada pelos combates e pelo clima, sofreu reparos em 1632 e 1712. O Provedor da Fazenda Real no Pará, Francisco Galvão da Fonseca, por carta de 20 de maio de 1720 comunicou ao soberano que a fortificação encontrava-se completamente arruinada. A Carta-régia de 30 de maio de 1721 autorizou os seus reparos e de outras fortificações da região, sendo contratado para tal, em Lisboa, o pedreiro Francisco Martins, com um salário de 800 réis por dia. Poucos anos mais tarde, em 1728, o Sargento-mor Engenheiro Carlos Varjão Rolim, foi trazido de São Luiz do Maranhão para dirigir os trabalhos de reconstrução do forte. Por uma planta de sua autoria, datada de 1740, sabemos que possuía "Porta e tranzito, Corpo da Guarda, caza que serve de prisão, armazém, baluarte e praça baixa." (OLIVEIRA, 1968:742)

Novos reparos foram efetuados em 1759 e em 1773 (GARRIDO, 1940:30-31; BARRETTO, 1958:39-40).

À época da Independência do Brasil, o forte foi reedificado, para ser desativado no Período Regencial pelo Aviso Ministerial de 24 de dezembro de 1832, que extinguiu os Comandos dos Fortes, Fortins e pontos fortificados, desarmando-os.[1] No ano seguinte, passou a ser denominado de Castelo de São Jorge, ou simplesmente Forte do Castelo, como até hoje é denominado (BARRETTO, 1958:40).

No contexto da Cabanagem (1835-1840) o forte foi utilizado como quartel-general pelos revoltosos, ficando quase em ruínas durante a troca de tiros com a armada do inglês John Taylor, contratado pela Regência para dar fim à insurreição.

O forte foi reparado e rearmado a partir de 1850 durante o governo de Jerônimo Francisco Coelho, Presidente da Província do Pará, quando o seu recinto interior foi objeto de limpeza e ganhou novos quartéis para tropa, Casa do Comandante, ponte sobre o fosso, portão e uma muralha de cantaria pelo lado do rio Guamá. Em 1868 ainda estavam em progresso obras complementares, estando a praça artilhada com vinte e sete peças: dois canhões Parrot, calibre 100 mm, dois canhões raiados Withworth calibre 70 mm (90 mm?), quatro obuses Paixhans calibre 80 (canhões Paixhans calibre 90 mm?), e dezenove antigos canhões antecarga de alma lisa: doze de calibre 24, dois de 18 e cinco de 9.[2]

Foi novamente desarmada, pelo Aviso Ministerial de 12 de dezembro de 1876 (10 de novembro de 1876 cf. SOUZA, 1885:67), passando a abrigar o Arsenal de Guerra (GARRIDO, 1940:31), antigo Trem de Guerra, até então alojado no Convento dos Mercedários, e depois no edifício da Enfermaria Militar, que ficava ao lado do forte. (OLIVEIRA, 1968:742)
[editar] O século XX

As dependências do forte foram utilizadas para diversas finalidades, tais como depósito de armamentos, munições ou outros materiais. No contexto da Segunda Guerra Mundial, serviu de quartel para uma bateria de Artilharia. (OLIVEIRA, 1968:742)

Na década de 1950 as suas dependências abrigavam diversos serviços da 8ª Região Militar. Encontra-se tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1962. Completamente descaracterizado, o monumento sofreu diversas intervenções no passado, entre as quais várias modificações para abrigar a sede social do Círculo Militar de Belém, que mantém no local um restaurante, um bar, depósitos e um salão de festas. Em 1978, tentou-se negociar a retirada do Círculo Militar e seu restaurante, para uma intervenção de restauração no imóvel. Em 1980, com as muralhas parcialmente destruídas, a edificação passou por obras de emergência para garantir a estabilidade do conjunto remanescente. Sob responsabilidade do Ministério da Defesa, a partir de 1983, com recursos da Fundação Pró-Memória, o IPHAN realizou obras de conservação e restauração no forte, um dos mais procurados pontos turísticos da cidade, por sua localização privilegiada e seu sentido histórico, integrando o complexo histórico e religioso da cidade velha em Belém.

Atualmente, nas instalações do Forte do Presépio, o Museu do Encontro conta um pouco do início da colonização portuguesa na Amazônia. Exibe também peças de cerâmica marajoara e objetos indígenas. No interior de suas muralhas ficam expostos antigos canhões e munição.

Museus em Belém.


O Renascimento dos Museus no Norte do País.

A cidade de Belém do Pará sempre foi conhecida pelos seus grandes contrastes e intenso exotismo. Infelizmente porém, tais características são ainda desconhecidas pela maior parte da população do país. Este desconhecimento se deve, em grande parte, ao crescimento do Brasil em direção especialmente à Região Sudeste, que se tornou o maior pólo socioeconômico-político e religioso da cultura nacional, seguida de perto pelas Regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.

Quando se pensa em museus da Região Norte, naturalmente, e com razão, pensa-se numa das principais e mais antigas instituições museais do país: o afamado Museu Paraense Emílio Goeldi, fundado na capital da antiga província do Grão Pará em outubro de 1866, e detentor do título de primeira instituição dedicada à Ciência na Amazônia e que é, ainda hoje, referência no Brasil e no mundo devido ao acervo que possui, constituído de variadas e raras espécies vivas e em reprodução tanto da área de Botânica quanto da de Zoologia. Por outro lado porém, este parece ser o único Espaço Museológico conhecido e comentado por interessados e/ou profissionais do assunto, ficando a capital do Pará conhecida por ser a cidade de um só museu. Ledo engano.

Belém possui uma quantidade considerável de instituições museais importantes para o estudo dos museus e da Museologia e que, a exemplo de muitas outras instituições em outras regiões do país, sofreram e sofrem altos e baixos, conseqüência de más administrações, politicagem, desinteresse e incompetência de toda ordem, mas que se mantêm em pé por puro milagre.

Entre fins da década de 80 e início da década de 90, deu-se a boa notícia relativa à criação de dois espaços museais dos mais importantes para a história do Pará: os Museus de Arte de Belém e do Estado do Pará, locados nos respectivos Palácios Antônio Lemos, de 1885, e Lauro Sodré, de 1762–1771. A medida tomada pelo Governo na época, salvou da quase iminente ruína prédios que fizeram a história da região e que, hoje, compõem a malha patrimonial da cidade, tornando-a referência museológica quase obrigatória no norte do Brasil.

Dentro porém, de um período de quatro anos, deu-se uma nova estagnação: a cidade, detentora de um conjunto singular de prédios históricos, residências de época, logradouros públicos e igrejas, esperava, muda, por reformas. A região central era a mais comprometida, apesar de despontar, como única exceção, os Museus de Arte de Belém e do Estado do Pará, localizados também nos bairros centrais.

A grande virada ocorreu com o início do Projeto Feliz Lusitânia, encabeçado pelo Secretário Executivo da Cultura e amante confesso da cidade, o arquiteto Paulo Chaves. Este projeto, que representa a Revitalização Urbana do Núcleo Histórico da Cidade de Belém, já está concluído em sua maior parte. Compõe-se de três etapas: a) a criação do Museu de Arte Sacra do Pará, junto à revitalização da Igreja de Santo Alexandre e do Arcebispado, onde fica parte do Museu; b) a desapropriação, a restauração e a readaptação do casario colonial anexo à Igreja de Santo Alexandre, e que está em fase de conclusão; c) a restauração do Forte do Castelo – marco da fundação da cidade – e a restauração e a readaptação do antigo Hospital Militar, hoje transformado em Espaço Cultural – a Casa das Onze Janelas -, com um investimento orçado em R$18 milhões (dezoito milhões de reais). O Projeto também prevê a restauração da Catedral Metropolitana de Belém, próxima a todo o conjunto.

<< O MUSEU DE ARTE SACRA DO PARÁ >>

Cumprindo a primeira fase do Projeto, a capital do Pará conta hoje com o funcionamento do MAS. Localizado em um complexo que compreende a Igreja de Santo Alexandre e o Arcebispado de Belém - ambos datados do final do século XVIII -, o Museu foi criado no interior deste conjunto em 1998, com um acervo de 320 peças sacras, das quais 253 em exposição, provindas das coleções da própria Igreja e do Arcebispado, bem como da coleção de Abelardo Santos, composta de 200 peças adquiridas para integrar o conjunto quando da abertura do referido espaço. Em sua área térrea, o local apresenta também a Galeria Fidanza, um café e a boutique Empório das Artes. No primeiro pavimento estão localizadas as salas e corredores onde se encontram depositadas obras sacras bidimensionais e tridimensionais, enquanto que o segundo pavimento se destina ao Auditório, à Biblioteca, ao Laboratório de Restauro e à Reserva Técnica. A administração do espaço está localizada no sótão.

Com relação à Igreja, é interessante citar que esta não perdeu a sua função religiosa, ao contrário: ganhou amplitude de uso pois, atualmente, em seu interior, são apresentados concertos, lançamentos de livros etc.

A museografia foi composta de forma muito especial e cuidada: assina a iluminação o light e designer francês Jean François Hocquard, realizada toda em fibra ótica. Os espaços internos contam com vitrinas especiais feitas com o intuito de ressaltar os objetos, sem prejuízo porém, do que nelas está exposto, efeito que causa grande admiração do público. Todo o empreendimento foi orçado em R$ 9.537.341,60.

No bairro da cidade velha, próximo ao Museu de Arte Sacra, está o conjunto atualmente sob restauro composto do Forte do Castelo e do Palacete das Onze Janelas, que representam a execução da terceira fase do Projeto Feliz Lusitânia.

<< O FORTE DO CASTELO >>

O Forte do Castelo constitui um marco da fundação da cidade, tendo surgido em pleno século XVII, no mesmo ano em que a cidade foi fundada. Construído primeiramente de madeira e palha, era denominado Forte do Presépio, em alusão à partida da Frota de Castelo Branco do Maranhão em 25 de dezembro de 1615. Com o decorrer dos anos e após sucessivas modificações, o Forte foi tombado pala União em 1962.

Em 2002, através do Comando da 8a. Região Militar, o Governo do Estado do Pará e o Ministério do Exército formalizaram o contrato de alienação das áreas do Forte e do Palacete das Onze Janelas, que ficava próximo àquele, a partir de então sob a responsabilidade da Secretaria da Cultura, que deveria efetivar a transformação de ambas as áreas em futuros espaços culturais.

No Forte do Castelo encontra-se o Museu do Forte do Castelo de São Jorge (Cidade de Belém, símbolo e memória 1616–1912), que foi criado com o intuito de focar a colonização da Amazônia. Com as primeiras prospecções arqueológicas do terreno, o Museu já conta com uma infinidade de fragmentos de artefatos, como um cachimbo; uma espécie de escova de dente em terracota utilizada por índios; uma moeda de ouro da época do Brasil Colonial, de 1792, cunhada no reinado de D. José I, dentre muitos outros.

Foram retiradas várias partes de construções que, ao longo dos anos, descaracterizaram as instalações originais, procurando-se manter aquelas consideradas pertinentes ao aspecto geral do conjunto. Junto às pesquisas e às prospecções arqueológicas no local, foram encontradas também marcas da antiga Capela do Santo Cristo - datada do período de 1621 e 1626 -, entre o fosso do Forte e o ângulo setentrional do prédio.

O Museu cuidará de apresentar duas mostras de longa duração: na área interna, serão apresentados núcleos temáticos relativos à arqueologia brasileira e amazônica, à arqueologia urbana, à fundação da cidade, e ao próprio Forte, como núcleo fundador da cidade até 1962. Na área externa ficarão à disposição os materiais de artilharia do Forte, hoje completamente restaurados, e o mirante, próximo à Baía do Guajará, local de contemplação para a população e para o turismo em geral.

<< A CASA DAS ONZE JANELAS >>

O local é um dos poucos remanescentes em Belém pertencentes ao século XVIII que, junto ao Forte do Castelo e ao atual Museu de Arte Sacra, compõe o núcleo inaugural da cidade.

O palacete foi reformado ainda no séc. XVIII pelo arquiteto italiano Antônio Giuseppe Landi, que morou, casou-se e faleceu na capital. Posteriormente, o prédio foi adaptado pelo arquiteto Athaide Teive para servir de residência ao Governador. Com o passar dos séculos, também foi usado como hospital militar, sede da Guarda e depósito de materiais do Exército.

Hoje, após o completo restauro, sedia o primeiro Museu de Arte Contemporânea do norte do Brasil, com um acervo estimado em mais de 300 peças adquiridas pela FUNARTE, vindas também do Museu do Estado e de doações feitas pelo Banco Central, sempre com ênfase nas décadas de 70 e 80.

O Museu conta também com uma completa museografia, com enfoque na iluminação, fama já conquistada pelo MAS de Belém.

Junto ao Forte e ao Museu de Arte Sacra, a Casa das Onze Janelas irá recompor , para a população, o núcleo urbano mais primitivo da antiga Santa Maria de Belém do Grão Pará e integrará, com grande eficiência, a paisagem do local à história, ao lazer e à cultura.

<< ESPAÇO CULTURAL SÃO JOSÉ LIBERTO >>

Dando seqüência à revitalização dos espaços da cidade, conta-se finalmente com a restauração, re-adequação e abertura do Espaço Cultural São José Liberto.

O antigo presídio São José é uma construção datada do século XVIII, realizada pelos franciscanos da província de Nossa Senhora da Piedade, sob invocação de São José, em 1749, em terreno herdado do 13º Capitão-Mor do Pará, Hilário de Souza Azevedo, com a intenção de tornar-se um convento. Com a expulsão da Ordem pelo Marquês de Pombal em 1758, a construção passou a pertencer ao Governo, abrigando uma olaria, um hospital e, finalmente, em 1843, a cadeia pública, exercendo esta função até o ano de 2000, data de sua inauguração como Espaço Cultural.

O investimento foi orçado em torno de R$8 milhões, pagos pelo Governo do Estado, que pretendeu transformar o antigo presídio em um local que primasse pelo lazer e pela cultura na região. Hoje, a Associação São José Liberto congrega um espaço de 1.600 metros quadrados, composto por um Pólo Joalheiro, pela Casa do Artesão e pelo Museu das Gemas do Estado.

O Museu das Gemas do Pará tornou-se a grande atração do local, pois reúne peças com até 500 milhões de anos. Entre tantas, há uma rocha composta de pegmatito e quartzo com turmalina, procedente do vale do Rio Tocantins, no sudeste paraense, bem como quartzos, turmalinas, ametistas e diamantes, todas as gemas em estado bruto. Seu acervo também é composto de pontas de flechas confeccionadas em quartzo; calendários utilizados pela civilização Tapajó Konduri, encontradas na região norte do Pará; e os não menos famosos muiraquitãs marajoaras, amuletos de pedra em forma cilíndrica ou batraquial utilizados como protetores para a caça e a pesca, num total de dez exemplares.

Todo esse acervo visa explicitar, à população local e à turística, um pouco mais sobre as riquezas que têm sido exploradas ao longo dos anos na região e que costumam afluir para todo o país, restando, às vezes, muito pouca informação para o próprio povo paraense.

Este Museu, assim como os demais citados, vêm comprovar a importância do resgate da cultura, da valorização do patrimônio paraense e, conseqüentemente, do patrimônio brasileiro, e sobretudo, do papel hoje desempenhado pelo Governo junto à população, profundamente comprometido em resgatar a cidadania, ponto chave na educação de qualquer sociedade, e que, neste caso, tem sido realizada e exercida brilhantemente através dos espaços museais recém-criados.