quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gratidão a João Paulo II


Gratidão a João Paulo II


Movimento dos Focolares divulga lembranças especiais do Papa polonês beatificado no dia 1º de maio

Maria Voce
Presidente do Movimento dos Focolares, Emaús

Juntamente com toda a Igreja, sentimo-nos invadidos por uma imensa alegria e por uma profunda gratidão com a beatificação do Papa João Paulo II. Alegria e gratidão pela dádiva que a igreja nos concede ao reconhecer a santidade deste grande Papa, expressa na sua vida dedicada e consumida, até ao último instante, por Deus e pelos homens.

Continua a surpreender a extraordinária riqueza do seu magistério, assim como a gratidão que o seu testemunho de amor suscita em qualquer latitude, tanto em pessoas cristãs como nos fiéis de outras religiões e em pessoas sem qualquer crença religiosa.

Ele mesmo, por ocasião do 25° aniversário do seu pontificado, nos revelou a fonte de onde tudo jorrava: o segredo íntimo do relacionamento que - como sucessor de Pedro - o ligava a Jesus: "Há vinte e cinco anos experimentei de modo especial a misericórdia divina. (…) Cristo disse também a mim, como outrora dissera a Pedro (...): "Apascenta as Minhas ovelhas" (Jo 21, 16). Todos os dias se realiza, dentro do meu coração, o mesmo diálogo entre Jesus e Pedro. No espírito, fixo o olhar benevolente de Cristo ressuscitado. Ele, apesar de estar consciente da minha fragilidade humana, encoraja-me a responder com confiança como Pedro: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo""[i].

Hoje, este evento da Igreja faz-nos penetrar na dimensão daquele "mais", vivido por João Paulo II dia após dia, com heroísmo.

Juntamente com todos os outros Movimentos, experimentamos o amor especial de João Paulo II ao reconhecer o papel que desempenham na Igreja, como expressão da sua dimensão mariana. Em 1987, falando à Cúria romana, evidenciou a importância dessa dimensão: "A Igreja vive desse autêntico "perfil mariano", dessa "dimensão mariana" (…) Maria, a Imaculada, precede todos e, obviamente, o próprio Pedro e os apóstolos (…). O vínculo entre os dois perfis da Igreja, mariano e petrino, é estreito, profundo e complementar, mesmo sendo o primeiro anterior tanto no projeto de Deus como no tempo; para não dizer que é mais alto e mais eminente, mais rico de indicações pessoais e comunitárias (…)[ii]".

Abrindo totalmente as portas para a novidade suscitada pelo Espírito Santo, no histórico encontro dos Movimentos eclesiais e novas comunidades na vigília de Pentecostes de 1998, na Praça de São Pedro, João Paulo II reconheceu que os dois perfis "são como que co-essenciais à constituição da Igreja e concorrem (...) para a sua vida, a sua renovação e a santificação do Povo de Deus."[iii].

Chiara Lubich estava ligada a este grande Papa não só pelos importantes eventos públicos, mas também por uma amizade pessoal e profunda: as audiências privadas, muitas vezes concedidas durante o almoço, a presença dele em muitas manifestações públicas do Movimento, as cartas pessoais e os telefonemas por ocasião de certas festividades, como "marcos na história do nosso Movimento", impeliam Chiara a exprimir-se assim em 2005, por ocasião da sua morte: "Eu posso testemunhar pessoalmente a sua santidade"[iv]. "Ele vivia de tal maneira o 'nada de si' que por vezes, ao sair das suas audiências, sentíamos uma intensa união direta e única com Deus. O Papa levava-nos até Deus, como verdadeiro mediador, que se anula quando atingiu o objetivo"[v]. "Eu fico admirada e com o espírito reconhecido diante de tanto amor e, ao mesmo tempo, grata a Deus por ter podido estar a seu lado e por te-lo ajudado, como filhos e "irmã", tal como me chamou numa sua última carta"[vi].

"A história do Movimento dos Focolares - escreveu Chiara naquela ocasião - é, nestes últimos 27 anos, uma prova do "amor maior" que habitou no coração de João Paulo II. Este seu "amor maior" atraiu o nosso amor, de forma que o Papa entrou no mais profundo do coração de cada membro do Movimento. Não é possível dizer, com palavras simplesmente humanas, quem foi ele para nós."[vii]

Como não recordar a visita do Papa, no dia 19 de agosto de 1984, ao Centro do Movimento em Rocca di Papa? Naquela ocasião ele reconheceu explicitamente, na experiência espiritual de Chiara, a presença de um carisma, e afirmou: "Na história da Igreja houve muitos radicalismos do amor. (…) Há também o vosso radicalismo do amor, o de Chiara, dos focolarinos. (…) O amor abre o caminho. Faço votos de que este caminho, graças a vocês, esteja cada vez mais aberto para a Igreja."[viii]

E como não recordar também algumas das suas expressões sobre nós? Durante o seu discurso no Familyfest de Roma, no dia 3 de maio de 1981, acrescentou, improvisando: "A vossa espiritualidade é aberta, positiva, otimista, serena, conquistadora… Vocês conquistaram até o Papa… Eu disse que desejo que vocês sejam a Igreja. Agora quero dizer que desejo que a Igreja seja vocês"[ix]. E em 1983, no dia 20 de março, durante a Jornada de Humanidade Nova: "Muitas vezes, quando estou triste, penso… "focolarinos". E sinto uma consolação, uma grande consolação!"[x].

Durante as numerosas viagens, em cada canto do mundo onde se fez peregrino, ele aprendeu a reconhecer o nosso "povo focolarino", como o chamava, recebendo - como disse um dia a Chiara - conforto e apoio.

Ao longo do seu longo pontificado, muitas vezes ele fez-nos sentir o seu amor especial, a profundidade do seu olhar paterno e quase a sua predileção. Recordamos com gratidão o caloroso afeto que demonstrou por Chiara e por muitos de nós em várias circunstâncias, mas também o seu papel determinante ao reconhecer o carisma especial que Deus deu à Igreja e à humanidade através dela.

Um aspecto da especial sintonia espiritual entre Chiara e João Paulo II pode ser reconhecido no sentir e viver a Igreja como comunhão, expressão do amor de Deus por todos os homens. Daí a proposta, expressa na carta apostólica Novo millennio ineunte, feita à Igreja do terceiro milénio: viver a espiritualidade de comunhão para levar novamente Jesus ressuscitado ao coração do mundo[xi].

E assim, neste momento em que festejamos com imensa alegria a beatificação de João Paulo II, por ele e por Chiara a uma só voz sentimo-nos mais uma vez fortemente interpelados a viver com plenitude a espiritualidade que Deus nos deu.

Fonte: Voz de Nazaré.

"Mostra-nos o Pai".


Mostra-nos o Pai


Dom Alberto Taveira Corrêa.
Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém - Pará.
domalberto@fundacaonazare.com.br

Em processos de aquisição de casa própria ou e outras transações comerciais que envolvem famílias, não é raro que as responsabilidades sejam assumidas pelas mulheres, mães que trazem sobre si tarefa de ser chefes de família, consideradas mais confiáveis. Hoje, no Estado do Pará, cerca de 734 mil famílias são chefiadas pelas mães, que também fazem o papel de pai. Pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese, mostra que entre os sete Estados que compõem a região Norte, o Pará está em primeiro lugar. A quantidade de mães com dupla função familiar em todo o Norte é de um 1,6 milhão. O Pará detém cerca de 46% desse total.

Estes e outros dados apontam para uma mudança profunda nos papéis desempenhados pelos homens e pelas mulheres na sociedade. De um lado, a paternidade e a maternidade estão presentes em nossa natureza humana. Toda pessoa recebe esta missão, ainda que de formas diferentes. Ninguém nasceu para a esterilidade, mas todos nascemos para gerar, e não poderia ser de outro modo, pois somos imagens e semelhança de Deus, no qual estão presentes as características que no ambiente humano chamamos de paternidade e maternidade. E é o que de mais decisivo e maravilhoso Jesus nos contou a respeito de Deus: Ele é Pai que nos ama! Mas há uma crise na maternidade e de modo especial na paternidade.

A vocação paterna está em crise, o que leva a uma crise de lideranças maduras e corajosas no mundo. E quando faltam pais, idolatra-se a imagem de uma eterna juventude. Não basta ao homem ter filhos. É necessário assumir de forma madura a forma de amar para ser pai. A ausência física, a ausência afetiva, com medo de expressar carinho e afeto, a ausência normativa, que lhes impede ser claros em seus critérios e não temam estabelecer limites. Faz-se necessário homens capazes de amar com vigor e ternura, assumindo a masculinidade e ao mesmo tempo a dimensão de ternura que o próprio Deus, forte e terno, plantou no coração.

Na Liturgia do quinto Domingo da Páscoa, há um pedido que pode soar ingênuo: "Filipe disse: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta". Jesus respondeu: "Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras." (Jo 14, 8-11).

Bendita ingenuidade que nos aponta o essencial que é conhecer o Pai. Com frequência se afirma que é difícil conhecer a Deus como Pai porque os modelos de paternidade estão em crise na terra, quando, na verdade, é o céu e a paternidade de Deus que vêm a ser acolhidos como modelo. É para o Pai Eterno que os pais da terra hão de levantar os olhos para contemplar o modo de viver aqui sua sublime vocação.

Para nosso consolo e formação, Jesus se mostra como aquele que é verdade e vida, a serem alcançadas passando pelo caminho para o Pai que é Ele mesmo. Tanto os pais, como as mães ou filhos ou qualquer pessoa que queira se realizar plenamente têm no relacionamento com Deus ponto de chegada, mapa, caminho, sustento.

Aos cristãos cabem responsabilidades irrenunciáveis. Não lhes é lícito viver como órfãos ambulantes, lamentando-se da vida. Sabendo ter Pai no Céu, vivem para gerar vida e relacionamento, cabendo-lhes sempre a iniciativa do serviço e do amor a todas as pessoas, sem exceção. Seu relacionamento com os outros é de transbordamento da vida plena que encontraram. A paternidade e a maternidade a serem restauradas no mundo são assumidas como tarefa por eles.

É próprio dos cristãos a paixão pela verdade, que abraçam com toda clareza e oferecem, sem violentar nem impor, dando razões da esperança que move seus corações a quem quer que seja. O caminho que percorrem é o do seguimento de Jesus Cristo, o Evangelho é sua luz e bússola segura. Sabendo que nasceram do amor eterno do Pai, ninguém lhes tira a alegria.

Tais características da vida cristã não são privilégio de poucos. Antes, a todos os que foram batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo é aberta tal possibilidade e entregue esta missão de restauração.

Fonte: Voz de Nazaré.

"Nova chance no cáecere".


Nova chance no cárcere


Projeto humanístico da Pastoral Carcerária aposta na reintegração social dos encarcerados através da inclusão

Uma nova chance por meio da arte. Esta é uma das iniciativas da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belém, que lançará no dia 22 de maio oficialmente a campanha "Libert'Art", às 18h30, no Santuário de Fátima, em Belém. Um projeto que pretende promover a inclusão social pela fé e por meio da expressividade artística dos presos. A meta é atingir pelo menos 100 internos de todas as casas penais do Pará.

A Pastoral Carcerária está presente nas 37 casas penais do Estado e tem como missão combater a tortura, oferecer assistência social, jurídica e religiosa aos presos, com o intuito de garantir os direitos, e fundamentalmente, a ressocialização das pessoas.

O projeto, que visa à inclusão social pela fé e arte, é uma das formas encontradas pela Pastoral para promover o trabalho de resgate da dignidade moral. "O projeto resgata a moral social do preso e autoestima por meio da arte. A ideia é que deixem de ser objetivo de debate e inseri-los no processo de discussão. Despertar a capacidade de criação, reconhecer o potencial e valorizar talentos e a criatividade de cada um", explica o diácono Ademir Silva, coordenador da pastoral.

Ainda segundo o diácono, a ideia é introduzir os internos em debates sobre questões importantes na contemporaneidade. No projeto "Libert'Art" os presos poderão criar as pinturas com base no tema da Campanha da Fraternidade 2011, que trata dos desafios da preservação do meio ambiente, com o tema "Fraternidade e a Vida no Planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22). "Quem está preso hoje é como se estivesse excluído da sociedade, a intenção é dar a oportunidade de colocá-los no centro da reflexão, dar voz e o sentido de pertença a eles", diz.

O resultado com as obras escolhidas e premiadas pela comissão organizadora será apresentado somente no segundo semestre deste ano.

META

Segundo o diácono Ademir Silva, a meta é atingir ao todo 100 obras, que serão, no final do concurso, expostas ao público. "A ideia é conseguir essas obras, envolvendo todas as casas penais. Todos os presos condenados ou provisórios poderão participar", diz.

Inserir a comunidade carcerária na discussão de problemáticas sociais é uma das formas encontradas para por em prática o projeto de ressocialização, objetivo central da Pastoral Carcerária, tornando os internos também agentes transformadores.

É por meio também do projeto que a Pastoral pretende sensibilizar pela produção artística a fé e o interesse por ações comunitárias.

Apesar de o lançamento ocorrer somente no dia 22 de maio, o trabalho já começou nas casas penais, graças à parceria com a Susipe (Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará.) e Fundação Curro Velho, que será a responsável por orientar os participantes com as técnicas de pintura. A entrega final dos trabalhos começa em 30 de junho e encerra-se somente no final de agosto. "Os quatro primeiros lugares serão premiados, com quantias que variam de R$ 500 a R$ 2,5 mil", afirma o diácono.

Fonte: Voz de Nazaré.

"DIÁCONOS". (Dom José Alberto Moura)


Qui, 19 de Maio de 2011 08:15 por: cnbb

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros, MG


Os convertidos de origem grega apresentaram aos Apóstolos a reclamação de que suas viúvas eram discriminadas no atendimento. Os mesmos Apóstolos, percebendo que não podiam fazer o trabalho evangelizador e ao mesmo tempo o serviço social, instituíram diáconos para fazerem esta última tarefa (Cf. Atos 6,1-7).

Há quase cinqüenta anos do Concílio Vaticano II vemos recomeçado na Igreja o Diaconato Permanente, com a missão de promover no interno da comunidade eclesial e na sociedade em geral, o sentido do serviço aos mais necessitados. De modo especial os diáconos têm a incumbência do testemunho de vida cristã no matrimônio, no trabalho profissional e na ajuda à formação da comunidade eclesial. Seu trabalho é múltiplo e de grande ajuda para a formação da comunhão de vida e da ação evangelizadora da Igreja. Sua ação não se restringe à Liturgia, com a presidência do sacramento do batismo, a pregação da Palavra e a assistência oficial aos matrimônios. Mais: sua vocação é a de fortalecer a vida comunitária e liderar a promoção dos mais deixados de lado na comunidade e na sociedade.

A diaconia ou o serviço é a característica do testemunho e do ensinamento de Jesus: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”(Mateus 20,28). Ele não tinha nem onde reclinar a cabeça. Sua solidariedade com as pessoas marginalizadas foi total. A lição do Lava-Pés, a parábola do Bom Samaritano e todo seu ensinamento sobre o serviço aos mais humildes chamam-nos atenção para vivermos, como cristãos, de modo simples e serviçal. Quem assume o primeiro grau do sacramento da ordem, tornando-se diácono, caracteriza, para toda a comunidade, sua missão de viver sempre como humilde servo para realizar o bem aos outros em nome e por causa de Cristo. “Os diáconos permanentes” (cooperam) “no serviço vivificante, humilde e perseverante como ajuda valiosa para os bispos e presbíteros”(Aparecida 282). Quanto mais grau de incumbência recebida pela pessoa, seja nos outros graus do sacramento da ordem, seja nas outras vocações eclesiais de religiosos e leigos, mais ela deve se convencer a viver conforme o modelo de Jesus. Quem assume, em sã consciência e responsabilidade o compromisso do batismo, deve necessariamente procurar imitar o Filho de Deus, que só pensou e agiu para nos ajudar, sendo simples, pobre, desapegado e ocupado em promover o bem de todos, a partir dos mais fragilizados.

O documento de Aparecida nos lembra a necessidade do discipulado e da missão. O seguimento a Jesus exige do discípulo amoldar-se a Ele e aceitar a levar seu Evangelho a todos. Isso se faz com a conversão total à pessoa do Mestre, com o exemplo de vida coerente com a fé, com o serviço ao próximo, como membro comprometido com a Igreja, com o diálogo e o ensinamento da fé aos outros. O diácono, conforme a prática de sua vocação, deve ser exemplo disso no seu contexto familiar, na comunidade eclesial e na sociedade, tendo proeminência na ajuda à comunidade para que ele seja comprometida com a opção evangélica preferencial pelos empobrecidos (Cf. Aparecida 396). Esta deve fazer parte da evangelização, que “envolve a promoção humana e a autêntica libertação ‘sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade’” (Aparecida 399).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Celibato não explica abuso de sacerdotes".


O celibato, a homossexualidade e um clero exclusivamente masculino não explicam os abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos.

Os escândalos sexuais das últimas décadas, que custaram US$ 1,8 bilhão à Igreja Católica nos EUA, foram consequência da má formação nos seminários e da falta de apoio emocional para os homens ordenados sacerdotes nas décadas de 1940 e 1950, segundo o relatório.

O estudo, encarregado pela Conferência de Bispos Católicos ao Colégio John Jay de Justiça Criminal de Nova York, sustenta que "o aumento dos casos de abuso nas décadas de 1960 e 1970 foi influenciado por fatores sociais da sociedade em geral".

O estudo é o terceiro encarregado desde 2002 pela Conferência de Bispos Católicos dos EUA para tentar esclarecer os casos de abuso registrados no país.

Muitos católicos e críticos da Igreja afirmam que os abusos são resultado do celibato ao qual os sacerdotes católicos são submetidos, da existência de homossexuais no clero e do fato de apenas homens poderem ser ordenados sacerdotes na Igreja Católica.

O relatório de 300 páginas revela que o fato de a maioria das vítimas ter sido do sexo masculino se explica, principalmente, pelos sacerdotes terem mais contato com meninos do que com meninas nas escolas e paróquias.

Segundo a pesquisa, dos quase 6 mil sacerdotes acusados de abusos sexuais nas últimas cinco décadas, menos de 4% podem ser considerados pedófilos.

"Os sacerdotes que cometeram abusos não são pedófilos", afirmou categoricamente o estudo.

Os pesquisadores assinalaram ainda que o aumento da entrada de homossexuais nos seminários ocorreu no fim da década de 1970 e no início da década de 1980.

De acordo com Barbara Dorris, porta-voz de uma rede de apoio a vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes, o documento "está errado, apresenta desculpas e joga a culpa do ocorrido nos outros".

"Os bispos desconhecem o ponto central: que os bispos protegeram e permitiram que os criminosos continuassem abusando de crianças", disse à Agência Efe.

Ela acrescentou que as regras que a Conferência de Bispos Católicos adotou nos últimos anos para enfrentar os abusos sexuais cometidos pelos sacerdotes "em vez de proteger as vítimas, protegem a arquidiocese e os criminosos".

Fonte: Terra

João Paulo II - Memória de um homem.


JOÃO PALO II – memória de um Homem.

Colocado por Noticias em 18/05/2011
Fonte: Jornal Notícias de Viseu.

Karol Jóseph Wojtyla de seu nome – nasceu em 1920/05/18 em Wadowice, na Polónia. Exerceu a função, no Vaticano desde 1978 até 2005, é o terceiro período mais longo na história da Igreja Católica. Também o primeiro papa não Italiano a ser eleito em 456 anos. João Paulo II (nome de adopção religiosa) morreu com 84 anos, depois de sucessivas recaídas, no dia 2 de Abril às 21h37 de Itália, 20h37 de Lisboa e depois de uma vida feliz por servir Deus e o seu povo, mas ensombrada pela doença de Parkinson.
Da enciclopédia ficamos a saber: Papa (substantivo masculino – chefe da Igreja Católica; Sumo Pontífice; Do gr. páppas, «avô», pelo lat. papa, «papa»).
O Papa foi um Homem que fez e fica para História dos vivos, na opinião de D. António Marto, Bispo de Viseu, “foi uma espécie de novo Moisés que conduziu a Igreja do Século XX para o XXI”. Viajou para onde nenhum Papa teve coragem de o fazer. Escolheu o México para a sua primeira peregrinação. A partir de então, viajou o equivalente a 30 voltas completas ao Mundo.
Falou do que poucos arriscaram falar. Foi alvejado, mas sobreviveu. Acreditou sempre que foi “a Senhora de branco” que o salvou. Conseguiu cumprir três grandes sonhos: ajudou ao fim do mítico comunismo na Europa de Leste; entrou no terceiro milénio e visitou a Terra Santa. Por cumprir, ficou o desejo de visitar a China e Rússia.
O objectivo das suas viagens foi de unir os povos e abrir canais de diálogo entre as diferentes religiões, “não haverá Paz no Mundo, se não houver Paz entre as Religiões. Como são belos os pés que anunciam a paz. E as mãos que repartem o Pão”. Manteve, apesar disso, uma doutrina conservadora nas questões sociais defendendo as ideias tradicionais católicas e manifestando princípios claros contra a interrupção voluntária da gravidez, o uso do preservativo ou contraceptivos, a homossexualidade, o divórcio e a eutanásia temas.
A sua fluência em várias línguas, incluindo o Português, permitiu-lhe ser embaixador da Igreja por todo o mundo.
Devoto de N. Sra. de Fátima em Portugal, deslocou-se ao Santuário por duas vezes. Realizou a sua segunda visita com o propósito de presidir à beatificação de Jacinta e Francisco Marto, os dois pastorinhos ali sepultados desde 1951.
João Paulo II fez 482 canonizações e 1338 beatificações mais que todos os seus antecessores juntos.
Foi Sumo Pontífice do Cristianismo – Religião monoteísta instituída por Cristo, cujo ponto fundamental é a expiação (preces para aplacar a cólera celeste) e a redenção humanas.
O termo “Cristianismo” significa, de um modo geral, a religião fundada por Jesus Cristo, ou o conjunto de religiões que nele filiam a sua origem. Para os judeus, o governo de Deus seria estabelecido pelo Príncipe anunciado, o Messias. Este Príncipe pertenceria à casa de David, rei de Israel no século X a. C.
A principal fonte de conhecimento que temos acerca de Jesus de Nazaré são os quatro evangelhos canónicos.
Ao princípio, a mensagem de Jesus Cristo foi difundida pelos doze apóstolos por ele escolhidos para a sua difusão. A autoridade da Igreja na primeira geração de cristãos recaiu sobre estes homens. Após a sua morte levantaram-se questões acerca de quem seriam as autoridades máximas da igreja. As congregações de cristãos tinham, desde os primórdios, sido assistidas pelos presbyteroi (padres), episkopoi (bispos) e pelos diakonoi (diáconos), foi destes termos gregos que saiu a futura estrutura hierárquica da igreja. O título de papa (pai), que durante cerca de seiscentos anos foi usado como termo afectuoso aplicado a qualquer bispo, começou a ser especialmente atribuído ao bispo de Roma a partir do século VI e pelo século IX era-lhe atribuído quase exclusivamente.
Após os problemas iniciais de autoridade e continuidade da hierarquia, a maior garantia de autenticidade e continuidade foi encontrada nas Escrituras.
A divisão do império romano, em Ocidental e Oriental, e sua posterior queda, as várias escolas teológicas das principais cidades, e o uso do latim e do grego, foram alguns dos motivos que levaram a que diversas controvérsias fossem surgindo ao longo dos séculos que culminou no grande Cisma (dissidência religiosa, política ou literária) do Ocidente de 1054. Como represália, foram encerradas em Constantinopla (Capital do Império Bizantino de 330 a 1453) várias igrejas latinas pelo patriarca da cidade. As principais diferenças entre as igrejas ocidentais e orientais ficaram a dever-se ao aumento de prestígio e poder do Bispo de Roma devido à expansão e consolidação da cristandade no Ocidente. A doutrina de Martinho Lutero não reconhece a autoridade papal, por considerar que a única autoridade religiosa é a Escritura interpretada por cada um. As Igrejas protestantes podem dividir-se em Luteranas, Anglicanas (ambas moderadas e próximas do ecumenismo: tendência para formar uma única família em todo o Mundo; movimento tendente a restabelecer a unidade entre os discípulos de Cristo).
Em Portugal, a população é maioritariamente católica. Sob a autoridade central do Papado, a Igreja católica divide-se em dioceses onde os bispos actuam em nome e por autoridade do Papa, mas com alguma autonomia administrativa, cujo princípio de colegialidade articulado pelo Concílio do Vaticano II aumentou. A doutrina da Igreja católica é idêntica à da maioria das Igrejas Ortodoxas; consiste na Bíblia, na herança dogmática da igreja primitiva, nos decretos dos primeiros concílios ecuménicos e no trabalho teológico dos Padres (doutores) da Igreja.

"O Sexo nos planos de Deus".


O sexo nos planos de Deus.
O jovem casto exercita o autodomínio para ser fiel no casamento

O livro do Gênesis assegura que, ao criar todas as coisas, "Deus viu que tudo era bom" (Gen 1,25). Portanto, tudo o que o Criador fez é belo. O mal, muitas vezes, consiste no uso mau das coisas boas. Por exemplo, uma faca é uma coisa boa; sem ela a cozinheira não faz o seu trabalho. Mas, se um criminoso usá-la para tirar a vida de alguém, nem por isso a faca se torna má. Não. O mal é o uso errado que se fez dela. Da mesma forma, o sexo é algo criado por Deus e maravilhoso. É por ele que a criança inocente vem ao mundo.

Como Deus deu ao casal humano a missão de gerar os filhos, "crescei e multiplicai" (Gen 1,28), providenciou o sexo como instrumento de procriação. E mais, para fortalecer a união e o amor do casal fez do sexo também o meio mais profundo da "manifestação" do amor conjugal.

Podemos dizer que o ato sexual é a celebração do amor, como que a "liturgia do amor conjugal". E é no ápice desta celebração do amor que o filho é concebido. Isto é, ele não é somente a carne e o sangue do casal, mas principalmente, o fruto do seu amor. É por isso que a vida sexual de um casal que não se ama de verdade nunca é harmoniosa.

O sexo é manifestação do amor. Sem este, ele fica vazio, desvirtuado e perigoso como aquela faca na mão do assassino. Faz muitas vítimas... O que é a prostituição, senão o sexo sem amor? É apenas um ato de prazer, comprado, com dinheiro ou outros meios. No plano de Deus a vida sexual só tem lugar no casamento.

São Paulo, há dois mil anos, já ensinava aos coríntios: "A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa" (I Cor 7,4). O apóstolo dos gentios não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado, nem que o corpo da noiva pertence ao noivo.

A união sexual só tem sentido no casamento, porque só ali existe um "comprometimento" de vida conjugal, vida a dois, no qual cada um assumiu um compromisso de fidelidade com o outro. Cada um é "responsável pelo outro" até a morte, em todas as circunstâncias fáceis e difíceis da vida. Sem esse compromisso de vida o ato sexual não tem sentido e se torna perigoso.

As consequências do sexo vivido fora do casamento são terríveis: mães e pais solteiros; filhos abandonados, criados pelos avós ou em orfanatos. Muitos desses se tornam os "trombadinhas" e "delinquentes" que, cada vez mais, enchem as nossas ruas, buscando nas drogas e no crime a compensação de suas dores. Quantos abortos são cometidos porque se busca apenas e egoisticamente o prazer do sexo, e depois se elimina o fruto: a criança!

As doenças venéreas são outro flagelo do sexo fora do casamento. Ainda hoje convivemos com os horrores da sífilis, blenorragia, cancro, sem falar do flagelo moderno da AIDS. O remédio contra a AIDS é a vivência sexual apenas no casamento; e não, como se propõe, irresponsavelmente, o uso de “camisinhas”, em vez de se eliminar o vício pela raiz.

É urgente que os cristãos, pais, professores e educadores tenhamos a coragem de ensinar novamente a castidade aos jovens.
Um jovem que se mantém casto até o casamento, além de tudo, prepara a sua vontade e exercita seu autodomínio para ser fiel ao seu cônjuge no casamento. É preciso mostrar urgentemente aos jovens os valores da castidade, tanto em pensamentos como em atos.

A televisão, os filmes pornográficos, as revistas eróticas abundantes e asquerosas injetam pólvora no sangue de nossos filhos, fazendo-os escravos do sexo. E por causa disso estamos vendo meninas de 13, 14 anos, grávidas, sem o menor preparo e maturidade para serem mães. Temos que acordar. Temos que ter a coragem de oferecer aos jovens a opção da pureza que Jesus nos legou: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mt 5,8). Neste assunto Cristo foi exigente e não deixou margens à dúvida: “Todo aquele que olhar para uma mulher com desejo de cobiça, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5,27).
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Felipe Aquino

felipeaquino@cancaonova.com