segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Casamento - resolvendo problemas".


“CASAMENTO – RESOLVENDO PROBLEMAS”

Um dos fatos mais angustiantes da vida é que todo casamento passa por problemas. Eles não podem ser contornados, mas devem ser encarados e resolvidos.
Filhos pode ser uma grande fonte de alegria, mas também, acrescentam tensão ao casamento. O instinto materno em algumas mulheres é tão forte, que elas tendem a deixar o marido de lado quando estão cuidando dos filhos – veja 1 Samuel 1,8 - Por vezes, a esposa pode até enganar o marido em favor do filho (Gn.27.1-29). A esposa deve lembrar que apenas seu relacionamento com Deus está acima de sua união com o marido.
Problemas financeiros também podem causar pressões indevidas sobre um relacionamento, especialmente se o casal discute sobre quem fará quais sacrifícios. Se um casal buscar a orientação de Deus para as questões financeiras, ele será fiel em suprir suas necessidades (Mateus 6,33; Fp.4,19).
A raiva não-resolvida pode acumular-se e transformar-se em ressentimento e em amargura, de modo que a comunicação significativa deixar de existir (Hb.12,15; Ef.4,26).
A tentação e as oportunidades de ser infiel estão sempre presentes (Prov.7,6-23). Uma comunhão íntima e vibrante com Deus sustentará o relacionamento entre marido e mulher e dará força e vitalidade ao casamento.
O isolamento, um estado em que se é excluído, é um dos males mais sutis do casamento. O casamento pode facilmente deixar de ser uma prioridade. As pessoas não valorizam devidamente seus cônjuges, concentram sua atenção em outras questões “urgentes”, e logo o calor e a comunicação se vai. O remédio para o isolamento é guardar o relacionamento conjugal com carinho e dar prioridade ao cônjuge, sendo aberto e honesto e não tendo segredos um para com o outro.
Os problemas podem ser uma arma negativa num casamento, dividindo corações e destruindo a unidade, ou podem ser um catalisador poderoso para uma renovação do compromisso.
Que sempre estejamos debaixo da proteção do Espírito Santo e que nossas famílias estejam guardadas pelo manto sagrado da Virgem Maria.
Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém – Pará – Brasil

diaconoluizgonzaga@gmail.com
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terça-feira, 5 de abril de 2011

CASAIS DE SEGUNDA UNIÃO


Diácono Luiz Gonzaga
(Arquidiocese de Belém – Pará – Amazônia – Brasil)

Estive recentemente participando de um encontro com casais de segunda união, pude observar nas conversas que tive com alguns casais no final do mesmo, a preocupação deles com o que as pessoas pensam e falam deles.
Serão ou não aceitos, serão ou não acolhidos pelo pároco, vigário ou por todos da comunidade. Alguns chegaram a relatar que, é como se eles possuíssem uma doença contagiosa, uma espécie de câncer, onde as outras pessoas têm medo de se aproximarem para não serem contagiados, achando que se tocarem ou falarem com eles dentro da Igreja, estarão impuros pelo fato de serem casais de segunda união.

Exageros a parte, é muito bom e salutar ver a iniciativa da Igreja Católica em se preocupar com esses irmãos de segunda união, em levar aos mesmos, esclarecimentos espirituais e religiosos, em buscá-los para reuni-los nos redil do Senhor. Fazer com que possam sentir-se acolhidos e amados por Deus a cada encontro que se realiza.

Agora, será que estamos de uma forma verdadeira, concreta, acolhendo, abrindo o nosso coração a esses irmãos? Estamos tendo misericórdia para com eles? Estamos amando-os, respeitando-os na condição em que estão vivendo? Ou será que o preconceito tem sido maior diante daqueles que são “casais de segunda união”? Será que estamos observando mais os papeis do que as pessoas, seus corações?

Ouvi o relato de um casal que estava sendo discriminado dentro da paróquia em que vive por estarem à frente de um grupo e por coordenarem uma pequena comunidade de periferia. Sabemos muito bem que isso é muito comum, principalmente aqui em terras amazônicas, marajoaras.
Agora, se um casal de segunda união pode ou não estar à frente de um grupo, pastoral ou movimento dentro da Igreja, se pode ou não coordenar uma comunidade, não cabe a eu responder.
Esta pergunta deveria ser feita aos casais que estão de forma “regular” dentro da igreja, ou seja, são casados, receberam o sacramento do matrimônio, mas, não vivem praticam, exercitam o mandamento do Cristo do “Ide e anunciai” (Mt.28,19), a estes casais “regulares” dentro da Igreja é que deveria ser feita tal pergunta.

Apesar de o assunto “segunda união” não ser especificamente mencionado na bíblia, as escrituras apresentam algumas advertências que parecem relevantes.

1- Forme sua nova família em Cristo. Se já foram cometidos erros no passado, busquem o perdão de Deus e de outros envolvidos e abandone o que se passou, a fim de caminhar com alegria para futuras oportunidades.
2- Reconheça abertamente que cada membro da família tem um relacionamento distinto e insubstituível com Cristo e que juntos vocês são uma “miniversão” do Corpo de Cristo em ação.
3- Busquem entender e desenvolver os dons espirituais individuais em sua nova família. Orem juntos. Façam de Cristo o cerne da atenção e a maior autoridade em sua casa.
4- Determine claramente as linhas de autoridade e de responsabilidade. Quanto maior a responsabilidade dos pais sobre os filhos, maior a autoridade que ele ou ela devem exercer.
5- Dialogue aberta e francamente com seu cônjuge a necessidade de se definir com clareza as regras para os pais sobre cada filho da nova família em formação, a fim de manter a ordem no lar (1 Cor.14,40).
6- Que possa haver uma comunicação encorajada, harmonia cordial, paz e ordem requerem comunicação clara, direta e convincente. Possibilite conversas para esclarecer desavenças, compartilhar idéias e opiniões e tomar decisões familiares, mostrando apreciação pela contribuição de cada um (Ef.4.29-32).
7- É necessário reconhecer os valores e diferenças individuais – mesmo que seu alvo seja manter a união familiar. Permita que cada pessoa tenha liberdade de expressar sua própria personalidade, suas habilidades e suas capacidades dentro das regras familiares (Rom. 12.9-12).
8- Descobrir e realizar atividades que satisfaçam a todos (Am.3,3).

Penso que ao invés de criticarmos os nossos irmãos de segunda união que estão à frente de algum encargo dentro da Igreja, seria melhor acolhe-los e torná-los “ferramentas”, “braço forte” dentro da mesma para o engrandecimento do Reino de Deus entre nós.

Que Deus tenha compaixão de nossas almas e muita misericórdia de todos nós que, muitas vezes, queremos ser o próprio “Deus” quando partimos para o julgamento e condenação dos nossos irmãos.

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Resposta ao e-mail do Diac. Marcus Soares

AO DIÁCONO MARCUS SOARES

Quero antes de tudo, agradecer a você pela leitura do texto e por se manifestar respondendo-me. Diz o ditado popular “a unanimidade é burra”. Isso faz com que a humanidade se torne madura e completa.
Antes de comentar a respeito do seu e-mail, quero dizer que, já penso ter ouvido tudo o que você me escreveu. É incrível a semelhança das palavras.

Mas, vamos a alguns pontos de seu e-mail.

Primeiro: Você abre o mesmo escrevendo: “Após ler o seu desabafo...” e conclui “a sua contestação...”. Acredito que talvez você tenha lido o texto depressa demais e não se apercebeu do contexto.
Desabafo é expressar o que se sente ou pensa é descarregar. Contestação é contradizer alguém, debater contra a idéia de outrem.
Veja, em meu texto não há nem uma coisa e nem outra. Observe o que escrevi: “Quero partilhar com vocês, meus irmãos diáconos, algo que aconteceu na noite de Natal”.

Eu escrevi “partilhar” algo que aconteceu comigo, ou seja, fazer partilha fazer os meus irmãos diáconos também terem parte comigo no acontecimento, no ocorrido, no fato.
Para que possa ocorrer isso é necessário o relato do ocorrido. Mesmo porque eu passei as informações do fato e não a experiência, porque a experiência foi eu quem viveu e ela eu não posso transmitir, pois foi vivida por mim.
Quis, portanto não desabafar muito menos contestar, mas, partilhar um relato ocorrido.

Segundo: Você diz que há “uma preocupação que em nossas comunidades o domingo fique centrado somente então na celebração da palavra”. Diácono Marcus, se você poder um dia desses passar um domingo inteiro aqui nas áreas de Ananindeua, Marituba, Benfica, Santa Bárbara, Mosqueiro, você iria perceber como é grande, eu até diria, enorme a quantidade de comunidades espalhadas em ramais, vilarejos e pequenas colônias.

Vou lembrar você o que escrevi em meu texto: “É humanamente impossível um ou dois sacerdotes atender a tão grande necessidade”. Já tive a oportunidade de ver sacerdote descendo de seu carro vestido “literalmente”. Foi descer do carro e ir direto para o presbitério celebrar a Santa Missa, isso porque já vinha atrasado da Matriz. Será que é isso que Deus quer? Você sabe, como eu sei que, o sacerdote pode celebrar até três missas no dia segundo o código de direito canônico. Querido Marcus, nossos irmão padres de periferia celebram até cinco missas aos domingos, às vezes, uma após a outra, não tem nem tempo de beberem um suco, uma água ou fazerem um breve lanche.
Como não atender uma solicitação, um pedido de socorro de um sacerdote que já celebrou 4, 5 missas? Como dizer não a um sacerdote que é antes de tudo “ser humano”?

Como também me reportei em meu texto, se vamos até as periferias, as comunidades distantes é porque o sacerdote nos chamou nos autorizou a celebrar a “palavra com a eucaristia”.
Sei que sua preocupação é que talvez estejamos envolvidos somente com a celebração da palavra. Mas a presença do diácono na comunidade não é somente a palavra, mas, um conjunto composto por vários elementos.

Vou lhe fazer uma pergunta: É melhor deixar esse povão todo no domingo o dia do Senhor sem a palavra e a eucaristia, com nossas capelas fechadas ou levar-lhes a alegria da “palavra que lava a alma da igreja” e a “eucaristia que nutre, alimenta o espírito do cristão?”
Imagine comigo, nossas periferias estão repletas de “igrejas” de outras denominações religiosas, um verdadeiro pluralismo religioso. Estas “igrejas” estão abertas de domingo a domingo e nós, com nossas capelas fechadas porque, o padre não pode ir, não era o dia dele naquela comunidade. Só se o padre fosse mutante para estar em vários lugares ao mesmo tempo, como ele não é ele é “ser humano”, ou está aqui ou ali.

Você coloca em seu e-mail que a realização da celebração da palavra aos domingos nas comunidades “não é dinamismo e nem objetividade”.
Penso que, dinamismo e objetividade são não deixarmos as nossas capelas fechadas, é não ficarmos de braços cruzados, é não servimos somente de “bibelô” de altar.
Dinamismo e objetividade são “arregaçarmos as mangas” e irmos ao encontro do irmão, é deixarmos de “pescar em aquário”, é não deixar as famílias sem se reunirem no domingo porque a capela que eles têm tanto zelo está fechada por falta de padre.
Como levar esse conjunto de doutrinas, ensinamentos chamado dinamismo, como edificar a fé com a energia espiritual, como movimentar nosso povo se eles estiverem sem a presença de um orientador espiritual ou se as capelas estiverem fechadas por causa da não presença do sacerdote?
Dinamismo é ter a motivação e a coragem de enfrentar os desafios e lançar-se em águas mais profundas. É deixar o comodismo das nossas sacristias, é deixar de falar o que não deve é deixar a preguiça e o nosso mundinho e corre ao encontro dos necessitados, dos pobres. Dinamismo é colocar-se a serviço do Reino de Deus, é ir onde a demanda se faz necessário.
Objetividade é ser prático, direto, positivo é ter mudança de atitude e não esperar que te mandem fazer é ter como escopo os pobres e excluídos, afinal, não foi esse o objetivo do Cristo?

Terceiro: Você escreveu: “é incompatível, falta grave e alheia aos ensinamentos da igreja”, ainda se referindo a sua preocupação com a celebração da palavra aos domingos nas comunidades, nas pequenas comunidades de nossa periferia.
Concordo plenamente com sua preocupação. Mas não basta ficar só preocupado, temos de ter atitude ou como dizem hoje os homens do mercado de negócios, devemos ser “pró-ativos”, ou seja, ter iniciativa, atitude e não ficarmos somente nos lamentando.
“Não temos padre e agora?” – “O padre não vem mais, temos que fechar a capela a comunidade!” Claro que não. Não podemos ficar passivos, nos lamentado, mas sim, irmos em frente, buscando encontrar soluções nem que sejam as paliativas para depois sob a devida orientação de nosso Arcebispo vermos como ficam as coisas.

Pergunto-te caro irmão diácono Marcus: Mas, o que fazer então diante de sua preocupação expressa no e-mail? Será que como em um passe de mágica podemos trazer todos os sacerdotes da Europa, África, Estados Unidos para suprir a demanda de nossa Igreja aqui na Amazônia? Claro que não!
Eu particularmente estou muito feliz e esperançoso com que vem fazendo nosso arcebispo Dom Alberto. A preocupação do mesmo em aumentar o número de paróquias, diminuindo automaticamente o número de comunidades e assim possibilitando a presença do “pastor de almas”, o sacerdote mais próximo de seu rebanho. É visível a preocupação de nosso arcebispo em manter muito mais próximos, “pastor” e “rebanho” ao criar novas paróquias. Tenho rezado muito por ele para que possa o mais breve de tempo possível concretizar seu sonho de termos até 2014 cem paróquias em nossa arquidiocese.

Quarto: Você diz que “qualquer comunidade em nossa cidade não fica a mais de 10/15 minutos de ônibus para a paróquia onde a missa do domingo é celebrada...”.
Eu penso que talvez pelo pouco tempo de ordenado, apenas sete meses, você ainda não tenha tido a oportunidade de conhecer a realidade de nossas paróquias de periferia.
Deixa-me colocar algumas situações que você ainda não conhece: Temos, por exemplo, a paróquia de Sta. Edwirgens no Panorama XXI. A mesma tem várias comunidades espalhadas para dentro do bairro do Una no coqueiro. É completamente contra mão para chegar de um lado para o outro. Para que você saia da comunidade e vá até a Matriz é necessário entre ida e volta quatro ônibus, dois de ida e dois de volta, isso para uma única pessoa, agora, imagina para uma família de 4 ou 5 pessoas?
Nosso arcebispo sendo bastante sensível a esse problema, já autorizou a criação de uma paróquia no Una que vai aliviar um pouco o transtorno dos nossos irmãos católicos no que diz respeito a deslocamento. Será criada a paróquia de São Miguel. Não tenho certeza absoluta, mas, esta comunidade que irá ser paróquia já iniciará com quatro comunidades. Requer confirmação.

Outro exemplo: a paróquia de Menino Deus em Marituba, localizada nas margens da BR-3l6, tem comunidades dentro da área do “pato macho” na alça viária, cerca de 2 a 3 Km para dentro em direção a alça, sem a possibilidade de uma linha de ônibus regular.

A paróquia Sto. Inácio de Loiola no Icuí-Laranjeira, tem comunidades de tão difícil acesso, que só se chega a pé. Nem carro, nem moto, conseguem entrar, nosso povo caminha em cima de pontes.
Não vamos muito longe, as paróquias de Icoaraci e Outeiro. Você sabe em Icoaraci onde fica o “buraco fundo?”

Há meu querido diácono Marcus, termos sim, mas, em Belém, comunidades com 10/15 minutos de ônibus. É uma realidade completamente diferente dos lugares aqui citados entre outros que não citei. Em Benfica e Benevides, por exemplo, temos comunidades dentro de colônias a 3, 4 km da Matriz. Comunidades de difícil acesso.
É por isso que o “pobre” do sacerdote pede socorro para os diáconos ou para os ministros extraordinários da comunhão para ir até as comunidades.

Quinto: Conheço todos os cânones citados em seu e-mail e me solidarizo com a sua preocupação como já me manifestei anteriormente, mas, em momento algum eu fiz apologia a favor da “celebração da palavra” em detrimento a “Santa Missa”, por favor!
Como já escrevi, penso que, na pressa em ler o texto você não se deu conta do contexto. Eu escrevi: “não queremos ofuscar aquilo que temos de mais sagrado, a Santa e Abençoada Eucaristia”, isto porque, não sou padre, nem meio padre e nem pretendo ocupar o lugar do padre. Sou apenas um servidor de Cristo e de sua Igreja ao qual amo de forma incomensurável. Sou pecador, fraco, limitado, procurando viver minha vocação junto aos irmãos cristãos.

Você diz ainda no seu e-mail que existe um “número grande de ministros extraordinários da comunhão para isso”, ou seja, para o “atendimento” aos doentes e enfermos. Desculpe-me, mas uma vez. Agora sim, agora eu vou “contestar”.
Diác. Marcus, em Belém, na cidade de Belém têm sim, até em determinadas situações, mais ministros extraordinários da comunhão no presbitério na hora da missa do que fiéis na igreja.
Agora, não se iluda, temos comunidades onde não há ministros extraordinários de nada. Mas da metade da população é semi-analfabeta, só sabem assinar o nome e nada mais.
Chegue por exemplo em comunidades de colônias como nas paróquias de Santa Bárbara, Mosqueiro e Benevides. O que movimenta, anima e incentiva a comunidade é à força do Espírito Santo e o ardor missionário de um povo temente a Deus, que ama Jesus cristo e sua igreja, realizando as coisas sob a orientação do Espírito Santo.
É impressionante ver um homem ou uma mulher que nunca sentaram em um banco de escola discorrer, verbalizar sobre o evangelho como um verdadeiro “doutor”, chego até a me emocionar. Isso me edifica me faz crescer mais espiritualmente ao lado dos meus irmãos. É por isso que não podemos deixar nossos irmãos sozinhos no domingo na falta do padre e levar aos mesmos a Santa Eucaristia e a Palavra de Deus.

Você escreve que nas paróquias “a missa do domingo é celebrada em vários horários para atender a todas as necessidades”. Decididamente vejo que realmente você não conhece as nossas paróquias de periferia.
Em Belém, você tem a celebração eucarística sim em vários horários, pode até escolher o horário das 12:00 h. mas, na periferia isso não existe porque o padre tem que atender as suas comunidades.
Outro ponto que você coloca é que somente as comunidades ribeirinhas estão “liberadas” para a celebração da palavra na falta do sacerdote.
Diácono Marcus, no recente Documento de Aparecida, os Bispos Latino-Americano e do Caribe, não especificaram nada disso. Eles não amarraram a palavra “ribeirinhos”, pelo contrário, eles expandiram, elas saem de um estado “ad intra” para ad extra”. Vejamos o que diz o Doc. De Aparecida no número 253, página 118 que está em meu texto enviado. “Com profundo afeto pastoral, queremos dizer às milhares de comunidades com seus milhões de membros, que não têm a oportunidade de participar da Eucaristia dominical, que também elas podem e devem viver ‘segundo o domingo’. Podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da ‘celebração dominical da palavra’, que se faz presente no Mistério Pascal...”. Isto é a Igreja ad extra, dinâmica que, mostra que o fiel cristão, não é um simples objeto, onde ele se senta e ouvi, ajoelha-se e recebe a Sagrada Eucaristia, mete a mão no bolso para dar a oferta ou o dízimo. A igreja a partir disso mostra que o fiel cristão é pessoa é ser e que ela, Igreja, está preocupada com o ser humano em seus aspectos espiritual e social.

Quanto a ter que levar tudo que escrevo ao conhecimento de nosso arcebispo, como você sugeriu, me desculpe, mais penso ser, falta de maturidade, meninice, falta de dinamismo e objetividade.
Você não acha que o nosso Arcebispo já tem muitas coisas com mais urgência para se preocupar do que com um texto escrito por um diácono partilhando suas andanças junto ao “povo de Deus?”. Afinal de contas você inicia o seu e-mail dizendo “não há preocupação com isso (protestanização da igreja católica), principalmente oriunda dos diáconos de nossa arquidiocese”. Não sei então porque tanto alarde em relação a este texto especificamente, é igual a tantos outros que escrevo e envio para vocês relatando minhas experiências dentro das comunidades de periferia.

Diácono Marcus, parece que cometi o maior de todos os pecados. Alguns dos meus irmãos diáconos daqui da nossa arquidiocese me bombardearam, criticando o texto e me chamando com alguns adjetivos que prefiro nem escrever.
Por outro lado, meus irmãos diáconos do sul-sudeste do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai, agradeceram por eu partilhar com eles minha experiência junto ao “povo de Deus”. Para minha surpresa até Dom Orani pediu para divulgar o texto entre os seus diáconos, e vai colocar no site dos mesmos.
Para mim, poder o Bispo da segunda cidade mais importante do país, pedir para divulgar um texto de minha autoria, em sua arquidiocese, em nada me enaltece ou me glorifica. Paulo diz em 1 Cor. 10,31 “Quer comais, quer bebais quer façais qualquer coisa fazei para a glória do Senhor”.

Querido Marcus, amo a Eucaristia, como a igreja e igreja que sou, vivo da Eucaristia e jamais serei capas de levar quem quer que seja a trocar a Eucaristia, pela celebração da palavra. Não cai de pára-quedas na igreja, eu tenho toda uma história. Fui criado praticamente dentro de um convento desde os meus oito anos de idade até perto de me casar, já vi, ouvi e aprendi muito com meus irmãos sacerdotes. Tive dois tios sacerdotes, ambos irmãos de meu pai. Tenho primo padre e duas tias freiras, portanto, eu sei onde piso. Agora é bom lembrar que o Doc. Dei Verbum diz: “Venerai a palavra com a mesma intensidade que se venera a eucaristia”.


Que Deus nos abençoe que Maria de Nazaré nos proteja com o seu manto sagrado e que possamos sempre estar trocando experiências uns com os outros sob a luz e unção do Espírito Santo de Deus.



Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém – Pará – Amazônia – Brasil
diaconoluizgonzaga@gmail.com

“NÃO QUEREMOS PROTESTANIZAR A IGREJA CATÓLICA”


Nas Normas e Diretrizes do diaconato permanente da Arquidiocese de Belém, assinado por Dom Orani João em 10 de agosto de 2008 quando Arcebispo desta Arquidiocese, no capítulo V, artigo 17, diz o documento:
“Procure o diácono exercer equilibradamente os três serviços ministeriais: o serviço da caridade, o da palavra e o da liturgia. Conforme os carismas pessoais e as exigências pastorais de um momento histórico determinado, ele poderá enfatizar mais um ou outro desses ministérios, ou outros que se façam necessários, sem descurar os demais”.
Queridos irmãos no diaconato permanente, todos aqueles que são ordenados no grau diaconal sabem e tem a plena consciência após o período de estudos e formação que, o diácono é ordenado para o serviço (caridade, liturgia e palavra).
Agora, como bem diz o documento acima citado, em determinados momentos que se façam necessários “ele poderá enfatizar mais um ou outro desses ministérios”.
Porque esta observação? Quem mora aqui na Amazônia em especial na região metropolitana de Belém, sabe do grande número de comunidades existentes nas nossas periferias. Temos paróquias com 10,12, 20 ou mais comunidades.
Um ou dois sacerdotes é insuficiente para atender a essa demanda tão grande de fiéis que estão ávidos pela palavra e pala eucaristia. É humanamente impossível um ou dois sacerdotes atender a tão grande necessidade.
Quero partilhar com vocês meus irmãos diáconos, algo que aconteceu na noite de Natal. Fui convidado por uma comunidade de periferia, com a aprovação de seu pároco para celebrar a palavra naquela noite. Como em tantas outras comunidades espalhadas pela grande Belém, foi impossível a presença do sacerdote nesta noite.
Ao chegar naquela pequena capela, toda muito bem arrumada e preparada para a celebração, o “povo de Deus” já estava reunido, cantando enquanto a equipe de acolhida alegremente recebia os que chegavam à capela.
Ao verem a presença do diácono, parecia que quem estava chegando era o próprio pároco. Isto pela alegria de poderem ter naquela noite a celebração da palavra e a distribuição da santa eucaristia em um dia de solenidade, festa para todos nós cristãos.
O padre vai à comunidade apenas uma vez por mês, então o diácono através do serviço da palavra, procura levar um pouco de conforto espiritual aos irmãos em momentos de festa da igreja como este.
Liturgia da palavra celebrada com todo zelo e respeito por aqueles que lotavam a pequena capela. A alegria estava estampada no rosto de cada um, brilho e lágrimas nos olhos, a emoção tomava conta de todos quando do encerramento da liturgia e o abraço fraterno desejando um ao outro “feliz natal”.
Graças a Deus, a igreja se fez presente através do diácono permanente que pôde pelo menos nesta comunidade levar a palavra e a eucaristia a esses nossos irmãos na noite do nascimento do Senhor Jesus.
Vele ressaltar que, essa alegria também é expressa a cada domingo, quando nas comunidades celebramos juntos à palavra. O Documento de Aparecida no número 253, página 118 diz:
“Com profundo afeto pastoral, queremos dizer às milhares de comunidades com seus milhões de membros que não têm oportunidade de participar da eucaristia dominical, que também elas, podem e devem viver “segundo o domingo”. Podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da “celebração dominical da palavra”, que faz presente o ministério pascal no amor que congrega (cf. 1 Jo. 3,14), na palavra acolhida (cf. Jo. 5,24-25) e na oração comunitária (cf. Mt. 18,20). Sem dúvida os fiéis devem desejar a participação plena na eucaristia dominical, pela qual também os motivamos a orar pelas vocações sacerdotais”.
Como é bom poder participar e alegrar-se com eles no meio da comunidade a festa de celebrarmos o domingo o “dia do senhor” quando da impossibilidade do pároco.
Certa vez ouvi um sacerdote dizer em uma reunião do corpo diaconal: “Os diáconos estão protestanizando a igreja católica”. Ele quis se referir exatamente as celebrações da palavra aos domingos dentro das comunidades celebradas pelos diáconos.
Gostaria de lembrar que, nestas comunidades residem pessoas: enfermas, com deficiência física, desempregados, idosos, crianças, gestantes entre outros que, não tem muitas vezes, condições de se deslocarem até a sua matriz para participar da Santa Missa, até mesmo em certas ocasiões, pela própria distância entre, comunidade e matriz.
Quero ainda lembrar que, se estamos realizando a celebração da palavra nas comunidades de periferia, é com a autorização dos padres que, solicitam aos diáconos o socorro necessário para que, seu rebanho não fique sem a palavra e a eucaristia dominical, seguindo as orientações do Documento de Aparecida como vimos.
Graças a Deus e os nossos bispos alguns leigos tem tido a oportunidade de participarem de cursos para “ministros da palavra”, com a orientação da própria igreja, formados por padres da arquidiocese a fim de poderem na ausência do padre ou do diácono levarem a Palavra de Deus as comunidades nos finais de semana e nem por isso eles estão tornando a igreja católica “protestanizada” muito pelo contrário, são eles verdadeiros arautos do evangelho. Lembremos que, a igreja nasceu da Palavra de Deus, nasceu para fazê-la ouvir nos corações.

A comunidade fica a espera do domingo para juntos na ausência do sacerdote poder viver o momento celebrativo dominical com a presença do diácono e na pequena capela receber a palavra e a eucaristia.
Evidentemente que a palavra não é e nem deve ser a única prioridade do ministério diaconal. Mas ocorre que, quando o diácono vai à comunidade de periferia ele vai também até ao irmão doente, leva a comunhão, visita os irmãos, as famílias, leva conforto, consolo e esperança aqueles que estão angustiados e desesperançados.
Isso é a presença da igreja que vai em direção aos pobres e necessitados. Lá ele fica sabendo de uma família ou pessoa que precisa de algo material ou espiritual ou ainda um alimento e tomando conhecimento junto com a comunidade se movimentam para acalentar um pouco a dor e o sofrimento do irmão ou da família necessitada.
É a comunidade que cuida amorosamente da comunidade conforme 1 Tes.5,13 “Tende para com eles grande estima e amor”.
A presença do diácono, portanto nas comunidades para celebrar a palavra com os irmãos, não tem e nunca terá o propósito de “protestanizar” à igreja de Cristo, a igreja Apostólica Romana. Queremos anunciar a palavra que salva, liberta, cura, tira da escravidão do pecado, que leva a esperança, que proporciona a fé.
É isso que São Paulo nos diz quando em Romanos 10, 17 escreve: “ A fé vem pela pregação e a pregação da Palavra de Deus”.
Queridos, a palavra lava a alma da igreja e a eucaristia nutre, alimenta o espírito do cristão. Sendo assim, como deixar esses irmãos sem a palavra e a eucaristia no domingo ou em dias especiais na ausência do padre se, a igreja tem a nós diáconos permanentes como verdadeiros soldados em frente de batalha?
Paulo a Tito 3,14 diz: “Que os nossos aprendam a exercitar-se nas boas obras para atenderem às necessidades urgentes e, assim, não deixem de produzir frutos”.
O artigo 15 das diretrizes diaconais da arquidiocese de Belém diz: “A missão do diácono, colaborador do arcebispo com o seu presbítero é por sua natureza de grande amplitude e pode estender-se a todos os campos da pastoral”.
Somos e queremos continuar sendo os grandes colaboradores, servidores de nosso arcebispo e nossos párocos no ministério da palavra, da liturgia e da caridade, para assim ajudarmos na edificação do Reino de Deus entre os homens e não fazer da nossa amada Igreja Católica Apostólica Romana local de proselitismo muito menos ofuscar aquilo que temos de mais sagrado, a Santa e abençoada Eucaristia.
Que Santo Efrém e a Virgem de Nazaré, sob a luz do Espírito Santo, guardem nosso clero, nosso arcebispo Dom Alberto Taveira e toda a nossa arquidiocese de Santa Maria de Belém do Grão Pará.
Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém – Pará – Amazônia – Brasil.
diaconoluizgonzaga@gmail.com

“FALTA DE FILHOS NÃO É UMA FALHA”.


Eu e minha esposa por sermos incontritas, sempre estamos nos encontro do E.C.C. realizando uma palestra ou outra. Certa vez, após nossa explanação, fomos convidados por um dos casais para visitar sua casa. Após alguns dias lá estávamos visitando o casal. Acolherem-nos e trocarmos algumas palavras. Foi então que perguntei pelos filhos. Ouvimos então dizer que não tinham filhos porque ela (esposa) sofria de esterilidade. O motivo pelo qual o casal convidou a mim e minha esposa para visitar sua casa foi com o propósito de conversarmos um pouco sobre a família sem filhos por causa da esterilidade.
Muitos casais desejam ter filhos no casamento. Aliás, os filhos são parte do plano de Deus para homem e mulher unidos no casamento desde que Deus instruiu Adão e Eva a serem “fecundos” e a multiplicar-se (Gn.1,28). As escrituras ensinam que os filhos são herança do senhor, uma recompensa de Deus (Salmo 127.3-5). Portanto, torna-se confuso e bastante desconcertante para um casal quando os filhos não são concebidos como o planejamento ou o desejado.
A esterilidade é definida pela comunidade médica como a incapacidade de alcançar a gravidez depois de decorrido um ano ou mais de relacionamento sexual sem o uso de contraceptivos ou a incapacidade de levar a termo repetidas gestações.
Atualmente, mais ou menos 15% de todos os casais são inférteis. Mesmo havendo numerosos casos de infertilidade em mulheres e em homens, avanços na medicina possibilitaram diagnosticar e tratar muitos deles. Ainda assim, depois de anos de tratamento, muitos casais permanecem sem filhos. A decisão sobre como lidar com o momento de conceber, sobre a utilização de métodos para fertilização ou sobre a adotação de filhos é responsabilidade que compartilham diante de Deus, o autor da vida.

“Falta de filhos” não é uma “falha”, desde que seja esta a perfeita vontade de Deus para o casal. Casais estéreis não foram abandonados por Deus.
Casais que enfrentam problemas de esterilidade podem experimentar uma enorme carga emocional no decorrer do tempo: sentimentos de abandono, de raiva, de autocomiseração, de tristeza, de baixa auto-estima ou de culpa. Não importa o quanto o impacto da esterilidade afete o casal, o sofrimento pessoal é sempre grande. Amigos cristãos podem ajudar a curar essa dor mediante compreensão e encorajamento, respeitando os esforços do casal ao fazer suas opções e conversando abertamente sobre problemas de fertilidade quando o assunto se apresenta.
Mais importante ainda, a igreja precisa aceitar casais sem filhos e encorajá-los a descobrir e a buscar ministérios em que se realizem. Deus não dá filhos a todos os casais. Reserva bênçãos diferentes para casais estéreis. Apesar de podermos imaginar como viviam determinadas famílias da bíblia, nenhumas dessas mulheres notáveis foram associadas com a bênção de gerar filhos: Miriã, Ester, Priscila, Marta e Maria além de Maria Madalena.
Como Sara (Gn. 11,30), Raquel (Gn. 30,1), Ana (1 Sam 1,2) e Isabel (Lc.1,36), qualquer mulher hoje em dia sente a mesma dor pela infertilidade. No entanto, uma vez que percebe que a gestação de filhos não é a única responsabilidade que Deus coloca para o casal cristão, a mulher sem filhos descobre a alegria verdadeira em suas tarefas diante de do Reino de Deus.
E foi o que aconteceu com aquele casal. Depois de pouco tempo se engajaram em uma pastoral na igreja, foram muito bem recebidos pelo pároco e por todos da equipe, participam com muito ardor missionário, fazendo edificar com o seu testemunho de vida o Reino de Deus.
Que Maria, A Virgem das Dores, possa acalentar as dores do sofrimento de todos os casais estéreis e que o Espírito Santo abençoe sempre. Amém!
Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém- Pará- Amazônia- Brasil.
diaconoluizgonzaga@gmail.com

“VAIDADE, SUCESSO E A PALAVRA DE DEUS”.


Hoje em dia, muitos cristãos querem que Deus se manifeste por meio deles. Querem receber poder divino e autoridade para curar as doenças e resolver os problemas financeiros e as desavenças no lar. Desejam ser capazes de realizar as obras do Senhor, testemunhar, curar enfermos e expulsar demônios. No entanto, não possuem esse poder. Um dos principais motivos por que muitos cristãos atualmente não obtêm prosperidade abundâncias, conquistas e não realizam as obras que Cristo operou dois mil anos atrás é que não estão dispostos a seguir o exemplo de Jesus.
Não querem humilhar-se nem caminhar em obediência, submissos à vontade de Deus.

Um espírito de erro tem invadido a Igreja. Doutrinas humanas ensinadas em muitas denominações religiosas contaminam e estimulam os cristãos a exaltar-se e a mostrar-se egoístas e intimistas. A Palavra de Deus ensina que devemos humilhar-nos: “Antes, o maior dentre vós será aquele que vos serve. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado” (Mateus 23,11-12), pois não somos nada comparados ao Senhor. Jesus reconhece a sua dependência total de Deus: “Por mim mesmo nada posso fazer” (Jô. 5,30).
Paulo declara a igreja de Corinto: “Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas, consistiram de demonstração do poder do Espírito” (1 Cor. 2,4). O apóstolo não dependia da própria sabedoria ou de sua capacidade. Paulo não confiava em si mesmo, e sim no poder de Deus.

As teologias humanas que se infiltraram na Igreja ensinam os cristãos a confiar em técnicas de pensamento positivo e em filosofias e estratégias mundanas para alcançarem o grande sucesso financeiro em suas vidas.
Jesus, porém, ensinou-nos a humilhação, a negar a nós mesmos, a desconsiderar a nossa vida e a sacrificar-nos para alcançar os perdidos. Ele afirmou: “Quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mateus 10,39).
Disse também: “Qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lc.14,33).
Afirmou ainda: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; que ama seu filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mateus 10,37).

As teologias formuladas pelo homem ensinam os cristãos a preocupar-se consigo mesmo, a buscar o que podem conseguir sozinhos, pelo ato de “declarar” e “tomar posse” das promessas de Deus. Esses cristãos buscam satisfazer a sua natureza humana, ou seja, a satisfação da própria carne. Há muitas palestras e cursos sobre confissão positiva como usá-la para melhorar a auto-imagem e aumentar a auto-estima e o amor próprio.
Os cristãos são ensinados que devem sempre ser o primeiro, de ter e ser o melhor em tudo, de ser o “destaque” sempre, afinal de contas, são “filhos do Rei’.

Como resultado, muitos agora se preocupam apenas consigo mesmo, com os problemas, com as doenças, com os filhos, com os desejos pessoais, com as próprias “batalhas” espirituais. Deixaram de dar prioridade aos “perdidos da casa do Pai”.
Já é tempo de os cristãos perceberem que esse é um estratagema um sofisma do Diabo para que pensemos apenas em nós mesmos, em vez de cumprir a vontade de Deus e levar os perdidos para o Reino do Pai.

Não vivemos para nós, e sim para aquele que morreu e ressuscitou por nossa causa (2 Cor. 5,14).
Deus deseja que você seja curado, que seu casamento seja restaurado, que seus filhos sejam libertos das drogas, que seu cônjuge fique livre do vício, que você tenha satisfação no emprego e um ministério produtivo. Ele quer que tenhamos uma vida próspera em Cristo. Deus nunca planejou derrotas para nós!
Entretanto, há um detalhe fundamental a lembrar: o motivo de alcançarmos uma vida próspera não deve tornar-se um fim em si mesmo. Devemos ser prósperos para poder realizar a vontade de Deus!

O Senhor está conclamando o seu povo a humilhar-se e a não se importar mais com a própria vida. Ele busca cristão que estão dispostos a abrir mão de si mesmo para alcançar os “perdidos da casa do Pai” que dediquem seu tempo intercedendo por estes irmãos, que desistam das próprias necessidades e dos seus desejos para despender tempo, energia e dinheiro na propagação do evangelho pelo mundo.

Conhecer a vontade de Deus não é suficiente, boa vontade tão somente não basta. Os que fazem a sua vontade e caminham em obediência herdarão a vida eterna. Jesus disse: “Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mateus 7,14).

Não conseguiremos ser obedientes a Deus se não estivermos dispostos a humilhar-nos diante dele, aceitando ser servo de todos. Jesus, o Filho de Deus, humilhou-se e tornou-se Servo. Temos de estar dispostos a fazer o mesmo.
“Humilhen-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele os exalte no tempo devido” (1 Pedro 5,6).

Que a Luz do Espírito Santo nos conduza pelos caminhos do Senhor e que a Virgem de Nazaré, padroeira da Amazônia nos proteja com o seu manto sagrado.

Diácono Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém – Pará – Amazônia – Brasil

diaconoluizgonzaga@gmail.com

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESPOSA DE DIÁCONO


ESPOSA DE DIÁCONO

“Pastorear o povo de Deus” é um trabalho que apresenta grandes variações, de acordo com a época e com o lugar, mas os princípios bíblicos em relação à liderança permanecem constantes.

Na bíblia, “sacerdotes”, “profetas e “diáconos” podem também fazer alusão a posições semelhantes de liderança e muitos não eram casados por causa das circunstâncias difíceis.

Mulheres que se casaram com esse tipo de homens (sacerdotes, profetas e diáconos) ficaram ligadas a uma exigência dupla: uma vida sem lucros no mundo e um comportamento que demonstrava os mais altos padrões de integridade espiritual.

Para desenvolver uma fé completa no sustento diário dado por Deus é necessário passar por provações freqüentes.
A provisão dada pelo Senhor a seus servos é ilustrada na bíblia pelo conselho dado por Eliseu à viúva de um profeta (2 Reis 4,1-7).

Paulo também ensinou que o trabalhador é digno de seu salário (1 Tim.5,18), mas o povo de Deus, freqüentemente, falhava nisso ou era muito pobre para fornecer o sustento suficiente.

A lei mosaica responsabilizava Arão, o sumo sacerdote de Israel, e sua tribo de Levi de cuidar de todos os aspectos do culto comunitário. Os sacerdotes levitas deviam representar Deus para o povo até que a lei fosse cumprida em Cristo.

Isso exigia uma vida de santidade. Suas esposas eram escolhidas entre as virgens (Lv.21,7-13). A lei do Sinai providenciou sustento para os sacerdotes e para suas famílias de maneira adequada (Nm.18,8-20), mas, nos anos seguintes, a pobreza e a decadência espiritual ficaram registradas.

Malaquias denunciou fortemente o divórcio e a degeneração pessoal entre os sacerdotes (Ml.2,11).
Ao escrever para Timóteo seu jovem discípulo e pastor, Paulo cita as qualidades de reverência e de domínio próprio necessário à vida das esposas dos líderes espirituais (1 Tim. 3,11-12).

O estilo de vida da igreja hoje pede um nível de compromisso da mulher que serve como esposa do diácono. Equilibrar casamento, casa e família como devoção exemplar e dedicação ao ministério do esposo, requer da esposa, um espírito altruísta e de zelosa compaixão pela causa de Cristo.

Como é bom poder observar uma esposa virtuosa ao lado do esposo diácono. Ela ordena as prioridades certas – nutri um relacionamento pessoal com Deus (Mt. 6,33), ministra ao marido (Pv. 18,22; 19,14), cuida dos filhos (2 Tm1,5) e, depois cuida da casa (Tt 2,5), ainda acrescenta outras atividades que o tempo e a energia lhe permitem (Pv.31,10-31).

A esposa do diácono tem seu valor como pessoa ao assumir com humildade o papel de servidora. Ajuda o esposo como parceira espiritual, ajudando-o a obedecer à palavra de Deus e a realizar os ministérios espirituais. Ajuda como congênere de mãos dadas com o Criador para dar continuidade às gerações. Ajuda como confidente para oferecer consolo e amizade ao esposo e aos filhos. E ainda serve como companheira para proporcionar incentivo e inspiração.

Tem ainda de ter uma aparência agradável, que traz orgulho ao esposo, caráter piedoso, sem uma atitude materialista, eficácia na administração do lar, valorizando as tarefas domésticas. Ajuda como assistente espiritual do esposo, principalmente quando ele está emocionalmente e espiritualmente exausto.

Sempre tem disposição para usar sua energia, criatividade e determinação para ser digna de respeito por todos que convivem com ela.

Que a Virgem Maria, possa sempre guardar e proteger essas mulheres de força, garra, compromisso e amor pelo serviço do Reino ao lado de seus esposos diáconos.

Diac. Luiz Gonzaga
Arquidiocese de Belém/PA.
Amazônia – Brasil

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diaconoluizgonzaga.blogspot.com